A. MALĠ BĠLGĠLER
2. Temel Mali Tablolara ĠliĢkin Açıklamalar
2.1. Bütçe Giderleri
Professor, você pretende se capacitar em Libras, para apropriar-se(no sentido de aproximar-se) do mundo do surdo?
Os professores pesquisados apresentaram diferentes concepções sobre a importância, uso e conhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).
Com referência à questão do uso e conhecimento da Libras, os professores apresentaram que:
PR03AM “... gostaria muito de saber um pouco, mas acho difícil e nunca soube
onde fazer e que curso seria considerado bom... na minha idade, depois de tanto tempo aprender uma língua, não sei se seria um curso bem aproveitado, acho que o único uso seria entender o que os outros estão falando; quem sabe, falar com o aluno diretamente... mas, claro, a obrigação de saber é do seu usuário e do intérprete dele.”
PR01AA “... não vejo como um problema não saber, se fosse surdo, sim... claro
que se fosse possível no passado ter uma formação dessa acho que iria para sala de aula mais confiante e sem restrições na comunicação, mas, atrapalhar em geral não atrapalha, se me perguntar eu nem sei onde tem esse tipo de curso pra fazer.”
PR14AE “... às vezes acho que a sala de aula tá cada vez mais difícil de
trabalhar, daqui a pouco termos que saber tupi pra dar aula pra índio, não tenho nada contra nenhuma forma de inclusão de minorias, mas vai ficando inviável o professor ter essa formação; no caso da Libras não é diferente, quem tem que saber é seu usuário e não os outros, e se ele tem o intérprete então tá tudo resolvido.”
PR07ARH “... entendo que cada nova área do conhecimento ou mesmo
abrangência educacional tende a ter sua particularidade de ensino, mas o professor, acho que mais que entender ou saber uma língua, tem que saber ensinar nas mais diferentes complexidades em sala de aula, pois nesse contexto de sala de aula temos tanta coisa diferente para integrar que isso já é a complexidade posta à prova para o professor, não mudaria se a proposta fosse conhecer mais uma língua.”
PR08AF “... não fiz, não tenho curiosidade e nem tempo disponível eu tenho pra
isso; na sala já tem um profissional pra essa finalidade.”
Para (60%) dos entrevistados (9), Libras é uma língua que “quem deve saber é o usuário dessa língua”, e os professores em geral não veem problema em não saberem trabalhar com ela, e outro ponto que atrelado a esse foi evidenciado nas entrevistas foi que o contato com o aluno surdo deve ser feito por meio do intérprete, ou seja, não há necessidade de se expressar em Libras.
Os professores que relataram esse fato, em sua maioria, até acham uma língua interessante, mas não encontram tempo para a formação nessa fase da atividade profissional; outra alegação é o fato de terem procurado e encontrarem dificuldade de cursos para essa formação:
PR11AP “... vejo essa possibilidade como algo de extrema importância, não
entendo como o fato de dar aula dependa somente da nossa formação básica; entender o contexto do aluno, sua cultura e mais sobre o que envolve suas dificuldades conhecimentos e particularidades é essencial, como hoje falar a língua do ouvinte e saber de seu contexto e cultura torna nossa aula mais
interessante e próxima da realidade do aluno; quando o aluno recebe aula sobre inglês, ele não só aprende uma língua, mas as mais diferentes abordagens dentro de um contexto cultural, não é só a fala, mas muito mais que está envolvido, se fosse possível hoje faria com certeza um curso para me apropriar de conceitos, informações e a cultura do surdo, sem dúvida.”
PR12AL “... tudo que enriquece o currículo do professor é bom, além disso,
reconhecer sua língua é respeitar sua forma de ver o mundo e interagir nesse mundo diretamente com ele, seria bom em sala, pois, sem dúvida a aula seria mais próxima da sua realidade, coisa que hoje não sei se chega a ser assim, não daria aula com a Libras mas faria paralelos e conseguiria trabalhar com os alunos de maneira mais apropriada.”
PR09AP “...está sendo muito bom pra mim, me fez ver o mundo diferente que
procurei conhecer e saber de verdade a língua; no início tive dificuldade em encontrar local para essa formação, o tempo também foi uma dificuldade na agenda, mas hoje eu consigo saber uma série de coisas que não imaginava, por exemplo, é uma língua, não é uma fala em sinal somente, é uma língua com sua particularidade linguística, gramática e construção, essa concepção o professor nem ideia faz no início, é muito importante o professor se interessar pelo menos em conhecer essa particularidade porque com isso ele mudaria muita coisa, as provas, os trabalhos, apresentações e a forma de trabalhar alguns conteúdo, sem dúvida, sofreriam alterações para melhor... vejo um descaso com isso por parte de grande número de professores aqui na instituição, então, em algumas matérias, até fica fácil entender porque eles vão ter desempenho tão baixo; o professor não tem cuidado ao ministrar seus conteúdos e as provas são feitas sem nenhum cuidado frente às particularidades do surdo... lembro uma vez que o intérprete não pôde interpretar a prova para o aluno, então ele (o aluno surdo) nem prova fez, entregou em branco; depois disso, todas as provas são cuidadosamente trabalhadas para o contexto do aluno surdo.”
PR10AP “...tão importante isso que fizemos um projeto de extensão para incluir
a disciplina Libras para os professores depois de tantas reclamações dos alunos surdos, muito professores foram com muitas restrições e contra a vontade, então, o curso não teve tanta efetividade, mas, em alguns casos, os resultados foram positivos, pois era comum ouvir professores dizendo “nossa, não sabia disso”, sobre as mais diferentes particularidades do aluno e ensino para o surdo... em um contato com amigos na igreja disse que dava aula para uma aluna surda, todos ficaram muito felizes e me pediram para dizer como era ter
um aluno surdo em sala de aula; foi constrangedor falar sobre isso, pois não entendia nada, então, após isso fui procurar na igreja mesmo aprender um pouco da Libras e da sua história; foi tão bom que passei a ser a promotora de novos adeptos interessados nessa aprendizagem; entendo que o professor é um eterno aluno, e aprender faz parte do nosso ofício, e, então, vejo como um ganho em qualidade e que hoje minhas aulas certamente são bem melhores que em tempos atrás, onde nem sabia o que significava a palavra Libras.”
Entendemos que a língua é o primeiro passo para se promover a inclusão, sobre a Libras Quadors (2006), destaca que ela possui estrutura gramatical própria e complexa, com regras fonológicas, morfológicas, semânticas, sintáticas e pragmáticas. É lógica e serve para atingir todos os objetivos de forma rápida e eficiente na exposição de necessidades, sentimentos, desejos, servindo plenamente para alimentar os processos mentais, então cumpre todos os quesitos necessários da língua.
Para (33,33%) dos professores (5), Libras é uma língua muito importante para a docência, e os professores se mostraram interessados em fazer o curso, pois nenhum deles tem esse conhecimento, no entanto, alegam não disporem de tempo na agenda para essa capacitação; outro ponto é a dificuldade de encontrar escolas e/ou curso de capacitação. Dos entrevistados, os professores [(PR09AP) e (PR10AP)] estavam fazendo curso de iniciação à Libras nas igrejas que frequentam e relataram que estavam conhecendo e entendendo um pouco mais a língua, já que estavam no curso, mas, ao mesmo tempo, não sabiam dizer como seria em sala de aula caso o professor fosse usuário e conhecedor profundo de Libras, ou seja, os professores informaram que acreditavam que não mudariam significativamente sua conduta e/ou metodologia, mas sim fariam mais contato com os alunos surdos.
Independente da dificuldade, compreendemos como parte fundamental do processo de inclusão desse aluno no ensino o reconhecimento da sua língua e cultura, o caminho para esse percurso pode ser trilhado com a própria Libras.
No sentido da identidade, Quadros (2006, p. 57), salienta "(...) a identidade surda se constrói dentro de uma cultura visual, essa diferença precisa ser entendida não como uma construção isolada, mas como construção multicultural". Desta forma, entende-se que a
identidade dos surdos é o conjunto de traços que o distingue dos ouvintes, representada por uma cultura específica, resultante das interações entre surdos.
Para (6,66%) dos pesquisados (1), Libras não é importante e não faria diferença alguma para o professor que ministra aulas no ensino superior, de acordo com o relato do entrevistado (PR014AE), “se o professor tiver que se capacitar frente a todos os novos paradigmas da inclusão, seja ela qual for, seria necessário o professor ficar em constante formação, e isso é inviável”.
Apresenta, ainda, que não vê problema algum ter aluno surdo em sala de aula, desde que ele saiba o português, e, com isso, com a ajuda do intérprete e com esforço, poderá acompanhar muito bem a turma e prosseguir nos estudos.
O professorado pesquisado na IES-A hoje está participando de programas de aproximação frente às questões de deficiência e principalmente surdez, no entanto, na época da pesquisa, nenhum professor estava participando dos programas adotados e desenvolvidos pela instituição.
Os programas visam sensibilizar os professores sobre a necessidade de estarem mais preparados para a docência frente aos novos paradigmas e também entenderem as diferentes formas de aprendizagem em diferentes contextos educacionais.