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BÖLÜM /BİRİM FİİLİ GÖREV YERİ GELDİĞİ ÜNİVERSİTE

É somente depois que podemos contar aquilo que “vimos” dizendo, porque não teríamos outra maneira de fazê-lo, sem palavras, que “aquilo” é ‘como se fosse’ (hoîon) “isso” e “aquilo outro”, o que vimos com os nossos olhos, pressentimos com a nossa alma e intuímos com o Intelecto.

168 Termo cunhado por Nicole BELAYCHE. Les language de l’expérience mystique chez Plotin. Cahiers

d’Antropologie Religieuse – 3. École Doctoral d’Histoire dês Religions. Presses de l’Université de Paris. Sorbonne. s/d, p. 26.

169 Ver Tratado 6 [IV 8], 1, Sobre a descida da alma nos corpos, sobre a experiência unitiva de Plotino. 170 Tradução de Laurent LAVAUT, Plotin: Traités 1-6, p. 241.

O termo grego hoîon, ‘como se’ ou ‘por assim dizer’, corresponde a um dos recursos de linguagem utilizados por Plotino para dar a entender que aquilo que falamos não é exatamente o que queremos dizer, o que evidencia um limite tanto da parte daquele que fala, porque não consegue dizer de outra maneira, como do interlocutor que não poderia apreender aquilo que é dito a não ser através do conhecimento direto do objeto, como por parte do próprio objeto que não se deixa apreender por meio das palavras devido à sua inefabilidade.171 Intermediária entre a linguagem positiva e a linguagem negativa, o hoîon, como a Matéria Inteligível, evoca um pré-sentimento daquilo que ‘sempre soubemos sem saber dizer’. O hoîon nos remete para além de nós mesmos,172 pois por meio dele reconhecemos os nossos limites e somos arremessados mais alto, para aquilo que podemos intuir e ver com a parte mais elevada do Intelecto, aquela que, tendo a visão, “toca” o Um, e que, como um toque Inefável, realiza o “contato Inefável” e silencioso, por meio do qual se manifesta a Presença (parousia) Dele em nós.

O uso do advérbio hoîon e das precauções oratórias, “se é permitido dizer” e “na medida do possível”, indicam que o que é dito serve apenas como um indicativo e não como uma referência Daquele ou daquilo que buscamos dizer. Portanto, o nome ou o predicado não devem ser tomados literalmente,173 devendo ser considerados enquanto advertências, indicando tratar-se de uma linguagem aproximativa.174 O termo hoîon aproxima e une aquilo que aqui em baixo re-conhecemos por meio de analogias, e que num plano mais elevado, torna-se conhecido “simpaticamente”, na intuição imediata que o Intelecto tem de si e do Um. É neste sentido que Chrétien termina o seu artigo L’Analogie selon Plotin dizendo:

A via da analogia termina na fenda que separa o ser como origem da origem do ser. É aí que é preciso pular, se lançar ou saltar (cf. V, 3, 17; V, 5, 4). A recompensa do caminho é ser conduzido [até] lá onde nenhum caminho mais se abre, onde nenhum caminho mais é trilhado, onde tendo nos desvestido de tudo o que nos cobria, realiza-se enfim para Plotino o desvestir- se de si mesmo – para desabar na altura, da vigília sem vigia.175

171 Dominic J. O’MEARA em Le problème du discours sur l’indicible chez Plotin. In: Revue de théologie et de

philosophie, 122 (1990), pp. 148-150, trabalha o conceito de inefabilidade do Um.

172 Reinholdo A. ULLMANN em seu livro Plotino – Um estudo das Enéadas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002,

p. 91, explica que Plotino “se esforçava para corrigir o seu pensamento introduzindo o advérbio hoîon, conforme já foi dito. Essa palavrinha tem o condão de transportar o pensamento a novos patamares, até às fronteiras do indizível, onde impera o reino do silêncio, na imutabilidade da solidão do Uno”.

173 Cf. Michael SELLS. Apophasis in Plotinus: A Critical Approach. The Harvard Theological Review, Vol. 78,

No 1/2 (Jan. – Apr. 1985), p. 50; Awakening without Awakener: Apophasis in Plotinus In: Mystical Languages

of Unsaying. Chicago & London: The University of Chicago, 1994, p. 17, o uso do termo hoîon corresponderia à segunda marca apofática, como veremos infra, no nosso Capítulo II.

174Cf. Nicole BELAYCHE. Les language de l’expérience mystique chez Plotin. Cahiers d’Antropologie

Religieuse – 3. École Doctoral d’Histoire dês Religions. Presses de l’Université de Paris. Sorbonne. s/d, p. 26; LEROUX, Georges. Plotin – Traité sur la liberté er la volonté de ‘Un [Ennéades VI, 8 39)]. Paris: Librairie Philosophique J. Vrin, 1990, pp. 333-334.

Onde termina o caminho, começa o abismo, o lugar que logramos alcançar quando não sabemos mais nada, a ponto de não sabermos nem mesmo se “possuímos” ou se já fomos “possuídos” por Aquele a quem tanto buscamos. E porque nos jogamos, para além de nós mesmo, no nada, O conhecemos como imagem invertida, sem tomarmos ciência de que, sim, fomos nós que mudamos de lugar, invertendo a nossa posição. Olhamos com os olhos do Um e não vemos nada, a não ser que nos tornamos a luz que nos ilumina. A metáfora da luz transpassa a si mesma evanescente que é, sem ser, nem jamais deixar de ter sido a luz que nos ilumina.

O final do Tratado 49 [V 3] é exemplar não apenas ao apresentar a metáfora da luz, relativa ao “instante” em que somos uma única e mesma luz a irradiar eternamente, e, mais especialmente por mostrar que todo este processo diz respeito ao “parto da alma” que é obrigada a sair de si mesma para encontrar e se tornar a luz que a ilumina. Por isso, e mais que nunca, Plotino reafirma que as dores da Alma, como as dores do parto dependem ainda de uma encantação, se existir alguma que cumpra essa função, e, portanto, das palavras, não apenas por seu caráter mântrico, mas também por seu aspecto mântico, como oráculo.

Não é preciso dizer que a alma experimenta ainda, e mais do que antes, as dores do parto. Talvez deva dar à luz agora se precipitando para ele, plena que está das dores do parto. Todavia, é preciso novamente recorrer às encantações se pudermos encontrar, em algum lugar, uma encantação para as dores do parto. Talvez conseguíssemos com o que já dissemos, se o repetíssemos frequentemente como encantação. Pois o que temos como outra encantação que seja nova? Pois ela [a alma] que percorre todas as realidades verdadeiras foge, no entanto, destas realidades das quais participamos, se queremos dizê-las ou pensá-las discursivamente, pois o pensamento discursivo, para expressar alguma coisa, deve apreender uma coisa após a outra. Porque é assim que se faz seu percurso. Mas no que é absolutamente simples, qual percurso é possível? Não, basta somente um contato intelectual.176 E quando tocamos, no

momento em que tocamos, não temos absolutamente nem a possibilidade, nem a oportunidade de dizer alguma coisa; é somente depois que podemos refletir.

Neste momento, porém, somos forçados a acreditar que vimos, quando a alma subitamente recebeu uma luz: é dele, é ele. E, neste momento, somos constrangidos a reconhecer que ele está aí, assim como quando outro deus que chamamos em casa, ele veio e iluminou. Não, se ele não tivesse vindo, ele não teria iluminado. Sim, é assim que a alma não iluminada está sem este deus, sem sua visão. Mas quando ela é iluminada, tem o que procurava e aí está a meta verdadeira da alma: tocar esta luz e contemplá-la por ela mesma, não pela luz de outra coisa, mas contemplar a própria luz pela qual ela vê. Pois, a luz pela qual ela foi iluminada, eis o que é preciso contemplar. O sol também não é visto por outra luz.

- Como então aconteceria isso?

- Separe177 todas as coisas. 49 [V 3], 17, 16-42.178

176 B. HAM. Plotin: Traité 49 V. 3. Paris: Les Éditions du Cerf, 2000, utiliza o termo toucher intelectuelle que

traduzimos por “contato intelectual”, pois, em português, o termo “toque intelectual” não tem sentido. Prosseguimos, como Ham, utilizando o termo “toque” no sentido de percepção sensorial tátil proporcionada pelo contato.

177 Diante da dificuldade com relação às traduções desta exortação de Plotino, optamos pela tradução do termo a

partir do grego aphéle panta que significa separar, roubar, afastar, suprimir. Optamos por “separar” – “Separe todas as coisas”. Embora B. HAM tenha traduzido por “retranche tout”, entendido como masculino singular,

Benzer Belgeler