Vitamin D in a Nutshell
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O Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982, que regulamenta a Lei nº 6.494/1977 e dispõe sobre o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino superior e de 2o grau regular e supletivo, faz referência ao estágio curricular, como transcrito no artigo 2°:
Considera-se estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino (BRASIL, 1982).
Conforme o disposto, a realização dos estágios prevê a participação em situações reais de vida e de trabalho; nesse sentido, acredita-se que a aproximação do futuro professor a partir de uma permanência contínua em seu futuro ambiente de
trabalho, ou seja, a instituição escolar, poderia favorecer a reflexão crítica acerca do observado e do vivido pelo estagiário, conduzindo-o a uma problematização da realidade por meio de questionamentos e propostas de ação.
O Parecer nº CNE/CP n° 28, aprovado em 02 de outubro de 2001, que estabelece a duração e a carga horária dos cursos de Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, considera o estágio como componente curricular obrigatório, conforme segue:
(...) o estágio curricular supervisionado de ensino entendido como o tempo de aprendizagem que, através de um período de permanência, alguém se demora em algum lugar ou ofício para aprender a prática do mesmo e depois poder exercer uma profissão ou ofício. Assim o estágio curricular supervisionado supõe uma relação pedagógica entre alguém que já é um profissional reconhecido em um ambiente institucional de trabalho e um aluno estagiário (BRASIL, 2001b).
Verifica-se no texto do Parecer a ênfase ao aspecto prático da docência, desvinculado de qualquer ação que conduza a uma análise ou reflexão dos contextos educacionais mais amplos, como os objetivos propostos para o ensino, as condições de trabalho em que se realizam, a organização de um processo de avaliação da aprendizagem, a organização curricular concebida no projeto pedagógico da escola e a concepção de gestão assumida na instituição escolar, entre outras dimensões que envolvem o contexto da realidade educacional.
Embora na sequência do Parecer se encontre a indicação para acompanhar alguns aspectos da vida escolar do aluno, como por exemplo, a organização das turmas e a elaboração do projeto pedagógico, a dimensão reflexiva orientada pelos aportes teóricos não se evidencia.
E ainda, não se considera a possibilidade de as atividades de estágio estarem restritas à sala de aula e à observação de um “modelo” por imposição dos professores regentes ou da direção da escola. Com isso, os estagiários podem não ter a possibilidade de participar de ações que os aproximem da prática docente, como
relataram estudantes dos cursos de formação de professores nos quais esta pesquisadora desenvolveu suas funções como docente.
O Parecer CNE/CP n° 9, aprovado em 08 de maio de 2001, que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena, ao explicitar as questões a serem enfrentadas na formação de professores, destaca a concepção restrita de prática, propondo-a como componente curricular, presente nos cursos de formação de professores tanto “nos momentos em que se trabalha a reflexão sobre a atividade profissional, como durante o estágio, nos momentos em que se exercita a atividade profissional.”
No entanto, parece não haver clareza do que representa a prática como componente curricular, conforme expressa o Parecer CNE/CP n° 2/2002, pois os estudos de Campos (2006), realizados em instituições formadoras, apontam dificuldades por parte dos professores formadores na compreensão dessa prática; e ainda, Perentelli (2008) ressalta a necessidade de se realizarem estudos no sentido de verificar como essa prática poderia contribuir com a formação de professores.
Uma das questões a serem enfrentadas na formação de professores, prevista no Parecer CNE/CP n° 9/2001, é a realização do estágio geralmente de forma pontual e descontínua.
(...) a organização do tempo dos estágios, geralmente curtos e pontuais: é muito diferente observar um dia de aula numa classe uma vez por semana, por exemplo, e poder acompanhar a rotina do trabalho pedagógico durante um período contínuo em que se pode ver o desenvolvimento das propostas, a dinâmica do grupo e da própria escola e outros aspectos não observáveis em estágios pontuais (BRASIL,2001a).
Nesse sentido, as alternativas que procuram estabelecer uma relação de continuidade, de inserção do futuro professor no contexto da realidade educacional,
poderiam contribuir para a construção de sua identidade profissional e o fortalecimento da competência docente, ideias fundamentais na formação de professores.
Por isso, defende-se nesta tese a ressignificação dos estágios nos cursos de Pedagogia, pois se acredita que alguns aspectos, como a permanência do futuro professor na escola campo de atuação, a bolsa de estudos que recebe e a orientação de professores formadores, como prevê o Programa Bolsa Formação, poderiam trazer alguns indicativos para se pensar o estágio na formação de professores.
Dessa forma, uma das características que se propõe neste estudo é a realização dos estágios por um período contínuo, o que difere de um período prolongado.
O estágio por um período prolongado pode se caracterizar por momentos esporádicos que se estendem durante um ano letivo, sem necessariamente o estagiário permanecer ininterruptamente acompanhando a sequência do processo educativo num encadeamento de ações que culminam na aprendizagem do aluno. Por esse motivo, optou-se por considerar nesta tese o termo período contínuo ao se referir à realização de estágios.
Entende-se por estágio realizado em um período contínuo o estágio caracterizado por um período seguido, permanente, sem lacunas entre dias e semanas, em que o estagiário acompanha uma turma de modo que possa ter condições de participar e compreender a complexidade do processo de ensino e aprendizagem, perceber os avanços que os alunos realizam, como se desenvolvem as reuniões pedagógicas, entre outras ações da docência. Isso poderia ocorrer, por exemplo, com a concentração do estágio durante alguns meses do curso de acordo com a carga horária destinada para o semestre letivo.
O estágio no curso de Pedagogia, segundo os documentos que o regem, ou seja, Parecer CNE/CP nº 5/2005, Parecer CNE/CP nº 3/2006 e Resolução CNE/CP nº 1/2006, está definido com uma carga horária de 300 (trezentas) horas a serem realizadas ao longo do curso, dedicadas prioritariamente à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental, ou, conforme o projeto pedagógico da IES, contempla outras áreas específicas.
As 300 (trezentas) horas destinadas ao estágio geralmente são organizadas e distribuídas pelas IES durante todo o curso de Pedagogia, ficando aproximadamente 100 (cem) horas para cada ano letivo.
As horas destinadas ao estágio realizadas ao longo do ano poderiam favorecer a fragmentação do cotidiano da vida escolar uma vez que o futuro professor pode realizar suas atividades esporadicamente em dias e semanas alternados durante todo o ano letivo.
Convém ressaltar que as horas destinadas ao estágio dos cursos de formação de professores envolvidos no Programa Bolsa Formação - Pedagogia21 e Letras22 seguem Diretrizes Curriculares Nacionais específicas. Dessa forma, a carga horária semanal destinada às atividades desenvolvidas pelos alunos pesquisadores no âmbito do Programa Bolsa Formação não poderiam ser incorporadas às horas do estágio, pois são situações legalmente distintas.
O Parecer CNE/CP nº 5/2005, que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia, apresenta as legislações que fundamentam o documento e o processo histórico do Curso de Pedagogia, bem como as finalidades, princípios, objetivos, perfil do egresso, organização e duração do curso a que se destina.
Estruturado em três núcleos, o documento prevê para o Curso de Pedagogia a realização de
(...) experiências cada vez mais complexas e abrangentes de construção de referências teórico-metodológicas próprias da docência, além de oportunizar a inserção na realidade social e laboral de sua formação. Por isso, as práticas docentes deverão ocorrer ao longo do curso, desde seu início (BRASIL,2005).
Assim, diante da flexibilidade prevista para a realização das práticas docentes, pode-se pensar em possibilidades para ressignificar os estágios nos cursos de
21 Resolução CNE/CP n° 1, de 15 de maio de 2006. 22 Resolução CNE/CES n° 18, de 13 de março de 2002.
formação de professores, pois a legislação traz para esse estudo a sustentação legal, e o Programa Bolsa Formação pode oferecer elementos mais concretos que permitam a realização dos estágios nos cursos de Pedagogia de um modo diferente do que vem ocorrendo.