Fatores como a revolução tecnológica, a globalização econômica e a nova geografia política do mundo estão impondo mudanças nas formas de conviver, de exercer a cidadania e de organização do trabalho. No Brasil a ampliação do ensino médio ocorre ao mesmo tempo em que, no mundo todo, esse nível de ensino passa por estudos e mudanças nas suas estruturas de organização institucional e curricular.
Pode-se afirmar que, no ensino médio, na década de setenta, o paradigma que predominava era o do conteúdo, distanciado completamente da realidade dos alunos, do contexto social e focado no treinamento.
A partir da década de oitenta teve início um processo de revisão das funções desse nível de educação, na tentativa de procurar identificar a formação do aluno com as características da época – produção pós-industrial. Respeitadas as peculiaridades dos sistemas educacionais de cada país, destacam-se dois pontos comuns nos esforços pela reforma: a progressiva integração
curricular e institucional entre as várias modalidades da etapa de escolaridade média e a desespecialização das modalidades profissionalizantes.
No âmago das iniciativas que se iniciaram em meados dos anos 80, a segunda metade dos anos 90 assiste ao surgimento de uma nova fase de reformas. Foi uma redefinição radical e de conjunto do segmento de educação pós-obrigatoriedade, tornando menos “acadêmica” e mais “prática” a formação geral.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO seguiu a orientação conforme relatório da Reunião Internacional sobre Educação para o século XXI. Esse documento enfatizava que os cidadãos do próximo milênio deveriam desenvolver as aprendizagens: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.
No Brasil, numa iniciativa do Ministério da Educação, as mudanças começaram com um conjunto de medidas como o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM – em 1998, o Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio – PNLDEM – em 2004, o Exame Nacional de Cursos Superiores (Provão) e o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE – integrados ao Sistema Nacional de Educação Superior – SINAES – também em 2004.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi promulgada pelo Congresso Nacional em 1996. Em 1998 o Conselho Nacional de Educação instituiu as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio – DCNEM e, no ano seguinte, a Secretaria da Educação divulgou os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio – PCNEM e os PCN+. A revisão dos Parâmetros Curriculares Nacionais, realizada em 2005, procurou atender a visível necessidade de universalização da educação brasileira, no sentido de preparar os jovens para a cidadania consciente em todas as situações do mundo do trabalho, ou dando sequência aos estudos visando a sua capacitação profissional.
A reforma curricular do ensino médio estabelece a divisão do conhecimento em três áreas: Ciências da Natureza e Matemática, Ciências Humanas, Linguagens e Códigos – cujas disciplinas se organizam e se interligam, mas não se diluem nem se eliminam (BRASIL, 2005). O objetivo da organização dessas áreas é o de que seja desenvolvido um trabalho articulado, no interior de cada área dando sentido aos diferentes saberes, estabelecendo uma ligação entre as áreas numa atitude interdisciplinar e contextualizada de permanente aprendizado.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais, na abordagem que fazem sobre a reforma curricular e a organização do ensino médio, enfatizam como diretrizes gerais e orientadoras que estruturam a educação as aprendizagens já mencionadas:
- Aprender a conhecer garante o aprender a aprender, que dá condições para continuar aprendendo, ao longo do processo de formação do cidadão, constituindo uma educação permanente.
- Aprender a fazer significa relacionar a teoria com a prática, desenvolver habilidades, estimular o aparecimento de novas aptidões para estar em condições de enfrentar as situações que se apresentam no cotidiano.
- Aprender a viver coletivamente permite a realização de projetos comuns, o desenvolvimento do conhecimento do outro e a percepção das interdependências.
- Aprender a ser pressupõe indivíduos críticos e autônomos para exercitar a liberdade de pensamento, discernimento, imaginação e formulação dos seus juízos de valor para definir seu caminho frente às diferentes circunstâncias da vida (BRASIL, 1999).
A revalorização das teorias que enfatizam os afetos e a criatividade no ato de aprender é fundamental para o desenvolvimento dessas aprendizagens. É necessário que a retomada do humanismo nas propostas de reformas do ensino médio seja vista como alternativa para os resultados do pós-industrialismo e um desafio para a educação, para o qual se voltam as esperanças de estímulo à solidariedade e à preservação da integridade pessoal.
O projeto de ensino médio do Brasil está expresso na Lei de Diretrizes e Bases – LDB, em sintonia com a última fase de reformas do ensino médio no mundo. A LDB, atenta às demandas educacionais mais recentes, busca equilibrar tecnologia e humanismo, conhecimentos científicos e exercício da cidadania, autonomia intelectual e preocupação ética.
O nível médio de ensino é tido como a etapa final da formação básica do aluno, visando à sua preparação integral para atuar no mundo como um todo. Essa etapa tem como fundamentos filosóficos a estética da sensibilidade, a política da igualdade e a ética da identidade. Essas concepções requerem que o conhecimento seja uma construção coletiva e que o processo de aprendizagem ocorra como desenvolvimento de competências em torno do conhecimento.
A educação como constituição de identidades será obtida por meio do desenvolvimento dos conhecimentos e competências nos jovens alunos. A capacidade de aprender reiterada na LDB, é a única maneira de alcançar os verdadeiros significados com autonomia. É imprescindível
que as escolas tenham identidade como instituições de educação e que essa identidade seja construída em função das características dos alunos e do seu contexto social. A diversidade da escola de nível médio é necessária para atender as desigualdades nos conhecimentos originais dos alunos, garantindo que o ponto de chegada seja permitido para a grande maioria.
2. ORIENTAÇÕES PARA A AVALIAÇÃO NO ENSINO MÉDIO NO ESTADO DO