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Os impactos ambientais do modelo de industrialização são percebidos pela poluição atmosférica, da água e dos solos, gerada como conseqüência dos processos industriais em Maracanaú.

A poluição industrial está vinculada à tomada de decisões governamentais, que, por sua vez, estão influenciadas pelos interesses dos detentores dos meios de produção. A concentração populacional urbano-industrial, entre outros fatores, forma as condições ideais para a reprodução do capital pelas indústrias. E essas condições estão reunidas concretamente em Maracanaú, com a concentração industrial nos Distritos Industriais, no adensamento populacional com a criação de um exército de reserva, na densidade urbana dos conjuntos habitacionais e loteamentos, onde suas funções dão suporte aos processos industriais. Todos estes fatores geram uma grande quantidade de resíduos que são “compartilhados” com a população local (ALMEIDA, 2005).

De acordo com estudos realizados para investigação da poluição atmosférica, Almeida e Rosen (1993) e Almeida (2000) detectaram que os conjuntos habitacionais

localizam-se a oeste do DIF I, para onde normalmente se dirigem os ventos na região (RMF, a direção dos ventos são primordialmente de leste para oeste), conforme figuras 02 e 03, promovendo, assim, a expansão dos odores, gases e poeiras nos conjuntos Acaracuzinho, Novos Oriente e Novo Maracanaú, além dos bairros Jenipapeiro, Santo Sátiro e outros.

As indústrias mais notificadas pela população de Maracanaú, por conta da poluição atmosférica, são GERDAU, NORDAL e a AGRIPEC. Todas estas se localizam bem próximas aos conjuntos habitacionais, sendo mais facilmente identificadas. Entretanto, existem outras indústrias que também provocam poluição, segundo o Secretário do Meio Ambiente de Maracanaú.

Figura 02 - Posição dos conjuntos habitacionais e dos distritos industriais em relação à direção predominante dos ventos na área.

Figura 03 - Uso e ocupação realizada no município de Maracanaú o município de Maracanaú.

Fonte: Almeida, 2005.

Já a poluição das águas ocorre pela destinação dos efluentes líquidos ao longo dos rios (Maranguapinho e Timbó), além das lagoas. E a poluição dos solos se deve a depósitos de resíduos diretamente sobre o solo, sem que haja qualquer processo de

impermeabilização, promovendo contaminação dos mananciais existentes na região. Os efeitos da poluição industrial sobre a saúde da população atingida são consideráveis.

Entretanto, o diagnóstico oficial do quadro de saúde não consegue analisar adequadamente os impactos de um modo de vida crescentemente urbano-industrial sobre o perfil epidemiológico da população, já gritantes nos grupos de patologias que são responsáveis pelas três primeiras causas de morte no estado, como de resto em todo o país: as doenças cardiovasculares, os cânceres e as mortes por causa externa (RIGOTTO, 2004).

Os indicadores de saúde de Maracanaú também guardam a mesma relação com as principais causas de morte no estado, mostram que óbitos por neoplasia representam 55,2/100 mil habitantes, sendo superada pelos óbitos do aparelho circulatório, causas externas e causas mal definidas. A taxa de mortalidade por suicídio ficou em 9,3/mil habitantes. Os principais agravos apresentados pelo sistema são em relação à dengue, tuberculose, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e insuficiência respiratória, principalmente em crianças.

Veja gráfico com as principais causas de mortalidade em Maracanaú comparadas com o restante do estado do Ceará, no mesmo período.

Gráfico 01 Doenças do Aparelho Circulatório Neoplasias Causas Ex ternas Doenças do Aparelho Respiratório Causas Mal Definidas Suicídio

Principais Indicadores de Mortalidade em

Maracanaú e Ceará, em 2005.

Maracanaú Ceará

Fonte: SESA / IDB, 2007.

Na tabela que segue, apresentaremos uma série histórica de morbidade, cuja possíveis causas podem ter relação com a poluição industrial existente em Maracanaú, considerando os impactos ambientais causados pela poluição industrial.

Tabela 04 - Morbidade Hospitalar segundo algumas causas do CID – 10, de internações em Maracanaú, dos anos 2005 a 2007.

Causa de Morbidade

CID – 10 2005 2006 2007* Total Doenças do Aparelho Respiratório.

Neoplasias (tumores).

Doenças da Pele e do Tecido subcutâneo. Mal Formação congênita, deformidades e anomalias cromossomiais. 521 571 242 28 495 298 185 08 515 278 143 04 1.531 1.147 570 40

Ao detalharmos os grupos de causa de morbidade, dentre as doenças do aparelho respiratório, a pneumonia responde por com 67,6% dos casos de internação no período. As outras neoplasias in situ benignas e desconhecidas correspondem a 24,8% das doenças neoplásicas. Com relação as malformações congênitas, 35% delas não são identificadas e aparecem apenas como outras malformações congênitas.

Tabela 05 - Internações por Envenenamentos / Intoxicações Acidentais e Exposição a Substâncias Nocivas em Maracanaú e Fortaleza, no período de 2005 a 2007.

Envenenamentos/intoxicações acidentais

por exposição a substâncias nocivas 2005 2006

2007* Total Maracanaú Fortaleza 23 28 5 19 77 25 105 72

Fonte: DATASUS (SIH/SUS). *Dados parciais sujeitos a alterações.

Com relação as informações do Centro de Assistência Toxicológica – CEATOX, do Instituto Dr. José Frota – IJF, o número de casos registrados de intoxicação humana em 2005 foi de 2.187, destes apenas 372 casos (17%) se referem a intoxicação por agrotóxicos. De acordo com as circunstâncias da intoxicação por agrotóxicos tivemos: acidente individual (17,7%), ocupacional (2,4%), tentativa de suicídio (80,6), com uma ocorrência maior no sexo feminino (52%) que no masculino (48%).

A gravidade dos casos é visível considerando que 8% dos intoxicados vão à óbito. Vale ressaltar que dentre as faixas etárias acometidas encontram-se:

9 Crianças de 1 a 4 anos – 29 casos; 9 Crianças de 5 a 9 anos – 5 casos;

9 Adolescentes de 10 a 14 anos – 12 casos; 9 Adolescentes de 15 a 19 anos – 83 casos; 9 Adultos de 20 a 29 anos – 115 casos;

9 Adultos de 40 a 49 anos – 35 casos; 9 Adultos de 50 a 59 anos – 18 casos; 9 Idosos acima de 60 anos – 14 casos.

Os dados colhidos no CEATOX, que é a referência estadual para as intoxicações humanas, não correspondem aos dados de internação por envenenamentos ou intoxicações no mesmo período em Fortaleza. Isto revela a dificuldade de diagnósticos, o despreparo dos serviços de atenção e de vigilância, e especialmente a subnotificação desses eventos nos serviços de saúde.

2.3.3 O caso da empresa de agrotóxico: conflito socioambiental com moradores de

Benzer Belgeler