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ASİ Sinyalinin Kantifikasyonu ile CBF hesaplanması

VIII. ASİ SİNYALİNİN KANTİFİKASYONU

4. ASİ Sinyalinin Kantifikasyonu ile CBF hesaplanması

Desde os tempos mais antigos, em relação à agricultura sempre houve a preocupação em diminuir a dependência em relação à natureza, no que se refere à fertilidade dos solos e às condições climáticas com o objetivo de aumentar a produção52. Mesmo o homem tendo uma experiência milenar de cultivo e domesticação de animais, comprometeu a produção de gêneros alimentares para toda uma população, como observa Hespanhol (2008).

Durante muitos séculos, a história mostrou que a fome foi responsável pela morte de milhares de pessoas e o desafio sempre tem sido aumentar a produção para atender as necessidades da população. Para isso, o homem desenvolveu técnicas e instrumentos que contribuíssem para diminuir a dependência da agricultura em relação à natureza. No entanto, foi somente com a agricultura moderna que surgiu nos séculos XVIII e XIX – na Europa – a adoção de sistemas de cultivo que resultaram no aumento da produtividade e, um dos exemplos foi a rotação de culturas em que se cultivavam plantas diferentes na mesma área.

No devir histórico, outro elemento que impulsiona os avanços da modernização foi a Segunda Revolução Industrial que ocorreu nos Estados Unidos, no final do século XIX e início do século XX. Como apresenta Hespanhol (2008) foram criadas neste período condições para descobertas científicas e tecnológicas53 que estavam restritas ao setor industrial, mas que em seguida atingiram a agricultura.

Sob este aspecto Martine e Garcia esclarecem que,

O modelo básico tinha origens nas formas de produção já implantadas na agricultura norte-americana desde a década de 30, e vinha sendo parcialmente aplicado no mundo inteiro. Entretanto, na década de 60, constatou-se um avanço quantitativo propiciado pela conjugação de dois fatores complementares: de um lado o aperfeiçoamento da metodologia de pesquisa por produto permitiu maior agilidade na descoberta e produção de

52 A produção do alimento diz respeito à satisfação de uma necessidade básica do ser humano e a

agricultura constitui a atividade base sobre a qual se desenvolvem estruturas comerciais, financeiras, industriais, entre outras. A história da produção de alimentos no mundo moderno diz respeito a forma pela qual a sociedade satisfaz suas necessidades em que opera o processo de produção de alimentos expressa relações, processos e estruturas organizativas da vida, conforme Hespanhol (2008).

53 As principais inovações se referem ao melhoramento genético de espécies vegetais e dos

rebanhos; a utilização de fertilizantes químicos e a mecanização das atividades agrícolas. (HESPANHOL, 2008).

sementes melhoradas apropriadas assim como na identificação empírica das combinações adequadas de fertilizantes e defensivos em cada ambiente (1987, p. 20).

Com a expansão dessas tecnologias, o sistema de rotação de culturas foi abandonado gradativamente e houve a separação entre produção vegetal e animal. Aqui inicia a ampliação de escala de produção com a disponibilidade dos alimentos e da matéria-prima, fato que repercutiu fortemente na agricultura, especialmente no “uso do motor de combustão e a utilização do trator de arado de tração mecânica em substituição à tração animal.” (HESPANHOL, 2008, p. 119).

À medida em que a agricultura adotou as inovações tecnológicas, aumentou a dependência em relação ao setor industrial o qual passou a demandar máquinas, implementos e insumos químicos. Por isso, a industrialização exigiu de forma cada vez mais acentuada a intrínseca mudança nas bases técnicas da agricultura brasileira; além de incorporar-se ao seu funcionamento um pacote tecnológico, também passou a servir-se de uma assistência técnica e suporte financeiro público, os quais visavam a elevação da produtividade e a expansão de territórios cultivados.

A incorporação tecnológica concentrada nos países desenvolvidos expandiu- se a partir da segunda Guerra Mundial para vários países subdesenvolvidos, denominada de “Revolução Verde”. Este pacote prometia viabilizar a modernização agropecuária e aumentar a sua produção por meio da padronização com bases industriais.

O pacote tecnológico da Revolução Verde54 denominado de “modernização da agricultura,” no Brasil, inicia-se na década de 1950, com as importações de máquinas e equipamentos mais avançados à produção agrícola. No entanto, foi a partir da década de 1960, que esta modernização se intensificou na agricultura brasileira e sofreu em seu processo de produção uma verdadeira (r) evolução que teve como causa um setor industrial voltado para a produção de equipamentos e insumos agrícolas.

54 Consta que a Revolução Verde caracterizou-se como um amplo programa idealizado para

aumentar a produção agrícola através de melhorias genéticas em sementes, uso intensivo de insumos industriais, mecanização e redução do custo de manejo Nos países subdesenvolvidos, como no caso do Brasil e da Índia, sabe-se que foram beneficiados na produção, porém, prejudicados ambiental e culturalmente, pois muitas técnicas agrícolas que harmonizavam com a produção de alimentos foram tratadas como “atraso” e em busca da modernidade, efetuou-se um caso clássico de modernização conservadora na qual em benefício de poucos se destruiu o patrimônio de todos. (SILVA, 2010).

A partir de 1950, diante da influência dos países europeus, o Brasil inicia um intenso debate político em torno da modernização da agricultura, até então considerada como símbolo de atraso econômico do país, das relações arcaicas e também responsável pelas condições de miséria da grande maioria dos trabalhadores. A modernização55 era identificada ao desenvolvimento, à cidade e à industrialização e o Brasil era visto como sendo dois brasis: o moderno, correspondente ao urbano e o atrasado correspondente ao rural, destacado por Silva (2004).

Para a implantação de uma modernização agrícola, o Estado brasileiro criou um aparato institucional altamente favorável, que o destacou em várias esferas, a saber:

a) criação do Estatuto do Trabalhador Rural (1963) e do Estatuto da Terra (1964);

b) concessão de crédito subsidiado pelo Sistema Nacional de Crédito Rural (1965);

c) investimento em pesquisa agronômica e extensão rural – que favoreceu a disseminação produtivista;

d) política fundiária – que valorizou a propriedade privada atrelada ao mercado de terras e ao mesmo tempo controlou os movimentos sociais de trabalhadores rurais. (HESPANHOL, 2008).

Com as determinações da economia mundial56, as economias semi- industrializadas como no caso brasileiro no período de 1950-60, são obrigadas a adotar melhoramentos tecnológicos produzidos pelos países centrais desenvolvidos. Há uma transferência internacional do progresso técnico das economias do centro para as economias periféricas e, nesta transição o Estado brasileiro transmutava-se

55 Sauer (2010), traz uma rica contribuição sobre a modernização e a modernidade ao apresentar que

estas duas terminologias criam e recriam suas próprias representações ou seus mitos. Sauer (2010), ao utilizar a referência de Duarte (2000) argumenta que estes mitos se constituem em fundamentos de práticas sociais permeadas por análises e interpretações da realidade contemporânea. Um dos mitos fundantes da modernidade – enquanto resultado de uma urbanização generalizada e desorganizada – é a crença da igualdade socioeconômica do sucesso nos grandes centros urbanos ditos desenvolvidos, o que reforça a exclusão do rural e do campo das análises teóricas e definições de progresso e desenvolvimento econômico. O autor acrescenta que o desenvolvimento capitalista dos anos 50 e 60 forjou uma concepção de progresso baseada numa relação linear entre modernização – industrialização – urbanização.

56 A noção de economia mundial constituída não pode ser entendida como a simples adição de suas

unidades nacionais, mas como uma totalidade complexa, estruturada, hierarquizada, criada justamente pela divisão internacional do trabalho e pelo mercado mundial. Pressupõe ainda, um processo de acumulação do conjunto do capital internacionalizado, envolvendo tanto os países centrais como os países periféricos. (AGUIAR, 1986).

de modo acelerado, capacitado assim para garantir a efetivação desse processo, como pontua Aguiar (1986).

Porém, é sob este contexto que se deve observar que a modernização da agricultura surge num momento político extremamente delicado no Brasil, que se manifestava através da ditadura militar. Surgiram neste período os interesses da tríplice aliança formada pelo Estado, grandes empresas de capital nacional e internacional, que foram fundamentais para a consolidação do processo da modernização.

Com base nas orientações para um “desenvolvimento da agricultura”, uma das primeiras medidas tomadas nesse período foi a criação do Estatuto da Terra, pela Lei nº 4504 (30 de novembro de 1964), que objetivou a modernização do campo mediante o aumento da produção e da produtividade. Silva vem afirmar que a partir daí a paisagem rural mudou radicalmente, uma vez que:

(...) milhares de máquinas, tratores e insumos agrícolas substituíram paulatinamente a maneira de produzir até então existente. A modernização da agricultura significou basicamente o aumento e a consolidação da expansão capitalista, cujo resultado foi a chamada industrialização do campo, com a presença de grandes empresas nacionais e internacionais e a concentração acelerada do capital e da renda. (SILVA, 2010, p. 21). Ao ser aprovado o Estatuto da Terra, os governos estaduais formularam novas leis sobre a questão fundiária que objetivou colocar em prática o modelo de modernização. A título de exemplo, convém citar o Art. 7º da referida lei que tratava de legitimar as terras consideradas devolutas, isto é, públicas. Grande parte das terras nos diferentes estados brasileiros eram devolutas, ou eram posses não legitimadas pela lei; isto é, eram terras cujos proprietários não possuíam a escritura legalizada. Para que os posseiros pudessem regularizar suas posses exigiu-se um pagamento pela escritura e que fosse de boa-fé dos ocupantes.

O Estado não raramente lançava mão da lei para promover a modernização agrícola, o que legitimava a tomada das terras dos pobres do campo. De acordo com Silva (2004), os compradores57 destas terras agiram dentro da lei e da ordem, que representava a manutenção do status quo, isto é, o conservadorismo social e político agrário.

Na verdade, o resultado deste processo foi uma emigração imediata de milhares58 de agricultores, sem contar a violência por que passavam. Decorre disso também, que os métodos empregados eram “as tomadas de terras, dos instrumentos de trabalho, a destruição das casas e a implantação de leis severas que obrigavam os espoliados a vender a força de trabalho na condição de proletários para os donos das manufaturas e indústrias.” (SILVA, 2004, p. 27). Isto teve como consequência o aumento da concentração da propriedade da terra, a redução dos espaços territoriais ocupados por arrendatários e posseiros como também de outros pequenos produtores e a ocorrência de um impressionante êxodo rural – em que aproximadamente 30 milhões de pessoas deixaram o campo entre 1960 a 1980 – onde dez cidades tiveram um incremento populacional equivalente a mais de dois quintos de todo o crescimento do país, conforme Martine e Garcia (1987, p. 11).

A questão do Estatuto da Terra veio em resposta a duas ordens: de um lado, os movimentos sociais do campo, principalmente do nordeste que alavancaram uma mobilização popular reformista dos anos 50 e 60, processos estancados pelo golpe de 1964 e, de outro, a pressão norte-americana pela adoção de um programa de reformas para o campo. Diante da necessidade dos militares darem respostas à modernização rural “dentro da lei e da ordem” reagiram e destroçaram os movimentos camponeses organizados, o que aliás foi realizado com muito sucesso.

A política fundiária que marcou o período militar caracterizou-se pela não implantação da reforma possibilitada pelo Estatuto. Isso se verificou diante do ponto de vista da população sem terra, com pouca terra e/ou acesso precário a ela, quando as avaliações efetuadas nestes programas mostraram a ineficácia da ação governamental. O acesso precário à terra, a insuficiência de terra, as falhas das políticas de apoio (crédito, fomento, extensão rural) como também as relações sociais predominantes nas áreas, foram as principais causas para o fraco desempenho das intervenções governamentais junto ao setor dos pequenos produtores. (SILVA, 1997).

Nos governos posteriores, após o fim da ditadura militar e com o advento da chamada “Nova República”, os diferentes governos tiveram poucos avanços na política fundiária, fato que mostrou que nada de tão relevante ocorreu ou ocorrerá no

trato e na conceituação da questão agrária por parte das autoridades governamentais.

Assim, a agricultura brasileira que parte de um processo de industrialização e modernização passou do complexo rural para um complexo agroindustrial e dificultou o estabelecimento de limites entre os setores da economia.

Nesta compreensão, a agricultura passou a ser incorporada mais estritamente ao processo de acumulação capitalista e possibilitou o surgimento do complexo agroindustrial com o capital industrial e financeiro para encontrar novas formas de realização dentro da agricultura, gerador de novas demandas que transformou o produto do campo em mercadoria.

Tornam-se então significativas as transformações que se manifestaram na agricultura, decorrentes de um modelo agrícola imposto ao campo, mas que foi praticamente concebido nas cidades ao atender aos interesses de determinados setores da sociedade urbana, nacional e transnacional afetou profundamente as relações do meio rural/agrícola. Verifica-se nesse processo, uma macro direção que transforma as diferentes formas de vida e de trabalho, subordinadas ao capital industrial59, local, nacional e internacional o que modificou toda a estrutura rural.

Sobre isso afirma Vitule,

Pode-se pensar a modernização da agricultura em termos de um processo social, histórico, econômico, político e cultural que alcança as diferentes formas de vida e de trabalho não com a mesma intensidade, nem ao mesmo tempo, nem no mesmo espaço [...] a modernização agrícola brasileira é um processo longo, contraditório, heterogêneo e como processo, ainda está em curso. (1997, p. 46).

Estas expressões se confirmam ao observar que a modernização com seu caráter de ampliação de produtividade não afetou a todos os agricultores de forma igual60, pois, continua ainda parcial tanto em termos de regiões e de tipo de produtores e/ou produto. A modernização não afetou todo o processo produtivo, isto quer dizer que a concentração maior ocorreu na fase de preparo do solo e dos tratos

59 O capital industrial reestrutura e integra o espaço rural, fator que ocorre na inovação industrial e

técnica da agricultura e amplia o mercado, aumenta a produtividade agrícola e, consequentemente, transforma a economia política do campo.

60 A desigualdade é o traço mais constante do processo e do ritmo da modernização, pois a

intensidade destes processos – aprofundamento das relações mercantis e ampliação do uso de inovações técnicas – traduziu o caráter excludente e parcial da distribuição dos mesmos, como ressalta Aguiar (1986).

culturais61, seja pela via de substituição da força humana e/ou manual pela mecânica – os tratores – seja pela via de introdução de insumos químicos – fertilizantes e defensivos em geral (inseticidas, fungicidas e herbicidas) – o que não se ampliou a todos os produtores agrícolas, mas sim para os que tiveram acesso principalmente ao crédito rural.

O crédito rural62 foi propulsor da modernidade como elemento chave. Funcionou como alavanca de aceleração do processo de modernização da agricultura brasileira. Montado a nível nacional em 1965, operacionalizado em 1967, o sistema de crédito rural para custeio e investimento a juros subsidiados tornou-se o agente catalisador, a condição necessária da modernização da agricultura, como define Graziano da Silva (1983, p. 29).

Sabe-se que esta política de crédito privilegiou os grandes produtores em detrimento aos pequenos, pois o acesso ao crédito bancário dependia da garantia proporcionada pela posse da terra, isto é, quanto maior a propriedade de terra, maior era a disponibilidade de recursos creditícios. Como tais recursos não tinham acompanhamento e fiscalização mínima, o recurso era utilizado para as mais diversas finalidades, inclusive para a aquisição de mais terras.

As mudanças que ocorreram na estrutura de crédito, na adoção de um padrão de tecnologia moderna e no destino da produção, também influenciaram e modificaram a estrutura fundiária; ainda fizeram com que a especulação fundiária “desencadeada pela escala de produção do novo modelo como pelos mecanismos creditícios e fiscais, investimentos do governo, também contribuiu para a expulsão de posseiros e de todo tipo de pequenos produtores.” (MARTINE e GARCIA, 1987, p. 33).

No entanto, não se pode deixar de relembrar que as transformações da agricultura na década de 1950/60, provocaram reações em vários setores da sociedade que se mobilizaram para combater e frear os problemas consequentes desta modernização.

Um dos primeiros atores no movimento de luta pela terra no Brasil, foram as Ligas Camponesas que se organizam em resposta à realidade imposta pelo modelo

61 A agricultura brasileira exigiu um aumento de produção e produtividade, reforçando à erradicação de certas culturas e sua substituição por outras, com maior demanda no mercado internacional.

62 A institucionalização desse crédito ocorreu pelo Decreto nº 58.380 em 1966, fornecendo a base

legal para o aumento vertiginoso no número de contratos e no valor de financiamentos concedidos. (MARTINE e GARCIA, 1987).

de produção vigente, caracterizado pelo antagonismo de classes e domínio do grande latifundiário. Impulsionados pelas Ligas ocorre nos anos 1960 a 1970, a formação de vários movimentos sociais rurais brasileiros.

Com o desenvolvimento das Ligas Camponesas63, associações de caráter regional ou local, fundadas com base no Código Civil, em Pernambuco e em todo o nordeste, encorajou-se a mobilização dos agricultores e trabalhadores rurais de todo país e acenderam a chama da revolução social no Brasil, na época que não havia nenhum setor com influência significativa que levantasse uma política consequente de aliança entre operários e trabalhadores do campo para a tomada de poder. (SILVA, 2010).

Evidentemente, tal desenvolvimento político não deixou de ser acompanhado e combatido pela classe dominante, tanto antes como depois do golpe de Estado. A repressão e a violência dirigidas às ligas e ao movimento dos trabalhadores do campo em geral foi brutal em todo período, organizada pelas forças repressivas estatais como pelos bandos armados sustentados pelos grandes proprietários de terra.

De âmbito nacional, em 1963, iniciaram as atividades da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), criada no Rio de Janeiro, como resultado da formação de sindicatos rurais64 e como resultante dos direitos do Estatuto do Trabalhador Rural.

O Estatuto do Trabalhador Rural65 votado em 1963, cujas leis trabalhistas eram vigentes desde 1943, estendia-se aos trabalhadores do campo. Com o Estatuto garantia-se que os vínculos de trabalho fossem contratuais e não mais vínculos de dependência pessoal, de favor, concretizando assim, a modernização das relações de trabalho no campo.

63 No final da etapa revolucionária 1961-64, as Ligas começaram a perder espaço para o Partido

Comunista Brasileiro e a Igreja, que num período posterior os principais dirigentes do processo de luta, as Ligas, o PCB e a Igreja também entraram em conflito, de acordo com Silva (2010).

64Em todo país, com o impulso do governo federal, o número de sindicatos rurais reconhecidos pelo Estado passou de 06 em 1961 para 60 em 1962, e 272 no início de 1963, saltando para 1300 nas vésperas do golpe contrarrevolucionário de abril.

65 Diante do período histórico que se encontrava o país, os trabalhadores rurais encontravam-se

alijados do processo político em virtude da ideologia dominante que os representava como portadores do atraso. Assim, os grupos políticos que defenderam o estatuto levaram em conta tão somente as questões trabalhistas e não a posse de terra. Assim, os parceiros, arrendatários, colonos e moradores que tinham direito a pequenas roças não tiveram os interesses contemplados nesta lei. (SILVA, 2004).

A relação do contrato presente na lei determinava que o empregador era obrigado a pagar 27,1% sobre cada jornada dos trabalhadores permanentes que correspondia aos gastos sociais. Esta condição que viria como uma alternativa de regularizar a força de trabalho no campo teve um desdobramento contrário, ou seja, os trabalhadores das fazendas foram despedidos por se tornarem onerosos e em seguida, foram contratados como volantes, por se constituírem força de trabalho mais barata, já que os gastos sociais não seriam computados. (SILVA, 2004).

O Estatuto tornou-se um instrumento legal para a expulsão dos trabalhadores que ao invés de melhorar as condições de vida representou justamente o contrário, intensificou a exploração. Restava agora definir o trabalho volante para não explorar ainda mais o trabalhador rural, mas a lei (nº 6019)66 que o ampararia chegou somente em 1978. A Lei definiu que o trabalhador volante não poderia ultrapassar noventa dias no trabalho e não teria nenhum benefício da legislação trabalhista. Isto representou um golpe mortal para os sistemas de parceria, arrendamento, colonato e do morador.

Esta nova forma de regulação do trabalho volante criou a figura do “boia- fria”67 – que expulsos do campo dirigiram-se à periferia das cidades – para serem em seguida, serem contratados pelos proprietários na condição de volantes; porém, sem nenhum direito, remunerados na condição de diarista.

É neste contexto, que em 1965, foi criada a portaria do Ministério do Trabalho para representar apenas duas categorias de enquadramento sindical no campo. Uma constituída pelos sindicatos dos trabalhadores rurais (assalariados, parceiros, arrendatários, pequenos proprietários) e outra composta pelos sindicatos

Benzer Belgeler