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Arnavutça Dilinde Eğitim Veren “Fatmir BeriĢa” Ġlköğretim Okulu Örgüt

4.2. AraĢtırma Yapılan Okullar

4.2.1. Arnavutça Dilinde Eğitim Veren “Fatmir BeriĢa” Ġlköğretim Okulu Örgüt

A função do direito é regular as relações dos homens entre si, com outros seres e/ou coisas, interessando ao ser humano as relações que envolvem bens juridicamente protegidos, como o meio ambiente e a paisagem. No caso do direito de paisagem, ciência nova, tal como o direito ambiental, o legislador precisa transformar o relacionamento das comunidades, dos administradores e organizadores de território com a paisagem, em normas coercitivas e imposições oficiais, de forma a proteger e regulamentar o acesso à paisagem, sem, contudo, gerar sua imobilidade.

O aumento da complexidade social exige necessariamente modificações no arcabouço jurídico. Não ocorrendo estas modificações o sistema social, a se concluir das opiniões do autor, dessintoniza-se do direito e pode provocar crises sociais agudas, desde que o movimento ultrapasse a complexidade estruturalmente permissível. (BASTOS, 2008, p. 7)

Mas, na verdade, é bem difícil, dentro das questões da paisagem, estudar apenas as normas jurídicas, da mesma forma que estudar a vegetação é impossível sem a análise do clima, do solo, ou seja, sem seus determinantes. As questões ligadas à paisagem, assim como a resolução de seus problemas, desde longo tempo exigem um diálogo entre as diversas ciências, como história, biologia, geografia, economia, filosofia, política, dentre outras. Principalmente as questões jurídicas, que são as que a sociedade exige e necessita respostas especialmente sobre fatos e preocupações que dela surgem e precisam de regramento. O direito efetivamente está sempre um passo atrás da sociedade, protegendo por normas coercitivas o que esta, em seu âmbito, já provou ser merecedor de proteção ou cuja proteção precisa ser regulamentada por estar gerando conflitos, correspondendo ao adágio romano ubi societas, ibi jus79.

Na história do direito, quando um problema chama a atenção do jurista, as normas de início só têm entre si ligação de caráter material. Ou seja, elas surgem inicialmente em campos diversos da ciência jurídica e apenas posteriormente e progressivamente se convertem em uma unidade e formam um

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ramo do direito. Assim ocorreu com o Direito Ambiental, que, ao despertar para a consciência ambiental, devido à constatação da deterioração da qualidade do ambiente, começou a desenvolver uma proteção jurídica dispersa, figurando, nos diversos ramos jurídicos, ora prolongamento do ramo, ora proteção de um componente ambiental, ora algo de preocupação realmente com o meio ambiente como todo, até o surgimento efetivo da ciência jurídica ambiental, ainda pendente de codificação, mas atualmente autônoma.

O Direito de Paisagem está nesse caminho, sendo hoje tratado no Direito Urbanístico, Direito Ambiental, Direito Administrativo, Direito Penal, dentre outros, sem ainda haver uma formação que agrupe essas normas, estabelecendo um ponto jurídico onde elas se encontrem, gerando assim uma nova ciência jurídica.

Dans la pluparte des pays le paysage est simplement mentionné dans plusieurs législations sectorielles comme un elémént à prendre en compte, le plus souvent dans un esprit de conservation et de préservation et donc d’une manière assez figée comme si le paysage devait rester immuable tel un monument historique. Le paysage apparaît dans les lois sur l’aménagement du territoire.80 (PRIEUR, 2006, p. 98)

O Direito de Paisagem surge da mesma forma, mas tem feição diferenciada, pois necessita dos outros segmentos do saber para garantir a efetiva proteção e mediação dos problemas relacionados com a paisagem. Assim, mais que do Direito, faz parte do Contexto de proteção da Paisagem, dialogando com todas as áreas do conhecimento.

Esse novo direito em muito se diferencia dos tradicionais, pois ele protege um novo tipo, que responde a interesses pluri-individuais ou difusos, superando as noções de interesse individual e coletivo. Ele nasce num contexto diferenciado, onde as relações entre os membros da sociedade e destes com o Estado estão se modificando e questionando os modelos econômico, social e inter-relacional: ser humano–mundo existente. Modifica-se, assim, a visão de velhos princípios, como o direito à propriedade privada, separação entre público e privado, contribuindo para a transição de outros, como o direito à vida, e surgimento de novos direitos, como o do bem estar.

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Na maior parte dos países, a paisagem é simplesmente mencionada em várias legislações setoriais como um elemento a ser levado em consideração; mais frequentemente num espírito de conservação e preservação e, portanto, uma maneira imobilizadora, como se a paisagem devesse ficar imutável como um monumento histórico. A paisagem aparece nas leis sobre organização é territorial (tradução nossa).

Como parte das ciências que tratam da paisagem, o Direito de Paisagem deve estar fundado na ética da paisagem, ainda inovadora, mas que segundo Sgard (2010, p. 8):

Signifierait dans ce cas que la relation que chacun vit quotidiennement avec son cadre de vie, relation fondée sur l’appréciation esthétique et le sentiment de bien-être et d’attachement qu’il peut alimenter, font partie de cette recherche de « vie bonne » et que la revendiquer pour toute personne est éthiquement nécessaire.[...] Cette définition permet d’insister sur trois dimensions susceptibles de préciser ce que peut signifier le rapprochement entre éthique et paysage : elle incite à concevoir le paysage comme un bien commun, c'est-à-dire accessible à tous, un bien à transmettre dont chacun est responsable vis-à-vis des générations futures, et un bien dont le devenir relève du vivre-ensemble et de l’équité.81

Como em toda ciência nova, a discussão sobre esse tema ainda é grande. É na ética da paisagem que será possível visualizar o surgimento do direito de paisagem, que advém quando a relação do ser humano com a paisagem chega ao nível de preocupação em conservar essa relação em si e a da paisagem com seus elementos, devido a seu valor intrínseco e não por seu valor econômico, não utilitarista, não religioso. Apenas assim há de se falar em Direito de Paisagem, sendo este o ponto central também na análise da proteção da paisagem.

Vale ressaltar que, proteger apenas os elementos individualmente ou o todo sem especificações no contexto da paisagem se mostra ineficaz em termos de direito de paisagem, pois versaríamos sobre direito ambiental ou direitos humanos. Para tanto, as normas, independentemente de quando foram editadas, se ainda em vigor, devem ser aplicadas e interpretadas pela lente dos princípios da proteção da paisagem, que são a base e o fundamento que vêm sendo construídos para o direito de paisagem e da constituição vigente, que lhes dá coesão e poder de coerção.

Em última instância, a paisagem está relacionada ao direito à vida, e a Constituição brasileira de 1988 vai além, colocando-a como essencial para a

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Significaria neste caso que a relação que cada um vive cotidianamente com sua cadre de vie, relação fundada sobre a apreciação estética e o sentimento de bem estar e de ligação que ele pode nutrir, fazem parte desta pesquisa de bem viver e que reivindicá-la para todas as pessoas é eticamente necessário. [...] Essa definição permite insistir sobre três dimensões suscetíveis de precisar o que pode significar a aproximação entre ética e paisagem: ela incita a conceber a paisagem como um bem comum, isso é, acessível a todos; um bem a transmitir, onde cada um é responsável diretamente pelas futuras gerações; e um bem cujo futuro depende do viver juntos e da equidade (tradução nossa).

qualidade de vida, o bem estar, modificando a noção de direito à vida, que passa a ter um sentido mais amplo que o seu inicial, estabelecido no período liberal. Este é direito fundamental e base da democracia brasileira, donde se supõe que sem a proteção da paisagem não há que se falar em democracia, pois, sem a paisagem, não se efetivam o direito à vida, à cultura e mesmo à democracia, pois uma comunidade sem memória não consegue agregação suficiente para isso.

A proteção jurídica da paisagem, enquanto tal, não é tão recente, já que tem suas raízes no século XIX. Mas que se desligue da estética e se relacione com a identidade nacional é razoavelmente recente e, legalmente, não tem uma configuração internacional adequada, apesar de muitos classificarem a Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural de 1972 como instrumento de proteção da paisagem em âmbito internacional. Permite-se discordar, pois a proteção à paisagem, mesmo nesta Convenção, aparece ainda em segundo plano em relação ao patrimônio histórico e natural, e ainda está interligada à estética.

No Brasil, a proteção da paisagem se inicia com a Constituição de 1937, como veremos a seguir. Neste começo, como se percebe pela análise da norma, “a questão da paisagem se resumira a belezas naturais e os monumentos de valor histórico ou artístico” (BRASIL, 1986). O estabelecido pela referida Constituição restringe em muito a amplitude da proteção, e a falta de um conceito dificulta a ampliação desta ao contexto moderno de desenvolvimento, como a Europa fez com a Convenção Européia de Paisagem de 2000.

Vivencia-se hoje uma abertura à participação comunitária e o aumento no nível de preocupação com os cidadãos e o bem estar, preocupação esta surgida a partir da década de noventa, do século XX, que trouxe uma visão da paisagem muito mais ampla, inclusive tendo sido incluído, no contexto da proteção legal, o cuidado também com a paisagem ordinária. Percebeu-se que não há como proteger ou analisar a paisagem sem levar em consideração a percepção e as mudanças na cultura do ser humano e suas construções culturais. Mas mesmo com toda essa modificação, a proposição legal de um conceito jurídico de paisagem ainda não chegou ao nosso sistema legal, deixando-nos em desvantagem, mesmo econômica, turística e comercial em relação a outros países.

Segundo a doutrina de Ronald Dworkin (1999; 2000), a norma não deve ser interpretada simplesmente pelo que diz expressamente, mas se percebe que o essencial é que as normas sejam interpretadas pelo foco dos princípios da constituição vigente ao momento de sua aplicação, refletindo a moral da comunidade naquele momento histórico.

Apesar de, ao serem criadas, várias dessas normas, conforme ressaltado anteriormente, não são necessariamente vistas como no momento de sua aplicação, pois refletem a moral da época que foram criadas. Mas a exigência de norma reguladora adequada é essencial, pois sem ela, ao se analisar um caso concreto, tem-se o risco da leitura puramente social do juiz, o que pode gerar desajustes em relação à interpretação adequada do que seja paisagem na hora de protegê-la, conservá-la, ou mesmo garantir sua modificação no espaço natural- artificial efetivado pela modificação ou adaptação cultural desse espaço.

O que é a cultura, senão fruto da natureza humana? Os animais não produzem cultura e sim reproduzem hábitos repetitivos, perpetrados por gerações. Se estes devem ser protegidos, não há justificativa para não proteger o que os seres humanos produzem, pois é da natureza humana. Segundo Branco (2003, p. 15), "O Homem, ao contrário, será extinto no momento em que renunciar ao trabalho, ao contínuo processo de criação, à idealização, à edificação do seu mundo próprio". E este pensamento deve ser analisado pelos aplicadores do Direito ao tentarem separar o natural do produzido pelo humano.

A paisagem que se baseia no natural e no cultural, servindo-lhes de mediadora, deve ser protegida, especialmente por ser essencial à sadia qualidade de vida psicológica e bem estar humanos. Inicialmente, a paisagem era vista como estética superficial, uma beleza a ser protegida, conceito trazido pelos pintores ao representar áreas naturais que inspiravam ou davam tranqüilidade ou representavam o conceito de belo. Hoje, é elemento intimamente ligado à proteção da cultura de uma sociedade, e muitas vezes, passa a representá-la. Ela surge enquanto tal quando um grupo de indivíduos a reconhece como parte deles seja de forma sentimental ou como figura de representação de sua cultura ou história.

A paisagem se insere no contexto jurídico ambiental e cultural, mas sua proteção é mais antiga que a do meio ambiente. Ela se desvincula das questões ambientais (patrimônio natural e cultural fundidos), estando presente inicialmente

como elemento do patrimônio cultural. Hoje, tem também o meio ambiente como elemento, e se modificou para atender ao interesse social, incluindo em seu contexto o patrimônio imaterial, tal como conceituado pela Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, adotada em Paris, em 17 de outubro de 2003, que entrou em vigor no Brasil pelo Decreto nº 5.753, de 12 de abril de 2006.

1. Entende-se por "patrimônio cultural imaterial" as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural. Este patrimônio cultural imaterial, que se transmite de geração em geração, é constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade e contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana. Para os fins da presente Convenção, será levado em conta apenas o patrimônio cultural imaterial que seja compatível com os instrumentos internacionais de direitos humanos existentes e com os imperativos de respeito mútuo entre comunidades, grupos e indivíduos, e do desenvolvimento sustentável. (BRASIL, 2006)

A paisagem é protegida pelo direito desde fins do século XIX, início do século XX, mas sua interpretação variou ao longo da história. Inicialmente, vista como um conjunto de patrimônios imóveis e estagnados, ela foi e é protegida por normas em vários países, especialmente a partir da década de 30, do século XX, quando ocorreram congressos internacionais de proteção da mesma. E sua proteção foi alvo de normas internacionais, como as da Convenção de 1972, da UNESCO.

Sua feição muda no fim do século XX, quando sai de sua posição de objeto a ser observado e passa a objeto vivido, representante de identidade cultural das comunidades. Nesta transição, características antes indiscutíveis como imobilidade e beleza perdem o caráter de qualificantes da paisagem e passam a ser características.

A paisagem é dinâmica, porquanto impossível de ser congelada, estagnada. Nisso a paisagem difere, por exemplo, de um bem cultural material que, tanto melhor sua conservação nas condições originais, melhor sua gestão. A paisagem, mesmo a que se compõe quase que exclusivamente de elementos naturais, precisa ser livre para operar suas mutações. Quem se dirige ao Parque do Caracol, em Canela, na Serra Gaúcha, verá quadros paisagísticos completamente diversos a cada estação do ano. A atmosfera do lugar também será profundamente alterada conforme o número de visitantes, a iluminação, a meteorologia.

Tudo interfere na paisagem e na percepção que dela se tem. Assim, os meios de tutela desse bem jurídico terão de ser, conforme destaca o especialista italiano De Leonardis (22), dinâmicos ou de caráter histórico- evolutivo. Dessa regra não se destaca a paisagem urbana, provavelmente a mais dinâmica das suas formas de manifestação. (MARCHESAN, 2008, p. 25)

Descobre-se um mundo novo, onde a paisagem muda fisicamente e sua representação muda de acordo com as gerações. A beleza, característica nebulosa, passa a um segundo plano em face da representação social da paisagem e sua influência na qualidade de vida de uma comunidade.

A paisagem é particularmente conectiva. Ela tem como nenhum outro ente a aptidão para relacionar o homem à natureza, apresentando-se como um verdadeiro texto no qual se pode ler através do tempo como essa relação se constrói. Estabelece conexões intra e intergeracionais, através das identificações entre os diversos membros contemporâneos com os diversos lugares por onde transitam e habitam, além de permitir diálogos entre as gerações pretéritas e presentes e construção de um berçário para as futuras gerações. (MARCHESAN, 2008, p.25)

O Direito acompanha essa modificação de forma distante, seguindo o princípio de direito ubi societas ubi iuris, sendo clara sua transformação se comparada a Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural de 1972 com a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, de 2003. A seguir, o estabelecido pelo Decreto nº 80.978, de 12 de dezembro de 1977, que promulga a Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural de 1972:

ARTIGO 1 Para os fins da presente Convenção são considerados “patrimônio cultural”:

- os monumentos: obras arquitetônicas, esculturas ou pinturas monumentais, objetos ou estruturas arqueológicas, inscrições, grutas e conjuntos de valor universal excepcional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência,

- os conjuntos: grupos de construções isoladas ou reunidas, que, por sua arquitetura, unidade ou integração à paisagem, têm um valor universal excepcional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência,

- os sítios: obras do homem ou obras conjugadas do homem e da natureza assim como áreas, incluindo os sítios arqueológicos, de valor universal excepcional do ponto de vista histórico, estético, etnológico ou antropológico.

ARTIGO 2 Para os fins da presente Convenção são considerados “patrimônio natural”:

- os monumentos naturais constituídos por formações físicas e biológicas ou por conjuntos de formações de valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico;

- as formações geológicas e fisiográficas e as zonas estritamente delimitadas que constituam habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas de valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico,

- os sítios naturais ou as áreas naturais estritamente delimitadas detentoras de valor universal excepcional do ponto de vista da ciência, da conservação ou da beleza natural. (BRASIL, 1977)

A Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, adotada em Paris, em 17 de outubro de 2003 (UNESCO), assim estabelece a respeito do patrimônio cultural imaterial:

Entende-se por "patrimônio cultural imaterial" as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural. Este patrimônio cultural imaterial, que se transmite de geração em geração, é constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade e contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana. Para os fins da presente Convenção, será levado em conta apenas o patrimônio cultural imaterial que seja compatível com os instrumentos internacionais de direitos humanos existentes e com os imperativos de respeito mútuo entre comunidades, grupos e indivíduos, e do desenvolvimento sustentável. (BRASIL, 2006)

A mudança de perspectiva de Estado, passagem do Estado Social de Direito para o Estado Democrático de Direito, reflete-se também nas normas de proteção à paisagem. Se observarmos as normas, perceber-se-á que no início cabia ao poder público definir e proteger a paisagem, mas hoje a sociedade é chamada a participar, opinar e protegê-la, dando o caráter de coletivo a esse bem comum.

Essa proteção ocorre nos diversos âmbitos de organização social, mas é diferenciada em cada país, sendo mais ou menos evoluída, dependendo do interesse que desperta nas sociedades.

Na área urbana, moradia da maioria da população mundial e do Brasil, isso aparece de forma mais visível, pois:

Estamos hoje vivendo um total desarranjo urbanístico. Arquitetos, urbanistas, ecólogos, geógrafos, todos sempre auxiliados por “especialistas em Direito”, estão remetidos, nos mais diversos governos, a tentar remediar essa situação. Dentre os fenômenos que deprimem a qualidade da paisagem urbana de modo específico, podemos destacar: 1) inadequada organização e disposição do mobiliário urbano; 2) poluição atmosférica; 3) falta de planejamento da estrutura urbana; 4)

especulação imobiliária; 5) desconsideração do capital natural existente no meio ambiente urbano; e 6) despreocupação com a preservação do patrimônio cultural urbano. A esses fatores agrega-se em nosso país a constante e recrudescente má distribuição de renda que está na raiz de todos os problemas sociais. Essa renda acumulada nas mãos de poucos, é a mesma que falta aos governos para investirem em políticas de melhorias urbanas e de educação ambiental. (MARCHESAN, 2008, p.27)

Isso é um problema, pois a proteção da paisagem urbana tem sido pouco analisada e deve-se ter uma atenção necessária, especialmente em relação às funções urbanas, pois é preciso:

Propiciar que a cidade viabilize satisfatoriamente as suas funções