• Sonuç bulunamadı

AB ve TÜRKİYE ARASINDA EKONOMİK SORUNLAR VE TARIM EKONOMİSİ

TÜRKİYE'NİN AVRUPA BİRLİĞİ'NE GİRİŞİ KONUSUNDA OLUMLU VE OLUMSUZ GÖRÜŞLER

IV- AVRUPA'DA TÜRKİYE'NİN AVRUPA BİRLİĞİ'NE GİRMESİYLE İLGİLİ OLUMSUZ GÖRÜŞLER

As análises linguísticas têm crescido nas ciências sociais e humanas, a partir da década de 1960 como formas metodológicas de análise e crítica da realidade social. No entanto, durante as décadas de 1970 e 1980, a ênfase dada à função da linguagem na produção dos objetos e dos fenômenos de interesse de diversas disciplinas possibilitou novas compreensões a respeito dos conceitos de conhecimento, de realidade e da própria natureza da linguagem. Tal ênfase ofereceu condições para a construção não somente de metodologias baseadas na análise do discurso, mas também de perspectivas teóricas acerca dos eventos sociais que foram sendo incorporadas em reformulações das ciências sociais e humanas (IBAÑEZ, 2004). As diversas abordagens discursivamente orientadas que foram surgindo nas ciências sociais e humanas a partir de meados da década de 1970 exploram particularmente os desdobramentos da compreensão da linguagem como ação ou como prática social, isto é, o entendimento de que a linguagem não se reduz a simples representação da realidade, ela também constitui o mundo. Ao mesmo tempo em que a usamos para descrever e definir o mundo e a nós mesmos, através dela, construímos realidades, exercemos influências sobre os outros e orientamos nossas ações. A linguagem, então, deixa de ser abordada apenas em seu aspecto descritivo-referencial para sê-lo em seus aspectos ativos e construtivos, ou seja, passa a ser considerada como constituinte de práticas sociais (ROJO, 2004).

O entendimento de que o discurso constrói realidades sociais engendrou uma maior reflexividade a respeito de usos naturalizados da linguagem, dos modos cotidianos de simbolizar o mundo, os indivíduos e as relações sociais. Compreendeu-se que esses usos não tinham somente a função de representar essas instâncias, mas também de localizá-las em

determinadas posições sociais, de produzir hierarquias e de estabelecer determinados sistemas de verdade. Dessa forma, tornou-se possível refletir criticamente sobre esses investimentos políticos e ideológicos da linguagem não somente os denunciando, mas também incitando novas construções discursivas mais igualitárias. (ROJO, 2004).

O estudo da ES nos leva a refletir sobre as produções discursivas dominantes que, por um lado, prescrevem como o trabalhador solidário deve ser e de que forma ele deve se relacionar com seus companheiros e, por outro, constroem esta atividade produtiva como uma forma justa de trabalho, como caminho para a superação das desigualdades sociais e para a promoção da emancipação humana. Essas construções discursivas podem funcionar de forma ideológica, uma vez que naturalizam determinados sistemas de crenças, como a de que o trabalho solidário pode solucionar os problemas sociais que se impõem a partir das décadas de 1980 e 1990 ou que a desigualdade social pode ser resolvida sem uma crítica radical dos pilares deste sistema econômico.

A Análise de Discurso Crítica (ADC), desenvolvida por autores como Fairclough, Whittaker, Wodak, Van Djik e Rojo (IÑIGUEZ, 2004), é uma das abordagens emergentes desse movimento de centralização no poder gerador da linguagem no estudo de eventos sociais. A ADC oferece um enquadre teórico-metodológico que prioriza as relações entre discurso e sociedade ao constituir um modelo “aberto ao tratamento de diversas práticas na vida social, capaz de mapear relações entre os recursos linguísticos utilizados por atores sociais e grupos de atores sociais e aspectos da rede de práticas em que a interação discursiva se insere” (RESENDE; RAMALHO, 2006, p. 11 e 12). Para esta perspectiva, os discursos produzidos em interação, ao mesmo tempo em que são moldados por uma estrutura social, possuem a capacidade de transformá-la, na medida em que reconfiguram a rede de práticas que a constitui. Assim, a ADC tem se apresentado como uma forma de pesquisa crítica das mudanças sociais da sociedade contemporânea (FAIRCLOUGH; CHOULIARAKI, 1999).

Para a ADC, a Ciência Social Crítica deve estar comprometida com o desvelamento de “naturalizações” produzidas hegemonicamente e de seus investimentos ideológicos e políticos, não só contribuindo para uma conscientização a respeito destas, mas permitindo lançar luz sobre o que podem ser (FAIRCLOUGH; CHOULIARAKI, 1999). Não há, então, como compreender as influências dos discursos governamentais sobre a ES na semiose de suas práticas sociais nem como empreender uma crítica dessas relações de dominação, sem considerar o papel da linguagem.

O projeto de teorias críticas, como a ADC, tem estado sob o ataque de teorias pós- modernistas, uma vez que essas afirmam não existir mais espaço para metanarrativas, como, por exemplo, o marxismo. Afirmam que os defensores dessa perspectiva aceitam a existência de conhecimentos mais verdadeiros que outros e posicionam o conhecimento científico como o mais adequado. As abordagens pós-estruturalistas, por exemplo, afirmam que o mundo é formado por uma variedade de discursos que não podem ser classificados numa ordem hierárquica, de forma que a ciência não passa de um jogo de linguagem, assim como outras formas de conhecimento. Acrescentam ainda que hierarquizar conhecimentos é uma forma totalitária de submeter indivíduos.

Fairclough (1999) argumenta que, apesar de um discurso não ser mais verdadeiro que os outros, isso não necessariamente implica que todos tenham os mesmos efeitos sociais. Mesmo aceitando o fato de que, muitas vezes, a ciência esteve a serviço de práticas de dominação, pondera que o conhecimento produzido através de pesquisas baseadas em debates abertos na esfera pública pode ter mais efeitos de democratização do que de dominação. Esse discurso científico, considerado verdadeiro sob determinadas circunstâncias, é entendido como ganho epistêmico onde o que conta é o seu relativo poder explanatório e sua contribuição para o reconhecimento de necessidades sociais circunscritas a um contexto particular. A Análise do Discurso Crítica é, então, uma ferramenta fundamental no desvelamento e na investigação de desigualdades sociais representadas, constituídas e legitimadas através dos discursos. Possui, assim, objetivos emancipadores como resultado desta crítica.