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AVRUPA SOSYAL ŞARTI DENETİMİ

Belgede AVRUPA SOSYAL ŞARTI (sayfa 39-43)

BÖLÜM III AVRUPA SOSYAL ŞARTI DENETİMİ VE DENETİM ORGANLARI

1. AVRUPA SOSYAL ŞARTI DENETİMİ

Para que seja possível a aplicação da teoria da quebra da base objetiva não é necessária a comprovação de forma inequívoca da imprevisibilidade dos acontecimentos, conforme visto na seção anterior. No entanto, alguns requisitos devem ser observados, como a necessidade de inexistência da relação de equivalência e a frustração da finalidade do contrato. É o que se passa a analisar.

Os contratos bilaterais têm como premissa a existência da equivalência entre as prestações e contraprestações das partes envolvidas. Assim, as relações contratuais devem ser permeadas pela justiça compensatória, que não se refere

apenas à estrita equivalência das prestações, mas também, e com maior alcance, à justa distribuição dos encargos e riscos relacionados ao contrato.191

Nesse sentido, Larenz afirma que é prescindível que as prestações recíprocas sejam equivalentes segundo um critério objetivo: basta que cada parte considere a outra prestação uma compensação suficiente para sua prestação, dentro de um juízo subjetivo de cada parte contratante.192 Giuseppe Osti, citado por Laura Frantz, defende que eventual desequilíbrio objetivo que possa ocorrer não tem influência sobre a natureza do contrato, que continuará a ser oneroso se as partes atribuíam às respectivas vantagens e sacrifícios uma relação de equivalência.193

A forma pela qual é possível a mensuração da equivalência entre as prestações é, portanto, subjetiva e distinta para cada parte: é a própria necessidade de celebrar o contrato, as legítimas expectativas de cada um dos contratantes, de acordo com o tipo negocial em questão. Assim, a equivalência reside no que a parte esta disposta a receber e a pagar em contraprestação194.

Desta forma, como para o contrato bilateral é imprescindível a condição de que cada contratante receba por sua prestação um equivalente, que poderá ser inferior ao valor de mercado desta, porém deve ser tido como equivalente por aquele que irá recebê-la. Se a relação de reciprocidade das prestações é da essência do contrato bilateral, este perderá seu sentido e o caráter originário quando, devido à transformação das circunstâncias, a relação de equivalência se modificar tanto que não mais se poderá falar de contraprestação.195

Rodrigo Toscano de Brito em sua obra Equivalência Material dos Contratos acerca da busca da justiça contratual nos dias atuais afirma:

O princípio da equivalência material ou do equilíbrio contratual é aquele pelo qual se deve buscar e manter a justiça contratual, objetivamente considerada, em todas as fases da contratação, independentemente da natureza do contrato, e sempre com base na eticidade, lealdade, socialidade, confiança, proporcionalidade e razoabilidade nas prestações.196

191 Karl LARENZ, Derecho Civil: Parte General, p. 61. 192 Laura Coradini FRANTZ, Revisão dos Contratos, p. 55.

193 Giuseppe OSTI, Contrato. In Novissimo Digesto Italiano, p. 489.

194 Karl LARENZ, Base del Negócio Jurídico y Cumplimiento de los Contratos, p. 130. 195 Ibidem, p. 131.

Conforme a teoria de Larenz, as variações na economia exigem a intervenção do juiz no contrato a fim de evitar uma intolerável situação que atente contra a boa- fé e às mais elementares normas de justiça e equidade. 197

E não apenas a equivalência se destaca como princípio inerente aos contratos na atualidade. De forma acertada Fernando Rodrigues Martins, relembrando lições de Giovanni Ettore Nanni, afirma que:

(...) se o contrato se apresenta no anelo de uma “relação jurídica fundamenta”, não se pode esquecer que cumpre a cada um de seus partícipes o dever de respeitar e de ser respeitado, do que sobressai a reciprocidade, especialmente com fulcro na dignidade da pessoa humana. Por isso, em algumas situações extraordinárias, “quando plenamente configurada anormalidade, ilegalidade ou inequívoco desequilíbrio do negócio, é possível buscar a liberação, desde que preservada a igualdade de sacrifícios.198

O outro critério essencial para a configuração da quebra da base objetiva é a frustração da finalidade do contrato. Esta somente afeta a subsistência da relação contratual quando se trate não da finalidade de uma só das partes, senão de uma finalidade comum. 199

A finalidade primordial de todo contrato bilateral é a obtenção da sua contraprestação. Segundo Larenz, essa finalidade se depreende da natureza do contrato em questão, é uma finalidade comum, pois cada parte procura a finalidade da outra para assim garantir a sua, o que integra, portanto, o próprio conteúdo do contrato.200

Assim, a frustração da finalidade do contrato pode ser entendida como a perda de utilidade da prestação para uma das partes, que não mais terá motivos para cumprir o contrato, pois o escopo que ordenou a contratação desapareceu.201 De suma importância ressaltar que a prestação permanece possível, podendo até não se tornar mais onerosa, mas resta inócua.

No entanto, há que se observar que a impossibilidade de alcançar a finalidade do contrato não pode ter por fundamento motivos pessoais do contratante ou que

197 Karl LARENZ, Base del Negócio Jurídico y Cumplimiento de los Contratos, p. 134. 198 Fernando Rodrigues MARTINS, Princípio da Justiça Contratual, p. 258.

199 Ibidem, p. 162.

200 Fernando Rodrigues MARTINS, Princípio da Justiça Contratual, p. 166.

201 Luís Renato Ferreira SILVA. Revisão dos Contratos: do Código Civil ao Código do Consumidor,

estejam em sua esfera de influência, assim como não pode ter repercutido no contrato unicamente porque a parte prejudicada estava em mora, e, obviamente, também não pode pertencer ao objetivo normal do contrato.

Dessa forma, a frustração da finalidade inerente ao contrato, por fatores externos e não incluídos na álea normal daquele tipo de negócio, faz com que desapareça o objetivo de permanência da obrigação.202

O contrato não pode ser analisado isoladamente, mas sim como parte de um todo, que sofre influências da economia e da sociedade, de modo que cada parte deve assumir determinado grau de risco, na medida em que cada contratante visa um aspecto do contrato, em que empenha toda sua economia. Desse modo, o contrato só pode ser coerente diante de certas circunstâncias, sem as quais o contrato pode perder seu sentido e o adimplemento das prestações causar danos a uma das partes, incompatíveis com o equilíbrio econômico do contrato.

A frustração da finalidade do contrato poderá decorrer dos seguintes fatores (i) a finalidade do contrato tornou-se impossível de ser alcançada, (ii) resulta inútil para a parte que o desejava ou o fim foi obtido por outros meios.203

Diante do exposto, é possível afirmar que numa relação contratual quebrada ou diferida, podem ocorrer situações cujas consequências modifiquem o modo em que a prestação de uma das partes venha a ser cumprida, e assim conduza à destruição da relação de equivalência entre prestação e contraprestação, bem como a frustração do fim objetivo do contrato. Significa dizer que essa alteração abrupta seja tamanha a ponto de que a prestação agora exigida se encontre em manifesta repulsa à manifestação volitiva da parte, quando inicialmente contratada.

E nesse sentido o julgador, ao perquirir o equilíbrio econômico financeiro contratual, deve aferir tais elementos. Atente-se para o fato de que, em negócios jurídicos de grande complexidade, celebrados entre empresas que exploram diversas atividades, as partes normalmente entreveem possibilidades de ganhos e perdas futuras, indiretamente relacionadas ao contrato, muitas dos quais se concretizam, e muitas outras não. Trata-se de conjecturas, que não são relevantes para a interpretação do contrato, nem para verificação do equilíbrio das prestações.

202 Ruy Rosado AGUIAR JÚNIOR, Extinção dos Contratos por Incumprimento do Devedor, p. 151. 203 Laura Coradini FRANTZ, Revisão dos Contratos, p. 59.

Vale ressalvar ainda que benefícios indiretos eventualmente ambicionados por uma das partes, por sua vez, representam mera especulação e, portanto, não devem ser levados em conta, sob pena de se ensejar grande insegurança jurídica Havendo a frustração das vantagens indiretas, não há como ser considerado no cálculo de perdas e danos a realização desses benefícios, tampouco ser computada para fins de verificação dos requisitos para resolução contratual pela teoria da imprevisão. Pois isso ocasionaria uma forma contrária à lógica jurídica.

Logo, a alteração abrupta das circunstâncias, de modo a modificar substancialmente o cumprimento da prestação, é o que justifica a vedação de imputar à vontade aquilo que, por desconhecimento, a parte nunca poderia ter querido, razão pela qual a boa fé objetiva se impõe novamente como medida de equidade apta a conduzir a revisão ou até mesmo a resolução do contrato.

3.4 Consequências da Quebra da Base Objetiva

Constatada a quebra da base objetiva dos negócios jurídicos, se torna necessário verificar as consequências para as partes envolvidas decorrentes da referida quebra.

Rodrigo Toscano de Brito compreendendo que a manutenção do equilíbrio contratual – tratado por ele também como a equivalência material dos contratos – é indispensável, afirma:

Ora, se se está diante de um princípio contratual que tem sua base teórica na ideia de equidade, de eticidade, de socialidade, de manutenção de lealdade, e da confiança contratual, da proporcionalidade e da razoabilidade, é plausível afirmar que, independentemente da posição de vulnerabilidade do contratante é possível buscar sua revisão ou resolução, digamos, em face do desequilíbrio objetivo do contrato.204

Fernando Rodrigues Martins chama a atenção para o fato de que é indispensável também – além da equidade – fundamentar as mudanças frente à quebra da base objetiva nos preceitos legais, levando-se em conta a imperativa

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