EVALUATION ON THE GREAT SELJUK STATE
6. BÜYÜK SELÇUKLU DEVLETİ’NDE DİVANLARIN DEMOKRASİ KAVRAMI İLE İLİŞKİLENDİRİLMESİ
Durante a década passada, enxertos de tecido composto inauguraram uma nova era na transplantação humana. Experiências prévias em animais demonstraram a viabilidade do transplante facial, mas o facto de nunca ter sido realizado em seres humanos tornou-se um grande desafio para os cirurgiões. Esses desafios englobavam uma grande variedade de considerações cirúrgicas (e.g., determinar como conseguir os melhores resultados funcionais e estéticos); questões imunológicas (e.g., identificação de um adequado protocolo de imunossupressão10 para prevenção e reversão de rejeição de um enxerto11 composto que inclui a pele); e considerações psicológicas envolvidas (e.g., avaliação da capacidade da pessoa em viver com uma face que nem é sua nem é do dador) (Dubernard et al., 2007). A questão da transferência da face tem sido
10 Agente que diminui ou suprime a resposta imunológica. Fonte:
<http://www.infopedia.pt/dicionarios/termos-medicos/imunossupressor>, visto em 10 de Outubro de 2015.
11 Transplante cirúrgico de uma porção de pele de uma região para outra e que se destina a cobrir a lesão
decorrente de um ferimento, uma queimadura, etc. Fonte: <http://www.infopedia.pt/dicionarios/termos- medicos/enxerto>, visto em 10 de Outubro de 2015.
investigada através do estudo em cadáveres e de simulação computorizada (Coffman et al., 2011).
Com o primeiro transplante facial, em 2005, em Amiens, França, inaugurou-se uma nova etapa na Ciência, em geral, e na Psicologia, em particular. Consequentemente, surgiram muitas questões éticas e psicológicas (Dubernard et al., 2006).
O fundamento para a transplantação facial foi estabelecido quando os médicos começaram a transplantar outros órgãos e tecidos (Bluhm & Clendenin, 2009). Esta é uma área particularmente complicada de trabalhar, devido ao facto de ser tão visível que, cometendo erros e divergências, torna-se muito evidente. No entanto, a própria visibilidade da face é um dos aspetos que faz com que o transplante facial seja tão apelativo para os cirurgiões reconstrutivos, uma vez que uma face mal cicatrizada ou danificada pode ser um fardo social árduo e porque o transplante facial tem o potencial para dar a alguém uma expressão mais familiar e normal. Coffman e colegas (2011) consideram que a face é um órgão com múltiplas funções, incluindo a alimentação, a expressão da emoção, a expressão do afeto e sexualidade, a perceção dos sentidos (e.g., olfativa, gustativa, visual e tátil) e a transmissão de informação social (e.g., identidade de género, idade e etnia).
O transplante facial é o último recurso depois das técnicas reconstrutivas tradicionais terem falhado no restabelecimento da função facial, em vez de apenas melhorar o aspeto estético. Os objetivos principais deste procedimento incluem recuperar o movimento e a sensibilidade das estruturas faciais e restaurar uma aparência facial mais normalizada (Coffman et al., 2011). Trata-se de uma nova opção reconstrutiva que surgiu para aqueles que têm extensos desfiguramentos faciais. O alotransplante12 de tecido composto (CTA) da face ainda está na sua fase inicial. Consequentemente têm sido amplamente debatidos aspetos do procedimento, tais como os aspetos técnicos, imunológicos, éticos, psicológicos e jurídicos.
12 Transplante de tecidos de um indivíduo para outro da mesma espécie. Fonte:
Com o crescente interesse científico, social e mediático, em 2004, o Royal College of Surgeons, em Londres, produziu o relatório “Working Party Report on Face Transplantation”, no qual se concluiu que a pesquisa da Ciência básica, psicológica e translacional é necessária para implementar a disciplina na prática clínica humana. Desde então, especialistas de todo o mundo têm descrito os riscos e benefícios do transplante facial (Barret & Tomasello, 2015; Morris et al., 2004; Morris et al., 2007; Petit et al., 2004; Clarke & Butler, 2005). Estas primeiras pesquisas foram importantes para analisar os desafios dos resultados cirúrgicos, funcionais e estéticos, psicológicos e imunológicos do programa de transplante facial.
Até 2015 foram realizados 28 (vinte e oito) transplantes faciais (Tabela 1) em todo o mundo: 9 (nove) em França, 7 (sete) nos EUA, 3 (três) em Espanha, 5 (cinco) na Turquia, 1 (um) na China, 1 (um) na Bélgica e 2 (dois) na Polónia) (Barret & Tomasello, 2015).
De acordo com Devauchelle e colegas (2006), existem dois tipos de transplante facial: parcial e total. Num transplante parcial da face apenas uma secção de tecido é removida de um dador e implantado no rosto do recetor. Num transplante total da face, toda a superfície é utilizada e o couro cabeludo é também transplantado. Em todos os casos, a cirurgia envolvida é muito complexa e o paciente tem de tomar medicamentos imunossupressores para toda a vida para evitar a rejeição da face do dador.
Segundo Siemionow (2012), quando um transplante facial é realizado, o destinatário não assume as características do dador. Apenas a pele do rosto é transplantado, com a estrutura do músculo e osso subjacente, proveniente do dador. O rosto resultante é, muitas vezes, descrito como um "híbrido" entre o dador e o recetor, já que a nova face não será uma combinação perfeita com a anterior original. No caso de alguém com defeitos congénitos, que tenha optado pela cirurgia de reconstrução facial, a nova face será totalmente diferente da anterior. A história do transplante facial pode ser entendida em etapas. A primeira etapa está relacionada com ter o self como o dador, também conhecido como "face reimplantada". A segunda etapa consiste na era do transplante facial, a partir de 2005.
O primeiro reimplante facial total no mundo foi realizado em 1994, numa menina de nove anos de idade, Sandeep Kaur (Fig. 1), cujo rosto e couro cabeludo foram arrancados num acidente com uma máquina debulhadora. Um artigo no jornal The Guardian (Radford, cit. in Alves et al., 2013) relata que "Her parents raced to hospital with her face in a plastic bag and a surgeon managed to reconnect the arteries and replant the skin". Embora a cirurgia tenha sido um sucesso, Sandeep ficou com alguns danos musculares e cicatrizes à volta do perímetro das suturas. Abraham Thomas era o seu médico e um dos principais microcirurgiões da Índia (Alves et al., 2013).
Fig. 1 – Composição de fotografias de Sandeep Kaur. Antes do acidente (A). A face que
chegou em duas partes ao hospital na Índia, onde foi replantada no crânio (B). Após o pioneiro reimplante facial total no mundo (C). Sandeep Kaur aos 19 anos, 10 anos após o acidente (D). Fonte: <http://sansarkopahilo.blogspot.pt/2009/12/worlds-first-full-face- replant.html>, visto em 10 de Outubro de 2015.
Em 2005 foi realizado o primeiro transplante facial parcial no mundo. Isabelle Dinoire (Fig. 2) foi a primeira pessoa a ter um transplante facial. Numa entrevista ao BBC World Service, ela descreveu como lidou com os olhares e o seu desejo de conhecer a família da mulher cuja face se tornou nela própria. A paciente mostrava-se feliz com os resultados, mas declarou ter sido uma jornada difícil no que diz respeito à resposta do seu sistema imunológico. Isabelle Dinoire afirmou ainda que "With time I have got used to my own face. This is what I look like, what I am like, who I am. If people stare at me insistently, I don't care anymore, I just stare back!" (Lanchin,cit. in Alves et al., 2013).
Fig. 2 – Resultados estéticos de Isabelle Dinoire. Em junho de 2001, 4 anos antes da
mordida do cão (A); em novembro de 2006, um ano após o transplante, mostrando a paciente com maquilhagem (B); em junho de 2007, 18 meses após o transplante, mostrando a paciente sem maquilhagem (C). Fonte: Dubernard et al., 2007, p. 2459.
O mesmo tipo de transplante facial foi feito a Li Guoxing (Fig. 3), na China, em abril de 2006, que foi atacado por um urso preto asiático. A bochecha, lábio superior e o nariz foram transplantados. O paciente morreu em julho de 2008, depois de parar de tomar os medicamentos imunossupressores e de os ter substituído por medicamentos à base de plantas (Tan,cit. in Alves et al., 2013).
Fig. 3 – Li Guoxing, antes e depois do transplante facial parcial, em 2006, China. Fonte:
China Daily/Reuters, visto em 10 de Outubro de 2015.
Em 2007, Pascal Coler (Fig. 4), que tinha um tumor facial, neurofibroma, recebeu o que os médicos chamam de primeiro transplante facial quase total bem- sucedido no mundo. Pascal Coler agora está livre da doença que aos seis anos de idade começou a desenvolver tumores na face (Franklin,cit. in Alves et al., 2013).
Fig. 4 – Pascal Coler, transplante facial parcial, em 2007, França. Fonte:
<http://www.documentingreality.com/forum/f149/face-transplants-150380/>, visto em 10 de Outubro de 2015.
A terceira e última fase dos transplantes faciais é a do transplante facial total. O primeiro foi realizado em março de 2010, em Espanha, por uma equipa de 30 (trinta) médicos no hospital Creiteil Henri-Mondor (Briggs, cit. in Alves et al., 2013). O paciente Óscar (Fig. 5) foi ferido num tiroteio. Em julho de 2010, os meios de comunicação social franceses anunciaram o transplante facial total, incluindo os canais lacrimais e as pálpebras (Alves et al., 2013).
Fig. 5 – Óscar, primeiro transplante facial total, em 2010, Espanha. Fonte:
<http://www.documentingreality.com/forum/f149/face-transplants-150380/>, visto em 10 de Outubro de 2015.
Em março de 2011, uma equipa cirúrgica de Boston, EUA, realizou um transplante facial total em Dallas Wiens (Fig. 6). O paciente tinha ficado gravemente desfigurado num acidente que o deixou cego, sem lábios, nariz ou sobrancelhas. A sua visão não pôde ser recuperada, mas recuperou as funções olfativa e da fala (Jones, cit. in Alves et al., 2013).
Fig. 6 – Dallas Wiens, transplante facial total, em 2011, EUA. Fonte:
<http://www.documentingreality.com/forum/f149/face-transplants-150380/>, visto em 10 de Outubro de 2015.
Em março de 2012, o mais extenso transplante facial foi feito a Richard Lee Norris (Fig. 7), em Virgínia, EUA. O paciente levou um tiro, em 1997, que o deixou com um extenso trauma facial. Após o procedimento, ele mostrou um progresso notável. Atualmente, pode sorrir e exibir expressões faciais (Puiu, cit. in Alves et al., 2013).
Fig. 7 – Richard Lee Norris, transplante facial total, em 2012, EUA. Fonte:
<http://www.documentingreality.com/forum/f149/face-transplants-150380/>, visto em 10 de Outubro de 2015.
Atualmente, este tipo de cirurgias são mais comuns, sendo agora possível mais pacientes poderem ter a sua face recuperada, serem capazes de cheirar, sorrir, saborear e comer. Todavia, existem ainda muitas questões éticas em debate sobre o transplante facial devido aos efeitos psicológicos que têm nos pacientes após o transplante (Alves et al., 2013).