BÖLÜM II AVRUPA SOSYAL ŞARTI
6. ÜLKELERİN AVRUPA SOSYAL ŞARTI UYGULAMASI
O negócio jurídico é celebrado sobre uma base negocial, que contém aspectos objetivos e subjetivos, base essa que deve manter-se até a execução plena do contrato, bem como até que sejam extintos todos os efeitos decorrentes do contrato (pós-eficácia). Por base do negócio jurídico devem se entender todas as circunstâncias fáticas e jurídicas que os contratantes levaram em conta ao celebrar o contrato, que podem ser vistas nos seus aspectos subjetivo e objetivo.177
A base do negócio jurídico foi definida por Oertmann como sendo a representação mental de uma das partes no momento da conclusão do negócio jurídico, conhecida em sua totalidade e não recusada pela outra parte, ou a comum representação das diversas partes sobre a existência ou aparecimento de certas circunstâncias em que se baseia a vontade negocial.178
Posteriormente à definição de Oertmann, Karl Larenz aprofundou a análise da teoria da quebra da base do negócio jurídico, afirmando que existem dois planos a serem observados. O primeiro diz respeito a quebra da base subjetiva do negócio jurídico, que consiste na representação mental que guiou os contratantes na fixação do conteúdo do contrato, e a quebra da base objetiva do negócio jurídico, que toma por base a boa fé objetiva, o fim que se presta o contrato e, a impossibilidade de cumprimento deste.179
Ao desenvolver a teoria da quebra da base objetiva, Larenz afirma que a interpretação de um contrato não depende, pois, exclusivamente das palavras usadas e de sua significação inteligível às partes, senão também das circunstâncias
176 Luciano de Camargo PENTEADO, Causa Concreta, Qualificação Contratual, Modelo Jurídico e
Regime Normativo: notas sobre uma relação de homologia a partir de julgados brasileiros, p. 246.
177 Conforme Nelson NERY JUNIOR, Contratos no Código Civil. In FRANCIULLI NETO, Domingos.
MENDES, Gilmar Ferreira e MARTINS FILHO, Ives Gandra (Coords.) O Novo Código Civil, p. 340.
178 OERTMANN, apud Karl LARENZ, Base del Negocio Jurídico y Cumplimiento de los Contratos, p.
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em que foi concluído e as que se acomodaram. Assim, se posteriormente ocorre uma transformação fundamental das circunstâncias, possibilidade que as partes contratantes não haviam pensado e que de nenhum outro modo haviam tido em conta a ponderar seus interesses e distribuir os riscos, pode ocorrer que o contrato, de executar-se nas mesmas condições, perca por completo o seu sentido originário e tenha consequências totalmente distintas daquelas que as partes haviam projetado ou deveriam razoavelmente projetar.180
Para Larenz a base objetiva do negócio jurídico é formada pelas circunstâncias e o estado geral das coisas cuja existência ou subsistência é objetivamente necessária para que o contrato subsista, segundo o significado das intenções de ambas as partes, como regulação dotada de sentido.181
O conceito de base objetiva não leva em conta a posição de apenas uma das partes do contrato, e, sim, a de ambos os figurantes conforme entendimento de Clóvis do Couto e Silva. A base objetiva do contrato decorre de uma „tensão‟ ou „polaridade‟ entre os aspectos voluntaristas do contrato (aspecto subjetivo) e o seu aspecto meio econômico (aspecto institucional) o que relativiza, nas situações mais dramáticas, a aludida vontade para permitir a adaptação do contrato à realidade subjacente.182
Ainda de acordo com o mesmo autor, caracteriza a teoria da base objetiva do negócio, de acordo com um conceito de justiça comutativa inerente ao negócio jurídico, a permanência de uma série de condições econômicas, sem as quais o contrato se descaracterizaria. Nesse sentido, desaparece a base do negócio jurídico quando a relação de equiponderância entre prestação e contraprestação é destruída, não sendo mais possível falar em contraprestação.183
A base objetiva dos negócios jurídicos são, nas palavras de Ludwig Enneccerus, as representações dos interessados, no momento da conclusão do contrato, sobre a existência de certas circunstâncias básicas para sua decisão. Essas circunstâncias não são meramente conhecidas, mas erigidas por ambas as partes, à base do contrato, por exemplo, a igualdade entre as prestações nos
180 Karl LARENZ, Base del Negocio Jurídico y Cumplimiento de los Contratos, pp. 97-98. 181 Ibidem, p. 170.
182 Conforme Clóvis do COUTO E SILVA, A Teoria da Base do Negócio Jurídico. In: FRADERA, Véra
Maria Jacob de (Org.). O Direito Privado Brasileiro na Perpectiva de Clóvis do Couto e Silva, pp. 93- 94.
contratos bilaterais, a permanência aproximada do preço convencionado, a possibilidade de repor a provisão de mercadorias.184
Assim, verifica-se que há uma relação indissolúvel entre o contrato e a conjectura econômica, como já mencionado anteriormente, a qual é variável, uma vez que reflete todos os acontecimentos políticos, econômicos e sociais. Nesse sentido, Rubén S. Stiglitz sustenta que os interesses reais que se encontram em jogo não representam um puro conceito jurídico, de modo que o contexto sócio econômico condiciona a formação e execução do contrato.185
Portanto, o contrato não é um instituto jurídico que se relacione somente às partes contratantes, pois o equilíbrio contratual concerne à própria estrutura econômica e social, uma vez que está inserido em um conjunto que se liga à estrutura da sociedade.186
Dessa forma, a base do negócio desaparece quando a relação de equivalência entre prestação e contraprestação pressuposta for destruída, em tal medida que não se possa mais falar racionalmente de uma contraprestação e quando a finalidade comum objetiva do contrato, expressada por seu conteúdo, tenha resultado definitivamente inalcançável, mesmo quando a prestação do devedor seja ainda possível.187
Cumpre esclarecer que a teoria da quebra da base objetiva dos negócios não se confunde com a teoria da imprevisão. Na lição de Luís Renato Ferreira da Silva, a primeira dispensa a imprevisibilidade das circunstâncias supervenientes, bem como o elemento causador do desequilíbrio é mais específico e não genérico.188
Na doutrina e jurisprudência atuais fala-se mais na base do negócio. A própria expressão é usada no Código Civil português de 1966, no artigo 252/2, que trata do erro sobre a base do negócio como modalidade de erro sobre os motivos. Remete, porém, para o artigo 437 o regime a aplicar. Aí se que regula a alteração das circunstâncias em que as partes fundaram a sua decisão de contratar.
184 Ludwig ENNECCERUS, Derecho de Obligaciones, vol. 1, t. 2, p. 209.
185 Rubén S. STIGLITZ, Autonomia de La Voluntad y Revisión del Contracto, p. 42. 186 Laura Coradini FRANTZ, Revisão dos Contratos, p. 51.
187 Karl LARENZ, Base del Negócio Jurídico y Cumplimiento de los Contratos, p. 211.
188 Luís Renato Ferreira SILVA, Revisão dos Contratos: do Código Civil ao Código do Consumidor,
Comparando os requisitos exigidos para a aplicação da teoria da base do negócio e os exigidos pela teoria da imprevisão, denota-se que a primeira requer condições mais flexíveis, não erigindo a imprevisibilidade dos acontecimentos que desestabilizam a economia contratual a requisito essencial. Dessa forma, a teoria da quebra da base objetiva facilita a revisão dos contratos por alteração das circunstâncias, visto que a imprevisibilidade do evento causador do desequilíbrio, elemento nem sempre de fácil comprovação na prática, não é exigido com toda a veemência como na teoria da imprevisão.189
A quebra da base objetiva também não pode ser alegada quando da existência do estado de perigo, em que o contratante contrata visando salvar-se, ou o instituto da lesão, prevista no artigo 157 do Código Civil, na qual o contratante lesado contrata por necessidade.
Isso, pois na quebra da base objetiva o desequilíbrio surgirá após a formação do contrato, e no instituto da lesão ou do estado de perigo, este desequilíbrio estará presente já no nascedouro do vínculo, e na quebra da base objetiva a situação de desequilíbrio ocorre independentemente da vontade das partes, inclusive sem a intervenção do próprio beneficiado. Por outro lado, a lesão e o estado de perigo são fruto da querência do beneficiário.
No Brasil, a primeira manifestação legal sobre a quebra da base objetiva dos negócios, aparece com o Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 6º, que não exige que o fato superveniente seja imprevisível ou irresistível, mas tão somente a quebra da base objetiva do negócio, a quebra do seu equilíbrio intrínseco, a destruição da relação de equivalência entre prestações. Ao desaparecimento do fim essencial do contrato. Em outras palavras, o elemento autorizador da ação modificadora do Judiciário é o resultado objetivo da engenharia contratual que agora apresenta mencionada onerosidade excessiva para o consumidor, resultado de simples fato superveniente, fato que não necessita ser extraordinário, irresistível, fato que poderia ser previsto e não foi.190
Como visto, a teoria da base objetiva do negócio jurídico sofreu inúmeros aperfeiçoamentos por meio da evolução da interpretação doutrinária, até chegar nos
189 Laura Coradini FRANTZ, Revisão dos Contratos, p. 51.
190 Cláudia Lima MARQUES, Antônio V. HERMAN e Bruno MIRAGEM, Comentários ao Código de
dias de hoje, em que se admite como razão principal (e porque não dizer embasamento) da quebra da base objetiva pressupostos econômicos como a paridade e harmonia das vantagens e desvantagens econômico-financeiras do negócio. Desta forma, desapegando-se das antigas concepções, em que apenas era possível o desfazimento contratual frente ao descumprimento do contrato por uma das partes – o que implicava tacitamente a ideia de responsabilidade, ou culpa, isto é, um elemento essencialmente subjetivo –, a quebra da base objetiva do contrato, que justifica o seu desfazimento abandona por completo a necessidade deste elemento subjetivo, sendo que a razão da quebra a ninguém é atribuível como causa querida ou provocada. O prejuízo grande para uma das partes e lucro desmedido para outra, ou seja, a disparidade e desarmonia das vantagens econômico- financeiras das partes a ninguém é atribuível, não havendo assim elemento subjetivo, mas tão somente o elemento objetivo da alteração das condições externas – e independentes dos sujeitos do negócio – que, diante dessa nova interpretação permitem a rescisão contratual.
A quebra na base contratual significa de certa forma uma nova visão sobre as circunstâncias do contrato. Seja qual for o motivo da quebra, ela se relaciona a uma nova percepção sobre o panorama em que se insere o contrato, do passado ao presente e com vistas ao futuro.