As temáticas ambientais que se referem à perda do equilíbrio em consequência das ações antropogênicas têm sido algo muito divulgado nos últimos tempos. As poluições visual e sonora não foram lembradas pelos nossos participantes, os quais acabaram por incluir outros temas que afligem à humanidade, como exemplo as guerras e a pobreza. Porém, observamos que a grande maioria dos professores tem algum conhecimento a respeito dos desequilíbrios ecológicos, bem como nos mostra a Tabela 11.
Tabela 11 – Problemas ambientais apontados, em ordem crescente.
PROBLEMAS AMBIENTAIS NÚMERO DE VEZES
Venda de plantas 5 Guerras 7 Pobreza 7 Sustentabilidade 8 Venda de animais 10 Poluição visual 16 Poluição sonora 16
Cidades mal estruturadas 21
Lixo 21 Caça de animais 21 Extinção 21 Enchentes e deslizamentos 22 Desmatamento 26 Queimadas 26
Contaminação do solo (agrotóxicos, fezes) 26
Poluição (ar, solo e/ou água) 33
Fonte: Pesquisa de campo no período de janeiro a agosto de 2012
Os professores são, em maioria, unânimes em apontar a Escola como possível solução para os problemas ambientais. A escola e o Governo foram os itens mais citados, voltando a EA para as relações politicas, econômicas, sociais e culturais, bem como defende Reigota (2009).
Não podemos deixar de citar o número considerável de vezes em que os professores assumem a responsabilidade pela conservação do meio ambiente, sozinhos. Barcelos (2010 p.59) afirma que acontece uma “visão reducionista na educação, na medida em que, ao invés de buscarmos aliados e parceiros nas demais disciplinas e áreas do conhecimento, optamos por agir isoladamente”. Num momento em que defendemos a Educação democrática e dialógica, com auxílio da transversalidade da EA, alguns professores se comportam de maneira desatenta no que diz respeito ao assunto, marcando mais de um item para a solução dos problemas ambientais. Vejamos a tabela abaixo:
Tabela 12 – Solução para os problemas ambientais, em ordem crescente.
SOLUÇÃO NÚMERO DE VEZES
Empresários 17
Organizações não governamentais 18
Igreja 18
Cientistas 19
Universidade 19
Políticos 21
Cada indivíduo sozinho mesmo 21
Escolas 25
Governo 25
Fonte: Pesquisa de campo no período de janeiro a agosto de 2012
Fizemos também uma abordagem sobre a biodiversidade, os acontecimentos históricos e sobre como os participantes se comportam em relação à cidade de Maranguape, iniciando com o deslizamento de terra que aconteceu na serra de Maranguape em 1974. A maioria dos participantes (25) já ouviu falar do assunto e conhece suas causas, o que nos faz acreditar que a repercussão do fato gerou um número considerável de informações. Somente quatro participantes desconhecem as causas e seis nunca ouviram falar do assunto. Observemos a tabela abaixo:
Tabela 13 – Motivos que ocasionaram o deslizamento de terra, em 1974, segundo os professores.
MOTIVOS
“Devido ao desmatamento, construção de moradias e plantio irregular” (Professora de Física, Escola A).
“O principal motivo foi à retirada da vegetação nativa para dar lugar a bananicultura” (Professora de Geografia, Escola A). “Uma grande chuva” (Professor de Química, escola A).
“Devido ao desmatamento e queimadas” (Professor de Inglês, escola A).
“Cultivo da banana, pois gera instabilidade no solo” (Professora de Português, escola A).
“Devido ao desmatamento e construções irregulares” (Professora de Matemática, escola A) – citado por duas vezes na mesma escola.
“O cultivo da banana, pois suas raízes são muito frágeis, ocasionou o deslizamento” (Professor de Português, escola A) – citado três vezes pela escola A e uma vez pela escola B.
“Desmatamento e chuvas fortes” (Professor de História, escola B) – citado seis vezes pela escola B.
“Desmatamento e não reflorestamento” (Professor de História, escola B).
“Muita chuva e empobrecimento do solo” (Polivalente – escola C). Fonte: Pesquisa de campo no período de janeiro a agosto de 2012
O termo desmatamento esteve presente em muitas respostas dos professores, quando precisaram explicar o deslizamento de terra; eles reconhecem a importância da vegetação para a preservação do solo, bem como os desequilíbrios que acontecem na Serra de Maranguape. Vejamos as Tabelas 14 e 15.
Tabela 14 – Consequências da eliminação das matas ribeirinhas para plantio de banana, em ordem crescente;
AÇÕES NÚMERO DE VEZES
O solo fica mais fértil 0
Aumento da fotossíntese 0
Os bananais ou a nova plantação não
interferem na vida dos animais e do sol 0
Enchentes nos rios 1
Desconheço a influência dos bananais 2
Os animais entram nas casas 4
Nunca pensei nisso 4
Animais nativos morrem 6
Redução da evapotranspiração 6
Os animais fogem para outras plantações 7
Erosão 18
Redução da flora e da fauna nativa 18
Assoreamento do rio 20
Fonte: Pesquisa de campo no período de janeiro a agosto de 2012
Tabela 15 – Acontecimentos considerados errados pelos professores, em Maranguape em ordem crescente.
ACONTECIMENTOS NÚMERO DE VEZES
Proibição da entrada de visitantes na Serra 0 Os mesmos animais das matas aparecem nos bananais 0 Estudos exclusivos da sua biodiversidade 0
Preservação 1
Agricultura de subsistência 1
Retirada de plantas medicinais 2
Não sei 2
Os bananais dificultando a vida dos animais 7
Caça de animais 12
Monocultura (Bananicultura) 13
Poluição da água 19
Retirada de plantas e animais para venda 19
Desmatamentos 20
Construção de moradias 20
Queimadas 22
Aumento dos resíduos sólidos deixado pelos turistas 22
As serras de Maranguape são bastante conhecidas pelos nossos colaboradores (23 já visitaram e apenas seis não conhecem), mas em relação à biodiversidade local, podemos dizer que eles não conhecem ou nunca ouviram falar da vegetação e dos animais da região, nem mesmo da espécie endêmica, Adelophryne maranguapensis, que sofre com a bananicultura. Comprovemos essa constatação com as Tabelas 16 e 17.
Tabela 16 – Professores que já visitaram as serras de Maranguape.
SERRAS NÚMERO DE VEZES
Serra do Maranguape Serra da Pelada Serra da Aratanha Serra do Lajedo 26 11 9 8
Fonte: Pesquisa de campo no período de janeiro a agosto de 2012
Tabela 17 – Espécies que professores já ouviram falar em ordem crescente.
ESPÉCIES NÚMERO DE VEZES
Anuro: Adelophryne maranguapensis 4 Escorpião: Broteochactas brejo 7 Mamíferos: Didelphis marsupialis Oryzomys megacephalus. 9 Serpentes: Apostolepis nigrolineata, Imantodes cenchoa, Sibon nebulata e Drymoluber dichrous 10 Pteridófita: Psilotum nudum 11
Nunca ouviu falar 16
Fonte: Pesquisa de campo no período de janeiro a agosto de 2012
Destacamos o que, segundo os professores colaboradores, pode ser feito pelos alunos para que haja diminuição dos problemas ambientais da região. Os professores ressaltam medidas básicas, tais como: reduzir, reciclar e reutilizar, não jogar lixo no chão e valorizar os bens naturais, numa busca pelo equilíbrio do meio. Vejamos a Tabela 18.
Tabela 18 – Ações que os alunos podem contribuir para minimizar os problemas ambientais de Maranguape, em ordem crescente.
AÇÕES NÚMERO DE VEZES
Sendo guias turísticos 9
Preservando os ecossistemas do município 19
Atuando como vigilantes permanentes do meio ambiente 20 Divulgando a importância do equilíbrio ecológico 22 Conhecendo e valorizando recursos ecológicos do município 22
Não jogando lixo nas ruas 23
Divulgando para a comunidade local praticas de preservação
ambiental 23
Aprendendo a praticar os 3Rs: Reduzir, Reciclar e Reutilizar 25
Fonte: Pesquisa de campo no período de janeiro a agosto de 2012
Somente quatro professores não responderam e um professor de Matemática da escola A não soube responder, quando perguntado de que forma ele poderia contribuir para minimizar os desequilíbrios ambientais da Serra de Maranguape. Muitas respostas ressaltam o pensamento ambiental, através de expressões como: preservação, conscientização, busca do conhecimento e participação da comunidade. Daremos destaque às seguintes respostas:
“O ponto de partida é o conhecimento desse espaço. Posteriormente, enquanto professor, tentar conscientizar as pessoas (alunos) acerca da convivência com esse ecossistema” (Professor de Geografia, Escola A).
“Conscientizar os alunos sobre preservação do meio ambiente”. (Professor de História, escola A). “Durante as visitas evitar jogar e deixar lixo e como professor ajudar a transmitir a ideia de preservação aos alunos” (Professora de Química, escola A).
“Junto da escola, incentivar a comunidade escolar a preservar o nosso patrimônio natural” (Professora de Matemática, escola A).
“Conscientizando os meus alunos para uma preservação mais ativa e ensinando a cobrarem dos órgãos competentes posturas mais firmes contra invasores” (Professor de Matemática, escola A). “Procurando construir na mente dos educandos uma educação esclarecedora, para não destruir a natureza” (Professora de Português, escola A).
“Aprofundando e discutindo o tema”. (professora de História, escola B).
“Reciclar e ajudar a desenvolver projetos de conscientização ambiental” (Professor de Geografia, escola B).
“Conscientizar a todos sobre a importância, provocando mudanças de atitudes, valorizando e fazendo que se sintam responsáveis pelo meio ambiente” (Pedagoga da multimeios, escola B). “Já contribuo. Amo a Serra e sempre que subo recolho o lixo. Além disso, costumo levar amigos e alunos para pontos exclusivos, como cachoeiras e nascentes para que vejam como é plena e delicada a nossa serra” (Professor de Português, escola B).
“Participando das atividades de conscientização propostas para a área” (Professor de Biologia, escola B).
“Devemos ter consciência que a serra é nosso cartão postal”. (Professora de Filosofia, escola B). “Conscientizando a comunidade local”. (Professora polivalente – escola C).
Finalizamos, então, nossa reflexão sobre as respostas relacionadas aos desequilíbrios ambientais. Por diversas vezes a fala dos professores denuncia algo que, muito frequentemente, acontece com as iniciativas de EA na escola, pois são desarticuladas do cotidiano do aluno.
7.2.4 Incentivos, dificuldades e motivação dos professores em práticas que