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E. SES BİLGİSİ

E.2. Ünsüzler

F.1.7. FİİLİMSİLER

F.1.7.3. Zarf-Fiiller

F.1.7.3.3. Bağlama Görevinde Olan Zarf-Fiiller

Vou contar para vocês como surgiu Shãwã Bake, a arara nova misteriosa.

Um dia, o homem foi fazer tocaia. Fez comida de uricuri para esperar alguns bichos embaixo da terra alta, onde tinha mata limpa de jarinas.

Então, o homem viu que tinha arara nova no pau do mulateiro. Pensou que viria buscar no dia seguinte. Quando chegou em casa, contou para sua mulher que desejou a arara nova. Ela não tinha filhos e queria criar a arara nova.

No dia seguinte, foram os dois. E quando chegaram na tocaia, ele matou um nambu para a mulher comer. Chegaram no mulateiro e viram que não precisavam derribar o pau. Podiam subir em um outro pau, chegar na forquilha do mulateiro e pegar a arara nova.

O homem tirou então envira para amarrar o galho de pau no outro pau do mulateiro. Nesse dia, ele fez somente armar a envira para trepar. Deixou para vir buscar a arara no dia seguinte. Porque a arara misteriosa dominava o dia para ficar curto. E tudo escurecia ligeiro.

Dia seguinte, chegaram onde estava a arara. Ela já cortara toda a envira que o homem tinha amarrado na véspera. Então, ele amarrou novamente. Como já estava escurecendo, deixou para vir buscar no dia seguinte.

Quando o dia amanheceu, foram de novo. E a arara já tinha feito a mesma coisa. O homem teve que ajeitar mais uma vez o que já tinha feito.

Então, subiu com a peira nas costas, deixando a mulher embaixo. Quando chegou na

forquilha do pau, viu dentro do oco do pau um filho de gente, cheio de colares de presas de animais no pescoço.

Falou para a mulher:

─ Não é arara nova. É um filho de gente. E está cheio de colares.

A mulher ficou muito contente. Pediu logo que o marido pegasse a arara nova, filhote de gente para criar. O homem pegou o menino e colocou na peira. Quando vinha descendo, teve muito vento e muita chuva, para ver se ele conseguia chegar com o menino sem derribar no chão.

Quando ele desceu já quase escurecendo, a mulher pegou o menino toda contente. Enrolou com a roupa dela. Veio a noite com muito vento e chuva. Mesmo assim chegaram na casa deles. E não disseram nada para ninguém. Ficaram escondidos.

Amanheceu o dia seguinte e o menino já sabia chupar a mãe. A mulher contou então para o povo dela que tinha um filho de arara misteriosa. O povo quis tomar o menino. E ela sovinou.

Amanheceu o dia seguinte e o menino já queria levantar. Ele comia mingau de banana e caiçuma de milho. Ele crescia toda noite e virou um rapaz. Pedia então para seu pai para fazer flecha para ele. E matou calango, peixe. Já estava todo bonito, pintado de jenipapo. Pediu ao pai para fazer flecha de matar caça. Caçou macaco, veado, anta, mutum e porco.

Então, chegou uma irmã do marido e perguntou a sua cunhada se o rapaz podia ser genro dela. A mulher não aceitou, porque contou que o irmão dela pegara para eles no pau do mulateiro.

O menino então teve idéia de perguntar a sua mãe se ele era realmente filho dela: ─ Mãe, eu sou seu filho mesmo?

─ Não, eu sou sua mãe de criação. Seu pai de criação encontrou uma arara nova no pau de mulateiro e deu comida. E no seguinte dia, nós fomos buscar. Mas, quando chegou na forquilha, ele viu que você não era arara nova. Você é um filho de gente. Eu fiquei

muito contente, porque como eu não tive filho, você é um filho meti. Foi assim que você se criou. ─ Ah, assim? Agora eu entendi como vocês me criaram! Como aqui não tinha alimento,

vocês caçaram para me alimentar. Agora eu vou também caçar para alimentar vocês.

Ele caçava e trabalhava. E a própria mãe de criação começou a fazer amor com ele. Ele já tinha sido homem de outras mulheres. Andava bem longe, procurando a sua família até que achou. Caçava carne de caça com os parentes: macaco preto, macaco prego, macaco capelão.

Começou a pensar em colocar roçado para poder alimentar os pais. Trabalhou com o pai de criação um dia inteiro marcando o terreno. No dia seguinte, ele perguntou ao pai se não precisava mais de seu serviço. Tinha encontrado sua família e podia deixar ele sozinho.

Dois dias ele trabalhou seguido com a ajuda dos parentes. O pai de criação foi ver o roçado e achou ele muito trabalhador. A mãe de criação falou:

─ O nosso filho é bom! Colocou um roçado para nós. Plantou roçado todo só com os parentes dele.

Tomaram caiçuma de milho verde e a mãe de criação pintou ele de jenipapo. Então, o filho convidou os pais para irem juntos no buraco dele lá perto do roçado.

O rapaz não quis. Queria viajar no mesmo dia. Se eles não pudessem, ia antes. Seguia na frente e esperava por eles no dia seguinte.

O jovem seguiu na mesma noite. Quando acordou do primeiro sono, ouviu o barulho de

buzina de flauta e todo tipo de instrumentos dos índios, vindo do outro lado do igarapé onde ficava a aldeia. O roçado ficava na outra margem, em outra terra, onde o jovem tinha ido trabalhar. O som dos instrumentos ficava muito lindo no rumo dele. E assim acontecia.

A mãe começou a perguntar ao pai de criação por que estava ouvindo tanto som. ─ Será que nosso filho já encontrou com a família dele? Nós devemos ir hoje a noite ao seu encontro.

A música ficou tocando a noite toda inteira. Já de manhãzinha, eles seguiram na carreira.

Quando chegaram lá, só encontraram os restos da farra do mariri: todos tipos de instrumentos que tinham tocado à noite e muitas penas de arara na biqueira da casa. Eles

tinham limpado o roçado e deixado bem varrido, a estrada bem aberta e limpa. A mulher ficou admirada com a quantidade de coisas que eles tinham feito e ficou chorando. O homem correu pela estrada atrás do filho. E ia encontrando, em todas as passagens de igarapé, as pontes que iam construindo pelo caminho. Andava, andava, andava... E ia pensando:

─ Eu vou encontrar com ele, nem que seja aonde for. Assim o pai de criação do rapaz seguiu viagem pela estrada.

À uma hora do dia, começou a ouvir conversas ao longe. Eram eles que estavam fazendo uma ponte no igarapé grande. O filho continuava mais atrás, esperando sempre por eles, pois sabia que o pai viria à sua procura. Quando encontrou com seu pai, disse:

─ O titio e meu irmão já vieram me buscar. Era para vocês terem vindo comigo naquele mesmo dia. Agora você volta, que o caminho que eles vêm fazendo vai cerrando tudo. Foi atrás de remédio da mata. Trouxe e esfregou no olho do pai, espremeu na coroa da

cabeça e em todas as juntas dos ossos dele. Mandou o pai voltar rapidamente na carreira, porque o caminho já estava cerrando.

O pai começou a voltar, mas o caminho já estava cerrado. A mata já tinha crescido e ele nem sabia mais o caminho por onde era.

Seguiu na direção contrária de onde tinha vindo.

Benzer Belgeler