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Büyüme, Gelir Dağılımı ve Yoksulluk

KAVRAMSAL ÇERÇEVEDE YOKSULLUK 1.1. Yoksulluk Kavramı ve Yoksulluğun Türleri

1.3. Yoksulluğun Ölçütleri

1.5.1. Büyüme, Gelir Dağılımı ve Yoksulluk

Como analisar um texto teatral como fonte da História? Acreditamos ser necessário abrir caminhos para o debate em torno da História e da Ficção, da realidade e da arte. É importante ressaltar que não é com tranquilidade que a historiografia enfrenta o debate em torno dessas relações aparentemente díspares. No caso de nossa análise, será necessário enfrentar a discussão teórica para entender como a História e o Teatro93 podem se relacionar. Optamos por entender o espetáculo como uma obra ficcional com fragmentos que remontavam uma determinada realidade histórica. Mesmo com o objetivo de questionar a sociedade, a entrada de acesso ecoa no ficcional, na percepção da realidade através da metáfora. Se pensarmos que o espetáculo Liberdade, liberdade foi construído através de uma narrativa ficcional, que se utilizou fortemente dos acontecimentos históricos, é possível interpretá-lo a partir da discussão sobre a relação entre história e ficção proposta por Ricoeur (1997). Para o autor, esses elementos não se encontram totalmente opostos e assumem algumas aproximações dentro de suas particularidades.

Ricoeur procura demonstrar que o abismo existente entre uma e outra não implica necessariamente uma ruptura, podendo existir inclusive o que ele chama de “entrecruzamento entre a História e a Ficção”. Ele afirma que: “história e ficção só concretizam cada uma sua intencionalidade tomando empréstimos da intencionalidade da outra”. (RICOEUR, 1997:316).

Para o autor, existe uma dissimetria entre a narrativa histórica e a ficção, entretanto, ele acredita que a pretensão à verdade existe nos dois modos narrativos, ainda que a “verdade” buscada pela ficção seja diferenciada da “verdade” exigida pela História. Sendo assim, a História buscaria um passado “real” e a ficção outra

93 Tomaremos o espetáculo Liberdade, liberdade como uma obra de ficção, analisado sob a ótica do

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forma de realidade, mas sem compromisso com uma documentação. (RICOEUR, 1997)

No caso de Liberdade, liberdade, o entrecruzamento se dá de forma muito profícua. O texto é uma compilação de fatos históricos e ficcionais, que remetia a momentos onde a temática da liberdade estivesse em questão. “Aos poucos fui vendo que a melhor forma de fazer esse espetáculo seria a documentação, através da história da humanidade, dos momentos que o ser humano teve a sua liberdade extirpada, extinta, ameaçada ou diminuída”. (RANGEL apud SIQUEIRA, 1995:154).

É importante observar algumas tensões em torno da questão da escolha dessa temática histórica e ficcional. No processo de construção da dramaturgia do espetáculo foi necessária uma extensa pesquisa bibliográfica, que possibilitou escolher os textos históricos ou ficcionais que se adaptassem à linguagem teatral e à temática da liberdade. Ao final, foram selecionados diversos textos históricos, mas contava também com trechos de peças teatrais, poemas, frases, discursos, obras literárias e canções.

Essa coletânea de textos possibilitou grande apropriação da ideia central do espetáculo e assumiu também certo caráter “educativo”. Obviamente, não se tinha como objetivo fazer uma narrativa histórica verdadeira, mas apontar relações possíveis entre a arte e a história, construindo uma narrativa capaz de problematizar tais limites.

É importante reiterar que, para Ricoeur, o ato de narrar não se dá apenas na escrita, existe um mundo narrativo colocado nas obras de arte, na paisagem, no cinema, no teatro, na fotografia, na música, na literatura ou em qualquer elemento que expresse o desejo de comunicação humana. Ele acredita que é muito difícil viver sem atribuir sentido à nossa existência, sem narrar o mundo em que vivemos. Para ele, o sentido ao mundo é dado através dos diversos modos narrativos. Talvez por isso, o autor francês faça um grande esforço para tirar o caráter pejorativo em torno da ficção e busque lhe conferir um novo sentido. “É, com efeito, às obras de ficção que devemos, em grande parte, a ampliação de nosso horizonte de existência. Longe de só produzir imagens enfraquecidas da realidade, as obras de ficção só pintam a realidade aumentando-a”. (RICOEUR, 1994:122)

Nota-se que a realidade não busca necessariamente uma verdade. A realidade teria relação com o que é humano, com uma narrativa que torne o mundo

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mais habitável e inteligível, e que para isso, não necessita de ter relações concretas com a verdade. Para Ricoeur (1994), narrar uma experiência, embasado pela história ou ficção, é uma necessidade transcultural. É a forma como encontramos, ainda que minimamente, de dar sentido às nossas existências, articulando o tempo de modo narrativo e dotando de significado a existência.

Para dar merecido destaque à ficção no campo da narrativa, o autor demonstra que a narrativa da História também conta com elementos ficcionais, na medida em que o “ter-sido” não pode ser observado. A utilização do imaginário na História permite-nos vislumbrar como o passado poderia ter sido. Cabe ao historiador reconstruir elementos que “preencham” a lacuna existente entre o documento e a construção da narrativa.

O mesmo papel inverso é atribuído à ficção, onde também não se pode construir uma obra sem conexão com a realidade. A ficção não possui plena liberdade de criação. O fato de não se trabalhar com a prova documentária exige que o autor construa códigos mais sutis com o seu leitor.94 “Se não fosse assim, como explicar as angústias e os sofrimentos da criação artística de que são testemunhas os diários íntimos de um Van Gogh ou de um Cézanne?” (1997:301). Ambas as narrativas enfrentam dificuldades em seus processos de criação, reconhecê-las é facilitar o trânsito existente entre elas. Nessa perspectiva, tentaremos analisar a construção do texto de Liberdade, liberdade, buscando compreender como a construção dramatúrgica da peça possibilita o trânsito entre a História e a Ficção.