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II. HARCAMA BĠRĠMLERĠ TARAFINDAN SĠSTEMDE YAPILMASI

1. YENĠ BÜTÇE TERTĠP EKRANI (PROGRAM BÜTÇE)

Saber sobre os modos de compartilhar os saberes entre arte-educadores implica entender quem são estes agentes, o que fazem, onde aprenderam a ensinar, seus saberes

e experiências, as fontes desses saberes, o que os motiva, seus interesses e expectativas e com quem interagem nos processos de aprendizagem; saber quem são, tendo em vista, no entanto, a apreensão das subjetividades e os modos de racionalidade que trazem para compartilhar uns com os outros. Lapassade traz significativa contribuição para compreendermos as implicações entre as intersubjetividades dos arte-educadores e seus saberes e experiência. Esse autor aborda sobre a "multirreferencialidade temática" quando se articula uma série de elementos do contexto de estudo para apreender o fenômeno investigado:

Se nos propusermos, por exemplo, a descrever a 'cultura kabília', falaremos da língua kabília, das práticas culinárias dessa 'etnia', dos ritos de passagem (casamentos, enterros, etc) na Kabília, da fabricação artesanal de suas cerâmicas, tapetes, dos seus adornos, danças e outras manifestações festivais. (LAPASSADE, 1998, p. 137).

O paradigma da epistemologia da prática que converge para os objetivos da pesquisa conduz a uma densa aproximação dos contextos situados nos quais acontece o compartilhamento de saberes dos grupos de estudos. Diferentemente da pesquisa realizada durante o mestrado, quando focamos nossa coleta de dados nos professores que estavam em sala de aula com Arte-Educação, neste experimento, tivemos diferentes sujeitos envolvidos em momentos distintos. Na primeira etapa da pesquisa, a cossituação, encontramo-nos com os professores que trabalham com Arte na escola, compartilhando saberes com artistas, com pesquisadores nos seminários acadêmicos e cursos e com arte-educadores que centram suas atividades em ONGs, cada um ensinando e aprendendo juntos, de acordo com as vivências dos seus contextos culturais e dos espaços diálogicos disponibilizados nos eventos. Como mencionamos anteriormente, nossa inserção no primeiro momento ocorreu ao modo etnográfico, como observadora participante.

Na segunda etapa da pesquisa, o elenco variado de participantes fugiu ao nosso controle porque, mesmo sendo de iniciativa nossa constituir dois eventos mediados pelos espaços virtuais de aprendizagem colaborativa a serem desenvolvidos junto aos arte-educadores, outros professores tiveram acesso à participação pelo tempo de trabalho que tinham disponível para a formação. A diluição do fictício controle de delimitação do objeto de estudo que geralmente temos por certo em outras abordagens de investigação que já realizamos, nos fez perceber, logo durante o processo inicial, que na pesquisa-ação esse domínio por parte do pesquisador acadêmico torna-se inexistente. Isso decorre do fato de que em todas as etapas — planejar, agir, observar e refletir — as

negociações tornam-se frequentes com todos os interessados em participar dos projetos:

(...) o professor e a professora pesquisadores não são “participantes representativos da situação”21

, mas são os pesquisadores e as pesquisadoras, sem estar em posição hierárquica inferior aos pesquisadores externos. Neste sentido é que consideramos uma diferença epistemológica e política fundamental: trata-se de tomar os professores e professoras como pesquisadores e pesquisadoras e não como participantes de uma pesquisa cujo controle esteja fora do seu domínio. (GERALDI et al, 1998, p. 254).

Estes projetos foram organizados com apoio e parceria das instituições responsáveis pelo programa de Informática Educativa na Rede Municipal de Educação, Núcleo de Tecnologia Educacional que funciona no Centro de Referência do Professor e equipe da Secretaria Municipal de Educação que faz o acompanhamento dos professores de Arte das escolas. A Secretaria de Educação não liberou oficialmente os arte-educadores para participarem do projeto conforme propusemos, por conta de reposição de aulas da greve. Os professores que atuam no laboratório de Informática, uma vez liberados para sua formação no tempo de serviço, demonstraram interesse em participar dos projetos, na expectativa de aprender sobre o tema e criar projetos para desenvolver nos laboratórios de informática em parceria com os professores polivalentes, arte-educadores e demais interessados.

Tivemos, então, diferentes grupos de professores e um artista plástico compartilhando conhecimentos sobre Arte-Educação. Nesses grupos, havia professores polivalentes, arte-educadores com amplo conhecimento em suas áreas específicas, como Artes Plásticas ou Música, e que não tinham muita familiaridade com os espaços virtuais ou programas específicos para Educação Musical ou produção e manipulação de imagens.

Constatamos também que, entre os professores que atuavam nos laboratórios de Informática, alguns já desenvolviam projetos de Arte-Educação e trouxeram ricos conhecimentos e experiências, destacando-se nas abordagens interdisciplinares, na contextualização histórica e temas transversais, como, por exemplo, o projeto de um professor do laboratório de Informática que abordava o tema da cultura afro-brasileira com base em estudos sobre os acervos de artistas franceses mediados pelo acesso às galerias virtuais.

Durante os encontros de estudos, os professores participantes realizaram outros projetos paralelos. Um deles reuniu alunos e arte-educadores que estavam em sala de

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aula, para estudo de programas de computador voltados para o uso de recursos multimídia para elaboração de cartões de natal virtuais animados, articulando imagem, música e animação. As condições de liberação de transporte não favoreceram uma reflexão mais aguçada da atividade.

Zeichner (1998), ao referir-se às condições para o desenvolvimento da pesquisa- ação que tem o professor da escola básica como pesquisador de sua prática, reconhece que as estruturas universitárias desencorajam os pesquisadores a desenvolverem pesquisas de cunho colaborativo, também por esses entraves nas políticas da gestão da escola que, na sua concepção instrumental de ensino e formação, compreendem essas duas realidades como isoladas uma da outra no desenvolvimento curricular. Empreender uma pesquisa nessas condições requer a consideração de todo esse processo de negociações e possibilidades que vão se apresentando, tendo-as como parte da produção de conhecimento e desenvolvimento profissional.

O mesmo autor considera que a maior parte da pesquisa educacional é desenvolvida quase independente do cotidiano das escolas e do contexto sociopolítico. Pesquisa dessa natureza não é um estudo que intervem nas questões educacionais, tanto na sala de aula quanto na gestão das políticas educacionais, nos quais as decisões são tomadas.

Nesse panorama contingente do trabalho docente e formação continuada, na terceira etapa da pesquisa de campo, os coprodutores de nossa pesquisa são múltiplos sujeitos educadores com experiências e formações diversas, cujos modos de compartilhamento de saberes estão marcados pelas interações efetivadas em diferentes espaços e com variados agentes que proporcionem processos formativos significativos. A ênfase, porém, é dada aos arte-educadores que atuam nas escolas públicas, com espaço, tempo e atividades definidas. Ele pode ser artista ou não, mas o fator comum é estar na escola trabalhando com Arte-Educação, dentro ou fora da sala de aula. A formação do artista ou a produção artística não é ponto de partida nem de chegada neste estudo. As experiências de formação de artistas podem ser ou não ser as experiências de arte-educadores que estão na escola e é preciso estar atentos a esse mosaico de agentes, já que suas subjetividades emergem dos seus contextos culturais.

A terceira e última etapa da pesquisa foi organizada levando-se em consideração as demandas dos professores apresentados na segunda etapa, cuja reivindicação principal centrava-se em organizar os encontros de estudo de modo a

facilitar a maior participação dos arte-educadores. Outro aspecto apresentado surgiu em relação ao estudo de Desenho e Pintura, quando os professores se mostraram mais interessados em compartilhar dos saberes e experiências do artista plástico que fez parte dos estudos sobre leitura de imagens mediada pelas galerias virtuais e programas de computador voltados para a manipulação de imagens, bem como a reflexão sobre textos teóricos de especialistas da área. Os momentos reflexivos de intensa aprendizagem despertaram nos professores o interesse em aprofundar o estudo teórico e prático sobre o tema sugerido.

Organizamos, então, o projeto “Ação colaborativa na formação de arte- educadores,” tendo a parceria da equipe da Secretaria de Educação para convidar os arte-educadores e avisar as escolas sobre sua presença na realização desse projeto, um sábado a cada mês, dia letivo que, segundo a Secretaria, estaria destinado a sua formação ou planejamento de aulas. Tivemos a participação de 17 arte-educadores, dentre os quais apenas dois haviam participado da primeira etapa. As condições de trabalho não favoreceram a continuidade das reflexões, pois os arte-educadores que estavam participando da primeira etapa não foram liberados para continuar a terceira e os professores dos laboratórios de Informática deram continuidade aos cursos voltados para o trabalho nessa área específica. Na terceira etapa, reunimos arte-educadores que não foram liberados a participar na etapa anterior, a qual se realizava durante a semana.

Esta etapa teve duração de seis meses, com sete encontros, contabilizando o encerramento, o qual contou com o concurso de vários professores que participaram da segunda etapa e de alunos do curso de Educação Musical da UFC. Nesta fase, fizemos oficinas de pintura e exposição de vídeos, trazendo alguns momentos reflexivos e narrativas de arte-educadores sobre sua formação e situação de trabalho que aconteceram nos encontros de sábados e exposição de desenhos e pinturas também realizados em momentos de estudos colaborativos.

Cerca de 50 professores participaram do encerramento, com duas opções de participação. No espaço do anfiteatro, um grupo se dispôs a fazer pintura com o artista plástico e em uma sala outro grupo assistia aos vídeos, de modo que todos transitavam entre os dois ambientes. Surgiram reflexões substanciais entre os diferentes saberes, todos convergindo para as contradições em torno da cultura escolar, da carência de formação e da dimensão do processo formativo que exige constante articulação com o contexto escolar. Entre os participantes ao encerramento, estavam arte-educadores

participantes das duas etapas anteriores, trazendo substanciais contribuições nas intersubjetividades formuladas.

Benzer Belgeler