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YARGI İLÂNLARI

Edirne 4. Asliye Ceza Mahkemesi Başkanlığından:

As observações foram feitas em diferentes momentos e com os alunos dentro e fora da sala de aula. Seguem algumas delas, em forma de episódios:

Episódio 1: O choro da criança

No horário de entrada, pela manhã, quando já decorridos vinte minutos mais ou menos do início da aula, uma aluna chega com um bebê no colo. Na porta da sala, esta aluna entrega o bebê para uma pessoa que a acompanha. A aluna entra para a aula e, algum tempo depois, quando todos ouvem o choro da criança a aluna sai da sala de aula, vai apressada ao encontro do bebê, o pega novamente no colo, senta-se e o amamenta. Logo depois retorna, mas antes de entrar na sala de aula vira-se e volta o seu olhar para a criança, acena com as mãos, entra e senta-se próximo à porta que deixou semiaberta e, de vez em quando, olha para o pátio onde estão o bebê e sua acompanhante.

Este episódio evidencia que essa aluna fica dividida entre o papel de mãe e o de aluna, o que possivelmente repercute no aproveitamento do curso.

A atenção voltada para o filho que está chorando e a preocupação em prestar atenção à aula cria uma tensão que não se esgota durante todo o período da aula. Neste momento, a preponderância é do domínio de afetividade sobre o

conjunto conhecimento. O episódio mostra, ainda, a relação, às vezes, conflitante entre questões do intelectual e da afetividade.

Neste sentido Wallon (2007a, p.125) esclarece que: “entre a emoção e a atividade intelectual, mesma evolução, mesmo antagonismo. Antes de qualquer análise, o sentido de uma situação se impõe pelas atividades que desperta, pelas disposições e atitudes que suscita”.

E Codo (2002, p.53) adverte, também, para a existência de conflitos no momento da profissionalização, tendo em vista fatores de mediação da afetividade que pode envolver família e mercado de trabalho. Para o autor “a lógica do mercado de trabalho, não é e não tem como ser a lógica do cuidado”.

Episódio 2: Uma questão de opção

Ainda no horário de entrada, pela manhã, um grupo de alunos pára numa banca onde são vendidos livros que se encontra no pátio da Instituição e começam a folhear alguns livros. São feitos os seguintes comentários: esses livros são ótimos, fazem falta, mas ou eu pago a mensalidade do curso ou compro livros”; “fazer o curso como a gente faz, sem livros é sempre mais difícil. A biblioteca não tem um livro para cada aluno e nem sempre possui esses títulos; A gente que tem família, que é o homem, ainda tem que priorizar as crianças: primeiro o livro deles e o tudo deles, a gente que é pai, é que tem de bancar.

Pode-se verificar nesta ocorrência o quanto estes alunos são afetados pela situação financeira que não lhes permite ter acesso à aquisição de literatura específica do conteúdo de sua especialização. A necessidade de optar por pagar o curso ou por comprar livros, afeta o aluno-professor de tal forma, provocando sentimentos de frustração, tristeza e impotência, uma vez que não o permite realizar o curso da forma como desejava. Ao priorizar o livro das crianças a prioridade foi para o domínio da afetividade, enquanto escolha, mas com reflexo no cognitivo, do aluno-professor e do filho. Outro ponto pode ser destacado: o papel da responsabilidade para com a formação da criança. A criança para Wallon é ligada à sociedade por meio da ação do homem. E, ao ligá-la Á sociedade o homem está oportunizando ações da dimensão cognitiva, afetiva e motora, portanto, contribuindo para o seu desenvolvimento. E, ainda, quanto à responsabilidade, Wallon afirma: “A responsabilidade consiste, com efeito, em tomar sobre si o êxito de uma acção [...]. O responsável é aquele que deve eventualmente sacrificar-se, ser o primeiro a sacrificar-se” (1979, p.218).

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Episódio 3: O desabafo

– Nossa! Não agüento esperar o intervalo. Estou morrendo de fome, é sábado, estou cansada demais.

– Mas, ainda é cedo.

– É cedo... só que antes de vir para cá eu lavei um pouco de roupa, cuidei do cachorro, da casa e do marido. Preparei o café... mas não tive tempo de tomar. Ontem cheguei tarde da escola, organizei as coisas das crianças e não jantei. Estou até me sentindo mal, achando a aula cansativa... acho que sou eu... Também não fiz a leitura prá hoje e isso me deixa mal porque se a gente não vem com a leitura feita a gente não participa. A aula legal é aquela que a gente interage com o conteúdo. Eu cobro tarefa do meu aluno e agora não consigo fazer o mínimo aqui.

– Vai prá casa.

– Não! Não posso! A gente paga caro... O fato é que estou neste curso porque sei que preciso aprender um pouco mais. Quero tentar outras coisas no mercado da educação e só fazendo um curso de pós é que a gente consegue. Parece que ninguém acredita no professor que só tem graduação, nem mesmo os alunos...

As falas revelam sentimentos de tristeza, de frustração e de culpa provocados por situações de estresse, fome e cansaço. Enfatizam, ainda, a realidade da aluna-professora que, como mulher, possuiu papéis definidos socialmente – o de cuidar do lar - e, como profissional, sente-se na obrigação de participar de uma formação continuada via cursos de pós-graduação para garantir um melhor lugar no mercado de trabalho e obter maior credibilidade da sociedade e de seus alunos.

Essa tensão afetou a sua participação na aula e, por consequência, a sua não aprendizagem levando-a, também, a refletir sobre sua postura profissional de professora que exige que seus alunos estudem mais, porém, na condição de aluna de especialização não consegue fazer o mesmo.

O estar num curso de pós-graduação para garantir o emprego, sem as condições para poder fazê-lo, levam à “exaustão emocional” na afirmação de Codo (2002, p. 255) que, inclusive chama a atenção para o “conflito entre trabalho e a família e o sofrimento psíquico”. Para este autor não está em jogo a busca da satisfação no ambiente de trabalho ou no ambiente familiar e sim a medida de incompatibilidade entre ambos. No caso deste episódio entra, ainda, o curso pós- graduação como um elemento impulsionador para a melhoria de sua profissionalização, o que gera um elemento conflitante a mais.

Episódio 4: O perfume da aula

Um grupo de alunos, na cantina, conversam sobre a aula:

– A aula de hoje foi melhor ainda que a aula passada. Com a explicação de hoje eu faço questão de preparar um bom trabalho deste módulo porque o professor é muito bom.

– Nós professores precisamos aprender sentindo o perfume de uma boa aula pra que a gente possa voltar aqui todos os sábados deixando tantas coisas de lado... Não dá para faltar.

– É por isso que eu venho, mesmo cansado, porque vale a pena assistir esta aula e a gente sempre sai com uma coisa nova pra usar na segunda-feira e eu percebo que meus alunos gostam...

O fato destes alunos estarem tendo boas aulas provoca sentimentos que contribuem para incentivá-los a frequentar o curso, mesmo cansados, a realizar trabalhos acadêmicos com qualidade e a utilizar o que aprendem no curso na prática docente diária com bons resultados. Uma boa aula na visão desse grupo incentiva frequência, amplia o conhecimento e melhora a atuação profissional.

Ao usar a metáfora do perfume para uma boa aula o aluno deixa transparecer que para ele uma boa aula é aquela cuja fragrância permanece mesmo depois de transcorrida a aula.

Episódio 5: A volta das compras

Um grupo de alunas retorna a instituição para as aulas do segundo turno, depois do almoço. Ruidosamente comentam sobre o que fizeram no intervalo para o almoço:

– O bom de estar nesta pós é poder, também, visitar o comércio, fazer compras, ver outras pessoas e outras coisas.

É uma forma da gente modificar a nossa rotina. Lá onde eu moro não tem nada, fico lá pra dormir e trabalhar e se eu quiser um livro, desses comuns mesmo, eu não tenho. Muitas vezes passamos dias até sem internet.

– Vindo aqui me renovo em todos os sentidos. Vejo gente! Vejo coisas! E tenho vontade de estudar mais e de aprender mais. Volto renovada para mais uma semana de trabalho. Sinto que estou viva e no século XXI! Fico pensado nas minhas amigas professoras lá da escola que não podem fazer o mesmo.

Estar em processo de formação continuada num CPG fora da cidade onde mora e trabalha representa uma mudança de rotina o que provoca, neste grupo, um sentimento de bem-estar, propiciando uma melhor aprendizagem do conteúdo do curso e uma melhor atuação profissional. Ter a oportunidade de fazer uma pós-graduação e aproveitar o horário de intervalo das aulas para ir às compras, fazer algo diferente do habitual, neste dia, as afeta de tal forma que as fazem ter

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nova visão de mundo e se sentirem renovadas para retornar ao trabalho semanal. A fala dessas alunas-professoras revela, ainda, o sentimento de solidariedade ao se lembrarem das colegas de trabalho que não têm a mesma oportunidade.

Benzer Belgeler