Grade 1:Yapısal olarak fokal veya generalize arterioler vazokonstriksiyon Grade 2 :Arteriovenöz çaprazlanma (Gunn Arazı)
2.3. Arteriyel Sertlik
2.3.8. Arteriyel Sertliği Etkileyen Değişkenler
Para Lacan, em Os complexos familiares na formação do indivíduo (1938), a família humana desempenha um papel primordial na transmissão da cultura. A família prevalece na primeira educação, na repressão dos instintos, na aquisição da língua chamada materna. Ela preside os processos fundamentais do desenvolvimento psíquico e transmite estruturas de comportamento e de representação cujo jogo ultrapassa os limites da consciência. Estabelece entre as gerações uma continuidade psíquica cuja
causalidade é de ordem mental. Em toda família há proibições, leis, autoridade, modo de parentesco, regras de herança e sucessão. Lembra-nos o autor que esses modos de parentesco são constituídos menos conforme os laços naturais e de consanguinidade, mas a partir de ritos que legitimam e criam os laços fictícios.
Para ele, a família moderna é resultado de uma contração da instituição familiar que sofreu um profundo remanejamento até sua forma atual, movida principalmente pelas mudanças ocorridas na instituição do casamento, ou melhor, no regime de alianças.
De acordo com Zafiropoulos (2002), Lacan nesse artigo apresentará a história da família partindo da sociologia durkheimiana, apontando como sua contração institucional foi produzida sob a influência crescente do matrimônio. Ocorre assim a redução das formas primitivas da família às formas estreitas da “família conjugal”. De acordo com o autor, Durkheim em 1892 aponta a existência de um novo tipo familiar, resultante da contração da família paternalista. Trata-se da família conjugal que inclui o marido, a mulher e os filhos menores e solteiros. Essa nova organização familiar produz uma importante limitação dos direitos do pai, colocando em relevo a decadência do seu poder, além de seu declínio jurídico e de sua autoridade. Para Durkheim o declínio da autoridade do pai é fruto da queda que afeta o poder social do grupo familiar e sua amplitude. Para o sociólogo, a história da família parte de um hipotético comunismo primitivo até a sua contração, na forma conjugal. Na medida em que a família vai ampliando suas relações com o meio social, ela deve contrair-se para conservar a possibilidade de manejar seus conflitos internos e sua própria capacidade de reprodução. Modifica-se então o tamanho do grupo familiar, sua constituição, seu vínculo com os bens e a situação das relações existentes entre seus integrantes.
Portanto, Lacan toma de Durkheim o termo família conjugal para designar a instituição família moderna. O termo conjugal colocou o acento sobre o laço, a união, a relação entre o pai e a mãe. Assim, o matrimônio torna-se o último operador simbólico de produção dos laços familiares. O valor do matrimônio passa então a ser precioso porque residual da complexidade resultante da evolução das formas primitivas amplas da família, até sua forma paternalista e por fim sua forma reduzida moderna e conjugal. Permanece então, na história da evolução das famílias, esse resto conjugal10.
10 Esse resto conjugal será retomado por Lacan em Notas sobre a criança (1969) com o termo resíduo.
Ao mesmo tempo, tentando romper com uma leitura biológica da família, Lacan lança mão do conceito de complexo que, para ele, pertence ao domínio da cultura e do inconsciente.
De acordo com Miller (2005), Lacan, nesse texto ainda pré-psicanalítico, demonstra como não há instinto no homem, valorizando o que chama sua dimensão de cultura11. Tudo isso é o que nos permite relativizar as diferentes formas familiares, uma vez que, ao contrário do instinto que torna invariável a existência de um ser, a cultura é o que torna infinitas as variações nos modos de organização e vivência humana. Isso significa que, se as relações familiares não estão definidas pelo instinto, há lugar para a invenção humana, para a invenção do simbólico, precisamente porque nesse lugar nada está escrito a priori. Toma, portanto, o artifício, a invenção como aquilo que regulamenta e regula a existência humana.
Portanto, para Lacan, a família não é dominada por comportamentos biológicos, mas estruturada por complexos simbólicos. Ele isola três complexos: o complexo de desmame que organiza as relações entre a mãe e a criança; o complexo de intrusão que organiza a relação entre a mãe, a criança e o rival imaginário; e o complexo de Édipo, que organiza a relação entre a mãe, a criança e a imago paterna, introduzindo aí algo correlato a um obstáculo. O complexo de Édipo é o herdeiro histórico da família paternalista. É uma invenção da psicanálise que coincide com o declínio da imago paterna.
De acordo com Lucci (2007), nesse momento de sua elaboração Lacan introduz a família no discurso do mestre: a família é veículo do discurso do domínio, se transmite pela via da tradição dos ideais. A família como efeito de linguagem constitui- se como um dispositivo de proibições, ideais, emblemas, cultura e um nome.
Um avanço no modo de pensar a família aparece em Lacan no texto Nota sobre
a criança (1969). Ele afirma:
A função de resíduo exercida (e, ao mesmo tempo, mantida) pela família conjugal na evolução das sociedades destaca a irredutibilidade de uma transmissão – que é de outra ordem que não a da vida segundo as satisfações das necessidades, mas é de uma constituição subjetiva, implicando a relação com um desejo que não seja anônimo (LACAN
[1969] 2003, p.369).
ou não. Trata-se da ausência da relação sexual, ou seja, a ausência de complementaridade entre os sexos, o mal-entendido estrutural entre os parceiros.
11
Alguns pontos merecem ser destacados nessa afirmação. Apontando o fracasso das utopias comunitárias que supunham poder dispensar a família na constituição psíquica, Lacan afirma que há uma função de resíduo exercida pela família, a despeito de todas as transformações em sua forma de organização, que garante a ela uma transmissão irredutível. Portanto, a existência dessas utopias não impede a presença de algo irredutível nas posições de pai e de mãe. Essa transmissão não é da ordem das necessidades e da realidade e sim de uma dimensão simbólica, mais precisamente, de
um desejo que não seja anônimo. E acrescenta a seguir:
É por tal necessidade que se julgam as funções da mãe e do pai. Da mãe, na medida em que seus cuidados trazem a marca de um interesse particularizado, nem que seja por intermédio de suas próprias faltas. Do pai, na medida em que seu nome é o vetor de uma encarnação da Lei no desejo. (LACAN [1969] 2003, p.369).
Desse modo, ele desloca a família como lugar de uma transmissão da cultura para um dispositivo de transmissão do desejo e de contenção do gozo, ou seja, de transmissão da castração.
De acordo com Asnoun (1995), a família faz um chamamento para um elemento simbólico, o patronímico. O patronímico é a transmissão de um nome e supõe a existência de um operador lógico. A transmissão desse nome permite diferenciar as gerações, faz valer a construção de uma série construindo a lógica da sucessão das gerações. Torna-se possível deduzir que a família é a consequência da lógica da linguagem e uma entidade que encontra sua definição em termos de discurso e de laço social.
Além disso, a autora nos lembra que a metáfora paterna, tal como proposta por Lacan, constitui-se como a escritura da fórmula da família como dispositivo de transmissão de um desejo que introduz o sujeito na significação fálica. Na substituição significante operada pelo Nome do Pai se produz essa significação, essa localização do falo que deve interessar à mãe além de seu filho para que este escape parcialmente a seu gozo. O sujeito, portanto, se constitui por um lado, com as contingências da vida e, por outro, com os ditos familiares anteriores ao seu nascimento. Ao desejo dos pais, ao que eles queriam ao ter filhos, o sujeito não tem acesso a não ser via uma interpretação.
Portanto, a família, para a psicanálise de orientação lacaniana, não está formada pelos pais e filhos (relações de filiação), e sim pelo significante Nome do Pai, que discutiremos melhor no capítulo seguinte, e o Desejo da Mãe. Para a psicanálise, a
família se constitui como uma estrutura simbólica, que exige a função pai como agente da castração e uma função mãe que, ao ter um interesse particularizado pela criança, aliena-a ao seu desejo. Ela constitui-se, assim, como o lugar do Outro Simbólico, o qual, ao presidir a existência do sujeito, oferece a ele uma constelação de significantes que o permite incluir-se na ordem simbólica. Além disso, ela constitui-se também como o lugar do Outro da Lei, ao instituir a proibição do incesto, exigindo uma parcela de renúncia de satisfação que torna possível a emergência do sujeito desejante (Santiago, 1996).
Assim, apesar dos constantes ataques que sofre enquanto instituição, a família resiste e não pode ser dispensada antes que um sujeito possa servir-se dela como uma estrutura simbólica e lugar do Outro da língua. Como nos diz Sauret (1997, p.87) não
há necessidade de família para fazer filhos, mas para fazer sujeitos, sim. Esses sujeitos,
através de seus sintomas, serão testemunhas desse mal-entendido transmitido pela família.