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Inicialmente queremos pontuar que consideramos necessário o desenvolvimento de uma percepção intercultural dos direitos LGBT sem desconsiderar a potência da heteronormatividade que perpassa a cultura ocidental, esta é o contexto da ascensão dos direitos LGBT e a emergência das professoras trans.

A seguir apresentamos os limites que definimos no uso das noções de Judith Butler e Boaventura Souza Santos, autores de perspectivas teóricas bastante diferentes. As elaborações de Judith Butler são tributárias de discussões próprias da flexibilidade de filosofia política que se propõe à desconstrução teórica de várias categorias normativas, perspectiva que pode, ainda que com reservas, ser aproximada das compreensões foucaultianas. Butler e Santos se distanciam pela forma e conteúdo de suas análises e as diferentes posições em relação às identidades, à subjetividade e mesmo à cidadania. Butler acentua a importância da linguagem na produção dos sujeitos e a problemática das posições identitárias dos sujeitos nos diversos feminismos, analisando o machismo de muitas posições feministas; suas análises se orientam pela elaboração da noção de heteronormatividade pelos conceitos de matriz heterossexual, normas de gênero, política queer etc. A proximidade dessa autora com Foucault está em compreender tanto a subjetividade como a cidadania como artefatos da cultura em vista da

normalização dos sujeitos nas formações discursivas. É a partir dessas elaborações que se articula grande parte da perspectiva queer já nomeada nas partes iniciais da tese.

Boaventura Souza Santos (2006) privilegiará em sua construção teórica a importância das identidades, ainda que de modo não essencialista, na constituição da cidadania, ou seja, “o processo histórico da cidadania e o processo histórico da subjetividade são autônomos ainda que, como tenho vindo a defender, intimamente relacionados” (p. 247), portanto não redutíveis a artefatos da cultura. Ele ao propor sua teoria se distancia daqueles considerados pós-modernos ao recusar “uma concepção pós-moderna da modernidade” (B. S. Santos, 2010, p. 15). Ele orienta suas elaborações implicando-se com a manutenção de uma sociedade mais justa e solidária, assim se coloca acima de qualquer perspectiva de desconstrução da modernidade e da crítica pós-moderna. Reconhece a complexidade da noção de dignidade humana, mas não a descarta. “Proponho, em alternativa ao universalismo abstracto e imperial, um universalismo concreto, construído de baixo para cima, através de diálogos interculturais sob diferentes concepções de dignidade humana” (2010, p. 21). Essa proposta indica sua compreensão da necessidade de aprofundar esses diálogos diante da incompletude de todas as culturas humanas e perspectivar os direitos humanos de modo intercultural.

Butler (2006) também considera a importância de atentar para a diversidade de compreensões locais acerca do gênero para rebater formas de pensamento que ignorem as nuanças culturais da questão.

É crucial compreender o funcionamento do gênero em contextos globais, em formações transnacionais, não só para ver que problemas aparecem para o termo “gênero”, mas também para combater formas falsas de universalismo que estão a serviço de um imperialismo tácito e explicitamente cultural22 (p. 24. Tradução nossa)

Consideramos que essa perspectiva se aproxima da interculturalidade de B. S. Santos (2010) na compreensão dos direitos humanos, ainda que neste autor existam indicações de possíveis sínteses que estão ausentes na leitura que Butler (2006) propõe ao gênero. Aqui está o problema na compreensão do sujeito e das identidades nesses autores, pois se em B. S. Santos podemos constatar a existência da constituição de identidades, em Butler a identidade é compreendida apenas como um exercício no processo de transformação.

Assim reiteramos que fazemos uso das noções desses autores por uma abordagem transdisciplinar, sem pretensões de sínteses teóricas. Por isso especificaremos nos últimos parágrafos deste capítulo as apropriações específicas que fizemos dos autores em questão para

22 Es crucial para comprender el funcionamiento del género en contextos globales, las formaciones

transnacionales, non sólo para ver qué problemas se le plantean al término "género", sino también para combatir formas falas de universalismo que están al servicio de un imperialismo tácito o y explícitamente cultural.

pensar tanto a heteronormatividade como as políticas de direitos humanos. Nossa compreensão de sujeito e sociedade permanece a partir de Norbert Elias, ainda que neste consideremos a ausência de análises hodiernas dessas duas categorias teóricas nomeadas nesta seção: heteronormatividade e políticas de direitos humanos.

Essas categorias podem nos auxiliar na análise dos direitos LGBT em suas possibilidades, insuficiências e contradições diante da emergência das professoras trans na contemporaneidade, um contexto marcado pelo aumento do gradiente de informalização nos processos sociais e suas relações como regime de emoções entre os séculos XX e XXI. Nesse período podemos dizer que os direitos LGBT são constantemente obstaculizados pela heteronormatividade que ainda demonstra sua capacidade em marcar as relações de poder a partir das normas de gênero, constituindo as trans como um grupo de outsiders. Em seguida veremos que a efetividade desses direitos está relacionada com a possibilidade de rompimento com determinados pressupostos do Ocidente, marcado por uma formalização liberal dos direitos humanos. Comecemos pelas noções de Judith Butler.

Quando falamos em direitos LGBT, podemos pensar um conjunto de disposições que podem ou não ser legais e perpassam contextos locais ou neles se especificam (Carrara, 2010). Existem documentos que por seu caráter supranacional tendem a ser uma busca de elaborações que poderíamos entender como interculturais, ou ao menos uma tentativa para isso. Vejamos por exemplo o documento Princípios de Yogyakarta, este pode ter um caráter transnacional, sem tornar-se uma legislação; contudo, se pensarmos nas portarias de organismos da gestão pública brasileira que aprovaram, no âmbito de sua ação, o uso do nome social para travestis e transexuais, falamos de uma normatização legal. Documentos como esses podem ser considerados instrumentos de direitos humanos e parte das políticas desses direitos. Sua existência pode ser tanto uma alternativa como um simulacro para a gestão da exclusão, isto é, uma exclusão que gera subalternizados/as e não excluídos/as. Então afirmamos que a categoria direitos LGBT pode indicar esse conjunto de discursos que nas políticas de direitos humanos articula as nomeações des/necessárias para a localização/reconhecimento de LGBT. Qual a função e/ou o que indica essa questão no processo social e nas direções de mudança que ele aponta? Norbert Elias, na análise da Sociedade de Corte (2001) e também nos dois volumes do Processo Civilizador (1993; 1994a), reconheceu nos manuais de boas maneiras, nos costumes e nas regras de etiqueta um indicador para localizar aquilo que uma dada sociedade elegia como formas desejáveis de comportar-se publicamente. Na época moderna os livros de etiqueta e boas maneiras se tornavam expressão das eleições de determinados grupos que eram postos como modelo de

civilização para muitos outros grupos. Em nossa compreensão, entendemos que esse conjunto de disposições que se colocam como instrumentos de direitos humanos tem uma função semelhante na contemporaneidade. Ainda que diferentes compreensões disputem a legitimidade em proclamar-se como parte desses direitos, algo é tomado como dignidade humana e posto como orientador dessas compreensões. Vejamos então, como essas questões podem ser corroboradas pelas elaborações de Judith Butler que definem a noção de heteronormatividade.

Consideramos que as normas de gênero e matriz heterossexual (Butler, 1999) são noções importantes às análises de nossa pesquisa, especialmente para especificar a produção e destinação do corpo trans no contexto das sexualidades: a exclusão pela subalternidade e/ou pela eliminação. Essa produção é sustentada por um pressuposto que Butler define como normas de gênero, que compreende o dimorfismo sexual, a heterossexualidade naturalizada e o privilégio do masculino. Essas noções nos auxiliam na compreensão do desenvolvimento de um habitus no qual os sujeitos se orientam considerando a existência de somente dois gêneros, masculino e feminino; dois corpos, homem e mulher, e uma única forma de desejo sexual, o heterossexual. Tudo aquilo que foge a isso receberá um tratamento específico, se constituirá em alvo da homofobia, ainda que esse termo apresente diversas fragilidades (Junqueira, 2007). Conforme Prado e Junqueira (2011) o termo homofobia foi inicialmente utilizado pelo psicólogo norte-americano George Weinberg em 1972 para nomear o medo que homossexuais causavam em heterossexuais, depois ganhou grande notoriedade aquela década em localidades do hemisfério norte, sendo debatido e analisado por vários setores sociais e perspectivas teóricas. Parte dessa discussão já foi elaborada inicialmente, e aqui retomamos o termo homofobia pela possibilidade de considerá-lo como um dispositivo dinâmico da heteronormatividade (Junqueira & Prado, 2011). Vejamos como entender essa questão, partindo da análise dos modos de constituição da subalternização dos corpos femininos e exclusão daqueles que borrem os limites do heterossexismo.

Em Corpos que pesam: sobre os limites discursivos do “sexo”, Butler (2010) discorre acerca da trama de linguagens desde as clássicas associações de feminilidade e materialidade através dos termos mater/matriz para dizer do útero. O corpo e o feminino permanecem presos a uma essência da mulher, à alma, construída nos discursos que perpassam o pensamento ocidental. Corpos que se materializam, que ganham significados (importam) como se tem explicitado desde Platão e Aristóteles, são os corpos dos homens. A autora sugere as análises que Michel Foucault fez de Aristóteles para que reconheçamos a genealogia dessa materialidade e suas formas de operação para domesticar os corpos. Para Foucault (1985), a

alma é elaborada como ideal normativo e normalizador pelos discursos. A inteligibilidade dos corpos se exerce pelo poder que se constitui de forma idealizada. Esse ideal como um cárcere dos corpos define seus limites numa sujeição ao poder constituído. Seja a alma como articuladora das formas do corpo, em Aristóteles, ou o corpo, como cárcere das formas da alma, em Platão, temos por fim uma essência que se manifesta nos corpos em performances que se elaboram entre discursos, uma essência que se mostra sem aderências e pode se tornar aquilo que ainda não é previsto. A materialidade é efeito do poder presente nos discursos, o corpo da mulher como efeito do discurso de quem a sujeita. Aqui a noção de discurso está mais próxima à flexibilidade proposta por Michel Foucault que aquela definida por Norman Fairclough, sendo a primeira definida como mais ampla e a segunda considerada mais restrita ao longo da tese.

Assim podemos ver como historicamente essa sujeição dos corpos femininos alternaram em sua significação, ou subsistiram em sujeições justapostas: religião, ciências médicas, estado moderno etc. Nesse sentido, entender a genealogia da materialidade, dos significados dos corpos é permitir que apareçam também os borramentos entre os limites dessa materialidade. Butler (1999), ao retomar a noção de matéria da filosofia antiga, permite pensar que ao falar da produção dos corpos na linguagem não se está restringindo nossas análises do objeto à representação discursiva, algo que permite uma ponte com os conceitos elisianos que dizem das interdependências sociais entre sujeitos e grupos humanos. O habitus das figurações estabelecidos-outsiders na escola pode colocar os corpos trans, e outros que explicitarem esse borramento dos limites do gênero, no lugar de seres abjetos, na expressão usada pela por Butler (1998). Uma das questões em jogo na transformação dos corpos das trans é “uma vinculação desse processo de "assumir" um sexo com a questão da identificação e com os meios discursivos pelos quais o imperativo heterossexual possibilita certas identificações sexuadas e impede ou nega outras identificações” (Butler, 2010, p. 155). Esses processos de identificação, ainda que precários e/ou negados, constituem as trans como outsiders, pois para impedir as identificações além da heterossexualidade é preciso submeter à exclusão os sujeitos que produzem os borramentos dos limites postos pelas normas de gênero, ou seja, distanciam do padrão que fornece inteligibilidade aos sujeitos nas figurações estabelecidos-outsiders que pode emergir na escola. O enfrentamento da heteronormatividade se dá pela desnaturalização da tríade sexo/gênero/desejo, conforme veremos a seguir.

Judith Butler no texto Sujeitos do sexo/gênero/desejo (1999) problematiza a compreensão de que sexo refere-se ao que é natural, e gênero como uma construção social. Ambos seriam dispositivos, semelhante à compreensão foucaultiana, para hierarquizações

entre homens e mulheres na leitura das teorias feministas. Essa produção da década de 1990 criticou o modelo binário sexo/gênero, contudo elaborada sem desconhecer a importância do conceito sexo/gênero na formulação de políticas feministas.

As lutas feministas analisaram que a submissão aos homens se dava por uma construção social do corpo da mulher como frágil, dependente e incapaz da razão. Com a diferenciação entre gênero e sexo, essas teorias buscavam afirmar não haver razões naturais, no sentido biológico e moral, para essa submissão. O movimento das mulheres, desde seus inícios, construiu análises e argumentos que chegaram à formulação da díade sexo/gênero. Aqui podemos vislumbrar o problema da reiteração das mulheres transexuais de uma natureza feminina, ainda que seja também essa a sua possibilidade de suas existências, uma tentativa de sair do borramento dos limites entre os gêneros. Isso causa medo aos estabelecidos, pois estes podem perder as possibilidades de sanções culturais que fazem aos outsiders.

O que permanece “impensável” e “indizível” nos termos de uma forma cultural existente não é necessariamente o que é excluído da matriz de inteligibilidade presente dentro dessa cultura; ao contrário, o marginalizado, e não o excluído, é que é a possibilidade cultural que provoca medo, da perda de sanções. [...] O “impensável” está [...] plenamente dentro da cultura, mas é plenamente excluído da cultura dominante. (Butler, 1999, pp. 98-99. Tradução nossa)23

A noção de normas de gênero está relacionada às regras de funcionamento dessa matriz heterossexual (1999), possui relações com as noções de Gayle Rubin (Rubin & Butler, 2003); esta analisa a possibilidade de desestabilização do sexo pela variedade de práticas sexuais, pois a sexualidade normativa fortalece a normatização de gênero. A noção de norma também está relacionada às discussões de Jeffrey Weeks (2010) nas pesquisas que faz do corpo e da sexualidade, tomando caso da hermafrodita Herculine Barbin analisado por Michel Foucault, em que discute a definição do sujeito pelo sexo. Ela demonstra como se consolidou, a partir das classificações de normalidade e anormalidade sexual, as regulações para as sexualidades e como isso estava relacionado à definição de homossexualidade.

Será, sem dúvida, uma surpresa para muitas pessoas saber que uma definição mais aguda de "heterossexualidade" como sendo a norma foi forçada precisamente pela tentativa de definir a "homossexualidade", isto é, a forma "anormal" de sexualidade, mas os dados de que agora dispomos sugerem que foi exatamente isso que ocorreu. (Weeks, 2010, p. 61)

Consideramos que a norma tem sido capaz de regular e/ou questionar qualquer outra a partir da naturalização da heterossexualidade, o que faz daqueles/as outsiders nas figurações sociais, sujeitos que desafiam essa norma, ainda que não intencionalmente. Por isso quando

23 What remains “unthinkable” and “unsayable” within the terms of an existing cultural form is not necessarily

what is excluded from the matrix of intelligibility within that form; on the contrary, it is the marginalized, not the excluded, the cultural possibility that calls for dread or, minimally, the loss of sanctions. Not to have social recognition as an effective heterosexual is to lose one possible social identity and perhaps to again one that is radically less sanctioned. The “unthinkable” is thus fully within culture, but fully excluded from dominant culture.

Butler (2003) se propõe a elaborar uma crítica à díade sexo/gênero, ela toca em uma questão cara no histórico das lutas feministas desde seus inícios na modernidade. A diferenciação entre sexo e gênero serviu justamente para desnaturalizar essa lógica de submissão das mulheres aos homens ao longo da história, essa diferenciação que Butler questiona, algo que já vinha acontecendo desde a metade da década de 1980, sem desconhecer a importância na política feminista de décadas anteriores.

A autora questiona teorias feministas em que o termo desejo permanece naturalizado, ainda que estas separem sexo de gênero. Nos argumentos históricos que sustentam a hierarquização baseada em sexo está posta a ligação da mulher com a natureza, movida por desejos, enquanto o homem, como ser da cultura, age pela razão. Para Butler (1999) essa posição, sustentada em feminismos, sempre terá consequências homofóbicas, pois configura normas de gênero que se destinam aos domínios da abjeção. De algum modo o desejo não estava visível e prestava para ligar sexo e gênero no sujeito feminino. Isso leva Butler (2003) a supor que talvez sexo e gênero sempre estivessem ligados, “de tal forma que a distinção entre sexo e gênero revela-se absolutamente nenhuma” (p. 25).

Também ela questiona a compreensão do sexo como natural, justamente encobrindo o desejo, elo que mantém gênero e sexo unidos. Para ela sexo também é discursivo, elaborado nos discursos tal como a construção social de gênero, em articulações e dispositivos que compreendem o sujeito como uno, em essencialidades naturalizadas pelos dispositivos reguladores dos corpos. Nessa lógica, travestis, transexuais femininas e masculinos podem também tomar como naturais as relações impostas pela tríade sexo-gênero-desejo. Na crítica que ela faz a Simone de Beauvoir tem um questionamento importante, pois ela nega a garantia de que o ser que se torna mulher seja necessariamente uma fêmea. Podemos dizer que ela nega que exista um nível de existência a ser atingido para autenticar o ser mulher. Aí está o cerne do questionamento, gênero também se tornava uma essência, na busca de um eu verdadeiro, influenciada pela perspectiva humanista, que se expressa de forma paralela ou continuadamente no sexo, no gênero e no desejo (Butler, 2003).

Contudo, entendemos que não há em Butler um desmonte do conceito de gênero, ou o desmantelamento da política feminista. Pelo contrário, esse argumento quer deixar abertas noções que pareciam reificadas nas teorias feministas. De algum modo ela está colocando uma questão que sempre caminha com o movimento das mulheres, ou seja, elaborar as igualdades e as diferenças de homens e mulheres nas figurações sociais. Assim é possível a introdução dos choques de posições nas democracias, desmontando os mecanismos que

impeçam a elaboração da política feminista numa perspectiva não apenas democrática, mas aberta a participações ainda não presentes ou invisibilizadas até o momento (Butler, 1998).

Butler (2006), no livro Deshacer el género24, elabora algumas de suas posições teóricas frente às críticas e observações que suas análises têm recebido desde o início da década de 1990 quando publicou Gender Troubles (1999). Utilizamos as reflexões do primeiro livro citado (Butler, 2006) para aprofundar as análises acerca das normas de gênero em nossa tese. As normas de gênero ajustam a heterossexualidade compulsória à heteronormatividade, esta que pode ser descrita como um conjunto de crenças e dispositivos que constituem a heterossexualidade como a verdade/normalidade do gênero com base no binarismo sexual. Butler (1999; 2006) ao discutir as normas e especificamente aquelas que se referem ao gênero assinala que a questão central deste trabalho é desfazer os restritos conceitos normativos que regulam gênero e sexo, com isso problematiza diversas questões para desclassificar uma compreensão de gênero que conduz à violência e exclusão de pessoas, inclusive pelo assassinato. Ela situa seu pensamento na perspectiva ética que interroga os fundamentos que se pretendem inabaláveis acerca da “verdade” sobre o sexo, independentemente se elaborados por representantes da medicina, dos movimentos sociais trans ou outros.

Em nossa pesquisa interessa-nos principalmente sua análise que coloca em questão a transformação social e sua relação com as normas de gênero. Assim, apresentamos o livro Deshacer el género (Butler, 2006) e especificamos como a questão das normas de gênero podem se relacionar com a compreensão de sujeito que utilizamos em nossa pesquisa, pois esse é um dos pontos de divergência que encontramos em relação à obra de Norbert Elias. No livro ela problematiza a compreensão do reconhecimento, a partir de Hegel, quando este afirma ser o reconhecimento objeto do desejo; isso ela faz entendendo que parte da busca do

Benzer Belgeler