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Bölgede temininde güçlük çekilen meslekler

4. BÖLGESEL GENÇ İŞGÜCÜ PİYASASI ARAŞTIRMASI

4.4. Açık İşler

4.4.2. Bölgede temininde güçlük çekilen meslekler

O ciclo de vida é pautado por uma grande variedade de transições que podem tornar-nos mais vulneráveis e afetar a nossa saúde. A doença aguda é sem dúvida uma dessas transições que, podendo motivar a necessidade de internamento hospitalar. Com o decorrer dos anos de experiência profissional tenho vindo a adquirir uma especial sensibilidade pela temática do planeamento da alta hospitalar. De facto, a visão crítica desenvolvida levou-me a questionar determinadas práticas de cuidados inerentes ao planeamento da alta, como seja, porque razão o encaminhamento após a alta está muito associado a atos e procedimentos técnicos de enfermagem? Qual o lugar da educação para a saúde no planeamento da alta hospitalar de enfermagem? Porque sinto que o doente que não tem qualquer tipo de dependência parece ser esquecido em termos de planeamento da alta? Que continuidade é dada aos problemas sensíveis aos cuidados de enfermagem que permanecem no momento da alta?

Foram questões como estas que me levaram no âmbito de um mestrado a estudar o planeamento da alta hospitalar de enfermagem ao idoso autónomo. Daqui resultaram importantes conclusões e um interesse em continuar a aprofundar a temática do planeamento da alta de enfermagem, a qual pretendo dar continuidade nesta especialização em enfermagem de reabilitação.

Pelas competências específicas que detêm e pela intervenção que o enfermeiro especialista em reabilitação pode ter nas várias fases do processo de enfermagem, considero que este tem um papel importante nas transições vividas pela pessoa e família durante um internamento hospitalar e posteriormente no regresso a casa. Este é um aspeto a valorizar quando abordamos a pessoa que sofreu um AVC e família, uma vez que vivencia uma transição saúde-doença com claras necessidades de cuidados de enfermagem. O AVC apesar de uma patologia passível de prevenção, continua a apresentar uma elevada prevalência em Portugal.

Segundo o Eurostat (2012) em 2009, Portugal entre as principais causa de morte com 65+24 anos surge com maior prevalência as doenças cérebro vasculares,

traduzindo-se em 598.4 morte por cada 100.000 habitantes, bastante superior à média da EU dos 27 que se situa nos 397.4 morte por cada 100.000 habitantes. Além de uma causa de morte, o AVC pode ser gerador de morbilidade, incapacidade e dependência com repercussões a vários níveis, revelando uma clara necessidade de cuidados de enfermagem à pessoa, família e cuidadores.

Rocha de Oliveira (2010) refere que a atuação da equipa de enfermagem é fundamental em todas as etapas do acompanhamento da pessoa com AVC, devendo ter três objetivos: definir procedimentos na assistência de enfermagem ao doente com AVC desde a fase aguda até à alta hospitalar e que inclui o início precoce da reabilitação; transmitir conhecimentos ao doente, família e/ou cuidador relativos ao auto-cuidado, apoiando do ponto de vista emocional; e por fim promover a continuidade dos cuidados e o apoio fora do hospital.

Durante o internamento hospitalar, a pessoa que sofre um AVC deve ser vista como alguém que num dado período temporal terá alta hospitalar, podendo regressar ao seu domicílio. Deste modo, é importante que ao longo do internamento, sejam identificas as necessidades da pessoa relacionadas com o regresso a casa.

O planeamento do regresso a casa é central nos cuidados de enfermagem, na medida em que se constitui como um dos padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem, (Conselho de Enfermagem, 2001). No entanto, a literatura mostra que o planeamento da alta continua a enfrentar alguns desafios. Observa-se que as orientações para a alta são dadas no momento da saída do doente, não sendo desenvolvido durante o período de internamento e são oferecidas numa grande quantidade e ao mesmo tempo (Pompeu, 2007). Por outro lado a insuficiente consolidação das equipas, bem como a falta de vontade em participar e cooperar com o planeamento da alta por parte dos pacientes e suas famílias são apontadas como outros obstáculos (Chen et al. 1999, Dai et al. 1998, Li, 2001, Pan, 2000, citados por Lin [et al], 2005).

A pesquisa mostrou que existe evidência científica sobre a temática do planeamento da alta de enfermagem, mostrando a importância desta temática para muitos autores. Para tal recorreu-se à b-on e EBSCO tendo como base de dados a MEDLINE e CINAHL e fez-se uso das seguintes palavras chave: planeamento da alta de enfermagem, alta hospitalar, alta de enfermagem, discharge planning, nursing discharge planning e return home after hospitalization. Desta busca surgiu um conjunto de estudos que têm como objeto de estudo central a preparação da alta hospitalar de enfermagem, no entanto são desenvolvidos em contextos específicos, com populações e desenhos de estudo diferentes.

Entre estes trabalhos podem ser referidos aqueles que se centram na perceção do doente e cuidador. No seu trabalho, Driscoll (2000) verificou que 95% dos doentes e 70% dos cuidadores receberam informação sobre os problemas de saúde dos doentes e que a inclusão do prestador de cuidados no momento em que as informações são prestadas ao doente diminui a ansiedade dos prestadores de cuidados, aumenta a satisfação com a informação e diminui a probabilidade da ocorrência de problemas médicos após alta. Fica claro a importância da inclusão da família e cuidador no processo de planeamento do regresso a casa. (Gonçalves, 2008; Bull, Hansen, & Gross, 2000).

O trabalho de Grimmer [et al] (2000) evidencia uma percetiva menos positiva, os cuidadores classificaram a qualidade do planeamento da alta como baixa, pois, muitas das vezes as necessidades não são conhecidas enquanto se planeia a alta. Estes estudos que têm por base a perspetiva do cuidador mostrando a importância que a inclusão do mesmo deve ter no planeamento da alta. Por outro lado, o facto de no momento do internamento não se conseguir identificar as reais necessidades da pessoa e cuidador, leva a que a continuidade dos cuidados e o papel dos profissionais na comunidade se torne fundamental.

Os trabalhos de investigação consultados fornecem importantes linhas orientadoras em termos de boas práticas no planeamento do regresso a casa após internamento, no entanto fica evidente que o contexto de internamento, a situação patológica e a própria população podem determinar as necessidades de resposta. Verificou-se que,

uma população jovem em contexto de internamento agudo de saúde mental identifica como aspetos que podem melhorar a preparação da alta, o aumento do contato com o doente, mais informação sobre problemas de saúde, medicamentos e prevenção de recidivas (Cleary, Horsfall, & Hunt, 2003). Por outro lado, os doentes internados por enfarte agudo do miocárdio sentem necessidade de informação sobre medicamentos, complicações e atividades físicas (Smith e Liles, 2007).

Tendo em conta que, a prevalência do AVC é maior nos mais velhos, devemos ter em conta no planeamento do regresso a casa que esta população pode ter necessidades de informação específicas, pois, segundo Smith e Liles (2007), os idosos desejam mais informação comparando com os mais jovens. Nesta população as lacunas na comunicação constituem um obstáculo a uma adequada preparação da alta (Bull e Roberts, 2001). Ainda em termos da população idosa, os mesmos autores (2001), verificaram que, uma boa preparação da alta ocorre em etapas, sendo o trabalho em equipa multidisciplinar um aspeto vital para um adequado planeamento da alta a idosos e, face a redução da duração dos internamentos, os serviços da comunidade serão fundamentais no apoio após a alta.

Todos os trabalhos acima mencionados apresentam aspetos importantes em termos do planeamento da alta, nomeadamente na identificação das reais necessidades da pessoa e cuidador, lacunas e dificuldades existentes no processo de planeamento da alta e, que aspetos podem melhorar a alta dos doentes.

Enquanto enfermeiro prestador de cuidados gerais e pela pesquisa realizada em relação à temática do planeamento da alta de enfermagem, é possível verificar o importante investimento nesta temática, algo justificado pelos resultados dos estudos referidos acima. Por outro lado, verificam-se situações e contextos onde existe uma grande margem de melhoria em termos do planeamento da alta, no sentido de ultrapassar dificuldades como sejam as verificadas por Atwal (2002) em que o processo de preparação da alta era em muitas das vezes ignorado ou negligenciado, sendo a alta vista como um processo que impedia a comunicação e a falta de tempo a maior barreira identificada. Martins (2003), verificou igualmente que não existe uma intenção explícita de programação da alta e continuidade de cuidados, sendo que cada profissional trabalha de forma independente não existindo

interdisciplinaridade e por outro lado, os idosos e famílias manifestam insatisfação em relação aos cuidados recebidos na programação da alta.

Procurou-se igualmente realizar uma pesquisa no sentido de perceber o estado da arte em relação à intervenção do enfermeiro especialista em reabilitação no planeamento do regresso a casa da pessoa com AVC. Através da ESBCO selecionando como base de dados a MEDLINE e CINAHL e fazendo uso das palavras-chave, nursing rehabilitation, dischage planning, stroke e return home after stroke verificou-se a existência de duas referências que se aproxima da área temática a definir.

Assim tendo por base um gosto pessoal pela temática do planeamento do regresso a casa, a relevância que tem no cuidado de enfermagem e os benefícios que pode ter junto do doente com AVC, sobretudo pelas necessidades de cuidados de enfermagem que podem vir a ter e, por achar que é uma área temática que me permite desenvolver várias competências inerentes à formação de enfermeiro especialista em reabilitação, defino à priori a seguinte problemática:

Que Intervenções do enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação junto da pessoa com Acidente Vascular Cerebral, contribuem para otimizar a transição situacional vivida no regresso a casa após a alta hospitalar.