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Grade 1:Yapısal olarak fokal veya generalize arterioler vazokonstriksiyon Grade 2 :Arteriovenöz çaprazlanma (Gunn Arazı)

2.3. Arteriyel Sertlik

2.3.4. Arteriyel Sertlik İndeksler

O Édipo é a principal referência sobre a família no texto freudiano. De acordo com Roudinesco e Plon (1998), o complexo de Édipo é uma noção central em psicanálise que introduz a universalidade da interdição do incesto. É a representação inconsciente pela qual se exprime o desejo sexual ou amoroso da criança pelo genitor do sexo oposto e sua hostilidade para com o genitor do mesmo sexo. O Édipo designa o complexo definido por Freud como o mito fundador sobre o qual repousa a doutrina psicanalítica como elucidação do psiquismo humano.

A teoria do Édipo e o reconhecimento de sua amplitude dentro da Psicanálise foram sendo elaboradas ao longo da obra freudiana. De acordo com Bleichmar (1984), existem em Freud três momentos de elaboração e teorização em relação ao Édipo.

A primeira elaboração sobre o Édipo está localizada em textos dos primórdios da Psicanálise, tais como a Carta de 15 de outubro de 1887 enviada a Fliess, o texto “Sobre a morte de pessoas queridas”, que faz parte da obra A interpretação dos sonhos,

de 1900 e o texto Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens, de 1910.

Nesse primeiro momento, Freud descreve a vivência subjetiva do Édipo com o reconhecimento de que na subjetividade, tanto dele como de todos os sujeitos, estariam presentes os elementos que compõem a tragédia grega. Desse modo, descreve o desejo amoroso pelo progenitor do sexo oposto e o desejo hostil em relação ao progenitor do mesmo sexo, desejo hostil que culmina no da morte. Trata-se, portanto, do Édipo pensado como um conjunto de sentimentos, de aptidões, de emoções, de ideias que existem no menino e que orientam sua relação frente a seus pais. É no trabalho Um tipo

especial de escolha de objeto feita pelos homens (1910) que Freud cunhou pela primeira

vez a expressão complexo de Édipo. Ele toma emprestado de Jung o termo complexo fazendo referência ao conjunto de ideias carregadas afetivamente e que era capaz de conduzir o curso associativo do pensamento. Esse conjunto de ideias esperaria apenas um estímulo que fosse capaz de ativá-las. Nessa explicação está presente uma concepção de estrutura e de funcionamento psíquico, uma vez que, com o termo complexo, diz Bleichmar (1984), Freud estava estabelecendo o próprio funcionamento do inconsciente: algo que existe no sujeito se atualiza frente a um elemento externo que age como um disparador e evoca aquilo que lutava para emergir. O complexo de Édipo, em seu primeiro tempo de elaboração freudiana, orienta a sexualidade infantil e suas emoções. Nesse momento, o complexo de Édipo está centrado no menino e a evolução da sexualidade seria de natureza biológica e predeterminada. Essa teorização ainda não esclarece como o desejo se constitui e nem o papel que os pais têm nessa construção. Portanto, esse ainda não é um Édipo estruturante. Contudo, Freud antecipa essa elaboração do Édipo como estruturante, no sentido da primeira tópica8, já que ele contribui para a constituição do inconsciente na medida em que estabelece o mecanismo do recalque, ou seja, um movimento de expurgar da consciência do sujeito aquilo que lhe causa repugnância.

De acordo com Bleichmar (1984), encontramos a segunda elaboração do Édipo no capítulo VII, nomeado “Identificações”, de Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921) e no capítulo III – “O ego e o superego” - de O Ego e o Id (1923) e em A

dissolução do complexo de Édipo (1923). Nesse momento, Freud entende que o Édipo é

estruturante do sujeito. Expõe o que acontece durante o período edípico e o torna complexo, demonstrando a existência de uma ambivalência em relação a ambos os pais.

8 Primeira tópica diz respeito ao modo como Freud explicou o aparelho psíquico por meio de uma

A saída do Édipo aconteceria com as identificações, principalmente para o menino, que renuncia ao desejo incestuoso pela mãe na promessa de um dia ser um homem como o pai. Em consequência do que acontece no Édipo, o sujeito sai com determinadas identificações e com a sua identidade sexual. A identidade sexual já não é um dado natural e sim algo que se deve assumir. Portanto, algo distinto da determinação biológica. Como consequência destas identificações na saída do Édipo forma-se o supereu, como herdeiro do complexo de Édipo. Um modo, como nos diz Freud em O

Ego e o Superego (1923), de internalizar a autoridade do pai. O Édipo adquire aqui um

caráter mais estruturante do psiquismo. Já não aparece somente constituindo o mecanismo do recalque, mas integrando toda a arquitetônica do sujeito. Desse modo, o sujeito constitui-se no seio da situação edípica. Ele é uma condição estruturante porque não há um sujeito que preexista à relação com os pais. Assim, o Édipo torna inteligível o processo pelo qual se passa do biológico ao cultural, mas também explica os mecanismos de funcionamento psíquico, entre eles, os mecanismos de defesa.

Ainda de acordo com Bleichmar (1984), em sua terceira e última elaboração sobre o Édipo acompanhamos um avanço importante no pensamento freudiano. A partir dos textos A organização genital infantil: uma interpolação à teoria da sexualidade (1923) e Sexualidade feminina (1931), Freud descobre, diferentemente do que pensava, que não há uma simetria do Édipo nos dois sexos. Estabelece uma diferença do Édipo no menino para o Édipo na menina e transforma o complexo de castração em seu pivô. Entretanto, tem dificuldades em elucidar o Édipo nas mulheres no tocante à sexualidade feminina e ao modo como um sujeito pode tornar-se uma mulher. Postula a existência de um pré-Édipo nas mulheres referindo-se a uma relação primitiva e intensa de uma menina com sua mãe. Essa relação que ficaria soterrada pelos processos de recalcamento deixa um resto que se atualizará na relação com os homens. De acordo com Freud, a feminilidade se enraíza na relação pré-edípica da mulher com sua mãe, como um modo de recuperar um gozo perdido. A saída do Édipo para a menina constitui-se na busca do falo, por meio de um filho, no pai e posteriormente no homem. Portanto, Freud associa a mulher à mãe, acreditando que o destino normal para a mulher seria a maternidade. A maternidade seria uma solução fálica do lado mulher, porém, como nos aponta Miller (1998), não é a única. Quando essa solução funciona, a mãe se torna dividida entre mãe e mulher. Assim, a mulher não se arranja totalmente sob o

significante mãe, ficando uma parte de seu ser sem resposta. O desejo da mulher e o desejo da mãe se vinculam e o feminino impõe um limite ao materno.

Portanto, entramos em um ponto de grande importância e complexidade da teoria psicanalítica: a sexualidade feminina, sua relação com a falta e a busca de substitutos fálicos, entre eles, a criança. É por isso que a psicanálise com crianças nos ensina que todo tratamento da criança tem com princípio a investigação da sexualidade feminina, ou seja, o modo como a mãe se relaciona com sua falta e a possibilidade de fazer ou não da criança o objeto que satura essa falta. (Miller, 1995).

Freud então estabelece a partir do mito de Édipo os elementos que regulam as relações entre a mãe, o pai, a criança e o falo.

Como nos diz Lacan em O mito individual do neurótico (1953), o mito edipiano se situa no coração da experiência analítica e acrescenta que nele se trata sempre da tensão entre a imagem degradada do pai e a do mestre. Lembra-nos que o mito confere uma fórmula discursiva a qualquer coisa que não pode ser transmitida na definição da verdade. Indica uma representação objetivada de um feito, exprimindo de forma imaginária as relações fundamentais características da subjetividade de uma época. Desse modo, a história Edípica de um sujeito nos informa sobre a constelação originária que presidiu o seu nascimento. Essa constelação é formada na tradução da trama familiar pela narração dos traços que especificam a união dos pais. Uma espécie de pré- história que constitui as relações familiares fundamentais que estruturam a união de seus pais e que aparece como sendo o mais contingente, o mais fantasmático. Este cenário fantasmático apresenta-se como um pequeno drama que Lacan nomeia como o mito individual do neurótico. Ele reflete, portanto, a relação inaugural entre o pai, a mãe e o personagem.

O Édipo, como bem nomeou Lacan, é um mito do neurótico. Uma ficção produzida diante do encontro com a ausência da relação sexual, com a impossibilidade de harmonia do casal parental. É a neurose produzida como resposta ao que se encontra no seio familiar: um gozo que não pode ser contornado com as palavras e não pode recobrir a ausência da relação sexual. É, entretanto, uma ficção que estrutura a subjetividade, sendo, portanto, estruturante do sujeito e do próprio inconsciente. (Bleichmar, 1984)

Desse modo, o Édipo permite ao sujeito orientar-se em relação às estruturas de parentesco e agir no campo das normatizações sexuais e matrimoniais que se estabelecem nas diferentes sociedades.

Benzer Belgeler