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Atatürk’ün Eğitimsel Benliğinin Ulusal/Evrensel Etkiler

Belgede Atatürk'ün eğitimci kişiliği (sayfa 109-119)

2. ATATÜRK’ÜN EĞİTİMCİ KİŞİLİĞİ VE EĞİTİMSEL BENLİĞİNİN DEĞERLENDİRİLMESİ

2.4. Atatürk’ün Eğitimsel Benliğinin Ulusal/Evrensel Etkiler

A experiência da construção de Brasília, de 1956 a 1960, é um dos exemplos mais expressivos da consolidação do uso do concreto armado para a produção de edificações no Brasil. Mas, os monumentos de aspecto imaculado e de linhas fluidas, referência do modernismo brasileiro, fruto dos esboços de Niemeyer e das potencialidades do concreto, em nada se assemelham às condições de trabalho que se encontram nos canteiros de suas construções.

Com a introdução das estruturas de concreto, a mão de obra qualificada presente nos canteiros brasileiros até a década de 1930 desaparece paulatinamente, mas é na construção da capital que a desqualificação dos trabalhadores ganha evidência “quando a cidade recebe massas e massas de candidatos a qualquer emprego [...] quase sempre desqualificados” (FERRO, 2006, p.309). Para Ferro essa desqualificação se manifesta em canteiros “enormes, inflexíveis e ultra-centralizados” e em uma arquitetura que permite e necessita “esconder suas lacunas construtivas”. Nos volumes puros da arquitetura modernista apaga-se o trabalho manufatureiro com uma espessa camada de concreto. Uma característica fruto da introdução de mão de obra desqualificada, ou seja, a simplificação da volumetria modernista é produto da incapacidade técnica dos operários que se incorporam aos canteiros.

Mesmo que o arranjo produtivo resulte na desqualificação dos operários, é imperativo destacar que os canteiros de Brasília são por si só desqualificadores. O contingente de reserva que se encontra no grande número de trabalhadores provindos do campo é uma estratégia de manutenção da subordinação para a redução dos salários e disseminação de condições precárias e de grande violência. “[D]aí a relação estreita entre desenvolvimentismo e construção em massa relação que se aprofunda com o processo de desqualificação. ” (FERRO, 2006, p.310).

Embora, nesse momento, o concreto predomine na produção construtiva brasileira, a industrialização pela pré-fabricação já representa uma alternativa construtiva a esse material. A questão da industrialização dos processos de construção aparece na Europa, no final do século XVIII, início do XIX, com a Revolução Industrial, que possibilita que novas máquinas e até mesmo elementos produzidos em série se introduzam nos canteiros-de-obras, como uma maneira de complementar as técnicas

construtivas tradicionais. A construção do Palácio de Cristal, para a Grande Exposição de 1851 em Londres, com suas as peças de aço fundido e vidro, graças ao advento de máquinas a vapor, é um dos primeiros exemplos de pré-fabricação de elementos construtivos.

Entre 1920 e 1930, como consequência de um esforço para suprir o déficit habitacional das cidades em desenvolvimento, após a Primeira Guerra Mundial, é que se caracteriza um maior estímulo ao desenvolvimento de elementos construtivos produzidos em série para a construção em massa, cujo objetivo se constitui na redução do tempo e custo da produção de habitações. Além disso, “houve uma tentativa de reduzir e simplificar o número de etapas envolvidas na construção no canteiro de obras, para aumentar o emprego de mão de obra não qualificada” (BOCK; LANGENBERG, 2014, p.9, tradução minha) 29.

No entanto, é só com a Segunda Guerra Mundial que se faz realmente necessária à reconstrução de um grande número de habitações em curtos prazos, com isso, há na Europa uma maior disseminação das técnicas de racionalização pela produção de elementos construtivos industrializados (BOCK; LANGENBERG, 2014). Como consequência da grande produção serial de habitações no pós-guerra Europeu, cria- se “um estigma associando a construção pré-fabricada durante muitos anos à uniformidade, monotonia e rigidez na arquitetura, com flexibilidade "zero", onde a pré- fabricação com elementos “pesados” marcou o período” (SERRA; FERREIRA; PIGOZZO, 2005, p.4).

Diferentemente da Europa, no Brasil não se faz a reconstrução de edificações, o que explica a falta de investimentos em pré-fabricação no pós-guerra. Mesmo assim, já em 1926 se identifica a primeira construção com utilização de elementos pré- fabricados, o hipódromo da Gávea no Rio de Janeiro (VASCONCELOS, 2002). Decorrente da proposta de rápido desenvolvimento da economia nacional incitada pelo Presidente Juscelino Kubitschek, por meio de seu slogan "cinquenta anos em cinco” e da própria construção da capital, que impõe a realização de um grande

29 Was an attempt to reduce and simplify the number of stages involved in building on the construction

número de edificações em tempo ínfimo, é que se funda a busca por novas técnicas no país. Portanto, é só no final da década de 1950 que surgem empresas nacionais com investimento em racionalização e pré-fabricação de sistemas estruturais. Vasconcelos (2002) aponta a Construtora Mauá, de São Paulo, fabricante de peças pré-moldadas de concreto, como uma das precursoras da construção industrializada nacional.

As estruturas de aço também conformam parte das construções de Brasília, mas a necessidade de qualificação de mão de obra e de profissionais aptos ao cálculo estrutural, assim como o custo da estrutura e os “conflitos de interesse entre as firmas produtoras de aço e os cartéis de cimento – politicamente mais fortes em virtude dos favores Estatais” seriam possíveis causas de uma implantação tímida e tardia da produção de edificações metálicas. (SILVA; MACEDO, 2013, p.4).

Exemplo significativo da utilização de aço, o Brasília Palace Hotel (1957-1958), serve como laboratório “tanto para avaliar o atendimento a premissas arquitetônicas, quanto para colocar à prova possibilidades da indústria nacional e capacidade tecnológica das empreiteiras diante das difíceis condições de execução” (SILVA; MACEDO, 2013, p.4). Segundo os autores, a proposta de utilização de aço nas construções decorreria tanto do potencial do material em reduzir os prazos na execução da estrutura, quanto da determinação do presidente Juscelino em instalar uma indústria siderúrgica no país.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Volta Redonda (R.J), fornece, por meio de sua subsidiária, a Fábrica de Estruturas Metálicas, as peças para a construção do Brasília Palace Hotel. A CSN também serviria à construção dos Ministérios, mas um acordo entre o governo do Brasil e dos Estados Unidos firma que uma empresa norte-americana realize o fornecimento das estruturas metálicas, já a montagem seria responsabilidade da Companhia Urbanizadora da Capital Federal (NOVACAP) (SILVA; MACEDO, 2013, p.9). Nesse contexto a construção dos Ministérios e de suas torres anexas conta com mão de obra:

[S]em experiência [...] e que seria capacitada durante a própria realização das tarefas. A NOVACAP contratou pequenas empresas, distribuindo entre elas os Ministérios. Embora não tivessem conhecimento nem domínio da técnica para montar edifícios em estruturas metálicas, foram estes os agentes

responsáveis pela realização dos trabalhos. (SILVA; MACEDO, 2013, p.16- 17).

As construções em aço de Brasília confirmam as vantagens na utilização desse sistema construtivo, tais como a rapidez na montagem das estruturas. Mas, a experiência como um todo não chega a explorar o potencial nacional de produção de peças metálicas com a CSN, já que elas são importadas. E, tampouco, tira partido do ponto de vista da incorporação tecnológica, proveniente do contato com firmas estrangeiras. Além disso, essa produção recorda a mesma condição dos canteiros das obras em concreto, na qual se impera a lógica da manufatura, ou seja, desperdiça- se a oportunidade para qualificar os operários ao exercício de uma nova técnica construtiva, pois ocorre no contexto de prazos mínimos para a execução das construções e do aproveitamento do excedente de mão de obra. Sendo assim, prevalecem adaptações, improvisos e precárias condições de trabalho. Vargas (1994) define bem o cenário da produção da nova capital que:

[E]m termos tecnológicos, não pode ser considerada um marco da tecnologia nacional; mas, sem dúvida, o é da engenharia brasileira. É mais o resultado de decisões firmes tomadas em nome de um projeto e construção do que de estudos apurados de materiais, métodos e processos de construção. Ela permitiu, contudo que se desenvolvessem, pela ação direta, métodos de construção inusitados em regiões longínquas dos meios industrializados (VARGAS, 1994, p.243).

Os aspectos levantados acima, no entanto, levam a crer que a prevalência da manufatura do concreto sobre a montagem industrial do aço não é fruto do improviso ou de incapacidade de produção, mas, sim, de uma estratégia de acumulação capitalista embutida no projeto de desenvolvimento nacional de JK. Portanto, a organização desses canteiros e as condições do trabalho são muito mais função dessa acumulação do que de um ordenamento necessário à técnica empregada (MARGLIN, 1996, p.41). Também defensor dessa ideia, Ferro (2006) é categórico ao dizer:

Não penso que Brasília tenha sido construída ao mesmo tempo em que JK implantava sua industrialização por acaso; assim como a Transamazônica, as barragens e o BNH não são contemporâneos do “milagre” da ditadura por mera coincidência [...] A industrialização da construção com conseqüente redução do capital variável é possível tecnicamente hoje — e Brasília seria a oportunidade ideal. Só que isso não interessa nem um pouco ao capital, nem no Brasil, nem em qualquer outro lugar. (FERRO,2006, p. 231).

Assim como nas políticas estabelecidas pelo Governo de Getúlio Vargas, a implantação de Brasília segue a lógica da modernização, do fomento de indústrias e, sobretudo, da utilização do contingente de mão de obra desqualificada retratado no exército industrial de reserva provindo do processo de urbanização do país. Nesse cenário, é evidente que o insucesso de processos construtivos racionalizados e industrializados, como o aço, decorre do propósito de progresso nacional.

Belgede Atatürk'ün eğitimci kişiliği (sayfa 109-119)