• Sonuç bulunamadı

Sigara içen grubun bağımlılık düzeyleri 5-HTTLPR Geni S veya L alleline sahip olma yüzdeleri arasında istatistiksel olarak anlamlı farklılık bulunmadı.

2.2.1 TARĠHÇE

20. Sigara içen grubun bağımlılık düzeyleri 5-HTTLPR Geni S veya L alleline sahip olma yüzdeleri arasında istatistiksel olarak anlamlı farklılık bulunmadı.

7.1 COMPARTILHANDO O MESMO VALOR

A Tearfund é uma ONG cristã britânica fundada em 1968 com sede em Londres. A organização foi formada a principio para ajudar as igrejas da Grã- Bretanha e da Irlanda a responderem às necessidades das pessoas pobres ao redor do mundo e atualmente apóiam organizações em mais de 90 paises nas áreas de desenvolvimento e assistência em situações de desastre.

Dona Nadir tomou conhecimento sobre a Tearfund Reino Unido e escreveu uma carta de próprio punho para falar de sua causa e solicitar ajuda. Na carta ela mencionou principalmente a necessidade de pagar o aluguel e comprar as cestas básicas. Era a carta de uma mulher simples solicitando ajuda, não havia a formalidade de um pedido de subsídios, com terminologias técnicas e seguindo uma lógica apropriada.

Foi justamente a simplicidade do pedido que chamou a atenção do representante da Tearfund, um brasileiro que na época ocupava a função de facilitador daquela organização para a América Latina e atualmente é o Oficial de Programas. A carta expressava a urgência e a necessidade do subsídio, mas, também, chamou a atenção para as ações realizadas pela Casa Filadélfia e a importância de sua continuidade conforme o relato do informante 8.

(...) provavelmente em torno de 1997, 98 eu me lembro de ter recebido uma carta, inclusive manuscrita, da dona Nadir que foi a fundadora da casa, apresentando o trabalho e perguntando sobre a possibilidade de fazermos uma parceria... (entrevista com o Oficial de Programas da Tearfund UK).

Para aquela organização, o inicio de uma parceria exige que haja compatibilidade de valores e a demonstração de capacidade de governança e gestão. Ser uma organização cristã era um elemento importante, pois, isto indicava uma

compatibilidade de valores organizacionais no sentido de fomentar o desenvolvimento humano:

realmente é um conjunto de coisas, uma das coisas principais são os valores daquela organização , é uma organização que tem valores consistentes com os valores que nós na Tearfund temos? Nesse caso, valores cristãos evangélicos? Valores ligados à prestação de contas, a excelência no trabalho, é uma boa qualidade, valores dessa natureza, além da questão dos valores, nós todos trabalhamos com estratégia, não é? (informante n.8)

A Casa de Assistência Filadélfia recebeu seu primeiro subsídio internacional, num momento da epidemia em que muitas ONGs/AIDS já recebiam apoio consistente por parte do governo. O aporte financeiro que antes vinha de um principal doador, passou a ser feito por outro financiador principal. Com os principais gastos sendo supridos, a ONG, retomou o ritmo de suas atividades, tendo as funções distribuídas da seguinte forma: a fundadora representava a organização e cuidava do atendimento, a vice cuidava de parte do atendimento e da captação de recursos e a tesoureira cuidava da parte financeira e relatórios.

Se o atendimento criava um elo maior com os beneficiários e fortalecia a imagem da fundadora dentro da organização, a captação de recursos ajudava a projetar a organização e criava relações importantes para a vice-presidente, assim como, a relação mais estreita com um parceiro internacional representava um status da tesoureira. Entretanto, O trabalho das três mulheres tendia muito para a informalidade, o que gerava uma série de discordâncias e ingerências, acabando por minar o desenvolvimento da organização.

Contatos importantes foram organizados tais como com o empresário Antonio Hermínio de Morais, que na ocasião da visita fez uma doação significativa que serviu como uma mostra das possibilidades de se alcançar associados de porte. E assim ocorreu com diversas outras pessoas e empresas. Entretanto, a falta de uma sistematização para a continuidade nos relacionamentos acabava reduzindo essas participações a ajudas pontuais.

A perda de influencia, ao perceber que outras pessoas passavam a desempenhar um papel de destaque, mostrava-se como uma constante ameaça para a fundadora. Para a vice, uma dona de casa que se descobriu, por força da necessidade da causa, uma captadora de recursos, a atitude centralizadora da fundadora impedia o crescimento da organização, enquanto para a tesoureira, a preocupação era manter o controle das finanças e a relação com o principal doador.

Numa gestão feita na boa vontade, elas se viam constantemente envolvidas em questões domésticas, como se a organização fosse mesmo uma extensão do seu lar, uma casa de família, e não uma organização, com responsabilidades para com a sociedade, inclusive a de desenvolver-se o que implicava na própria sobrevivência da organização.

Ao visitar a ONG, o representante do parceiro internacional constatou essas dificuldades internas e o risco para a continuidade, mas, considerou também, que apesar do pouco profissionalismo, a motivação daquelas senhoras em prol da causa era legítima. Além disso, com o aumento do numero de pessoas sendo contaminadas pelo vírus, havia a necessidade daquele tipo de trabalho. Assim, ele orientou as mulheres no sentido de estabelecer uma estratégia que pudesse auxiliar a Casa de Assistência Filadélfia a posiciona-se como organização do Terceiro Setor. Sugeriu que elas solicitassem oficialmente tal ajuda fazendo um pedido específico para uma consultoria.

7.2 PRESTAÇÃO DE CONTAS E PROFISSIONALISMO

Até aquele momento, não havia uma preocupação extremada com prestação de contas. Uma vez que as assembléias de associados não aconteciam, era com se não houvesse contas a prestar, o que fica evidente pela ausência de reuniões administrativas registradas em ata. O relatório financeiro era feito pela tesoureira principalmente visando responder às exigências do parceiro internacional.

A contabilidade era feita por um escritório de advogados referendado pela igreja, com o qual haviam feito contato no período do inicio da organização. Mesmo havendo, por assim dizer, rompido com a igreja, a Casa de Assistência Filadélfia manteve o mesmo escritório de contabilidade. Havia sido feita uma auditoria financeira por um outro escritório, mas, o processo de consultoria era novo para aquelas mulheres, que o esperavam, repetindo o imaginário mais comum, como uma visita para fiscalizar e “achar erros” ou ainda, para “resolver os problemas”, quando na verdade, a consultoria, muitas vezes mencionada na literatura também como auditoria, é uma ferramenta que possibilita o diagnóstico da organização e serve como base para o processo de mudança, e desta forma, um processo que envolve ruptura e transformação (HITT; IRELAND e HOSKISSON, 2002).

O trabalho de consultoria bastante difundido nas grandes empresas e um importante instrumento para a gestão, passou a ser um elemento bastante freqüente nas ONGs justamente por receberem fomentos de agencias internacionais. DENNIS (1995) aponta que as consultorias, representaram uma parte considerável do aporte financeiro vindo das agencias doadoras, uma verba que não ia para o atendimento, e que servia para estudos de viabilidade e manutenção das agencias doadoras e assim, as agencias de desenvolvimento tanto governamentais quanto ONGs passavam a fazer parte ou mesmo ser o setor central da “industria da AIDS”.

Devido a distancia geográfica entre as agencias e os projetos financiados, o que dificultava o acompanhamento de projetos, a consultoria passou a ser um mecanismo para auxiliar agencias financiadoras neste acompanhamento, possibilitando um olhar externo sobre a organização que permitia extrapolar as informações dos relatórios financeiros e de atividades, servindo, além disso, e principalmente, como uma ferramenta de gestão ao parceiro que recebia o subsídio.

Ao final do trabalho, conforme relatório apresentado à organização, a consultoria sugeria além de outros itens, a necessidade da adequação da organização a padrões de gestão como organização do Terceiro Setor1.

Para as organizações que solicitam e que passam por uma consultoria, o trabalho do consultor é apenas uma parte do processo. Como a organização e o parceiro vão proceder ao resultado da mesma é, sem dúvida, o a finalização do exercício para os parceiros.

Para a liderança da Casa de Assistência Filadélfia, acolher as orientações da consultoria, representaria a sobrevivência da organização, não apenas porque com isso, estaria indiretamente acolhendo as sugestões do parceiro financiador, garantindo de certa forma a continuidade do subsídio financeiro, mas, também, porque no panorama apresentado pela epidemia, onde as pessoas passavam a “viver e conviver com AIDS”, adequar-se como organização era um imperativo para continuar operando.

Conforme afirma SALAMON apud IOSCHPE (1997) “quanto mais se empenham (as organizações) na solução de problemas sociais, mais crescem as pressões para aperfeiçoarem seus sistemas de administração e seu desempenho” (p. 105). Nesse caminho, as ONGs passam então a importar ferramentas e conceitos aplicados tanto para o mercado quanto para o governo e com isso, ocorre um risco de serem confundidas com estes setores, inclusive por elas mesmas.

1