Em pesquisa, contatou-se a criação de vinte ouvidorias em Tribunais de Contas dos Estados, uma no Tribunal de Contas do Distrito Federal e uma no Tribunal de Contas da União, conforme demonstrado no quadro a seguir:
Tribunal Site Ano de
Criação Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco www.tce.pe.gov.br 2000 Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso www.tce.mt.gov.br 2002 Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul www.tce.ms.gov.br 2003 Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul www.tce.rs.gov.br 2003
Tribunal de Contas da União www.tcu.gov.br 2004
Tribunal de Contas do Distrito Federal www.tce.df.gov.br 2004
Tribunal de Contas do Estado de Rondônia www.tce.ro.gov.br 2004
Tribunal de Contas do Estado de Roraima www.tce.rr.gov.br 2004
Tribunal de Contas do Estado do Tocantins www.tce.to.gov.br 2005
Tribunal de Contas do Estado de Alagoas www.tce.al.gov.br 2006
Tribunal de Contas do Ceará www.tce.ce.gov.br 2006
Tribunal de Contas do Estado da Paraíba www.tce.pb.gov.br 2006
Tribunal de Contas do Estado do Paraná www.tce.pr.gov.br 2006
Tribunal de Contas do Estado do Piauí www.tce.pi.gov.br 2006
Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro www.tcm.rj.gov.br 2006 Tribunal de Contas do Estado do Amazonas www.tce.am.gov.br 2007
Tribunal de Contas do Estado de Goiás www.tce.go.gov.br 2007
Tribunal de Contas do Estado da Bahia www.tce.ba.gov.br 2008
Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte www.tce.rn.gov.br 2008 Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte www.tce.rn.gov.br 2008 Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais www.tce.mg.gov.br 2008 Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina12 www.tce.sc.gov.br 2009 Quadro 1: Relação dos Tribunais de Contas no Brasil que possuem Ouvidorias
Conforme já mencionado na introdução, haverá destaque para os trabalhos desenvolvidos pelas ouvidorias dos Tribunais de Contas dos Estados do Paraná e de Pernambuco; pois no decorrer das pesquisas verificou-se um avanço daqueles tribunais no desenvolvimento de ações voltadas para a participação da sociedade no controle dos atos da administração pública.
Assim, excluindo-se, nesse momento, aquelas ouvidorias, foram selecionadas quatro, das vinte e duas ouvidorias de Tribunais de Contas existentes no Brasil e o critério de escolha adotado foi o posicionamento das ouvidorias na região centro- oeste como de visualizar a influência do TCU nas ouvidorias daqueles TC´s.
No site do Tribunal de Contas da União (www.tcu.gov.br) consta um formulário para apresentação das demandas pelo cidadão, no qual o requerente informa o meio de recebimento de resposta, contudo, não consta naquele site nenhum link informando os questionamentos que foram formulados e o atendimento fornecido pela instituição.
Vale destacar que se verifica no site do TCU links indicando auditorias de maior relevância e interesse social realizadas pela instituição como forma de garantir a transparência e a visibilidade dos atos por ela praticados.
Verificou-se, ainda, que no Tribunal de Contas do Distrito Federal não houve um dispositivo legal criado especificamente para dar a luz a sua ouvidoria. A sua criação é justificada pelo próprio Regimento Interno da Instituição, que estabelece em seus artigos 195 e 196:
Art. 195. O Tribunal receberá denúncias ou representações sobre ilegalidades, irregularidades ou abusos havidos no exercício da administração orçamentária, financeira ou patrimonial dos órgãos e entidades sujeitos à sua jurisdição.
§ 1º Enquanto não proferida decisão definitiva, dar-se-á tratamento sigiloso aos processos de denúncia.
§ 2º Concluída a apuração, o Tribunal decidirá se deve ser mantido o sigilo com relação ao objeto e à autoria da denúncia.
§ 3º Considerada a gravidade dos fatos e das provas, poderá dar-se prioridade à apreciação da denúncia.
Art. 196. O TRIBUNAL NÃO CONHECERÁ DENÚNCIA ANÔNIMA, podendo valer-se das informações que contiverem na realização das auditorias e inspeções de sua competência.
No site daquela instituição (http://www.tc.df.gov.br) consta um formulário para preenchimento de denúncias, sugestões, reclamações entre outros, pelo cidadão, contudo não localizamos outros links que pudessem dar ao cidadão alguma forma de acompanhamento das solicitações realizadas.
O Tribunal de Contas de Tocantins oferece quatro meios para que o cidadão proponha suas demandas à instituição: pessoalmente, dirigindo-se a sua sede administrativa; por telefone (mediante a disponibilização de um 0800 6445 800); por 12 A Ouvidoria do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina foi criada em 08 de junho de 2009 e foi
e-mail ([email protected]); e por preenchimento de um formulário em seu site (www.tce.to.gov.br).
Não foi possível localizar naquele sítio elementos que contribuissem para a divulgação das denúncias e outras solicitações realizadas pelo cidadão e a identificação do atendimento oferecido pela instituição.
No site do Tribunal de Contas do Mato Grosso (www.tce.mt.gov.br) consta a informação de que sua Ouvidoria teve início com a Emenda Constitucional nº 19/1998, que introduziu princípios e normas na Administração Pública, especialmente, o da eficiência. Contudo, apenas em 2007, ante a alteração da Lei nº 7.730/2002 pela Lei nº 8.762/2007, é que foi estabelecida a função de Ouvidor- Geral daquele Tribunal, função esta exercida por um conselheiro em atividade, nomeado pelo Presidente mediante prévia aprovação do Plenário daquela Casa.
De acordo com o site daquela instituição, a Ouvidoria do TCE/MT é “o seu
canal com a democratização dos serviços públicos em nosso estado”, no qual o
cidadão pode se interligar à fiscalização da aplicação dos seus recursos. Sendo oferecidos seis meios de comunicação com a instituição:
1. Disque-Denúncia: 0800-6472011 - onde o cidadão pode fazer sua reclamação por telefone, falando com um dos atendentes;
2. Denúncia Online: o cidadão faz a reclamação mediante preenchimento de um formulário disponível no site;
3. Correspondência: enviando uma carta para o Centro Político e Administrativo Caixa Postal 10.003, Cuiabá-MT, CEP: 78070-970;
4. E-mail: O cidadão faz a reclamação pelo e-mail [email protected]; 5. Telefone: 3613-7664;
6. Fax: 3613-7524.
Daquele sítio consta ainda Código de Ética do Ouvidor/Ombudsman, aprovado na Assembléia Geral Extraordinária, convocada para essa finalidade, realizada em Fortaleza - CE, no dia 19/12/97, nos seguintes termos:
1- Preservar e respeitar os princípios da "Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Constituição Federal e das Constituições Estaduais".
2- Estabelecer canais de comunicação de forma aberta, honesta e objetiva, procurando sempre facilitar e agilizar as informações.
3- Agir com transparência, integridade e respeito. 4- Atuar com agilidade e precisão.
5- Respeitar toda e qualquer pessoa, preservando sua dignidade e identidade.
6- Reconhecer a diversidade de opiniões, preservando o direito de livre expressão e julgamento de cada pessoa.
7- Exercer suas atividades com independência e autonomia.
8- Ouvir seu representado com paciência, compreensão, ausência de pré- julgamento e de todo e qualquer preconceito.
9- Resguardar o sigilo das informações.
10- Facilitar o acesso à Ouvidoria, simplificando seus procedimentos, agindo com imparcialidade e justiça.
11- Responder ao representado no menor prazo possível, com clareza e objetividade.
12- Atender com cortesia e respeito as pessoas.
13- Buscar a constante melhoria das suas práticas, utilizando eficaz e eficientemente os recursos colocados à sua disposição.
14- Atuar de modo diligente e fiel no exercício de seus deveres e responsabilidades.
15- Promover a reparação do erro cometido contra o seu representado. 16- Buscar a correção dos procedimentos errados, evitando a sua repetição, estimulando, persistentemente, a melhoria da qualidade na administração em que estiver atuando.
17- Promover a justiça e a defesa dos interesses legítimos dos cidadãos. 18- Jamais utilizar a função de Ouvidor para atividades de natureza político- partidária ou auferir vantagens pessoais e/ou econômicas.
19- Respeitar e fazer cumprir as disposições constantes no "Código de Ética", sob pena de sofrer as sanções, que poderão ser de advertência, suspensão ou expulsão dos quadros associativos, conforme a gravidade da conduta praticada, devendo a sua aplicação ser comunicada ao Órgão ou Empresa na qual o Ouvidor exerça suas atividades.
20- As sanções serão impostas pela Diretoria Executiva da ABO, ex-ofício ou mediante representação, com direito a recurso ao Conselho Deliberativo, em prazo de 15 dias após a imposição da penalidade aos membros do quadro associativo.
21- As Seções Estaduais poderão ter o seu "Código de Ética e Conduta", que deverão ser submetidos à apreciação do Conselho Deliberativo da ABO. 22- As sanções impostas pelas Seções Estaduais da ABO poderão ser objeto de recurso ao Conselho Deliberativo da ABO, no prazo de 15 dias. 23- Os procedimentos para a avaliação e aplicação das sanções serão definidos por Resolução da Diretoria Executiva (grifo nosso).
A itens 1 e 2 do Código de Ética do Ouvidor refletem a necessidade da mudança de mentalidade dos órgãos de controle, em especial, aqueles que exercem o controle externo da administração pública.
É o objetivo do ouvidor garantir, entre outras coisas, o cumprimento do dispositivo constitucional e estabelecer um canal de comunicação aberto, honesto e objeto sendo, portanto, imprescindível que as ouvidorias públicas, em especial
aquelas vinculadas aos Tribunais de Contas no Brasil, busquem mecanismos de atender à sua própria ética e a constituição.
Já vimos no decorrer deste tópico que, apesar das Ouvidorias dos Tribunais de Contas proporem meios oferecidos ao cidadão para que estes realizem suas denúncias, reclamações, solicitações, ainda não se trata de um diálogo público, mas de um meio de meramente se fazer cumprir a força o princípio constitucional.
No decorrer dos trabalhos de pesquisa, percebeu-se considerar um avanço positivo em direção ao diálogo, nas ações desenvolvidas pelas Ouvidorias dos Tribunais de Contas do Estado do Paraná e de Pernambuco, motivo pelo qual cada um deles receberá um subcapítulo próprio para exposição de suas atividades.