BAŞARILI ÖRNEK UYGULAMALARA YÖNELİK KILAVUZ İLKELER
BAŞARILI ÖRNEK UYGULAMALARIN YAPILMASI
Tudo Sobre Sexo no NP :
Tradição, Família e Sexualidade
1 – Um breve panorama
No Brasil, foi no final do século XIX e primeiras décadas do XX que começou a estruturar-se um processo de industrialização com o surgimento de uma burguesia nos moldes da europeia e com o aparecimento de um proletariado fabril. De qualquer forma, em boa medida, ainda importávamos modas, padrões culturais, arquitetônicos e científicos da Europa de um modo geral e, nesse momento, da França em particular.
No campo do sexo no ambiente urbano, a prostituta francesa foi especialmente importante como vetor de novos costumes e novos padrões, porque nesse:
Momento histórico em que a burguesia e as camadas médias se deslumbravam com as conquistas do progresso, o mundo da prostituição era vivenciado, no plano simbólico, em sua dimensão modernizante. Um jornalista explicava em 1916: “Importamos tudo do estrangeiro, até seus vícios, seus maus costumes. É a nevrose latente do francesismo” [A Capital, 01/09/1916]. Relacionar-se com a prostituta estrangeira, mulher experiente e desconhecida, satisfazia a expectativa burguesa de se ver introduzida nos hábitos sexuais avançados das sociedades modernas (RAGO, 1991, p. 169).
Mas é preciso lembrar que essa liberalidade se restringia apenas aos homens. Da “mulher de bem”, da futura mãe de família, contraponto da prostituta, ainda se esperavam a
castidade e o recato. O namoro de uma família burguesa era um ritual vigiado em que o par mal podia se tocar e era precedido, além da autorização dos pais da noiva,
De uma série de preparativos formais que levavam ao casamento; as moças, cuidadosamente resguardadas, nunca poderiam ser deixadas a sós com homens que não fossem parentes próximos. Com olhos vigilantes, a mãe deveria sempre acompanhar as filhas às festas, observando-as enquanto dançavam, jamais as perdendo de vista (CARMO, 2011, p. 210).
No que se refere ao proletariado, o medo da burguesia em relação às suas formas “incivilizadas” de morar e viver demandou uma maior atenção por parte de médicos, higienistas, criminologistas e inspetores públicos ao que se passava no interior dos cortiços, favelas e botequins. As “classes perigosas”1 precisavam ser dominadas, era necessário que seus hábitos fossem moralizados e seus costumes devidamente regrados: “A família nuclear, reservada, voltada sobre si mesma, instalada numa habitação aconchegante deveria exercer uma sedução no espírito do trabalhador integrando-o ao universo dos valores dominantes.
O reinado da família permaneceu sem maiores contestações nas décadas seguintes até o surgimento de uma importante inovação científica. A partir dos anos 60 e da comercialização da pílula anticoncepcional iniciou-se uma revolução nos costumes. A organização de movimentos feministas2 e de luta por direitos dos homossexuais colocou a sexualidade em debate.
1 No tocante aos discursos de finais do século XIX, dizia-se que “os pobres carregavam vícios, os vícios produzem os malfeitores, os malfeitores são perigosos à sociedade; juntando os extremos da cadeia, temos a noção de que os pobres são, por definição, perigosos” (CHALHOUB, 1996, p. 22).
2 “O feminismo, enquanto conjunto de valores e representações sobre a mulher é uma ideologia contemporânea que animou com bandeiras de luta e plataformas políticas uma fração importante do movimento popular, especialmente nos anos setenta. Não obstante a diversidade de experiências e desenvolvimento teórico, os grupos feministas, nas principais cidades do mundo ocidental, partiam da crença comum de que: (1) as mulheres, além de sofrerem outras formas de exploração, são oprimidas enquanto tais, isto é, enquanto representantes do sexo feminino; (2) a opressão da mulher antecede o capitalismo e persiste no socialismo, demonstrando uma especificidade que só poderá ser superada através da militância das mulheres” (MORAES, 1996, p. 7).
No Brasil, devido à censura imposta pela ditadura civil-militar iniciada em 1964, discussões mais sistemáticas e articulações de movimentos sociais em torno da sexualidade só foram verificadas com mais intensidade entre meados da década de 70 e princípios dos anos 80. Era o momento em que a sociedade começava a falar mais abertamente sobre sexo, buscar informações e discutir o assunto.
Foi um período em que a sexualidade passou a ganhar espaço nos meios de comunicação de massa e na imprensa. O jornal Notícias Populares percebeu que seus leitores também queriam discutir o assunto e viu aí uma chance de, a um só tempo, agradar seu público e articular seu discurso sobre o tema.
2 – Tudo Sobre Sexo entra em cena
Explorar a sexualidade não constituía propriamente uma novidade na pauta de um jornal sensacionalista. Como revela Ramão Gomes Portão, editor do Notícias Populares, a pauta do jornal precisava “captar o desejo do homem da rua. E disto não tenham dúvida: ele quer sangue e mulher, crime e sexo” (PORTÃO, 1969a). A maneira mais direta encontrada para satisfazer o desejo do público leitor do NP por sensualidade era a exposição diária de mulheres seminuas na capa do jornal, as chamadas Máquinas do NP.
Com o olhar provocante e em poses sensuais, moças, na sua maioria dançarinas de boate e atrizes de filmes adultos, atraíam o olhar do leitor que passava pela banca de revista com pernas e até seios à mostra. Na seção de Variedades do jornal, mexericos e entrevistas com atrizes famosas, modelos em evidência e cantoras populares também rendiam boas imagens e ajudavam o consumidor do NP a percorrer o segundo caderno do periódico, cujas
páginas também estampavam anúncios de peças de teatro e filmes adultos em cartaz nos cinemas do centro de São Paulo3.
Porém, como vimos, no início dos anos 1980 o desejo do público por sexo pedia mais do que a simples estimulação dos sentidos. O público leitor desejava mais informações e queria discutir o assunto. Captando habilmente essa demanda, o jornal lançou em 06/10/1982 a coluna Tudo Sobre Sexo.
Inicialmente pensada para ser publicada duas vezes na semana, a coluna anunciava na capa do jornal daquele dia que vinha “trazendo explicações científicas para esclarecer todas as suas dúvidas”. O sucesso foi instantâneo e logo na semana seguinte ao seu lançamento, o jornal passou a publicar Tudo Sobre Sexo diariamente.
A coluna dividia espaço com a seção de Variedades do jornal. Normalmente era publicada no topo da página 11, a terceira do segundo caderno da publicação. Abaixo dela vinha o “Chacrinha no NP” com notas sobre o mundo televisivo. Não eram raros que os anúncios de filmes adultos disputassem a atenção do leitor na mesma página de Tudo Sobre Sexo. A página de 07/03/1983 ilustra bem essa situação:
3 A “chacrete” Rita Cadilac, as atrizes Angelina Muniz, Sandra Bréa e Nicoli Puzzi, a cantora Gretchen, então em início de carreira e a modelo Xuxa, cuja participação no filme “Amor Estranho Amor” de Walter Hugo Kouri foi muito comentada quando de sua estreia em novembro de 1982, eram algumas das figuras frequentes nessa seção naquele período.
A coluna abordou uma enorme gama de assuntos dentro do mundo da sexualidade, tais como masturbação, doenças venéreas, impotência, frigidez, zonas erógenas, virgindade, infertilidade, homossexualidade, fantasias e desvios sexuais.
A partir de 27 de março de 1983 Tudo Sobre Sexo também passou a dedicar um dia da semana, os domingos, para responder aos leitores da publicação. Orientados a enviar suas perguntas por carta e com um pseudônimo para a resposta, eram esclarecidas as dúvidas que assolavam os leitores. Por questão de espaço e de discrição eram publicadas somente as respostas, podendo os leitores em geral, na grande maioria das vezes, intuir quais eram as perguntas das seis ou sete cartas atendidas por semana.
Os assuntos eram diversos, porém a maior parte dos questionamentos dizia respeito à potência sexual, forma e tamanho do pênis, dúvidas quanto à masturbação, virgindade e uso de acessórios para o aprimoramento da atividade sexual. Outros, menos avisados do intuito científico da coluna, escreviam na tentativa de encontrar pares românticos e tinham suas cartas respondidas unicamente para serem lembrados de que o espaço não se dedicava a esse fim.
As cartas, de um modo geral, deixam transparecer um profundo desconhecimento do público sobre temas elementares da sexualidade. Também é perceptível um desejo coletivo por se enquadrar dentro do que é considerado “normal”. “Possuo um órgão genital do tamanho e formas normais?” “A frequência de relações sexuais que tenho com minha mulher é considerada normal?” Meu desejo sexual por uma pessoa do mesmo sexo é normal? Essas são algumas das questões que, embora não enunciadas formalmente (lembremos que a coluna omite as perguntas de seus leitores), estavam presentes em várias das semanas observadas.
Outro elemento importante a ser assinalado nessa interação entre Tudo Sobre Sexo e seus leitores é que, por diversas vezes, algumas das colunas da semana se pautavam pelas perguntas respondidas no domingo. Caso o espaço para esclarecimentos fosse considerado curto em relação à relevância do assunto, ou a pergunta a ser respondida fosse comum a muitas cartas, o tema em análise ganharia uma coluna exclusiva.
Durante o recorte temporal deste trabalho, Tudo Sobre Sexo foi assinada por Kate Meir. O jornal não faz nenhuma apresentação da colunista e nem ela mesma o faz, ou fornece suas credenciais. Somente depois de quase um ano da estreia da coluna, é que o jornal dá algumas pistas sobre a identidade de Kate. Em 02/10/1983 ela foi chamada a opinar sobre um rumoroso caso de zoofilia. A matéria cujo título era “Maníaco da galinha deu no pé” informava que o serralheiro Petrúcio Luís de Oliveira estava desaparecido após ter sido indiciado em inquérito do 39° distrito policial da capital. Petrúcio havia violentado uma galinha, de propriedade de sua vizinha.
Sob o intertítulo “Kate Meir: ‘É caso de psiquiatria’” o leitor era apresentado à Kate: “Estudiosa há mais de vinte anos dos problemas sexuais e dos desvios de conduta, a cientista Kate Meir, colunista deste jornal, acha que Petrúcio necessita, com urgência, de tratamento psiquiátrico”. Pouco mais adiante, a matéria relata que “A cientista [Kate] lembra que o relacionamento sexual com animais chega a ser comum em regiões rurais e também em algumas tribos primitivas” e abre novo espaço à colunista “’É bom que se frise’ – torna a falar a professora Kate Meir – ‘que não são apenas indivíduos do sexo masculino que buscam esse tipo de relacionamento”4.
Curiosamente, não foram encontradas referências bibliográficas sobre essa estudiosa tão capacitada. Não existem livros, teses ou artigos publicados por Kate Meir. É provável que se trate, na verdade, de um pseudônimo. Consideramos que esse fator, contudo, possui
relevância menor. O jornal chancela Kate Meir como uma especialista e como tal ela escreve e é vista pelos leitores que a ela dirigem perguntas e querem a sua opinião sobre os mais diferentes problemas e dúvidas de suas vidas sexuais.
Interessante notar também a especialidade de Kate, “estudiosa há mais de vinte anos dos problemas sexuais e dos desvios de conduta”. Kate é uma caçadora de anomalias, uma verdadeira ortopedista do comportamento sexual e foi assim, efetivamente, que ela se comportou em seus textos no correr do período analisado.
Embora reiterasse diversas vezes em suas colunas que não pretendia julgar ninguém, e que cada um tinha o direito de se comportar em matéria de sexo como quisesse, Kate Meir compôs um quadro bastante nítido do que seria, a seu ver, o comportamento sexual adequado e desejável.
Veremos, nas páginas seguintes deste capítulo, esse quadro surgir em negativo, ao lançarmos nosso olhar sobre algumas das anormalidades que preocupavam a colunista, chancelada pelo Notícias Populares como uma cientista apta a responder “todas as dúvidas” de seus leitores.
3 – Uma “anomalia” preocupa Tudo Sobre Sexo: A Homossexualidade
Foi com o texto “Medicina e Homossexualismo” que a coluna Tudo Sobre Sexo abordou pela primeira vez, em 28 de novembro de 1982, a questão da identidade homossexual. Esta coluna abriu uma série de outras cinco sobre o mesmo tema que seriam publicadas nos dias seguintes. Duas delas tratando da homossexualidade masculina, duas da homossexualidade feminina e outra que se ateve à definição de travesti. Em “Quem é o verdadeiro travesti”, de 03/12/1982, a autora se preocupa com distinguir o homem, heterossexual, que possui a fantasia sexual (“desvio” em seu raciocínio) de se vestir de mulher para o ato sexual (o verdadeiro travesti, em sua concepção) das travestis
homossexuais, “que se exibem em palcos ou até mesmo partem para a prostituição”. O termo travesti, no entanto, se consagrou da forma como a colunista se opôs. Para a fantasia sexual do homem heterossexual que se veste de mulher para obter satisfação, acabou prevalecendo a denominação em língua inglesa “crossdresser”.
Esta não foi a única vez que a coluna se ateve ao assunto. Em outras 24 oportunidades dentro do recorte temporal desta pesquisa, Tudo Sobre Sexo tratou da temática de homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais. Temos assim, nos pouco mais de dois anos de publicação diária da coluna que estão sob análise, 30 delas, o equivalente a um mês inteiro, dedicado ao tema. Este número expressivo é um forte indicativo da relevância da questão, não só para grupos de homossexuais que em princípios da década de 80 começavam a se organizar de forma mais sistemática, como para o público consumidor de um veículo de comunicação de massa.
Antes de nos determos de maneira mais aprofundada nos detalhes que compõem a visão da coluna sobre o tema, é importante destacar que, a mera abordagem da homossexualidade de forma extensa e com o intuito eminentemente informativo dentro de um veículo da grande imprensa do período e, mais precisamente, dentro de um jornal símbolo do sensacionalismo no Brasil, representou um grande avanço, à despeito de suas imprecisões e de perspectivas que, nos dias de hoje, possam saltar aos olhos como superadas ou preconceituosas.
Não se trata de tentar colocar o Notícias Populares “à frente de seu tempo”, algo de resto impossível em análises históricas, porém seu pioneirismo nesse aspecto carrega, e aí está sua riqueza, as contradições que estavam postas no período e dentro do próprio periódico. O jornal começava a discutir os temas da sexualidade, o que propiciou a revelação dos repertórios disponíveis para essa empreitada.
A questão da homossexualidade é, sem dúvida, paradigmática. Tradicionalmente, o tratamento que o jornal sensacionalista dá ao homossexual “é preconceituoso, marginalizante, ofensivo e retrógrado. O homossexual aparece como um perverso degenerado, cuja conduta fere a ‘normalidade’ e coloca em risco as instituições” (ANGRIMANI, 1995).
A coluna Tudo Sobre Sexo rompeu essa lógica unicamente excludente ao procurar informar seu leitor sobre este assunto de forma mais direta, valendo-se de um discursoque se pretendia cientificamente estruturado . Tal atitude que, como veremos, é muito mais próxima da tolerância determinada por condicionantes que da aceitação incondicional da homossexualidade tampouco implicou em uma mudança profunda na forma como a homossexualidade foi tratada pela pauta do veículo. Mas é importante pontuarmos que, nesse mesmo período, também podemos observar no NP o aparecimento de notícias que, ao lado das que usualmente expunham a homossexualidade e o homossexual diretamente associados à criminalidade e a degeneração, versam sobre curiosidades e amenidades do universo agora denominado “gay”.
Notícias como “Matou o irmão porque era homossexual” de 27/01/1983 na qual o assassino é descrito como um criminoso regenerado e a vítima como uma “bicha arruaceira da pior espécie” ou “Lésbica mata outra na disputa de uma mulher” de 10/04/1983, na qual a orientação sexual é o qualificativo principal de uma assassina, estão ao lado de notícias que cobriam concursos de beleza, tais como a manchete que estampava, com foto, a capa de 25/11/1982: “Mundo Gay escolhe os mais belos travestis”, ou ainda a escolha da Miss Gay de 1983, destacada na capa de 29/03/1983. Descoladas da pauta policial, matérias como essa, ainda que temperadas com ironia, associavam a homossexualidade a alegria e nelas era realçada a beleza das travestis.
Aceitos ou não por uma sociedade ainda cheia de escrúpulos e falsos moralismos, os homossexuais, ou terceiro sexo, tanto masculinos e femininos estão aí, cada dia mostrando mais abertamente a sua condição, para desespero de muitos e piedade de outros tantos.
Entretanto, longe de ser incentivada, a homossexualidade não deve ser motivo de ódio ou dó. Porque não é isso que os seus portadores desejam. Muito pelo contrário, a grande maioria necessita apenas ser aceita como um ser humano qualquer, que deve ser visto independente de suas preferências sexuais. O que torna o homossexual “diferente” é exatamente a atitude que acaba por tomar, de desafio, perante um mundo que o hostiliza.
Depois de anos e anos de estudo, a medicina ainda tem apenas esboços do que venha a ser a homossexualidade. Para alguns cientistas, trata-se de um problema hormonal. Estudos feitos com homossexuais indicaram que alguns deles, homens ou mulheres, têm taxa de hormônio, masculino ou feminino, mais baixa do que os heterossexuais, ou seja, pessoas que fazem o coito com o sexo oposto. Mas nem todos apresentam essa anomalia. Apenas aqueles que eram totalmente homossexuais sem a menor possibilidade de volta.
Provavelmente os portadores de homossexualidade congênita, sem influência de fatores psicológicos.
Ao mesmo tempo, foi provado, com experiências em animais, que injeções de hormônio contrário ao próprio sexo, provocam anomalias.
Para os psicanalistas, o homossexualismo não pode ser considerado doença, embora muitos consigam tratar e curar seus portadores.
Uma forte corrente, entretanto, é de opinião que a única maneira de se tratar homossexuais é compreendendo e aceitando sua situação.
Só assim os homossexuais conseguirão levar uma vida normal, independente do que façam em suas camas. Porque ninguém está aí para ser juiz de ninguém. A repressão,
em todos os aspectos, mas principalmente no sexual, está provado, não leva a nada de positivo. Muito pelo contrário, serve apenas para estimular taras e desvios em pessoas que, se bem amadas e aceitas, nada de mal provocariam a seus semelhantes5.
A primeira e mais óbvia constatação é que a homossexualidade, ou mais precisamente o “homossexualismo”, como descrito pela coluna, deixa a esfera da circunscrição policial um pouco de lado e adentra com força ao discurso médico.
Cabe à medicina, “depois de anos e anos de estudo” se pronunciar sobre esse assunto. O leitor é apresentado a um problema de grande complexidade. Ele pode ser hormonal e congênito e, nesse caso, sem “possibilidade de volta”. Estamos diante de uma anomalia que, os psicanalistas embora não chamassem de doença, eram capazes de tratar e curar.
Porém, o homossexual deveria ser aceito, “porque ninguém está aí para ser juiz de ninguém” e porque, afinal, a repressão “serve apenas para estimular taras e desvios em pessoas que, se bem amadas e aceitas, nada de mal provocariam a seus semelhantes”. Esta é a primeira chave para tolerar a homossexualidade . Segundo a coluna Tudo sobre Sexo: Deve-se aceitar o homossexual para que um problema não seja agravado e um comportamento anormal, porém inofensivo, não se transforme em algo fora de controle, frente a um mundo que o “hostiliza”. A segurança da sociedade deve prevalecer ante um comportamento indesejado da esfera privada.
Tolerar o “anormal” não significa, no entanto, tolerar a “anormalidade” ou “incentivá-la”. Há medidas profiláticas importantes a serem tomadas com o intuito de se evitar o aparecimento desse mal. No dia seguinte seria a vez de outra instituição importante se juntar à medicina e ganhar protagonismo sobre a questão: a família. Em 29/11/1982, dando continuidade à série, era publicada a coluna “Educação e Homossexualismo”.
Ao lado dos homossexuais que trazem desde o seu nascimento suas tendências num problema físico, estão os homossexuais que são apenas fruto de uma educação errada, na maioria das vezes rigorosa em excesso, principalmente por parte de pais que, mal veem nascidos seus filhos homens, querem ter em casa um machão. Os célebres “homem não chora’, “controle-se, seja homem”, podem estar gerando, no caso masculino, criaturas revoltadas que, adultas, vão querer ser tudo, menos HOMEM.
Mães superprotetoras que tratam seus garotos como peças de porcelana, podem estar criando filhos afeminados, que mais tarde engrossarão as fileiras dos homossexuais. A própria repressão ao se tratar de sexo, evitando diálogos francos e honestos, pode levar ao terceiro sexo indivíduos que, bem formados, jamais manifestariam tendências anormais. Prova disso são os animais que, mantidos em seu próprio ambiente, dificilmente praticam coito com espécimes do mesmo sexo.
Casamentos desastrosos, onde pai e mãe teimam em continuar juntos, apesar de mal se tolerarem, e que não poupam seus filhos de cenas de ofensas mútuas, também podem causar nesses filhos uma verdadeira aversão por contato íntimo com o sexo