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BÖLÜM: İZLEME VE DEĞERLENDİRME

TEMA III: KURUMSAL KAPASİTE

VI. BÖLÜM: İZLEME VE DEĞERLENDİRME

A aprendizagem colaborativa caracteriza-se como uma modalidade de educação apoiada em redes de comunicação nas quais a construção do conhecimento se dá através da relação do indivíduo com o ambiente e com os outros, tendo a colaboração e o diálogo assíncrono como elementos característicos desse tipo de aprendizagem (VANDER LINDEM; ANDRÉ; PICONEZ, 2004).

Na aprendizagem colaborativa, o professor atua como um mediador das discussões e das reflexões sobre os conteúdos informativos desenvolvidos em sala de aula com os alunos, que expressam seus pontos de vista e trocam conhecimentos entre si valendo-se das ferramentas do AVA.

A aprendizagem colaborativa corrobora o pensamento defendido por Paulo Freire (1998), pois, de acordo com seus postulados, o homem apreende a realidade por meio de uma rede de colaboração na qual cada ser ajuda o outro a se desenvolver, ao mesmo tempo em que também se desenvolve, por meio de um sistema relações em que a ajuda é recíproca.

“Ninguém educa ninguém, como também ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo” (FREIRE, 1998, p.39).

Na aprendizagem colaborativa, a construção do conhecimento parte de cada indivíduo e se estabelece através da relação entre sua bagagem cultural, cognitiva e pessoal. O conhecimento é oriundo de qualquer informação a partir da qual ele possa estabelecer um sentido ao relacioná-la com os saberes que já possui.

A ideia é que no decorrer das atividades educacionais os alunos também possam estabelecer momentos de mediação e sugestão de informações, pois isso atestará que sua aprendizagem está gerando efeitos significativos (JOHNSON; JOHNSON; HOLUBEC, 1999). Em outras palavras, o ganho de conhecimento lhe deixará apto a sugerir informações conforme a sua ótica, que estejam direta ou indiretamente relacionadas à disciplina.

O professor é fundamental no andamento das atividades de aprendizagem colaborativa, já que, na função de mediador, ele possibilita ao aluno a reflexão sobre os resultados obtidos, comparando-as com suas ideias iniciais e depurando-as em termos de qualidade, profundidade e significado da informação apresentada. Dizendo de outra maneira, ele promove espaços políticos de debates sobre temas pertinentes às aulas, estimulando a aprendizagem autônoma de cada aluno.

Nesse processo é fundamental oferecer suporte na preparação do professor para exercer suas funções nesse novo ambiente, aproveitando o máximo os recursos oferecidos pelo ambiente colaborativo. É de fundamental importância que o professor esteja preparado para se relacionar com os alunos nesse novo ambiente e com as ferramentas de que dispõe. Uma barreira que deve ser ultrapassada é a visão tradicional do professor sobre o ensino. A aplicação da tecnologia na educação, o que para muitos professores é vista como um risco, não substitui nenhum dos elementos que estão envolvidos com o ensino presencial tradicional (HAGUENAUER, 2003, p.2).

Em ambientes colaborativos, o professor deve orientar o aluno ao longo de um caminho que o leve a refletir sobre sua própria aprendizagem. Além dos recursos tecnológicos para a promoção de trocas de experiências e de informações, o professor deve ter capacidade de mediar e gerir as informações promovidas nesses espaços, para propiciar o surgimento de processos importantes na construção de saber, como a crítica, a análise e a reflexão.

A Pedagogia de Paulo Freire vai ao encontro das expectativas da aprendizagem colaborativa, já que ela entende ensino e aprendizagem como um mesmo ato, mas também como um processo político de formação e de transformação de pessoas, no qual "quem forma

se forma e re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado [...]. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender" (FREIRE, 1998, p.25).

Essa concepção pedagógica está centrada na experiência dialogada e compartilhada das pessoas mediada pelo mundo histórico-social, de forma que o sujeito aprende por ele mesmo, através da sua relação com os outros e das trocas de informações em espaços políticos de aprendizagem onde a análise, a crítica e a reflexão promovem o conhecimento.

Paulo Freire (1998) propõe um processo de ensino-aprendizagem que pressuponha o respeito à bagagem cultural do discente, bem como, de modo mais específico, aos seus saberes construídos na prática comunitária. Desse modo, aprender é um processo reconstrutivo que permite estabelecer relações entre fatos e objetos, com o intuito de ressignificá-los para utilizá-los posteriormente em situações diferentes.

A aprendizagem é jogo de sujeitos, troca bilateral de teor dialético, contraponto entre conhecimento e ignorância, autonomia e coerção. Oferece campo de potencialidades, oportunidades, que se abrem se o sujeito souber conquistar e a história lhe for complacente em termos de condicionamentos positivos. Oportunidades dependem das circunstâncias e sobretudo da iniciativa do sujeito. Podem também ser obstaculizadas, até mesmo destruídas [...]. A aprendizagem não é fenômeno apenas racional, consciente, ou destacado de nossa corporeidade; ao contrário, envolve a complexidade humana naturalmente, e seu aprofundamento implica sempre também envolvência emocional; por mais que possa utilizar esquemas abstratos, é naturalmente metafórico, quer dizer, plantando na experiência humana histórica e cultural (DEMO, 2007, p.310).

Outro fator relevante é admitir na aprendizagem colaborativa a autonomia do aluno em progredir no seu desenvolvimento pessoal, de modo que, além de ser beneficiado pela troca de experiências e saberes entre os demais participantes, ele possa ter autonomia para estudar e buscar conhecimento por conta própria.

A perspectiva autônoma de aprendizagem não isenta a participação do professor, pelo contrário, ele assume papel importante no processo de construção e reconstrução do saber ensinado ao aluno, “por reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade e sua insubmissão” (FREIRE, 1998, p.28).

Com um pensamento muito semelhante, Morin (2000) fala da necessidade de auto- educação, de auto-regeneração e de auto-organização dos educadores, e sugere que os mesmos prestem atenção às urgentes necessidades da sociedade atual, representadas pelas novas demandas e condições de produção que ela requer de educadores e educandos.

O conhecer é um mecanismo fundamental para o ser humano. Em outras palavras, a produção do conhecimento no indivíduo está relacionada ao entendimento do mundo e das coisas que o compõem como objetos interligados e diretamente dependentes uns dos outros.

O comportamento dos seres vivos segue uma perspectiva hitórica cultural, de modo que a aprendizagem é compreendida como expressão de um acoplamento estrutural que manterá sempre uma compatibilidade entre o funcionamento do organismo e o meio em que ele ocorre (MATURANA; VARELA, 2005).

A forma como os indivíduos aprendem está relacionada a dois domínios, o sistema nervoso e o meio social. O sistema nervoso representa o domínio das ações comportamentais, as modificações estruturais cognitivas; e o meio social representa o local das interações humanas com a natureza, a cultura, os saberes históricos e os objetos, proporcionando ao indivíduo a capacidade de aprender e reaprender com o legado deixado pelos mais antigos (MATURANA; VARELA, 2005).

Ambos os domínios são necessários no processo de aprendizagem, contudo Maturana e Varela (2005, p.151) destacam que é

o observador quem os correlaciona a apatir de sua perspectiva externa. É ele quem reconhece que a estrutura do sistema determina suas interações, ao especificar que configurações do meio podem desencadear no sistema mudanças estruturais. É ele quem reconhece que o meio não especifica ou instrui as mudanças estruturais do sistema [...]. Dessa maneira, não precisaremos recorrer às representações nem negar que o sistema nervoso funciona num meio que lhe é comensurável como resultado de sua história de acoplamento estrutural.

Um dos princípios para o desenvolvimento de uma educação aos moldes da perspectiva freiriana é a necessidade de o sujeito ser capaz de estabelecer relações de colaboração, cooperação e reflexão com outros sujeitos, para discutir sobre informações e, dessa forma, produzir conhecimento.

Por sua vez, o sóciointeracionismo de Vygotsky (1989) apresenta-se como outra perspectiva de aprendizagem que comunga com os objetivos da aprendizagem colaborativa, pois defende a ideia de que o homem se constitui como ser humano através das suas relações com a cultura, com a linguagem e com a sociedade, ou seja, por meio de uma interação dinâmica entre esses elementos.

O processo de obtenção de saberes é fruto da interação do indivíduo com dispositivos informacionais que o meio social dispõe, sendo mediado pela linguagem e de

forma ilimitada. Dessa forma,

O conhecimento assume um caráter dialético complexo, caracterizado pela: periodicidade e desigualdade no desenvolvimento de diferentes funções; metamorfose ou transformação qualitativa de uma forma em outra; embricamento de fatores internos e externos; e processos adaptativos que superam os impedimentos que o indivíduo encontra (VYGOTSKY, 1989, p.83).

Pode-se dizer que a construção de conhecimento se origina da relação entre o conhecimento prévio do indivíduo e as informações processadas por ele no contexto social em que está inserido. Inicia-se com a compreensão de informações que estabelecem conexões com os saberes prévios do indivíduo, e finda com o desenvolvimento de mudanças de cunho cognitivo, oriundas do conflito entre o saber prévio e as informações decodificadas.

Segundo Vygotsky (1995), existem dois níveis de desenvolvimento intelectual: o nível de desenvolvimento real, composto por todas as habilidades que o indivíduo já possui; e o nível de desenvolvimento potencial, aquilo que o aprendiz consegue realizar, através da ajuda de outra pessoa mais experiente, por meio da imitação, diálogo e cooperação. A distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial é denominada de zona de desenvolvimento proximal.

Contudo, o desenvolvimento entre os indivíduos é diferenciado, devido a fatores internos e externos ao ambiente contextual, histórico e dinâmico do meio onde vive. Ou seja, o sujeito é o reflexo de sua interação com a cultura, com a linguagem e com a sociedade. Dessa forma, o conhecimento é adquirido de modo multidimensional, contextual e articulado com as mudanças sociais em que se dá o desenvolvimento do indivíduo.

No capítulo a seguir será discutido a relação da CI com ambientes colaborativos de aprendizagem, apresentando algumas definições e funções que preconizam tal relação, dando ênfases a GI e a GC como mecanismos de atuação em ACA.

4 A ATUAÇÃO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO EM CONTEXTOS

Benzer Belgeler