A partir das curvas termogravimétricas (TG), determinou-se a estabilidade oxidativa das amostras, definidas como sendo as temperaturas em que se iniciam as decomposições das mesmas.
Os dados obtidos a partir das curvas de TG demonstram um perfil termogravimétrico semelhante (Tabela 8), para os óleos das amêndoas dos genótipos avaliados.
Na primeira etapa se observou que a perda de massa iniciou em temperaturas entre 20,89 e 33,34 oC e finalizou em temperaturas entre 210,03 e 248,04 oC, sendo que nesta etapa a variação de massa não ultrapassou 0,664 %, com exceção do genótipo G43, com a perda de massa foi de 4,731 %, sendo associada a desidratação da amostra.
A segunda etapa se caracterizou, em óleos de todos genótipos, por uma grande perda de massa, entre 91,823 e 97,274 %, sendo que a temperatura final observada nesta etapa entre 450,81 e 468,60 oC.
Na terceira etapa a temperatura final variou entre 500,29 e 501,88 oC e a perda de
massa não ultrapassou 0,945 %, sendo constatado que a degradação do óleo de amêndoas de licuri ocorre realmente na segunda etapa, a partir de 210,03 oC.
Este resultado é compatível com o conhecimento que ácidos saturados são mais estáveis que os insaturados, em função das insaturações presentes nas cadeias carbônicas dos óleos vegetais serem alvos de agentes oxidantes como radicais livres, enzimas,metais, que atuam como catalisadores de processos oxidativos e foto-oxidação (MORETTO e FETT, 1998). Portanto, óleos com maiores teores de ácidos graxos saturados, como o do licuri, resultam em maior estabilidade térmica.
Observou-se que o óleo do licuri em temperaturas inferiores à 210 ºC, não possuem variação de massa ou oxidação significativa dos compostos orgânicos, mantendo suas características e propriedades funcionais, assim como sua estabilidade termo-oxidativa. Essa qualidade pode estar relacionada à ação protetora das substâncias antioxidantes presentes no óleo.
A partir da segunda etapa de variação de massa, inicia-se o processo de perda do valor nutricional do óleo, característico do processo de decomposição térmica da matéria orgânica presente nas amostras. As amostras entram em processo de combustão, sugerida pela grande variação de massa das amostras na curva de TG, conseqüência da ruptura das moléculas de lipídios (SOUZA, 2010).
É importante óleos de boa qualidade e que permaneçam estáveis por longos períodos de tempo, considerando-se que parte do óleo é absorvida pelo alimento e torna-se parte da dieta ( MAREIRAS-VARELA; RUIZ-ROSO, 1983).
Tabela 8 - Dados termogravimétricos do óleo da amêndoa dos genótipos nos estádios de maturação Pigmentação predominante amarelo claro com extremidades marrons e Pigmentação predominante
laranja com traços amarelos e extremidades marrons em atmosfera oxidante (ar sintético) até 500 oC
Genótipos Estádio Etapa Tinicial
(oC) Tfinal ( oC) Δ massa (%) 1 23,83 240,71 0,061 G16 AC 2 240,71 467,82 97,296 3 467,82 501,18 0,525 1 26,69 228,47 0,626 G22 AC 2 228,47 468,54 97,274 3 468,54 500,46 0,485 1 26,95 248,04 0,416 G28 AC 2 248,04 462,60 96,075 3 462,60 500,46 0,485 1 25,07 229,10 0,416 G34 AC 2 229,10 459,63 96,322 3 459,63 501,63 0,706 1 20,89 215,87 0,567 G40 AC 2 215,87 450,81 96,481 3 450,81 501,64 0,945 1 28,89 240,90 0,384 G19 LA 2 240,90 459,09 95,837 3 459,09 500,29 0,706 1 33,34 210,03 0,632 G25 LA 2 210,03 452,50 96,058 3 452,50 501,13 0,819 1 25,60 232,05 0,664 G31 LA 2 232,05 458,44 95,776 3 458,44 501,62 0,816 1 27,22 232,49 0,419 G37 LA 2 232,49 463,05 95,373 3 463,05 501,88 0,826 1 31,72 234,68 4,731 G43 LA 2 234,68 460,62 91,823 3 460,62 500,91 0,643
As curvas de termogravimetria dos óleo de babaçu e murici determinadas em atmosfera de nitrogênio apresentaram etapas de perda de massa entre 180 ºC e 440 ºC e 271 a 477 ºC, que se referem à decomposição e carbonização do óleo (FARIA et al, 2002).
O aumento do tempo de aquecimento corresponde a um incremento no nível de alteração, porém sua principal conseqüência é a diferente composição quantitativa dos compostos de alteração. Dentre os critérios adotados por vários países, recomenda-se para o processo de fritura temperatura até 180 °C Ainda que o aumento da temperatura diminua a
capacidade de absorção de oxigênio pela gordura, a maior velocidade das reações oxidativas favorece a entrada contínua de ar (PAUL; MITTAL, 1997).
As alterações químicas podem ser resumidas em três tipos diferentes de reações: os óleos e gorduras podem hidrolizar para formar ácidos graxos livres, monoacilglicerol e diacilglicerol, e/ou podem oxidar para formar peróxidos, hidroperóxidos, dienos conjugados, epóxidos, hidróxidos e cetonas e/ou podem se decompor em pequenos fragmentos ou permanecer na molécula do triacilglicerol e se associarem, conduzindo a triacilgliceróis diméricos e poliméricos. Portanto, os produtos de degradação do óleo são aldeídos, cetonas , epóxidos, hidroperóxidos e olefinas (MORETTO; FETT, 1998).
As curvas de TG que apresentam a análise da variação de massa em função da temperatura, demonstram uma similaridade entre as amostras, com a existência de três etapas, refletindo em um perfil termogravimétrico semelhante (Figura 1).
Figura 1 - Curvas TG do óleo do licuri em atmosfera oxidante (ar sintético), até 500oC
0 100 200 300 400 500 0 2 4 6 8 10 T G A (mg ) Temperatura (oC) 0 100 200 300 400 500 0 2 4 6 8 10 T G A (mg ) Temperatura (oC) 0 100 200 300 400 500 0 2 4 6 8 10 T G A (mg ) Temperatura (oC) 0 100 200 300 400 500 0 2 4 6 8 10 12 14 T G A (mg ) Temperatura (oC) 0 100 200 300 400 500 0 2 4 6 8 10 T G A (mg ) Temperatura (oC) 0 100 200 300 400 500 0 2 4 6 8 10 T G A (mg )) Temperatura (oC) A B C D E F
0 100 200 300 400 500 0 2 4 6 8 10 T G A (mg ) Temperatura (oC) 0 100 200 300 400 500 0 2 4 6 8 10 T G A (mg ) Temperatura (oC) 0 100 200 300 400 500 0 1 2 3 4 5 6 7 8 T G A (mg ) Temperatura (oC) 0 100 200 300 400 500 0 2 4 6 8 10 T G A (mg ) Temperatura (oC)
Figuras: A-G16; B-22; C-28; D-34; E-40; F-G19; G-G25; H-G31; I-G37; J-G43.
4 CONCLUSÕES
As características físico-químicas do óleo evidenciaram que o mesmo se encontra dentro das normas exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para óleos brutos.
As características do óleo variam com o estádio de maturação.
No perfil de ácidos graxos apresentou maior percentual de ácidos saturados, predominando o láurico, porém com conteúdo considerável de ácido oléico com média de 10,96 % no estádio de maturação pigmentação predominante laranja com traços amarelos e extremidades marrons.
O óleo do licuri apresentou boa capacidade antioxidante nas frações analisadas.
Os resultados obtidos pela TG demonstraram o comportamento térmico do óleo bruto da amêndoa de licuri, que é essencial para controle de qualidade de óleos no processamento.
O óleo do licuri pode ser considerado um óleo com boa estabilidade térmica, fator considerado desejável para sua utilização na fritura.
G H
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