Ç- GELİR (STOPAJ) VE KURUMLAR (STOPAJ) VERGİSİNDE ARTIRIM
D- KATMA DEĞER VERGİSİNDE ARTIRIM
2- Artırıma İlişkin Yılda Verilmesi Gereken 1 No.lu KDV Beyannamelerinin Bir Kısmını veya Tamamını Vermemiş Olan Mükellefler
É evidente que Kant conhecia muito bem a disciplina denominada Lógica desde seus primórdios gregos até sua versão alemã formalizada academicamente por ele. Ora, qualquer um que possua um bom conhecimento sobre qualquer assunto torna-se capacitado para transitar pelas
74 KANT, 2010, pg. 15. (B VIII).
75 Não confundamos a filosofia pragmática com a filosofia prática; enquanto a primeira diz respeito à observação dos padrões de comportamento humanos, a última concerne à moralidade.
76 FOUCAULT, M. Gênese e estrutura da antropologia de Kant (Tradução: Márcio Alves Fonseca e Salma Tannus Munchall). São Paulo, Ed. Loyola: 2011.
entrelinhas e entranhas da matéria, sendo o senhor do jogo a ser disputado. A principal razão de Kant ter um apreço grande por esta disciplina concerne ao fato de que suas possibilidades, enquanto matéria fundamental, terem sido historicamente negligenciadas. Ao afirmar, acerca da Lógica, que desde Aristóteles tal ciência não avançou, ele quis dizer ao mesmo tempo, que a Lógica comportaria um grande potencial de uso para entendermos nosso período moderno, período no qual a Matemática e, principalmente, a Ciência da natureza tiveram um desenvolvimento abismal. Ora, como é sabido, estas ciências necessitavam determinar seus âmbitos de atuação para ser bem compreendidas, ou melhor, para que por meio delas compreendêssemos a atuação da natureza em nossa volta; enfim, precisavam determinar certo número de regras, a fim de que o entendimento fosse, no mínimo, verossímil, pois “tudo na natureza, tanto no mundo inanimado quanto no vivo, ocorre segundo regras, embora nem sempre conheçamos essas regras.”77
A lógica está tão próxima de nós humanos a ponto de a usarmos mesmo sem nos darmos conta, visto, por exemplo, o caso de nossas línguas correntes. Falamos e entendemos uns aos outros pelo simples motivo de que conhecemos as regras de nossas línguas ou linguagens, muitas vezes de modo inconsciente, por hábito. E mesmo sem conhecermos, formalmente, as regras da nossa gramática, nós falamos. O significado disto diz respeito ao fato de que “não podemos pensar ou usar nosso intelecto a não ser seguindo certas regras.”78 Com isso, já podemos perceber que a Lógica tem a peculiaridade de poder ser pensada enquanto é praticada, uma vez que a inconsciência acerca de seu uso pode ser sanada à medida que tomamos consciência da maneira de uso de certas regras e que nós mesmos somos seres pautados por regras desde o mais tenro pensamento:
Todas as regras segundo as quais o intelecto procede são regras necessárias (notwendig) ou regras contingentes (zufällig): sem as primeiras, nenhum uso (Gebrauch) do intelecto seria possível; sem as últimas, não seria possível um certo uso determinado. As regras contingentes, por dependerem de um determinado objeto do conhecimento, são tão numerosas quanto esses mesmos objetos [...] As regras deste uso particular e determinado do intelecto (dieses besondern bestimmten verstandesgebrauches) nas mencionadas ciências são contingentes, por ser contingente que eu pense neste ou naquele objeto a que se reportam essas regras particulares
Ora, se pusermos de lado todo o conhecimento que temos de tomar emprestado dos objetos (gegenständen) e refletirmos unicamente sobre o uso do intelecto em geral (den verstandesgebrauch überhaupt), descobriremos aquelas suas regras que são pura e simplesmente necessárias em todo propósito e também sem consideração de todos os objetos particulares do pensamento, porque sem elas não poderíamos de modo algum pensar.79
A essência mesma da Lógica é fornecer as regras necessárias para nosso uso diário e nosso uso investigativo das coisas profundas do mundo, uma vez que “na lógica não se trata de regras 77 KANT, 1992, pg 25.
78 Idem, pg. 27. 79 KANT, 2006, pg. 27
contingentes, mas necessárias, não de como pensamos, mas de como devemos pensar.”80
Assim, fica clara a postura kantiana em relação à Lógica, a saber, a de que esta tem de ser a ciência do a priori que deve conduzir o intelecto em sua jornada para o entendimento do mundo. Com isso, deve ter mais importância a definição mesma de Lógica exposta por Kant como “ciência das leis (Gesetzen) necessárias do intelecto e da razão em geral ou – o que é o mesmo- da mera forma do pensamento em geral.”81
Se fizermos uma metáfora chula, porém esclarecedora, podemos delinear o que seja de fato a Lógica no quadro teórico conceitual de Kant. Tal metáfora é a seguinte: em uma relação básica, a Lógica estaria para o intelecto, assim como o Linux (software livre) estaria para um computador; ou seja, a Lógica é um programa que faz com que o intelecto possa, de fato, funcionar, é o modo como temos para processar os raciocínios, “como uma ciência das leis necessárias do pensamento, sem as quais não há nenhum uso do intelecto e da razão.”82 A Lógica, em sentido estrito, por sua natureza própria, não pode ser um cânone para as ciências específicas por que ela é pura e, desse modo, não pode conter princípios de nenhuma experiência.
Assim, torna-se evidente que uma das questões da Lógica concerne, justamente, a um conhecimento de si do intelecto ou, mais precisamente, como o intelecto se conhece a si mesmo. Para esta questão, como falei, não podemos nos ater a nenhuma experiência, uma vez que tem de ser completamente a priori toda e qualquer alegação relativa a esta ciência do intelecto. A questão posta é respondida de modo autoevidente, pois a Lógica é necessária para conhecer o intelecto e a si mesma, concomitantemente, devido justamente ela ser aquilo que torna possível usar o intelecto em geral. A ciência chamada Lógica não diz respeito, como poderíamos ser levados a pensar, à forma como mera coisa, mas sim concerne à matéria83 (enquanto elementos, princípios) que constitui o pensamento. Com isso, podemos conceituar a Lógica com as palavras de Kant de modo a ratificarmos o que foi, até agora, aventado neste escrito:
A lógica é uma ciência racional não segundo a mera forma, mas segundo a matéria: uma ciência a priori das leis necessárias do pensamento, não, porém, relativamente a objetos particulares, mas a todos os objetos em geral; portanto, uma ciência do uso correto do intelecto e da razão em geral, não, porém, subjetivamente, isto é, segundo princípios empíricos (psicológicos), sobre como o intelecto pensa, mas objetivamente, isto é, segundo princípios a priori, sobre como ele deve pensar.84
Esta relação do intelecto com sua forma em geral concerne justamente à Lógica pura. Esta 80 Idem, p 31.
81 Idem, p 29. 82 Idem.
83 Aqui poderíamos ser levados a erro ao pensar que Kant se refere à matéria neste contexto como aquilo que diz respeito à experiência empírica; se assim fosse, a Lógica de modo algum poderia ser pura em sua constituição íntima e, por conseguinte, comprometeria sua função mesma.
abordagem da Lógica supõe que toda e qualquer aplicação de experiência ao julgamento do pensamento não tenha um papel efetivo, justamente por ser esta a ciência do a priori e, enquanto tal, tem seu papel específico na estrutura do pensamento de Kant. Contudo, o alemão não poderia admitir que o intelecto não dissesse respeito ao mundo, por conta de sua concepção de Filosofia: uma sabedoria do mundo cosmopolita, uma vez que esta diz respeito aos destinos da humanidade, em vista do sumo bem (fim último a que os humanos devem buscar). Desse modo, faz-se necessário reavaliar a Lógica em sua função principal e dar-lhe uma nova abordagem, que, por natureza própria do pensamento de Kant, tem de ser crítica. Eis que vem à tona a Lógica transcendental.