Se, por um lado, trabalho é possibilidade de existência como será aprofundado no próximo capítulo, quando veremos seus aspectos positivos, ele também é negação do homem, quando trabalho estranhado.
A sociedade capitalista é regida por imensa acumulação de riquezas. Seu modo de produção aparece como uma “coleção de mercadorias”. Sua constituição econômica se compõe da classe trabalhadora, que produz a riqueza, da qual só recebe o suficiente para se manter como classe trabalhadora, e dos capitalistas que se apossam dos valores produzidos e lhes permite comprar a força de trabalho dos trabalhadores. Se, por um lado, se produz imensa riqueza, de outra parte, a grande massa da sociedade é incapaz de se apropriar da produção.
Considerando essa configuração capitalista na qual a produção se destina à criação do capital privado, as relações de trabalho assumem dimensões diversas da sua essência. Assim sendo, o trabalho não representa mais uma atividade na qual o homem se educa e se
forma material e espiritualmente (dimensão formadora), mas um meio em que se estranha da sua natureza, daquilo que produz, da sua atividade e de si mesmo (deformação do homem).
Nessa forma de organização social, o trabalho – atividade de autodeterminação do homem, mediante a qual satisfaz necessidades e cria condições para a liberdade – transforma- se em único meio pelo qual o homem garante sua existência. É nesse sentido que Karl Marx destaca o caráter desumanizante do trabalho no capitalismo. Esse, como uma atividade forçada, um sacrifício que o homem realiza em troca apenas da manutenção da sua vida. Sua liberdade é suprimida e somente é gozada nas suas funções animais, como comer, beber e procriar. Embora tais funções sejam igualmente humanas, se estas forem transformadas em objetivo único, tornam-se componente puramente animal, pois o indivíduo se volta, exclusivamente, para a garantia de satisfação da sua natureza orgânica. Assim, aquilo que é humano transforma-se em desumano. Nesse caso, o trabalho representa para o homem a perda de si mesmo, não mais atividade vital na qual manifesta sua vida genérica. Trata-se da expropriação de sua própria vida (MARX, 2010, p. 80).
Observando as consequências do capitalismo, Marx percebe que, com a divisão social do trabalho, a propriedade privada, a industrialização e o assalariamento, o trabalhador foi, aos poucos, se distanciando dos meios de produção.
Com a divisão de classes, aquele que nada possui é obrigado a sobreviver vendendo a própria força de trabalho, com base em um contrato. Assim sendo, o proprietário passa a comprar a força de trabalho do operário em troca de um salário.
O salário deve ser um valor equivalente à sobrevivência da pessoa e de sua família, visto que a capacidade física com a qual ele desenvolve o trabalho vem do corpo. E este corpo tem necessidades básicas para sobreviver, como alimentação, vestimentas e moradia. O indivíduo trabalha para que, com o salário recebido, possa satisfazer as suas necessidades e as de sua família.
O valor do salário do operário é calculado de acordo com suas necessidades de sobrevivência; contudo, o valor dos bens necessários à sobrevivência depende muito da realidade na qual o indivíduo está inserido, dos seus hábitos, dos seus costumes. Daí a diferença do valor do salário de um lugar para outro. Outros fatores que ainda influenciam no valor do salário são a natureza do trabalho e a habilidade do trabalhador. Certo também é que, no cálculo do salário, deve também estar incluso o tempo que o operário gastou para adquirir conhecimento suficiente para exercer tal atividade.
Para Marx, a força de trabalho não deveria ser vendida como mercadoria qualquer, pois, diferentemente dos produtos que se gastam e até se acabam, a força de trabalho tem valor de criação. É por isso que economistas como Adam Smith e David Ricardo7 consideram o trabalho a principal fonte de riqueza das sociedades.
Marx assevera que tudo o que é criado pelo homem contém em si um trabalho ‘morto’, e que o valor da mercadoria deveria depender do tempo gasto em sua produção, das habilidades individuais e das condições técnicas estabelecidas, concluindo que no valor da mercadoria era incluído o tempo de trabalho socialmente necessário para sua produção.
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A obra desses economistas é fundamental para compreender a análise marxista da sociedade capitalista. O contacto com a obra de Smith e Ricardo permitiu a Marx conhecer a fundo os mecanismos da economia capitalista, os processos históricos que produzem acumulação de capital, além de lhe ter permitido explicar a situação das classes sociais da sua época. Partindo de Adam Smith, mas contrariando o seu pensamento, Marx estabelece uma ideia muito importante a respeito da estabilidade das leis econômicas: enquanto para Adam Smith as leis econômicas da sociedade capitalista do seu tempo eram leis universais e necessárias, válidas para todos os tempos e todos os tipos de sociedade, para Marx essas leis não tinham universalidade nem necessidade, pois eram simplesmente leis próprias da sociedade capitalista e, portanto, durariam o tempo que esta durasse. Marx estudou profundamente a obra destes economistas ingleses durante o seu exílio em Londres.
Para o capitalista adquirir a matéria-prima, os instrumentos necessários para a produção de determinado objeto e a mão de obra dos vários colaboradores, ele deve pagar por tudo isso uma determinada quantia, quantia essa que será incorporada ao valor do produto.
Como, porém, o interesse do capitalista é o lucro, e na maioria das vezes o lucro exagerado, ele tende a aumentar o preço do produto e a quantidade de produção. Com isso, o operário é motivado a produzir sempre mais, até chegar ao limite de suas forças. Então, com o aumento na quantidade de produção, o lucro do capitalista aumenta de forma demasiada, e a renda desse trabalho ao capitalista, é inúmeras vezes superior ao valor pago ao operário.
Para chegar a obter a mais-valia, o capitalista procura aumentar mais e mais a jornada de trabalho do operário que, muitas vezes interessado em melhorias no salário, que é uma questão de segurança para o seu sustento e de sua família, se vê forçado a cumprir os ditames do patrão como forma de manter seu emprego.
Com a modernização das indústrias e a substituição do trabalho humano por máquinas, o número de operários tende a diminuir e a quantidade da produção a aumentar. Desse modo, o trabalhador fica cada vez mais desvalorizado em relação às máquinas. E o salário que recebe é, em muitos casos, inferior ao valor do objeto que ele produziu, o que o impede de se beneficiar do próprio produto do seu trabalho, pois este lhe passa a ser estranho.
Marx identifica, nos próprios pressupostos da Economia Política, que a produção do trabalhador se mostra de maneira estranhada. Esse estranhamento não é uma contradição geral do trabalho e sim uma condição de uma determinada forma de relação objetiva que o trabalhador tem com a produção. Consoante Marx (2010, p. 81),
A exteriorização do trabalhador em seu produto tem o significado não somente de que seu trabalho se torna um objeto, uma existência externa fora dele, independente dele e estranha a ele, tornando-se uma potência autônoma diante dele, que a vida que ele concedeu ao objeto se lhe defronta hostil e estranha.
Marx localiza o estranhamento nessa relação do homem com a natureza. Se é verdade que toda relação com a natureza é uma relação com um exterior, é igualmente verdade que toda relação com a natureza ocorre pela mediação do trabalho, que, na sociabilidade capitalista, é uma mediação meramente exterior entre homem e natureza. Se a natureza independe do homem, na sociabilidade capitalista, o trabalho e o resultado do trabalho igualmente independem, tornando-se para o homem mera relação exterior.
Marx traz o conceito de trabalho estranhado em quatro dimensões: como estranhamento a) na relação com o produto do trabalho; b) no próprio ato da produção; c) do seu próprio ser genérico, e d) estranhamento do homem pelo próprio homem.
O estranhamento do trabalho consiste em o trabalhador, sem possuir os meios necessários à realização do seu trabalho, vender sua força ao proprietário dos meios de produção em troca de um salário. Com a separação entre o trabalhador e os meios de produção, de um lado fica o capitalista, proprietário dos meios de produção, e do outro o operário; esse, por sua vez, com única propriedade - a sua força de trabalho.
O trabalhador, ao vender o seu trabalho, que não lhe pertence mais, passa a ser considerado mercadoria pelo proprietário. Com isso, o capitalista dono dos meios de produção passa a possuir até mesmo a capacidade criadora do operário. Assim sendo, quanto mais o trabalhador produz, mais desvalorizado vai se tornando. Conforme Marx (2010, p. 80),
O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata, quanto maior quantidade de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas, aumenta direta a desvalorização do mundo dos homens. O trabalho não produz apenas mercadorias; produz-se também a si mesmo e ao trabalhador como mercadoria, e justamente na mesma medida que produz bens.
Significa dizer que o produto do trabalho não pertence mais ao produtor e até mesmo o trabalho se torna propriedade do capitalista, que detém os meios de produção. Com efeito, o trabalho torna-se uma “desrealização”, pois, sendo objeto à venda, ele não pertencerá mais ao seu produtor.
Não pertencendo mais ao produtor, o trabalho torna-se para ele uma atividade forçada, desgastante. Enquanto, para o proprietário, constitui uma fonte de prazer, “(...) tudo o que aparece no trabalhador como atividade estranhada se manifesta ao não-trabalhador como condição de estranhamento”. (IBIDEM, p.89 - 90).
Separado do trabalhador, o trabalho ganha certa autonomia. Assim, como o trabalho não pertence mais ao trabalhador, igualmente o produto do seu trabalho também não lhe pertence. Uma vez vendida a força de trabalho, o trabalhador não tem mais nenhum direito sobre seu produto. Tal produto é propriedade do capitalista, dono dos meios de produção, que comprou a força de trabalho por meio de um salário.
Assim sendo, a mercadoria passa a ter valor próprio. Não são levadas em conta as condições do trabalhador. As relações de produção assumem a forma de coisas, perdendo-se o conceito de trabalho social.
O estranhamento do trabalho e do produto está muito ligado ao estranhamento do homem em relação a si, à sua espécie e à natureza. O estranhamento do produto implica o estranhamento do produtor e só acontece porque a atividade do produtor lhe é oposta.
De trabalhador, o homem passa a ser considerado uma mercadoria e a considerar como tal os seus semelhantes. Quem não trabalha, não produz, não tem nenhum valor para a sociedade do capital e para si próprio.
A condição de estranhamento em relação ao seu trabalho, ao produto do trabalho e a si mesmo torna o homem estranhado em relação aos outros homens. Pela sua condição de estranhamento, o homem passa a olhar para os seus semelhantes como uma ameaça. O outro que poderia ser sua realização passa a ser uma limitação. Isso acontece, sobretudo, quando o trabalhador se coloca em relação com o proprietário dos meios de produção, ao qual se sente submisso. É partindo desses pressupostos que Marx propõe a abolição da propriedade privada, pois, em toda formação social baseada na propriedade privada, o trabalho deixa de ser uma atividade positiva, livre e consciente, com a qual o homem se identifica, e se transforma numa atividade sob o controle de um outro, numa potência negativa, estranha e hostil do homem.
O Trabalho Estranhado8 está elaborado no primeiro manuscrito da obra, Manuscritos Econômico-Filosóficos, que Marx escreveu no período de abril a agosto de 1844. Nele, Marx inicia sua reflexão sobre as formas privadas de produção com suporte nos pressupostos da Economia Política, aceitando as leis e a terminologia inerentes a ela. Em outras palavras, a propriedade privada, a divisão do trabalho, capital e terra, salários, lucro do capital e renda, a concorrência, o conceito de valor de troca são os pressupostos fundamentais trabalhados por Marx na sua reflexão sobre a sociedade industrial moderna.
Usando as palavras da própria Economia Política, Marx mostra que o trabalhador foi reduzido a uma mercadoria, quer dizer, a uma miserabilíssima mercadoria, e que o estado de miséria do trabalhador aumenta ou se amplia com o poder e o volume de produção; e também que a acumulação do capital nas mãos de uma minoria, resultado da concorrência, _______________________
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Marx, ao se referir à categoria trabalho estranhado, vai além da análise antropológica e analisa em sua condição particular, negativa, isto é, o trabalho determinado pelas contradições da propriedade privada na sociedade burguesa do século XVIII.
restabelece o monopólio; e que, enfim, a diferenciação entre capitalista e proprietário fundiário como trabalhador industrial e trabalhador rural se converte em duas classes “estanques”, ou seja, os possuidores de propriedade e os trabalhadores sem propriedade. É assim que Marx inicia o primeiro parágrafo do “capítulo” Trabalho Estranhado, fazendo uma síntese da reflexão sobre os capítulos anteriores a esse.
Se, por um lado, o trabalho é uma categoria ontológica na centralidade da filosofia de Marx como atividade afirmativa da vida humana, e sua existência como indivíduo e seu caráter social (pontos que aprofundaremos no próximo capítulo), por outro lado, ele se exibe também como atividade de subsistência, de satisfação imediata de suas necessidades. Desta forma, o trabalho se mostra como estranhamento, pois ele é expropriado dos seus verdadeiros produtores, os trabalhadores. De tal modo, o trabalho perde sua condição fundamental de atividade vital humana e se torna uma atividade estranhada que conduz o homem à perda de sua essência ao objetivar-se nos produtos do trabalho.
Assim sendo, compreendemos o sentido ontológico do trabalho como mediação ineliminável da vida humana em que se fundamentam a relação homem e a natureza, apresentando a limitação física do ser humano. O trabalho só é possível socialmente e na medida em que ele potencializa as capacidades humanas. Dito isto, entendemos o trabalho como atividade exclusivamente humana, uma vez que a atividade dos animais carece de uma teleologia, ou seja, é sempre uma atividade diretamente ligada às necessidades físicas de si e de suas crias. O trabalho não é sempre, no seu sentido original, universal, um fazer repetitivo e mecânico, como é caricaturado por Charles Chaplin no clássico filme Tempos Modernos, mas uma atividade livre e consciente, mesmo em sua forma negativa como atividade perniciosa e imposta que se expressa como reprodução e autovalorização do capital.
Segundo Marx, é o trabalho que produz objetos para outros; produz riquezas para o burguês e miséria para o trabalhador. Como assegura nosso autor,
O trabalhador se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quando mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador se torna uma mercadoria tão mais barata quanto mais mercadoria cria. Com a valorização do mundo das coisas (Sachenwelt), aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens (Menschenwelt). O trabalho não produz somente mercadorias; ele produz a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e isto na medida em que produz, de fato, mercadorias em geral. (MARX, 2010, p. 80).
Na sociedade burguesa, o trabalho aparece, evidentemente, em sua forma estranhada. É por isto que, na sociedade do capital, é tão necessário um exército reserva de mão de obra que pressiona sempre mais o mercado excedente de trabalhadores.
Marx compara o estranhamento do trabalhador ao seu trabalho com a alienação religiosa, uma vez que, de modo geral e em sua existência, quanto mais o homem atribui a Deus, tanto menos guarda para si mesmo. Como anota Marx (2010, p. 81),
O trabalhador encerra a sua vida no objeto; mas agora ela não pertence mais a ele, mas sim ao objeto. Por conseguinte, quão maior esta atividade, tanto mais sem- objeto é o trabalhador. Ele não é o que é o produto do seu trabalho. Portanto, quanto maior este produto, tanto menor ele mesmo é. A exteriorização (Entäusserung) do trabalhador em seu produto tem o significado não somente de que seu trabalho se torna um objeto, uma existência externa (äussern), mas, bem, além disso, [que se torna uma existência] que exista fora dele (ausserihm), independente dele e estranha a ele, tornando-se uma potência (Macht) autônoma diante dele, que a vida que ele concedeu ao objeto se lhe defronta hostil e estranha.
Os economistas burgueses absolutamente não se interessam pela condição humana do trabalhador, nem pela relação dele com o seu trabalho ou com o produto de sua atividade. Para eles, trabalho, mercadoria, salário e lucro são elementos abstratos, examinados apenas do ponto de vista econômico nas contas das empresas. Neste processo de estranhamento, há uma supervaloração do mundo das coisas em detrimento de uma valorização do ser humano.
Os reflexos negativos do trabalho para o homem não interessam a tais economistas. A eles só interessa o trabalho como capital, cujo valor é conforme a lei da oferta e da procura. Para Marx, o estranhamento do trabalhador se expressa nas leis da Economia Política, uma vez que, quanto mais o trabalhador produz, tanto menos tem de consumir; quanto mais valor ele cria, tanto mais sem valor e mais indigno ele se torna; quanto mais refinado o produto do seu trabalho, tanto mais deformado se torna o trabalhador; e quanto mais civilizado o produto, tanto mais bárbaro fica o trabalhador. Ainda para Marx, quanto mais poderoso o trabalho, tanto mais impotente se torna o trabalhador; quanto mais brilhante e pleno de inteligência o trabalho, tanto mais o trabalhador diminui em inteligência e se torna servo da natureza (MARX, 2010, p. 82).
Desta forma, para Marx, a Economia Política esconde a alienação na natureza do trabalho, porquanto não examina a imediata relação entre o trabalhador (trabalho) e a produção. É claro que, quando o trabalhador, com seu trabalho, produz maravilhas para os ricos, por outro lado, produz a privação para si mesmo. Produz palácios para o burguês, mas
ele próprio mora em casebre. O trabalho produz beleza, mas deformidades para o trabalhador. Para Marx, na sociedade do capital “se substitui o trabalhador por máquinas e joga -se uma grande parte dos trabalhadores para um trabalho bárbaro enquanto transforma outros em máquinas”. (2010, p. 82).
O trabalhador, no entanto, é uma mercadoria especial, pois é um ser vivo, um homem de necessidade e qualidade humanas. Ironiza Marx, porém, ser um capital vivo é o infortúnio do homem – trabalhador porque ele só interessa ao capitalista o ponto de satisfazer o interesse do capital, ou seja, como trabalhador e não como homem.
Por isso, Marx acrescenta que, para os olhos da Economia Política, o homem fora do trabalha não existe, ou seja,
A economia nacional não conhece, por conseguinte, o trabalhador desocupado, o homem que trabalha, (Arbeitsmenschen), na medida em que ele se encontra fora da relação de trabalho. O homem que trabalha (Arbeitsmenschen), o ladrão, o vigarista, o mendigo o desempregado, o faminto, o miserável, e o criminoso são figuras (Gestalten) que não existem para ela, mas só para outros olhos, para os do médico, do juiz, do coveiro, do administrador da miséria, fantasmas [situados] fora de seu domínio. (MARX, 2010, p. 92).
Em consequência disto, a Economia Política se preocupa com a produção das mercadorias, entre elas, o trabalhador, que para sua sustentação e reprodução, se paga um salário; que, apesar de não constituir uma categoria analisada neste trabalho, lembramos apenas que o salário entra na relação do trabalhador tão somente como uma necessidade do trabalhador para mantê-lo durante o trabalho e de maneira que a raça dos trabalhadores não se extingue. Dessa forma, o salário possui exatamente o mesmo significado que a manutenção de qualquer outro instrumento produtivo; “assemelha-se ao óleo que se aplica a uma roda para manter em movimento ou ao capim que se dá ao cavalo para que ele continue trabalhando” 8. (IBIDEM, p. 92).
Assim bem figura a objetivação do trabalhador como perda e servidão do objeto. A este momento do trabalhador que se perde como homem e se converte em coisa no ato econômico da produção, Marx denomina de trabalho estranhado. Estranhado porque se torna _______________________
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Marx não considera que as categorias econômicas sejam naturais, pois elas ocorrem com a exploração, ensejando as desigualdades, uma vez que o trabalhador no capitalismo torna-se uma simples mercadoria, torna- se coisa. Para o capitalismo, o que importa é o lucro e não os problemas do trabalhador. Nessas condições, o trabalhador não é visto como ser humano e sim como mercadoria.
exterior ao trabalhador e é trabalho forçado que esvazia o homem de sua natureza humana, em que a realização do trabalho surge de tal modo como desrealização que o trabalhador se invalida até a morte pela fome. A objetivação revela-se de tal maneira como perda do objeto que o trabalhador fica privado dos objetos mais necessários, não só à vida, mas também ao trabalho. De onde se conclui que o trabalho se transforma em objeto. A apropriação do