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2. PARALEL M˙IMAR˙ILER VE PROGRAMLAMA MODELLER˙I

3.1. Büyük Veri, Karakteristi˘gi ve Uygulama Alanları

Na fundamentação teórica, havíamos dito que nem sempre os formantes clássicos coincidem em duas línguas, mesmo naquelas que guardam grande semelhança entre si, como é o

caso do português e espanhol. Esses formantes modificam-se de acordo com a evolução da língua que os incorporou.

O prefixo pseudo-, por exemplo, é utilizado em português e espanhol para indicar algo “falso”. Em espanhol, no entanto, esse prefixo pode se realizar de duas maneiras: pseudo- e seudo-, como podemos visualizar nos quadros a seguir:

Português pseudoxantoma pseudopelada pseudocisto pseudofoliculite pseudolinfoma

pseudocicatrizes estelares pili pseudo-annulati

pseudossarcomatosa/pseudo-sarcomatosa

Espanhol seudopili annulati

seudocicatrices espontáneas estrelladas seudofoliculitis

seudogota seudoleucemia seudolinfoma

seudopelada, pseudopelada seudoquiste, pseudoquiste seudosarcomatosa

seudoxantoma, pseudoxantoma

A queda da consoante “p”, em seudo-, é uma tendência da língua espanhola, ocorrendo em várias palavras e com outras consoantes, resultando de um processo de simplificação de sua estrutura fonológica (eliminiação de consoantes e acréscimo de vogais).

psoriasis-soriasis séptimo-sétimo septiembre-setiembre subscriptor-suscritor transeripto-transcrito substancia- sustancia substantivo-sustantivo substituir-sustituir substraer-sustraer transcurso-trascurso translerir-trasferir transformar-trasformar transporte-trasporte transparente-trasparente

A respeito do uso do s por ps, Rosenblat coloca que, segundo a RAE (Real Academia Española):

Pode-se escrever sicología, sicológico, siquiatra, sicosis, etc., ou também psicología, psicológico, psiquiatra, psicosis,etc., ao gosto de quem escreve. O som ps é estranho ao fonetismo castelhano, e a Academia já havia autorizado seudojunto a pseudo, e estava imposto salmos no lugar do tradicional psalmos. A nova norma é liberal e permite escrever uma série de palavras do jeito que são pronunciadas. É provável que os psicólogos e psiquiatras continuem usando o ps, que tem a seu favor a terminologia internacional e remete à sua venerável origem, e os demais se conformem com o s, como já fazem alguns autores. O uso determinará qual das duas formas irá se impor, embora as duas possam se alternar. (ROSENBLAT, 2005)40

A ortografia espanhola, dessa maneira, aproxima-se da oralidade (-seudo) e afasta-se da terminologia internacional (-pseudo). O uso de uma ou outra forma, como vimos, é facultativo; ao escrever, alguns preferem a grafia mais erudita e outros, a mais simples.

Em relação aos formantes -pseudo/-seudo, podemos destacar ainda que podem revelar nuances semânticas, sendo que seu significado transita entre os conceitos de “falsidade” e “semelhança”.

40Se puede escribir sicología, sicológico, siquiatra, sicosis, etc., o bien psicología, psicológico, psiquiatra, psicosis, etc., a gusto del que escriba. El sonido ps es extraño al fonetismo castellano, y ya la Academia había autorizado

seudojunto a pseudo, y estaba impuesto salmos frente al tradicional psalmos. La nueva norma es liberal y permite escribir una serie de palabras como se pronuncian. Es probable que los sicólogos y siquiatras continúen usando la ps, que tiene a su favor la terminología internacional y el recuerdo de su origen venerable, y los demás se conformen con la s, como hacen ya algunos autores. El uso determinará cuál de las dos maneras ha de imponerse, aunque bien pueden alternar las dos. (ROSENBLAT, 2005)

A palavra pseudônimo e pseudo-liderança, por exemplo, designam os conceitos “falso nome” e “falsa liderança”, estabelecendo uma oposição de sentidos, uma relação de antonímia, por vezes, de cunho pejorativo, pois está implícito o ato de fingimento (pseudo-católico > falso católico > aquele que finge ser católico).

Já na terminologia médica, os termos formados por –pseudo referem-se a doenças que possuem características semelhantes às de outra (indicada pela base), podendo com elas ser confundidas. Examinemos alguns termos e definições contidos no VMD:

1. papulose bowenóide:s f verruga de etiologia viral, causada pelo vírus HPV dos tipos 16, 18, 31, 32, 34, 39, 42, 48, 51 e 54. Caracteriza-se por pápulas múltiplas ou placas verrucosas bem definidas, benignas, de cor marrom-avermelhada. Mede de 0,3 mm a 3,3 cm e possui forma semelhante a condiloma acuminado. Apresenta alterações citológicas típicas da doença de Bowen ou carcinoma in situ e pode involuir espontaneamente ou persistir por tempo indeterminado. É hipercrônica e de recorrência freqüente. Localiza- se na mucosa prepucial do pênis, na vulva ou na região inguinal de adultos jovens sexualmente ativos, sendo mais freqüente em homens que em mulheres. Outras Designações: ceratose viral, pseudo-Bowen, papulose de Bowen.

Equivalente espanhol:papulosis bowenoide

2. leishmaniose tegumentar difusa:s f leishmaniose cutaneomucosa atribuída à Leishmania pifanoi. É uma doença rara, caracterizada pelo aparecimento de um nódulo, seguido de manchas eritematosas, que se infiltram. Observam-se também lesões nodulares disseminadas e placas papulonodulares, que podem ulcerar, assumindo aspecto vegetante ou verrucoso. As lesões podem apresentar-se isoladas ou coalescentes e têm aspecto semelhante ao da lepra lepromatosa. Não há comprometimento visceral nem das mucosas. Localizam-se na face (com predileção pelas orelhas), no tronco e nas extremidades. Outras Designações: leishmaniose pseudolepromatosa, leishmaniose anérgica.

Equivalente espanhol:leishmaniasis cutánea difusa; leishmaniasis cutánea anérgica diseminada

3. foliculite: s f piodermite causada pela bactéria Staphylococcus aureus. Caracteriza-se por inflamação superficial ou profunda de um folículo ou um grupo de folículos pilossebáceos, manifestando-se por pápulas ou pústulas.

Equivalente espanhol:foliculitis

pseudofoliculite: s f malformação do pêlos geralmente provocada pela ação de barbear-se e depilar-se freqüentemente e de maneira imprópria, levando à distensão excessiva da pele e cortando os pêlos muito rente aos óstios. Os pêlos ou cabelos encravados, ao invés de saírem diretamente do óstio folicular, crescem em ângulos mais agudos do que o normal, estendem-se sob a camada córnea em trajeto mais ou menos longo e, após surgirem à superfície, encurvam-se na pele e reintroduzem-se na epiderme. Assumem aspecto de foliculitee provocam formação de pústulas e pápulas, determinando geralmente reação inflamatória (...). Outras Designações:cabelo encravado (pop.), pêlo encravado (pop.), pili incarnati, pêlo cuniculado, pêlo encarnado, pseudofoliculite da barba, pseudofoliculite da virilha.

4. pseudolinfoma: s m neoplasia cutânea benigna de origem mesenquimal que se apresenta clínica e histopatologicamente semelhante aos linfomas. Caracteriza-se pela infiltração, na pele, de células linfóides e histiócitos. O diagnóstico diferencial com o linfoma é, por vezes, difícil e requer múltiplas biópsias, com acompanhamento no tempo ou uso de anticorpos monoclonais. A presença de um único tipo de célula aponta o diagnóstico no sentido de linfoma, enquanto a policlonicidade, no sentido de pseudolinfoma.

Equivalente espanhol:seudolinfoma

5. pili annulati:n cient lat malformação dos pêlos possivelmente hereditária, congênita. Os cabelos e os pêlos apresentam segmentos de cor diferente, alternantes, áreas claras (brancas) e escuras, por alterações do córtex e da medula do pêlo. Essas áreas são dispostas com grande regularidade. Distrofia bastante rara, podendo provocar fraturas nos fios. Não há tratamento para a anomalia, mas tinturas podem ser usadas como paliativo. Localiza-se em todos os fios de cabelo ou em apenas nos de uma região do couro cabeludo. Outras Designações:cabelo em anel (pop.), pêlo anular, cabelo anelado (pop.), leucotropia anular.

Equivalente espanhol:pili annulati

pili pseudo-annulati:n cient lat malformação dos pêlos em que os mesmos apresentam aspecto idêntico aos do pili annulati, no entanto, diferenciando-se pelo fato de neste o anel mais brilhante dever-se à reflexão e refração da luz nas superfícies achatadas e retorcidas dos fios.

Equivalente espanhol:seudo pili annulati

Mas nem todos os termos que designam doenças que simulam outras são formados pelo prefixo pseudo-. O granuloma fissuratum, como podemos ler na definição abaixo, não se trata de um granuloma, mas nem por isso é chamado de “pseudogranulona”:

(...) na verdade, não se trata de um granuloma, mas sim de uma lesão que simula clinicamente um basalioma; histopatologicamente, porém, trata-se de uma hiperplasia pseudo-epiteliomatosa com infiltrado inflamatório inespecífico na derme; localiza-se quase exclusivamente atrás da orelha, o que tem levado à suspeita de ser devido ao uso de óculos; é uma lesão papulosa fissurada, podendo medir até 2 cm. (AZULAY, 1997, p. 329)

Em suma, além de adaptarem-se à morfologia, fonologia e ortografia de cada língua (pseudo-/seudo), certos formantes podem apresentar nuances e especializações semânticas em certos domínios do conhecimento (falsidade/semelhança) e são usados de acordo com o critério de quem nomeia determinado processo.