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Başkancı Rejim Tipolojilerinin Genel Değerlendirmesi

No livro III há um detalhamento da disposição das artes iniciais que devem aperfeiçoar a função de guardiões e governantes. Nesta fase inicial, tanto guardiões e governantes estão juntos, para serem educados no primeiro e segundo degraus, que corresponde ao aprendizado da música, da ginástica e formação militar. A etapa do conhecimento da ciência do Bem só será feita pelos guardiões que apresentarem habilidades para serem governadores. Estas etapas começam deste a infância e prossegue na juventude, para garantir um processo consistente na formação destas pessoas.

A música deve vir em primeiro lugar, por produzir harmonia e ordem na alma. Mas, não é qualquer música que deve ser ensinada e sim, aquela que provém de notas simples, harmônicas e sem apresentar nenhuma novidade ou modulação brusca e repentina.

Para que este ensino aconteça como convém, o governante, que já passou pelo processo formativo e se encontra no comando da cidade, deve encontrar, no meio dos artistas que vivem na cidade ideal, um que possua uma natureza boa e seguidora dos

sinais do belo e do perfeito, capazes de conduzir seus alunos para copiar, de suas almas, os modelos que provém da beleza e da perfeição que pode ser detectado dentro da melodia.

A instrução tem na música um instrumento que guia as crianças pelo caminho da razão. O condutor deve estar treinado na imitação perfeita do belo e do bem, penetrando na alma, para conduzi-la no aperfeiçoamento da racionalidade: que comanda e governa o corpo e a cidade.

O ensino da música tem a finalidade de proporcionar um lugar saudável, desde a infância, para que os guardiões sejam conduzidos a imitar, apreciar e se harmonizar com a razão formosa124. Esta forma de imitação do belo e da perfeição, através dos ouvidos e

olhos, tem o intuito de transportar para além da própria música, permitindo que se atinja a razão mais perfeita e harmoniosa. Pois, o que há na música é a imitação daquilo que a alma já traz em si mesma, fazendo com que a classe dos guardiões tenha a habilidade de apreciar e se assenhorear das virtudes presentes na alma virtuosa.

A música dispõe crianças e jovens no cultivo da razão, revelando um propósito prático para a vida pessoal e coletiva. Pois, guardiões assim educados, ao chegar à vida adulta, de modo mais profundo, sentirão as omissões e imperfeições em seu trabalho e estarão mais conformados diante de sua função, suportando-a, com naturalidade e alegria, alimentando-se de tal condição125 para ser perfeito no seu melhor.

Por isso, sendo educados desde a infância, não serão apenas belos músicos, mas cidadãos instruídos para sua função, conhecendo os valores pelos quais deve guiar sua vida, como a temperança, a coragem, a generosidade, a grandeza do amor, afastando-se, dos vícios que são contrários a tais valores126. Cidadãos capazes de conservar a função que ocupa na cidade e de estar adequado para lidar com os vícios e excessos que podem destruir sua formação.

A educação pela música não pode conduzir a outro caminho que não seja o da afeição e do amor moderado, belo e perfeito, que imita as virtudes cultivadas na alma, fortalecendo-a contra os vícios, que acarretam perdição e confusão provocada pelas paixões, prazeres e sentimentos.

Neste sentido, que relação há entre a temperança, que guia esta afeição, e o prazer excessivo, que a destrói? É uma relação dolorosa e insolente, pois a moderação

124 PLATÃO, 2001, 401c-d. 125 Ibid., 401e.

temperante não condiz com um prazer excessivo, que leva a alma ao fracasso e desgraça, mas ao amor verdadeiro, que naturalmente, ama com equilíbrio e harmonia o que se refere à arte e a beleza127.

O amor verdadeiro, expresso por meio da educação musical, não deve estar baseado no prazer excessivo, mas na relação de aprendizagem na qual quem ensina é considerado amante, e a criança ou jovem que aprende, é considerado amado. Esta relação deve estar acompanhada de regras e normas que não permitam que este amor se torne um vício.

O amante pode beijar o jovem, estar com ele, tocar-lhe, como a um filho, tendo em vista ações belas, e se for por meio da persuasão; mas em tudo o mais o seu convívio com o objeto de seu interesse deve ser tal que nunca pensem dele que as suas relações vão, além disso; caso contrário incorrerá na censura de ignorante e grosseiro (403b-c).

Este primeiro degrau deve convencer a outra pessoa a ser conduzido pelo Bem, através do convívio amoroso, físico e intelectual, praticado por dois homens: o amante e o amando. O que o aproxima é o amor à música simples e moderada que reconduz a alma para o amor verdadeiro, no intuito de modelar a racionalidade nas formas da virtude, salvando-a dos excessos das paixões e dos sentimentos.

O segundo degrau é a ginástica128. Os jovens devem ser educados na prática de ginástica pela vida a fora. Eles devem aprender que não é o corpo perfeito que torna a alma boa, mas, ao contrário, é a alma boa que faz com que o corpo se torne melhor naquilo que é possível ser melhor. Por isso, no processo educativo a música vem em primeiro lugar, para despertar na alma o comando do corpo, com sabedoria e temperança, conhecendo as virtudes e os vícios que pode encontrar alojada dentro e fora de si mesma. Só depois a ginástica, que deve ser acompanhada de uma dieta apurada do ver e ouvir129.

A ginástica se torna complemento da música com o intuito de tornar a alma melhor e, assim o corpo ser mais resistente e firme frente às intempestivas circunstâncias da vida. Como a boa música é simples, a ginástica conveniente é simples. Na música, a variação desmedida produz a arrogância; com a ginástica, ela adoece os

127 Ibid., 402e-403a.

128 Ibid., 403c. 129 Ibid., 403e-404a.

guardiões, devido o esforço físico desmesurado. Mas, sendo fundada na simplicidade a primeira suscita temperança na alma, e a segunda, saúde no corpo130.

A presença desregrada das dessemelhanças e das paixões, segundo Platão, causaria um retorno à aparência da justiça que resulta na violência da injustiça e, por conseguinte, na destruição da estrutura da cidade justa. A justiça deixaria de guiar os guardiões e governante, devastando o amor verdadeiro que passaria a ser aparente, interesseiro e grosseiro.

A base organizativa e estrutural da alma e da cidade é cada parte executar com precisão a função própria, sem fazer outra tarefa específica. A educação pela música e ginástica deve conduzir a um esforço no ordenamento da função própria dos guardiões e governantes na manutenção desta funcionalidade moderada. Para tal é imprescindível um rigoroso treinamento fortalecendo-os nesta árdua tarefa.

A falta da ginástica ou da música provocaria desequilíbrio no espírito de quem é formado para garantir o equilíbrio. Pois, a ginástica sem a música produz grosseria e dureza e a música sem a ginástica, moleza e doçura131, coisas que não convém à cidade, por acarretarem excessos. Por isso, o balanceamento no treinamento, fazendo com que o governante e o guardião moderem sua força e doçura.

Para que o treinamento seja equilibrado é imprescindível tomar as disposições naturais que o jovem possui, reconhecendo em seu caráter a presença do aspecto corajoso da natureza humana, que em excesso dá lugar ao áspero, mas com treino torna- se coragem132. Do mesmo modo, observar sua condição natural para a ternura, pois “a doçura é apanágio de um natural dado à filosofia”133, mas não havendo rigorosidade, ela

afrouxa o caráter, provocando desordem e confusão.