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Ayrık Zamanlı Veriler Üzerinde Gerçeklenen Uygulamalar

5. GERÇEKLENEN UYGULAMALAR

5.3 Ayrık Zamanlı Veriler Üzerinde Gerçeklenen Uygulamalar

O curso superior de música existe em Uberlândia desde o ano de 1957, funcionando no Conservatório Musical de Uberlândia. Em 1969, esse conservatório foi transformado em Faculdade de Artes e passou a integrar a Universidade de Uberlândia. Com a federalização da universidade, a Faculdade de Artes foi ampliada transformando-se em Faculdade de Artes, Filosofia e Ciências Sociais (FAFCS). Em 2010, em face da solicitação do Conselho da FAFCS, o Conselho Universitário da UFU desmembrou essa

Faculdade em três unidades acadêmicas, criando os Institutos de Artes, de Ciências Sociais e de Filosofia12.

O curso de graduação em música da UFU divide a organização administrativa e infraestrutura com o curso de teatro. Ambos funcionam, prioritariamente, no Bloco 3M do Campus Santa Mônica da UFU, o maior da universidade. Localizado na região leste da cidade, esse campus abriga os cursos de graduação e pós-graduação das áreas de ciências exatas e da terra, ciências humanas, ciências aplicadas e artes – Artes Visuais, Teatro, Dança e Música.

O bachelarado foi o primeiro curso de graduação em música dessa instituição, tendo, no ano de 1967, as primeiras habilitações reconhecidas - piano e violino. Dez anos depois, foi reconhecido o curso de Licenciatura em educação artística, com habilitação em música. Até 2005, a UFU manteve a formação dos profissionais de música por meio de dois cursos: 1- Bacharelado em música, com habilitação em canto ou em instrumento, que formava o cantor ou o instrumentista; 2- Licenciatura em educação artística, com habilitação em Música, que formava o professor de música. Em 2005, o curso de Licenciatura em educação artística foi desmembrado, e cada uma de suas três habilitações se transformou em curso(s) específico(s) de graduação: teatro (licenciatura), artes visuais (licenciatura e bacharelado) e música (licenciatura).

A partir de então, o curso de música da UFU assumiu nova configuração, passando-se a oferecer dois cursos de música em nível de graduação - bacharelado e licenciatura – com habilitação em canto ou instrumento (flauta doce, flauta transversal, percussão, piano, violão, violino, viola, violoncelo, trompete, trombone e saxofone). Os cursos de Bacharelado em música, com duração de quatro anos, e o de Licenciatura em música, com duração de quatro anos e meio, podem ser concluídos em seis e sete anos, respectivamente. De regime acadêmico semestral e turno de oferta integral, os cursos de música oferecem juntos, 40 vagos anuais, com ingressos semestrais. De acordo com o PPP (2012), em janeiro são oferecidas 10 vagas para o

12 Resolução no 31/2010, do Conselho Universitário da Universidade de Uberlândia. Disponível em: <http://www.reitoria.ufu.br/resolucoes/resolucaoconsun-2010-31.pdf>. Acesso em: 15/02/2014.

PAIES e 10 vagas para o processo seletivo, e, em julho, 20 vagas para o processo seletivo.

A opção pela habilitação em canto ou em instrumento é feita pelo aluno no ato da inscrição para o processo seletivo, quando da realização da prova de habilidades específicas. Já a opção pelo grau acadêmico - bacharelado e licenciatura - é feita pelo aluno após cursar o primeiro período, tendo, ainda a oportunidade de modificar sua opção mais uma vez ao final do segundo período. No meu entender, isso significa que a prova específica é a mesma para os dois cursos, o que permite, então, tratar, de maneira igualitária tanto o aluno da licenciatura quanto o do bacharelado.

Com referência ao currículo dos cursos de graduação em música, baseia-se na concepção de um projeto educacional que se desenvolve por meio da seleção da cultura e das experiências das quais se deseja que os estudantes participem. Por conseguinte, a reforma curricular pauta-se pelos princípios que destacam a dinâmica da sociedade, as variedades das práticas musicais e educativo-musicais, a natureza política, histórica e social da construção do conhecimento musical bem como o perfil dos alunos e a caracterização profissional do corpo docente. (PPP, 2012, p. 17).

Em consonância com os princípios gerais do ensino de graduação da UFU, os cursos de graduação em música têm como princípios norteadores: articulação entre teoria e prática; contextualização e a criticidade do conhecimento; indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; flexibilização; interdisciplinaridade; rigoroso trato teórico-prático, histórico e metodológico no processo de elaboração e socialização dos conhecimentos; ética como orientadora das ações educativas; ênfase na música brasileira; ênfase na performance, criação e apreciação musical; avaliação como prática de (re)significação na forma de organização do trabalho docente e de aperfeiçoamento do projeto pedagógico do curso.

O perfil do egresso dos cursos de graduação em música da UFU delineia-se conforme registrado no quadro a seguir:

QUADRO 2: Perfil dos egressos dos cursos de graduação em música da UFU Bacharelado em

Música

- Seja capaz de fazer música como executante;

- Seja capaz de atuar profissionalmente como intérprete-pesquisador;

- Esteja apto a compreender e traduzir as necessidades dos indivíduos, grupos sociais e comunidades com relação a problemas artístico-musicais e culturais.

Licenciatura em

Música - Seja capaz de promover o aprendizado musical; - Seja capaz de atuar profissionalmente como músico-educador-pesquisador; - Esteja apto a compreender e traduzir as necessidades dos indivíduos, grupos sociais e comunidades com relação a problemas artístico-musicais e

educacionais.

Fonte: dados da pesquisa

Esse quadro mostra que os perfis são diferenciados pela principal atividade laboral desenvolvida pelo profissional. O bacharel é o músico executante, o intérprete que faz música como instrumentista e desenvolve pesquisa em música. O licenciado é o músico-educador-pesquisador, que promove o aprendizado musical e desenvolve pesquisa em música.

Nessa medida, a Licenciatura em música tem como objetivo formar professores de música habilitados para o exercício profissional na rede pública e privada da educação básica, nos conservatórios e escolas de música da rede pública e privada, e em projetos sociais e culturais, empresas, entre outros espaços não-escolares.

Contudo, o graduando que tenha optado pela licenciatura poderá cursar, também, o bacharelado no exercício do mesmo processo seletivo de ingresso ao ensino superior. Neste caso, não deverá comprometer o andamento da licenciatura. De maneira diferente, se o graduando optar por cursar primeiro o bacharelado e depois quiser cursar a licenciatura, deverá prestar nova prova de ingresso ao ensino superior. Isso se deve ante as exigências presentes nas Diretrizes Nacionais Curriculares para a Formação de Professores para a Educação Básica, segundo as quais as práticas pedagógicas devem-se realizar desde o início do curso e o estágio supervisionado, na segunda metade do curso.

Quanto à estrutura curricular do curso, comporta os componentes curriculares e está organizada em três núcleos de formação: núcleo de

formação específica, núcleo de formação pedagógica e núcleo de formação acadêmico-científico-cultural. A formação do profissional de música, seja ele bacharel ou licenciado, se dá por meio da articulação dos núcleos de formação. Há uma estrutura curricular geral básica que orienta a construção do currículo dos cursos, como pode-se observar no quadro abaixo.

QUADRO 3: Núcleos de formação do curso de licenciatura em música da UFU

NÚCLEOS COMPONENTES CURRICULARES

Núcleo de Formação Específica

- Disciplinas obrigatórias e optativas de formação do domínio teórico-prático dos conhecimentos musicais e de formação geral. - Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

Núcleo de Formação Pedagógica

- Disciplinas obrigatórias e optativas de formação do domínio teórico-prático dos conhecimentos pedagógicos gerais e pedagógico-musicais.

- Projeto Integrado de Prática Educativa (PIPE), que trata da prática educativa ao longo do curso.

- Estágio Licenciatura Núcleo de Formação

Acadêmico-Científico-Cultural

- Atividades Acadêmicas Complementares (AC), incluindo aqui disciplinas facultativas.

Fonte: dados da pesquisa

Diante das especificidades que caracterizam cada uma das duas habilitações, os dois cursos de graduação em música demandam quatro estruturas curriculares básicas: Bacharelado em canto, Bacharelado em instrumento, Licenciatura em canto e Licenciatura em instrumento. Isso porque as duas habilitações demandam especificidades em relação a cada instrumento ou o canto, o que acaba por configurar diferentes estruturas curriculares. Por exemplo, se um graduando optar por cursar licenciatura em instrumento-piano, ele vai cursar uma estrutura curricular básica em licenciatura em instrumento, porém com disciplinas voltadas para a formação em piano (Prática Instrumental 1 – piano; Literatura do Instrumento 1 – piano, etc.). Mas, se a escolha for por canto, o aluno cursa a disciplina Prática Instrumental 1 - Canto; Literatura do Instrumento 1 – canto, e assim por diante. Apesar das especificidades em relação ao instrumento ou ao canto, as duas

habilitações do curso de Licenciatura em música perfazem 2950 horas-aula, variando apenas a carga horária do núcleo de formação específica em vista das demandas particulares de cada uma das habilitações.

Mas, no PPP, a avaliação do curso é entendida como prática de re- significação na forma de organização do trabalho docente e de aperfeiçoamento do projeto pedagógico do curso. Ela é diagnóstica, formativa e emancipatória, tanto no âmbito da aprendizagem quanto do curso. (PPP, 2012, p. 63). Nesse sentido, a avaliação do curso feita por docentes, discentes e comunidade é desejável na concepção de currículo adotada. Junto com essa avaliação do curso, está prevista também a avaliação docente. A proposta é de que as avaliações sejam feitas, no máximo, a cada dois anos, viabilizando uma reflexão crítica sobre o andamento do próprio curso e formando indicativos às mudanças necessárias. (PPP, 2012, p. 64).

No caso da avaliação da aprendizagem, o curso adota diferentes formatos com vistas a promover um diagnóstico dos conhecimentos já construídos pelo graduando, bem como a sua formação e emancipação. (PPP, 2012, p. 67). São previstos, dependendo do contexto pedagógico, a realização de relatórios, portfólios, provas, seminários, recitais, criações musicais, e outros. Apesar de variável segundo o contexto pedagógico, a periodicidade recomendada é de, no mínimo, duas modalidades de avaliação por disciplina.

Acerca da distribuição dos conhecimentos curriculares do professor de Música nos cursos de Licenciatura em canto e Licenciatura em instrumento da UFU, ela se dá da seguinte maneira:

1- Conhecimentos básicos: Antropologia Cultural, Sociologia, Psicologia do Desenvolvimento Musical, Psicologia da Educação, Política e Gestão da Educação e Pesquisa em Música 1 a 3, totalizando-se 360 horas;

2- Conhecimentos específicos: Teoria da Música 1 e 2, Harmonia 1 e 2, Análise Musical 1 e 2, Percepção Musical 1 a 6, História e Apreciação da Música13, História e Apreciação da Música Erudita

13 Esta disciplina é oferecida em três semestres seguidos com os seguintes subtítulos: IM, Renascimento e Barroco; Clássico e Romântica; Pós-Romântica e Século XX e XXI. Este fato denota uma concepção linear do conhecimento histórico musical, e sua apresentação cronológica se dá atrelada aos estilos da história da música européia. Aliás, esta é uma das

Brasileira I, História e Apreciação da Música Brasileira Popular, Canto Coral 1, Prática de Conjunto 1 e 2, Introdução ao Instrumento ou ao Canto14, Prática Instrumental ou do Canto 1 a 7, Técnica

Instrumental 1 ou Vocal 1, Preparação Vocal ou Anatomia e Fisiologia da Voz e Literatura do Instrumento 1 ou do Canto 1, somando-se 1.125 horas;

3- Conhecimentos teórico-práticos: TCC, Formação do Profissional da Música15, Metodologia do Ensino e Aprendizagem Musicais 1 a 3,

Metodologia do ensino e Aprendizagem do Instrumento 1 e 2 ou do Canto 1 a 6, totalizando-se 920 horas.

Concluindo, no curso de formação de professores de música da UFU, quanto à distribuição do conhecimento profissional, a ênfase é nos conhecimentos específicos da linguagem musical, com 1.125 horas (46,7%). Para esses conhecimentos, 390 horas são destinadas à performance e regência, 240 horas, à formação composicional e 495 horas, à formação dos fundamentos teóricos musicais. Apesar de a habilitação do curso ser em instrumento ou canto, a ênfase recai sobre os conhecimentos dos fundamentos teóricos musicais, sobretudo na teoria da música e percepção musical (240 horas) e na história e apreciação da música (225 horas). Neste curso, a profissionalidade que se constrói é do músico-educador-pesquisador. Portanto, ele poderá promover o aprendizado musical e desenvolver pesquisa em música, e estará apto a atuar na rede pública e privada da educação básica, nos conservatórios e escolas de música da rede pública e privada, em projetos sociais e culturais, empresas, entre outros espaços não-escolares. Em minha opiniãi, a profissionalidade aqui construída se aproxima da desenvolvida no curso de licenciatura em música da UFOP.

Benzer Belgeler