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BEN SANA MECBURUM

1. askıda yaşamak

Os Manoki classificam diferentes lugares reconhecidos e importantes para o desenvolvimento dos seus modos de vida, a partir de sua experiência com o mundo sensível, de acordo com a ocorrência de espécies importantes para caça, pesca, coleta de alimentos, remédios do mato, matéria-prima para fabricação de instrumentos e de outros artefatos, rios e cachoeiras, locais de aldeias antigas e enterramentos dos mortos, e os lugares associados aos mitos, como os narrados acima. A seguir mostro o inventário das categorias de lugares – de acordo com o tipo de vegetação e as atividades propícias neles, como construção de aldeias e os locais de caça, pesca e coleta:

121 Denominação

manoki

Denominação

regional Micro-bacia Descrição

Matamaí (aldeia do brejo; Mata: brejo)

Brejo sujo Rio do Sangue (Mãnamiake)

Nome de aldeia às margens do rio do Sangue, região de buritizais

Matakju`u (mata: brejo; kju´u:

morada)

Barreiro Rio São Benedito (Sõkalamey)

Morada dos animais; região destacada em narrativas míticas Pa´i pata (pa´i: mato, terra, território; pata: baixo) Mata baixa Rio do Sangue (Mãnamiake) e Membeca (Kakekãnali)

Área que acompanha algumas margens do rio do Sangue e rio Membeca Pa´iopá (pa´i: mato, terra, território; opa: alto) Mata alta

Rio Treze de Maio (Talunakãnali), Membeca

(Kakekãnali) e São Benedito

(Sõkalamey)

Área de grande floresta onde se localizam as áreas de caça e locais para as roças

Iratapá’ ai (iratapawa: campo)

Campo limpo Rio treze de Maio (Talunakãnali)

Área de coleta importante para os manoki (coleta de frutas, sementes e remédios)

Mãiawuli (mãã: cerrado)

Cerrado alto Rio Cravari (Makãnali)

Área grande que compõe a micro-bacia do rio Cravari

Iná Cerrado baixo Rio Cravari (Makãnali)

Área onde estão concentradas as aldeias no território Irantxe

TABELA 4:CATEGORIAS DE LUGARES MANOKI.FONTE:ARTEMA LIMA, S/D:4.

Categorias dos locais de

caça e coleta Descrição

Pini'patá Local das plantas medicinais ou terra do remédio

Kake'patá

Local onde tem material para a confecção de instrumentos de caça, arco e flecha principalmente jurupara ou 'terra da guerra'

Iawa'patá Local onde tem muitos animais ou terra de caça

Manãnu'patá Local onde tem muito material para confecção de casas e

artesanato ou terra de trabalho

122 Esses lugares que indicam o conhecimento e o domínio de suas áreas de ocupação e circulação servem como referência territorial. Tal intimidade com o espaço é ancorada no processo cotidiano de produção da vida e são usadas nas nominações de rios, córregos e aldeias.

MAPA 12: OCUPAÇÃO MANOKI: CLASSIFICAÇÃO NATIVA E INCIDÊNCIA DE ESPÉCIES. TERRAS INDÍGENAS IRANTXE (À ESQUERDA) E MANOKI (À DIREITA, EM VERDE ESCURO). DESTAQUE PARA O RIO BENEDITO, ONDE ESTÁ LOCALIZADO O BARREIRO (IMAGEM EXTRAÍDA DO PLANO DE GESTÃO TERRITORIAL MANOKI,2012:31).

2.1. Aldeias

Os nomes das aldeias antigas e atuais costumam ser diretamente relacionadas às características físicas da região ou a eventos que se tornam marcantes, ainda que possam ser aparentemente ordinários, como as antigas aldeias mencionadas por Celso

123 Xinuxi: Kaky´i, onde a cobra mordeu uma pessoa, Sikjulempa, onde alguém caiu da árvore e Kolenkiapiatá, local em que derrubaram um pau e tinha bastante andorinha. Outras aldeias rememoradas pelos velhos manoki são: Alwéritatá, que indicava a presença do urubu (alwéri) branco (urubu-rei, Sarcoramphus papa) na região,

Irealtakewu, onde o sol morreu – o sol escureceu um dia todo, em provável referência

a um eclipse solar, a aldeia Miameí (saía da aldeia e ia contando walytãnãleý – índio irantxe mataram dois tamanduás mirim e esqueceram no mato, daí o nome da aldeia ).

Era muito comum dar um nome de mesma referência a um curso d´água e às aldeias construídas perto deles: Kaletatsaty – córrego; Kaletatsatypiatá – aldeia.

Tapurumeí – córrego; Tapurupyatá – aldeia. Nalukameí – córrego; Nalukapyatá –

aldeia. Polukameí – córrego; Polukapyatá – aldeia.

As aldeias existentes no período imediatamente anterior à missão estavam dispersas ao longo do curso do rio Treze de maio (talunameí), Cravari, rio do Sangue e Membeca, de acordo com a região de circulação dos chefes sob os quais elas estavam relacionadas. A escolha dos locais para a abertura de uma aldeia é relacionada com a qualidade dos mesmos para as atividades econômicas, como uma boa terra para fazer a roça ou a abundância de seringueiras para a retirada de látex – atividade a qual os Manoki se dedicaram após a o fim da missão. Via de regra, os lugares bons para o roçado apresentam a ocorrência de espécies vegetais ou do solo que marcam o espaço e se tornam referência compartilhada por um determinado grupo de pessoas.

... es olhia luga o , te a oa pa a t a alha , pla ta . Te a vermelha ou roxa, amarelada. Se a planta é bem bonita, a terra é boa (...) terra boa, porque tem inajá, tem pacova. Aí nós vimos cipozal. Onde tem muito cipozal a terra é boa, você pode roçar de o o ue ela dá u a p odução oa Ma oel Ka ũ i, aldeia Asa Branca, 2014).

A aldeia do antigo chefe Canuto Jalukali, muito presente na memória dos velhos manoki, chamava-se Tanunjá, pois havia muito florzinha branca de cipó onde ela foi formada. Subindo o rio, encontrava-se a aldeia do chefe Acácio Matỹ´ chamada

124 de Matamaí, por ser próxima a um grande brejo. Nessa aldeia viveram muitos dos velhos vivos atualmente.

Embora seja possível localizar algumas aldeias antigas, os Manoki mais velhos dizem que costumavam andar muito entre aldeias onde tinham familiares próximos – pai, mãe, irmão, irmã e os familiares diretos desses (filhos e esposas e maridos). As aldeias permaneciam no mesmo lugar por cinco, dez anos, ou até os recursos ali e ta esàseàesgota e à aà egi o,à at àoà atoàfi a àdista te ,à o oàdefi eàGio a ià Tapurá, um jovem manoki, referindo-se à máxima utilização do entorno da aldeia para roçados que estendia muito a locomoção para caça e pesca, além das próprias roças, cada vez mais distantes. Antes do abandono de uma aldeia, o chefe, junto aos homens, procurava novos e bons espaços para o plantio da roça, podendo ser em uma capoeira de antiga ocupação da sua ou de outras turmas que eventualmente tenham ocupado aquela região. Apenas quando os produtos daquela roça já estavam crescidos mudavam de aldeia. Também costumavam derrubar e fazer roças espalhadas, em outros lugares, inclusive onde costumavam montar acampamentos quando saiam para caçar e pescar. Quando era para consumo familiar, a esposa e os filhos costumavam acompanhar os homens. Estes saiam em pequenos grupos ou apenas com suas próprias famílias nucleares. As expedições de caça para consumo em época de ritual eram feitas sem a companhia das mulheres e das crianças.

Os aldeamentos contemporâneos são fixos, embora a construção de novas aldeias seja possível, mas não muito frequente. Desde que saíram de Utiariti os Manoki viveram em poucas aldeias e, dado o número reduzido de famílias inicialmente, viviam todos inicialmente em uma que pegou fogo, a Vaporé, e logo depois em duas – Paredão e Cravari. Vaporé era o nome de um local no Tocantins para onde algumas famílias manoki protestantes foram viver e trabalhar por um curto período de tempo. Ao retornarem para o Mato Grosso, se juntaram com os demais manoki e formaram essa aldeia. As outras duas, Cravari e Paredão, receberam os nomes do rio e do córrego que banham suas redondezas. As aldeias que foram formadas depois dessas são: Treze de Maio, em referência ao córrego homônimo, mas que fica em suas antigas terras, Doze de Outubro, em homenagem ao dia de Nossa Senhora, Perdiz e Asa Branca em referência a aves vistas no lugar onde foram construídas as aldeias e Recanto do Alípio, que leva o nome de seu formador.

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Benzer Belgeler