Rivera Letelier começa sua trajetória literária na poesia com o livro: Poemas y Pomadas (1988), e com este ganha seu primeiro concurso regional. Segue com um livro de contos: Cuentos breves y cuentos de brevas (1990). Um de seus mestres na literatura foi Manuel Rojas Sepúlveda (1896–1973), pertencente à “geração de 38”, o qual Fernando Alegría caracteriza como pertencente a uma ideologia de base sociológica, e cujas projeções são políticas e literárias. Os poetas desta geração beiram os limites do surrealismo e do creacionismo “para uma aproximação mais direta da realidade”. Já os narradores descartam o regionalismo “criollista” e o substituem por uma narrativa comprometida, dando a ela um papel preponderante aos conflitos sociais. Os escritores saíram ao campo, à montanha, ao mar, às minas, certos de descobrir as raízes espirituais do “povo chileno” para analisar seus costumes e compreender sua linguagem. Associava-se a criação literária com os movimentos sociais e políticos que mudavam a face do país. (ALEGRÍA, 1968, p.142).
Na segunda metade dos anos sessenta, no campo da literatura, Chile alcança um considerável destaque internacional na poesia. Esses foram os anos em que o poeta Pablo Neruda (1904 – 1973), firma-se no panorama cultural e político. Por sua posição como membro do Partido Comunista do Chile, tornou-se um poeta de seu povo que utilizou sua poesia como instrumento de luta. Nicanor Parra (1914), também poeta, teve vários de seus poemas musicados por sua irmã Violeta Parra.
Se a literatura chilena era reconhecida por sua poesia, o mesmo não se poderia dizer da prosa. O “boom” e seus protagonistas, autores como o chileno José Donoso (1924 - 1996),
autor de Coronación (1957), Este Domingo (1966) e El lugar sin límites (1965), não alcançou em um primeiro momento um reconhecimento do público. Nos anos do “pós-boom”, que no
caso do Chile coincidiram com a pós-ditadura, ao contrário, a narrativa chilena volta a ter um papel protagônico. Em seu livro Historia personal del boom, publicado na década de setenta, José Donoso descreve como se deu o impacto do novo romance na produção literária chilena nos anos sessenta, e sua leitura do romance La región más tranparente (1958), do mexicano Carlos Fuentes. A ascensão e decadência da experiência socialista interferiram diretamente no processo de escrita desses autores.
Em romances como Rayuela (1963), de Julio Cortázar, La ciudad y los perros (1963) e La casa verde (1966), de Mario Vargas Llosa; El astillero (1961), de Juan Carlos Onetti, Cien años de soledad (1967), de Gabriel García Márquez; La muerte de Artemio Cruz (1962), de Carlos Fuentes; Paradiso (1966), de José Lezama Lima; Museo de la novela de la Eterna (1967), de Macedonio Fernández e mesmo os que foram escritos ainda na década de cinquenta mas que foram determinantes, como Pedro Páramo (1955), de Juan Rulfo, tinham como um de seus protagonistas a experimentação da linguagem. O fluxo de consciência, a presença de mais de um narrador, o esvaziamento do tempo cronológico, todo esse arsenal de recursos passaria a ser largamente utilizado por diversos autores ao longo dessa década. Importava então, para os autores latino-americanos, voltar-se para sua gente, discutir suas dificuldades, expor seus anseios e, de certo modo, retratar a luta empreendida por seu país com o intuito de produzir uma mudança estrutural em sua forma de vida.
Fator importante no que diz respeito ao consumo da literatura na década de sessenta, foi dado pelo perfil dos leitores que absorviam esses romances, ou mesmo, a relação entre os termos “alta cultura” e “cultura de massa”. Em uma tentativa excessiva de distanciar-se dos
romances regionalistas, o grupo de escritores que tiveram seus romances destacados no
“boom” optou por experimentações narrativas que em alguns casos levava à não compreensão
do leitor menos privilegiado.
No caso do Chile, os escritores alcançaram sua produção literária reconhecida depois da década de sessenta, ou ainda dentro dela. Autores como Hernán Rivera Letelier, buscaram deixar para trás toda uma “façanha verbal” e privilegiar uma escrita cimentada no realismo e no compromisso social. O protagonista será o “homem” com todos os seus conflitos sociais, políticos e principalmente seus traumas, em consequência dos crimes e massacres do governo militar. A linguagem tão privilegiada na literatura dos anos antecedentes, agora assumiria a função de “instrumento”. O choque traumático produzido pela queda de Salvador Allende gerou um maior nível de compromisso político e social nos escritores.
A ditadura de Pinochet se caracterizou como um momento de repressão a todas as formas de expressão, dentre elas a literatura. Em consequência disso, muitos escritores foram exilados para Berlim. Esta cidade se converteu graças a Antonio Skármeta, Carlos Cerde, Jorge Edwards e outros, em um lugar da literatura chilena. Os que permaneceram no país experimentaram o que significa escrever sob o regime ditatorial. Considerar o contexto histórico no qual Roberto Bolaño escreveu seus romances é ao mesmo tempo explorar o cenário das discussões que permeiam as heranças das últimas ditaduras latino-americanas. Os autores da geração de cinquenta e sessenta no Chile estão marcados por fortes acontecimentos históricos que ocorreram no país desde o início da ditadura nos anos setenta. Os textos de suas obras se radicam em um tempo específico do ponto de vista político e sócio-cultural.
a diferencia de la generación anterior, se pretende fundar un discurso narrativo originado en el deseo de colocar la literatura al servicio de la representación de una épica cotidiana donde reaparece la confianza en las capacidades individuales y colectivas para instalarse triunfalmente en el mundo y construir una sociedad mejor. (PROMIS, 1994, p.167).
A geração dos anos oitenta também é chamada por Ana María del Río de “emergente”, geração “pós-golpe” ou “marginal”. Entre a diversidade literária dos autores desta geração estão Diamela Eltit, Roberto Bolaño, Luis Sepúlveda, Alberto Fuguet, Sérgio Gómez e Hernán Rivera Letelier. Para alguns dos autores dessa geração, os temas políticos mencionados são “afrontados em términos mais diretos”, prescindindo cada vez mais de metáforas e alegorias. Obras com temas como “a necessidade de uma justiça que julgue a violação dos direitos humanos”, o exílio e a tortura. Os autores desta geração eram adolescentes quando o golpe aconteceu e passaram sua juventude em um país caracterizado pelo medo, a vigilância, a censura, a perseguição, o crime e a luta clandestina. Uma atmosfera pessimista que Rivera Letelier ficciona em romances como: La Reina Isabel cantaba ranchera s (1994) e La contadora de películas (2009).
Chega-se aos anos 90 e a situação política e sócio-econômica do Chile sofre mudanças devido a protestos dos movimentos estudantis e trabalhistas durante a década dos anos 80 em que muitos trabalhadores perderam seus postos de trabalho, situação mostrada por Rivera Letelier no romance Mi nombre es Malarrosa (2008). O Chile, ao final do governo militar, não é o mesmo de sua juventude. Essas manifestações contribuíram para a desestabilização do regime de Pinochet além de fortalecer a oposição democrática. É na década de noventa que se celebra a volta parcial da “democracia” e no âmbito particular da literatura, o aumento no número de leitores de romances ocasionado pela abertura política, estabilidade econômica, empresa editorial com projetos a médio-prazo, globalização e consumo de livros como indicador de status social. Além do êxito das estratégias de marketing para impor um produto no mercado, é inegável que o leitor optou pelo romance porque se identifica com as histórias narradas.
Em sua Introducción a la novela contemporánea, Andrés Amorós sustenta que o romance exerce uma ampla influencia social através da denúncia e da descrição de
acontecimentos concretos, e que pode chegar a influir em todos os âmbitos da vida social. Para ele, Sartre incorre em um erro ao afirmar que o escritor comprometido deva também participar em debates sociais e políticos, pois depende mais do temperamento do escritor que mesmo de seu envolvimento em uma causa. Por outro lado, o não participar ativamente no debate, não pressupõe necessariamente a falta de compromisso por parte do artista. Andrés Amorós censura também a ideia de Sartre de que todo bom romance, e por extensão toda boa literatura, busca transformar a sociedade de uma maneira revolucionária. A posição de Sartre revisada por Amorós se resume ao seguinte: “o compromisso do escritor é com seu meio e, por tabela, com todos os homens”. (AMORÓS, 1989, p.234).
Talvez um dos temas mais debatidos e ao mesmo tempo mais desgastados do ofício literário seja o do compromisso do escritor. É no período pós-guerra que o termo “literatura engajada” se define no campo literário. As posições dos artistas são tão variadas como extremas. Autores como Sartre (1905 – 1980) e Pablo Neruda (1904 -1973) defendem que a literatura deve velar por causas sociais e justas, de maneira que a arte seja “representativa da sociedade”. Os dois escritores advogam pelo socialismo. Na antípoda deste pensamento, escritores como Jorge Luis Borges (1899-1986), desacreditam profundamente no compromisso do escritor, e asseguram que essa suposta permanência da arte é em definitiva o obstáculo para a liberdade criativa.
A evolução literária dos escritores chilenos do século XX e no que vai do XXI, mostra o mesmo quadro que caracteriza a literatura em geral. Um quadro de instabilidade, de modificação, de ruptura, de transgressão, de variedade dentro da unidade, que parecem próprios dos tipos de discurso que se vem produzindo na literatura através dos tempos, das línguas e das culturas. Talvez por essa razão, nem a crítica, nem a teoria literária, nem a história da arte conseguiram estabelecer categorias aceitas por unanimidade e validadas, pretendendo resolver o problema da variação permanente, da multiplicidade e da
heterogeneidade das formas literárias. Por isso mesmo, a dificuldade em encontrar um lugar para a literatura escrita por Rivera Letelier. O sucesso de vendas de seus livros além das fronteiras chilenas o convertem em um escritor conhecido e reconhecido pelo seu público. No entanto, escritores como Roberto Bolaño em seu livro El gaucho insufrible (2003), lamenta por sua “cursilería y sentimentalismo”. (BOLAÑO, 2003, p.173).
As transformações mais recentes do cânone da literatura hispano-americana se realizaram principalmente em relação ao discurso narrativo, considerando que nos anos setenta se iniciou um abandono parcial de algumas chaves literárias do chamado “boom”
latino-americano. Surgem novas formas de realismo diante das complexidades metaliterárias ou fantásticas, o “Novo Romance Histórico”, a literatura de autoria feminina, a diminuição do interesse pelo problema da identidade americana, a aceitação “acrítica” de modelos procedentes da globalização e do neoliberalismo, entre outros.
Essa situação provocou também a necessidade de buscar outras modalidades mais acessíveis à leitura dos novos textos. Ao final do século XX apareceram novos espaços de instabilidade, crise e modificação do cânone, gerados principalmente por processos de interdisciplinaridade e interculturalidade, características dos discursos contemporâneos.
Escritores como Hernán Rivera Letelier, levam para ficção momentos da história do país, para que as novas gerações olhem para o Chile de hoje sem esquecer das lutas, mortes e massacres vividos durante séculos na história política. Ao primeiro contato com Santa María de las flores negras (2002), o leitor já conhece o final, porém a leitura o envolve, os personagens passam a seduzir até levá-lo ao último capítulo, para que este cumpra sua função de ficcionar um dos maiores massacres já conhecidos, mas que até o momento da publicação, era cantado pelo grupo musical: Quilapayun: “Señoras y señores, venimos a contar aquello que la historia no quiere recordar”. O autor escreve sempre desde um lugar e ao escrever,
reproduz esse lugar, pois, não se trata de um lugar no qual o escritor ocupa com seu corpo e sim o lugar, que por meio de sua escrita, vai modulando linguagem, imagens e conceitos.
Rivera Letelier mantém uma linha social em seus romances, porém em Santa María de las flores negra s, percebe-se uma maior intensidade, pois ainda que se tratando de um romance do “pampa”, do salitre, o autor se centra diretamente em um fato histórico. O norte chileno significou muito para o desenvolvimento do país, e por outro lado, está a condição de escravidão dos trabalhadores.
Os espaços fictícios criados pelo autor situam-se na segunda metade do século XX e estão ambientados no deserto de Atacama, região riquíssima em salitre, cuja exploração teve seu esplendor nas três primeiras décadas. Em seguida, vem a queda abrupta das minas, quando os alemães descobrem o salitre sintético e todo esse território vive uma total decadência. Até o presente, seus textos estão todos vinculados ao mesmo tema e aos povoados que surgiram pelo imperativo econômico da exploração. São as chamadas “oficinas salitrera s”. Esses pequenos povoados se desenvolveram nas mediações das minas e é essa
realidade social que o escritor dá vida em cada uma de suas narrativas, uma vez que em seus romances conta histórias que tratam da vida cotidiana dos mineiros, das mulheres, das prostitutas e das crianças, todos eles compartilhando a mesma solidão do deserto. Para o trabalhador chileno, o “pampa” faz parte de sua história. A obra de Rivera Letelier é o reflexo de uma camada da sociedade, de uma parte da história do Chile.
A função da literatura para Juan José Saer não é corrigir distorções frequentemente brutais da história imediata, nem mesmo produzir sistemas compensatórios do mundo em toda a sua complexidade, ou mesmo explicar com suas indeterminações e tratar de forjar a partir dessa complexidade, formas que a representem. Como escritor de um único discurso, Hernán Rivera Letelier é bastante delimitado, pois, todas as suas histórias são desenvolvidas nos acampamentos das usinas de extração do salitre, e representam o imaginário dos trabalhadores
por meio de um discurso esquerdista que nasce de suas visões, de sua consciência política, e que ele elabora por mais de uma vez sem levar em conta nem a expectativa de sua audiência nem as mudanças de situação.
Com a publicação de Santa María de las flores negra s no início do século XXI e próximo ao centenário do massacre dos mineiros, esse texto revela o compromisso de Rivera Letelier com seu tempo, com sua identidade, com a memória de seu país, com o sonho da revolução em um discurso que impulsione a massa popular a não calar, e que os protestos levados às ruas do Chile não sejam mais uma vez como em 1907, na Escola Santa María,
“varridos”, e que as ruas e praças chilenas de hoje não continuem com o ar impregnado com o
cheiro de rosas umedecidas de sangue.
Analisar a recepção dos leitores no início do século XXI a esse romance é desafiador, pois de um lado está a crítica ao estilo narrativo realista de Hernán Rivera Letelier, confrontando com romances que exigiam mais de seu público, com uma linguagem mais rebuscada, um discurso que instiga a interpretação do leitor, textos costurados com ironias; e do outro, um verdadeiro sucesso em vendas pelas editoras, não somente no Chile e outros países hispano-americanos, mas também em países europeus. Com inúmeros prêmios recebidos dentro e fora de seu país, Rivera Letelier desde a publicação de seu primeiro romance La reina Isabel Cantaba ranchera s (1994), vem conquistando um público leitor fiel às suas obras, razão de tanto sucesso em vendas e o reconhecimento gradativo do valor social e político de seu discurso. O que leva aos leitores a reflexão de que talvez as técnicas narrativas de Rivera Letelier não estejam tão “ultrapassadas” assim, ou que essa seja uma das propostas de sua literatura: que o Chile de medidas autoritárias, de desigualdade social, de fome e miséria, ainda está diante dos olhos dos que não se deixam fantasiar pela falsa imagem de “democracia”. Um mundo no qual os valores da economia de mercado parecem substituir os valores políticos.
Com Poema s y Pomada s (1988), Rivera Letelier representa uma época em que o Chile vive um período ditatorial. Já em Cuentos breves y cuentos de breva s (1990), o país começa a viver em etapa de transição entre o final de um governo ditatorial comandado por Augusto Pinochet e o governo do democrata Patrício Aylwin. Uma imensa dívida social deveria ser paga pelo povo chileno. O governo de Patrício Aylwin tinha como metas estabelecidas o controle da inflação e continuar promovendo a política de exportação. Os dois últimos anos do regime militar haviam sido levemente inflacionários, com um maior gasto fiscal utilizado para conseguir um maior apoio do eleitorado.
Patrício Aylwin realizou numerosas viagens oficiais a países estrangeiros, concebidas para restabelecer as relações internacionais chilenas em que representava também uma forma consciente de promover as exportações. Em setembro de 1991, Chile e México assinaram um tratado de livre comércio, que em um ano duplicou o fluxo entre as duas nações. As esperanças, a longo prazo, estavam postas agora em um eventual acesso ao acordo de Livre Comércio, ratificado pelo Senado dos Estados Unidos no final do ano de 1993, e ao mercado comum (MERCOSUL), que então estava criado entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
No setor trabalhista foi promulgada uma nova lei em 1990 para aumentar os direitos dos sindicatos do comércio e a negociação coletiva. Os movimentos trabalhistas, reunidos agora em uma nova confederação nacional (a Central Unitária de trabalhadores, 1998), ainda tinham muito terreno por conquistar.
Em muitos sentidos, tais episódios podiam ser considerados simplesmente como os sintomas de uma revitalização gradual da democracia. Todos esses fatos que foram mencionados compõem o universo chileno no momento em que Hernán Rivera Letelier inicia suas publicações. A segunda metade do século XX e os primeiros anos do século XXI, o Chile vive um período de transformação em sua sociedade e sua política neoliberal avança como “modelo” a todos os países da América Latina. Um país hoje comandado pelo
Presidente Sebastián Piñera, guarda em sua memória social, séculos de exploração com a extração do salitre, um massacre a milhares de trabalhadores desarmados e uma ditadura que como todas, ainda existem feridas a serem cicatrizadas.
Ao deslocar o cenário de todas as suas histórias, até o momento, do ambiente urbano e moderno da cidade de Santiago, para o deserto do Atacama, Rivera Letelier quer tornar presente ao leitor, um setor da sociedade que move grande parte da economia do Chile. Em contradição à modernidade está o deserto, esse universo particular, “con sus espejismos” , que guarda tantos “massacres” e que “calou” tantas revoluções.
6. CONCLUSÃO
Um país de uma “louca geografia”, como define o título do livro de Benjamin Subercaseaux (1902 – 1973), escritor e pesquisador chileno, o Chile com sua economia de mercado, abriu suas “portas” ao capital estrangeiro e hoje é uma das sociedades mais globalizadas da América Latina. No entanto, lutas estudantis por Reformas na Educação, greves dos trabalhadores por razões não tão diferentes das de 1907 em Iquique, com a resposta repressiva do governo que recusa fazer concessões favorescendo a educação universitária gratuita, estão a cada dia proporcionando ao Chile o clima de medo vivido nos dezessete anos de ditadura.
O Chile é o país do surgimento aparentemente cedo do movimento operário, de uma estrutura partidária mais sólida do que a média do continente, com a particularidade da presença dos partidos comunistas e socialistas com peso importante na vida do país. O Chile é o país de Eduardo Frei, de Salvador Allende, Ricardo Lagos e Sebastián Piñera. É, ao mesmo tempo, o país de uma cultura de raízes populares como poucas vezes se teve conhecimento porque construída ao longo das vivências históricas de seu povo.
Os temas discutidos nos capítulos como: localização do romance, as técnicas utilizadas e o porquê dessas técnicas, o lugar que o escritor ocupa dentro da literatura de seu país, seu comprometimento com questões sociais e políticas, para quem escreve, ou mesmo a repercussão de seu texto em um cenário literário no qual uma pluralidade de discursos propagada desde o surgimento das vanguardas, torna-se necessário o uso de novas técnicas narrativas, ambiguidades, textos densos e, no entanto, Hernán Rivera Letelier opta por técnicas do realismo, o “folhetim histórico”, que na visão de alguns escritores contemporâneos parecem “ultrapassadas” e, no entanto, é sucesso de vendas no mercado editorial atingindo um público que para ele é seu público alvo: a classe operária.