4. Bulgular
4.2. Doküman İncelemesi Sonucu Elde Edilen Bulgular
4.2.1. Azınlık eğitimi temasına ilişkin bulgular
Esses dois eventos são de capital importância na vida do México e na vida de Juan Rulfo. Ele assistiu, ainda criança, muitas situações amargas e dolorosas desencadeadas pelo arrastão histórico que atropelou o México nas primeiras décadas do século XX. Por casualidade, ou não, Rulfo nasceu nessa região pobre – a de Jalisco - que foi fortemente
marcada pelas rebeliões, sobretudo a Cristera. Não obstante a sucessão de eventos cruéis que presenciou, o escritor mexicano é herdeiro de uma vasta literatura oriunda desses acontecimentos, o Romance da Revolução Mexicana, e todas as suas derivações como a novela proletária, a indigenista e a da Guerra Cristera, das quais foi leitor.
Por outro lado, são as vítimas, os algozes, as paisagens destruídas pelas guerras, as casas e cidades abandonadas, o país em ruínas, as pessoas destruídas, desesperançadas, enfim, todos os destroços e conseqüências desses eventos é que vão permear e dar sentido à literatura rulfiana.
Sayula, Jalisco, 16 de maio de 1917. Tempos difíceis. A região pobre se vê ainda mais assolada, sem lei e sem um governo estável, as fazendas abandonadas e engenhos de cana em ruínas, depois de sete anos de revolução. O povo desorientado pelas céleres mudanças. “Los pueblos anochecen en manos del ejército y amanecen en poder de los rebeldes.” (LÓPEZ MENA, 1996, p. 499). Os dois lados se excedem, cometendo atrocidades e arbitrariedades como roubos e a matança desnecessária. Guerra, fome e, para acrescentar, a gripe espanhola traçam uma rota de calamidades país afora. É esse o painel traçado por López Mena (1996) para descrever o local e o dia de nascimento de Carlos Juan Nepomuceno Pérez Rulfo Vizcaíno.
Apulco, Jalisco, 16 de maio de 1918. Tais seriam, porém, o local e a data de nascimento do escritor, nas palavras do próprio, conforme ele relata em um diálogo com Jorge Rufinelli:
- Nací en un pueblito muy poco conocido, Apulco, en Jalisco, el 16 de maio de 1918, pero enseguida nos fuimos a San Gabriel. Apulco era un pueblo aislado, y por eso lo saquearon y quemaron varias veces las bandas alzadas. Era peligroso vivir allí y fue por eso que mis padres decidieron ir a San Gabriel. San Gabriel donde pasé toda mi infância, era un pueblo grande – de unos siete mil habitantes – y allí estaba la escolta militar (RULFO, 1996, p. 570).
Existem, portanto, discordâncias quanto ao ano e local de nascimento do escritor mexicano que, segundo Ruffinelli (1996, p. 570), ainda não estão sanadas. “El problema del lugar y la fecha de nacimiento de Rulfo es otro ejemplo de la leyenda. Creo que hasta hoy no se há resuelto. Es cierto que Rulfo dio diferentes lugares como el sitio natal.” Divergências à parte, o imperativo, nesse aspecto, é ressaltar que o autor mexicano nasceu em uma época em que o seu país, e principalmente a sua região nativa, atravessavam um
período catastrófico devastado pelas lutas internas demandadas pela Revolução e que muitos fatos inerentes à época iriam desencadear profundas mudanças na sua vida.
Com seis anos de idade, já em San Gabriel, onde foi testemunha de violentos episódios da rebelião Cristera, o seu pai foi assassinado por Guadalupe Nava. Quatro anos depois sua mãe faleceu, ficando o pequeno aos cuidados da avó materna. Porém, devido a problemas financeiros da família, ele, com dez anos, e os irmãos foram enviados a um orfanato, em Guadalajara, lá permanecendo por quatro anos. Sobre esse período da sua vida, expressa o próprio Rulfo:
En 1924, murió mi padre, Juan Nepomuceno Péres Rulfo Navarro, y en 1930, mi madre, Maria Vizcaíno. Todavía en San Gabriel estuve al cuidado de las monjas josefinas francesas; cuando empezó la Cristiada, Calles las expulsó del país. En San Gabriel estuve hasta tercer año de primaria. Después, hacia 1927, los tres hermanos fuimos a Gualajara, de internos [...] (RULFO, 1996, p. 570).
Depois de quatro anos internado, Rulfo passa a visitar San Gabriel em algumas ocasiões especiais como a Semana Santa e o natal, segundo relata López Mena (1996) e encontra a cidade, assim como toda a região, devastada pelos combates da Guerra Cristera. Inúmeros povoados destruídos e abandonados. A região de Jalisco foi um dos cenários mais importantes e sanguinolentos de La Cristiada, ocasião em que rebeldes e soldados “pusieron em práctica entonces los mecanismos más crueles para martirizar, para matar” (LÓPEZ MENA, 1996, p.501). Do seu regaço familiar, nada encontra senão as lembranças do avô, dos tios, todos executados, do pai, igualmente, assassinado e de San Gabriel, apenas uma cidade devastada pela guerra.
Sobre a sua infância, fala Rulfo, agora em entrevista a Joseph Sommers:
Yo tuve una infancia muy dura, muy difícil. Una familia que se desintegró muy fácilmente en un lugar que fue totalmente destruido. Desde mi padre y mi madre, inclusive todos los hermanos de mi padre fueron asesinados. Entonces viví en una zona de devastación. No sólo de devastación humana, sino de devastación geográfica. Nunca encontré ni he encontrado hasta la fecha, la lógica de todo eso (RULFO, segunda parte).
Em 1934 tenta ingressar na Universidade de Guadalajara, que atravessa uma séria crise, inclusive com suspensão de aulas e cursos, frustrando o intento de Rulfo. Decide mudar-se para a cidade do México para cursar Direito. Mas a Universidade Nacional não
reconhece os seus estudos em Jalisco, motivo pelo qual ele desiste da ideia de ser advogado. Passa então a assistir, como ouvinte, o curso de História da Arte na Faculdade de Filosofia e Letras, fato que contribui largamente para o seu conhecimento da bibliografia histórica, antropológica e geográfica do México. Começa também a trabalhar como agente de imigração na Secretaria de Governança, lá permanecendo até 1946.
Publica os seus primeiros contos na revista América, da cidade do México, e Pan, de Guadalajara, a partir de 1945. Em 1953 publica o seu primeiro livro, a coletânea de contos El Llano em llamas, depois, em 1955, publica Pedro Páramo, a sua obra mais conhecida. Também escreveu roteiros cinematográficos como Paloma herida (1963), foi fotógrafo e escreveu outro livro, O galo de ouro, publicado em 1980.
Foi agraciado com o Prêmio Nacional de Literatura do México em 1970 e com o Prêmio Príncipe de Astúrias, na Espanha, em 1983.
SEGUNDA PARTE
O INFAME HOMEM RULFIANO E SUAS REPRESENTAÇÕES:
uma visão intrínseca a partir de Nos han dado la tierra, La Cuesta de las Comadres, Paso del Norte e El día del derrumbe.