• Sonuç bulunamadı

2.1. Kişilik

2.1.2. Büyük Beşli (Beş Faktörlü Kişilik Özelliği)

Embora os primeiros estudos no campo da linguística aplicada sobre o ensino de língua estrangeira tenham surgido no início do século XX, e os teóricos e especialistas tenham buscado métodos e técnicas mais eficazes no ensino de LE, é em 1963 que Edward Anthony, na busca por esclarecer as filosofias, teorias e princípios que orientavam o ensino de LE na época, propõe um modelo no qual define três níveis de organização: abordagem, método e técnica. Para ele a abordagem é “um conjunto de concepções ligadas à natureza do ensino e aprendizagem de línguas”; o método se refere ao procedimento, à forma de apresentação da língua, por sua vez, o termo Técnica se refere aos procedimentos que devem estar de acordo com o método e a abordagem (ANTHONY, 1963, p. 63-67).

Richards e Rodgers (2011) propõem novo modelo e renomeiam o conceito de abordagem de Anthony (1963), propondo como guarda-chuva o termo Método que, por sua vez, possui três níveis: Abordagem, desenho (design) e procedimentos (procedures). Para os autores, “a abordagem se refere a uma teoria de língua e de aprendizagem da língua que serve como fonte de princípios e prática” (Op. cit., p. 20); Desenho se refere ao conteúdo, os objetivos do curso, seleção de temas e organização do que será ensinado; Procedimentos se refere às técnicas em um método, à maneira como as atividades e as técnicas estão integradas e são usadas no ensino. O modelo proposto amplia a compreensão dos processos de ensinar e aprender e apresenta também princípios de planejamento, desenvolvimento de currículos, tipos de atividades e tarefas, e os papéis de professor e de aluno e dos materiais instrucionais.

Celce-Murcia (2014) ressalta que, embora o termo abordagem, usado pelos autores, seja o mesmo de Anthony, o conceito é mais amplo e inclui as teorias e a natureza do ensino de línguas, fazendo referência aos princípios da psicologia e da pedagogia.

Consideramos ainda a definição apresentada por Almeida Filho (1993), ao falar do ensino comunicativo: para o autor, a abordagem é “uma filosofia, um conjunto de pressupostos explicitados, princípios ou mesmo crenças intuitivas quanto à natureza da linguagem humana, do que é uma língua estrangeira, de aprender e ensinar línguas” (ALMEIDA FILHO, op. cit., p. 17). Para o autor, a abordagem de ensinar faz parte do conjunto de disposições que o professor possui para organizar o movimento pedagógico na sala de aula de LE. Almeida Filho propõe o modelo da Operação Global de Ensino (OGEL), no qual apresenta os fatores intervenientes no processo de ensinar e aprender línguas: a abordagem de ensinar do professor, a abordagem de aprender do aluno, o papel do professor, o papel do aluno, os filtros afetivos, as abordagens que orientam o planejamento do curso e a produção de materiais. Para o autor, as concepções de linguagem e de como se aprende e se ensina uma língua atuam como a matéria principal das competências desejadas na formação dos professores de línguas.

Neste estudo, adotamos a definição de Almeida Filho (1993, 2012), por considerar que o conceito de abordagem não se restringe às teorias de ensino e aprendizagem, mas também se refere às filosofias presentes na compreensão de mundo, no conceito de linguagem e nas crenças do que é aprender e ensinar línguas. Concordamos com o autor e consideramos que a análise de abordagem, conforme apresentada na OGEL, pode contribuir para a compreensão do fazer docente e a reflexão sobre as variantes que atuam na sala de aula, contribuindo assim para a melhoria da prática docente.

Figura 1 – Principais fatores intervenientes do processo de ensinar e aprender

No gráfico representativo dos principais fatores presentes na sala de aula, é possível ver que a abordagem, as concepções de como se aprende e se ensina, ‘as concepções vivenciadas’ por alunos e professores estão presentes e atuantes. Segundo Almeida Filho (1993), as concepções se referem à cultura de aprender, às maneiras de estudar, que correspondem às tradições de aprender cultivadas em cada região, etnia, grupo social ou familiar. Conforme o autor, essa concepção de aprender se torna um conceito implícito, subconsciente, que orienta as maneiras sobre como se deve aprender uma nova língua, o desencontro entre a abordagem de aprender do aluno e a de ensinar do professor, ou ainda a abordagem presente no material didático pode gerar dificuldades, fracassos ou desânimo no processo de ensino e aprendizagem na sala de aula.

No modelo proposto pelo autor, a abordagem de ensinar do professor, suas concepções, orientam as decisões e ações no processo de ensino na sala de aula, o planejamento do curso, suas unidades, a produção ou seleção do material, a escolha dos procedimentos e a avaliação do processo, isto é, as materialidades do processo ensino e aprendizagem apresentadas no modelo OGEL, na figura 2:

Figura 2 – Modelo da Operação Global de Ensino de Línguas

Fonte: Almeida Filho (1993, p. 19)

Conforme vemos na figura acima, a abordagem do professor na perspectiva ecológica se relaciona com todos os elementos e estes se inter-relacionam numa constante, e podem ser impactados pelos efeitos proativos ou retroativos no processo, conforme apresenta Almeida Filho (op. cit.).

Consideramos a perspectiva da formação em serviço e a importância de conhecer as concepções que orientam a prática do professor, no intuito de subsidiar a reflexão necessária ao desenvolvimento profissional docente e a melhoria nos processos de ensino e aprendizagem. Os estudos sobre abordagem são importantes para que possamos compreender as concepções que orientam as escolhas dos professores. No caso específico do curso de inglês com foco no desenvolvimento das habilidades orais, a abordagem do professor, as concepções sobre o ensino podem comprometer o resultado. Nesse sentido, buscamos compreender as concepções que orientam a relação do professor com o material de apoio, no intuito de contribuir para as ações de formação em serviço que possam promover a melhor compreensão dos objetivos do curso e consequentemente a melhor aprendizagem dos alunos.

Benzer Belgeler