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Bölüm C : Uygulama kontrolünün gözden geçirilmesi ve hesap alanı risk değerlendirmesi

O encontro foi ministrado em 19/06 e foram as últimas aulas da sequência “Explorando a charge em sala de aula”, as quais foram destinadas à reflexão acerca das charges produzidas pelos alunos. A professora promove uma troca das charges entre os próprios alunos para que possam “avaliar” a produção do outro. Para tanto, a professora provoca a avaliação dos alunos por meio de questionamentos relacionados à função, estrutura e temática da charge representados via composição imagética. Os alunos prosseguiam com a leitura das charges de forma silenciosa, comentavam uns com os outros, mas não se pronunciavam, talvez por respeito ao texto do colega ou mesmo por preocupação em não desagradá-lo. A professora interfere esclarecendo que não precisa, necessariamente, propor modificações ou indicar possíveis problemas, apenas fazer a leitura da charge mostrando qual é a crítica feita.

No geral, essa mediação da professora favoreceu a participação dos alunos que se motivaram a falar, e mesmo gerando certo tumulto na sala (os alunos queriam sempre explicar quando ouviam um comentário sobre sua charge), aspectos pontuais da produção foram elencados, o que provocou nos alunos, em sua maioria, o desejo de refazer os textos. Alguns, porém, preferiram fazer novas produções.

Os aspectos mais questionados foram a ausência de colorido, como verbalizou o aluno “é peso uma charge em preto e branco” e a pouca criatividade alegando terem copiado as charges trabalhadas anteriormente. As reflexões dos alunos acerca das produções imagéticas, em geral, demonstram conhecimentos dos aspectos multimodais relevantes para a configuração do texto chargístico revelando traços do letramento visual e, em consonância

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com a dimensão operacional do modelo multimodal que estamos propondo nesta tese (cf. Cap. II, p.67).

Vejamos, a seguir, (Fig. 18), uma produção que ilustra esse momento de produção/refacção das charges, bem como os aspectos que foram destacados na avaliação dos alunos:

Em cada seção, selecionamos para serem analisadas produções de alunos que participaram de todas ou quase todas as atividades dos módulos, inclusive concluindo as atividades propostas em sala33 (muitos alunos costumam levar pendências de atividades de sala de aula para fazerem em casa). Foram selecionadas, em média, três produções de cada gênero trabalhado.

Figura 18: Produção realizada em dupla

A figura 18 apresenta uma produção textual que passou por um processo de refacção, embora muito superficial. Ou seja, nesta versão revisada, em relação à primeira, houve apenas o acréscimo das cores no lado direito do texto com o título de “Maracanã”. Ao refazerem o texto, as alunas verbalizaram que iam “dar mais vida”, o que foi representado por meio de cores variadas.

Percebemos que houve uma preocupação com a representação imagética, no sentido de utilizar cores ou várias cores que materializassem ou ampliassem os significados

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Para as produções fotográficas, elegemos o critério de pontualidade no repasse dos registros para mim, a fim de ser providenciada a revelação e exposição das fotografias.

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pretendidos. Enquanto o lado direito – do hospital está todo em vermelho, o Maracanã está todo colorido. Na nossa cultura, a cor vermelha, no âmbito hospitalar, sugere emergência, esse significado parece interagir com o texto verbal “hospitais parados” e constituir a crítica à saúde pública, em geral – a saúde está em emergência.

Por outro lado, verificamos que a composição chargística, em si, com a apresentação de dois cenários opostos é totalmente baseada na Figura 17 trabalhada nas aulas anteriores, nas quais foi trabalhada a crítica feita ao Brasil pelo fato de sediar uma Copa do Mundo, em meio a tantos problemas sociais. Assim, percebemos que as alunas demonstraram refletir sobre as escolhas multimodais empregadas, o que é considerável em termos de sentido e de composição multimodal, mas foram incipientes ao repetirem a composição imagética e o mesmo posicionamento temático.

Diferentemente, na produção a seguir (Figura 19), os alunos imprimem um posicionamento crítico em relação às suas experiências cotidianas. A oportunidade de utilização da imagem permitiu não só a materialização de uma construção textual, mas também a materialização de uma visão crítica do mundo em que vivem.

Questões relacionadas à criticidade e ao papel desempenhado pelo contexto cultural exploradas na dimensão contextual do modelo multimodal são verificadas.

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Figura 19: Produção de charge realizada em trio

Nessa produção, os alunos se utilizam da representação que possuem sobre um jogo de basquete para viabilizarem a abordagem de um assunto que faz parte do cotidiano deles e, consequentemente, do cotidiano de toda a sociedade – a postura da classe política brasileira que, em geral, trabalha em prol de benefícios próprios, e não em favor da população.

Conforme mencionamos, esse texto foi produzido sob a orientação da professora com o intuito de os alunos abordarem em suas produções algum fato daquela comunidade escolar (cf. p.112, neste capítulo). Os alunos tiveram, pois, a opção de escolher a temática a ser abordada, fazendo-nos perceber que essa escolha revela um assunto da realidade deles que, provavelmente, é recorrente, em suas práticas sociais fora de sala de aula. Com os recursos da imagem os alunos exploram a convenção de uma prática esportiva de conhecimento geral (jogo de basquete) para se posicionarem criticamente acerca da política, utilizando o registro de um placar com uma vitória exorbitante para os políticos - R$ 900.000.000.000 - em contrapartida a uma grande derrota do povo - R$ 0. É possível, portanto, verificar que a representação imagética do jogo de basquete não foi escolhida aleatoriamente pelos alunos,

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mas foi empregada como forma de marcar um posicionamento crítico acerca do que é latente na cultura brasileira - a falta de compromisso da classe política com a população.

Outra produção chargística que nos permite observar aspectos críticos e socialmente situados na visão de mundo dos alunos pode ser observada abaixo:

Figura 20: Produção de charge realizada em dupla.

É possível verificar que os alunos se utilizaram, de fato, da imagem como uma forma de interação para fazerem sua denúncia ou crítica. Apresentam uma produção eminentemente imagética e demonstram uma crítica severa ao ato de ganância do homem que, pensando somente em enriquecer, promove atrocidades contra a natureza. Os alunos se utilizaram dos recursos visuais como modalidade decisiva para formulação de seu ponto de vista crítico frente ao problema ambiental do desmatamento. Recorrendo à imagem, puderam mostrar o que pensam sobre o assunto e apontar uma reflexão, indicando características visualmente letradas e conformidade com as configurações textuais da realidade em que vivemos.

Embora notemos que esse texto necessitava de um melhor planejamento da página para aproveitamento do espaço e da própria composição imagética, ele não passou por refacção. Ao serem orientados pela professora a revisarem o texto, os alunos se recusaram a fazê-lo, voltando-se, apenas, para a defesa da ausência de cor como constitutiva do sentido do texto. É um posicionamento pertinente que sinaliza, inclusive, marcas do letramento visual em sua composição ao entenderem que todos os elementos que compõem o texto estão ali para compor sentidos. Por outro lado, porém, limitam as possibilidades de trabalhar mais amplamente com os recursos imagéticos.

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Ao final desta sequência “Explorando a charge em sala de aula”, vale apresentar um trecho das minhas notas de campo que registra a participação de um dos alunos revelando habilidade para tratar com a natureza do gênero charge.

[...] já no finalzinho da aula a colaboração de um aluno me chamou muita atenção. Após as leituras individuais e a produção, a professora avisou que ia expor as produções no mural e pediu que sugerissem um titulo para ela colocar. Entre algumas sugestões, a escolhida foi: O grito do povo. Gostei muito desse título! Revela uma interpretação bem coerente no tocante às implicações dos aspectos imagéticos para a significação da charge como um todo.

Notas de campo, 19/06/2014.

Tomando a referência da noção de letramento visual como uma habilidade de ler, interpretar e entender informações apresentadas em imagens (STOKES, 2002), a participação do aluno revela traços dessa habilidade ao fazer uma interpretação que considera as implicações da representação imagética do gênero multimodal, aqui, especificamente, da charge. Trata-se de uma compreensão daquela realidade que vai além do nível superficial para adentrar nos implícitos vinculados à construção de sentidos.

A sugestão de título “O grito do povo” reúne, pois, significados e apreciações próprias da natureza do gênero charge enquanto uma prática social relacionada aos fatos cotidianos e à necessidade de protesto e critica. A contribuição do aluno com esse título revela indícios do desenvolvimento de uma consciência crítica suscitada pelo trabalho desenvolvido na sequência de aulas com a orientação de “olhar” os textos pelo viés das diferentes formas de representação do significado.

4.1.5 Considerações sobre a sequência 1 Explorando a charge em sala de aula

Benzer Belgeler