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3.7.2. Arka Plan Programlarını Devre Dışı Bırakma

Para Maingueneau (2001, p. 90),

O gênero discursivo é uma ― vertente tipológica formal, do modo de enunciação‖, sendo este apenas a contrapartida do tom, voz fictícia que garante a presença de um corpo, ainda que o discurso seja escrito. Não se trata de uma noção de fácil manejo, uma vez que um texto normalmente se encontra na interseção de vários gêneros, os quais implicam condições de ordem comunicacional e de ordem estatutária, que inclui a autoridade relacionada à enunciação. Além disso, as propriedades textuais de um gênero estão ligadas a condições de enunciação que vão desde o estatuto do enunciador até o ethos. O gênero discursivo é tomado como cena genérica que define seus próprios papéis e está associada a uma instituição discursiva. Cada gênero presume um contrato específico pelo ritual que define‖, por isso não podemos dizer o que queremos, em qualquer lugar, para qualquer indivíduo, já que essa prática presume um contrato.

A noção de gênero tem sido aplicada a todos os conjuntos de produções verbais, quer sejam elas orais ou escritas. Essa variedade e riqueza dos gêneros discursivos refletem a nossa necessidade de comunicação, pois em cada situação diferente, um gênero é desenvolvido com o intuito de materializar o discurso adequadamente no contexto situacional.

Os destinatários, portanto, se esforçam para saber a qual gênero pertence uma dada enunciação. De acordo com Maingueneau (2001), ao escolher determinado gênero para enunciar, o enunciador está adotando um posicionamento, ou seja: adotando diferentes formas de representar uma determinada prática social. Ele está se inscrevendo numa ―escola‖, numa ―doutrina‖, num ―movimento‖, isto é, está assumindo uma posição frente a determinadas idéias.

Os gêneros discursivos estão ligados às situações sociais da interação e qualquer mudança nessa interação provocará mudanças no gênero. Por isso, como os enunciados individuais, são constituídos de duas partes inextricáveis: a sua dimensão linguístico-textual e a sua dimensão social. Assim cada gênero está vinculado a uma situação social de interação típica, dentro de uma esfera social; tem sua finalidade discursiva, sua própria concepção de autor e destinatário.

Transmitidos sócio-historicamente pelos falantes, que contribuem tanto de forma dinâmica para a preservação como para a sua permanente mudança e renovação, os gêneros discursivos também são formas de ação, visto que na interação eles funcionam como índices de referência para a construção dos enunciados, pois balizam o autor no processo discursivo, e como horizonte de expectativas para o interlocutor, no processo de compreensão e interpretação do enunciado (a construção da reação-resposta ativa). São formas altamente maleáveis, dinâmicas e plásticas, na qual estão incluídos todos os tipos de diálogos cotidianos, bem como enunciações da vida pública, institucional, artística, científica e filosófica.

Bakhtin (2000) argumenta que, dentro de uma dada situação linguística, o falante/ouvinte produz uma estrutura comunicativa que se configurará em formas- padrão relativamente estáveis de um enunciado, pois são formas marcadas a partir de contextos sociais e históricos. Em outras palavras: tais formas estão sujeitas a alterações em sua estrutura, dependendo do contexto de produção e dos falantes/ouvintes que produzem, os quais atribuem sentidos a determinado discurso. Logo, conclui-se que são muitas e variadas as formas dos gêneros textuais.

(BAKHTIN, 2000, p. 279).

Essa imensa variedade e riqueza dos gêneros discursivos refletem a nossa necessidade de comunicação, pois em cada situação diferente, um gênero é desenvolvido com o intuito de materializar o discurso adequadamente no contexto situacional. É na interação social que o gênero se torna significativo; é em sua concretização que as diversas formas de comunicar, de entender e ser entendido, de significar a realidade em todos os sentidos são expressas.

Dessa forma, qualquer texto pode ser considerado como pertencente a um determinado gênero. Segundo Maingueneau (2001), na relação entre gênero e cenografia, podemos identificar três tipos de gêneros, conforme as possibilidades de reivindicarem ou não cenografias. O primeiro tipo dispensa o uso de cenografias para camuflar a sua cena genérica, conservando-a; o segundo permanece amiúde em tal cena, embora possa, por vezes, utilizar-se de cenografias variadas, e o terceiro impõe a eleição de cenografias cuja finalidade é envolver o coenunciador, de modo a causar-lhe uma modificação.

Sendo assim, a canção pode ser classificada como uma ―modalidade genérica de terceiro tipo‖, já que opta frequentemente pela variação de cenografias. Ela possui caráter híbrido e intersemiótico, pois é resultante da combinação entre a linguagem verbal (letra) e musical (ritmo e melodia).

Mesmo sendo um gênero essencialmente sonoro, muitas vezes a interface da canção se materializa na escrita em decorrência de seu meio de produção e veiculação, através de sua impressão no encarte dos discos, ou mesmo no processo de composição, quando o próprio autor a registra.

Devido a sua linguagem verbal, a canção é, muitas vezes, objeto de estudo comparativo em que é investigado o caráter literário de suas letras. Para Costa (2011, p. 107) esse tipo de análise desvaloriza as canções, pois as coloca em um patamar inferior nos estudos literários. Por isso, o autor defende a distinção entre o gênero canção e o gênero poema, advertindo para o fato de que as linguagens verbal e musical da canção não podem estar dissociadas. Elas devem sempre ser pensadas juntas, para que a canção não seja confundida com o poema.

Na realidade, podem-se apontar elementos para que se estabeleça uma distinção entre esses dois gêneros: o poema, diferentemente da canção, pertence ao domínio discursivo literário e varia entre a oralidade e a escrita, utilizando-se quase sempre da semiose verbal, além de ser produzido em meio essencialmente

gráfico.

Contudo, tendo em vista que as letras das canções normalmente utilizam os mesmos recursos do poema, é possível estabelecer uma comparação que os aproxime. As letras das canções também se estruturam em estrofes com versos, possuem métrica (muitas vezes regular), figuras de linguagem, rimas, exploram a sonoridade, o ritmo, e evocam o lirismo, com a enunciação de sentimentos subjetivos: o eu procura expressar suas emoções, sua experiência pessoal, ou sua interpretação da vida coletiva por meio do signo verbal. As funções poética, hedonística, comunicativa e a social, entre outras, que são tidas como características da literatura lírica, narrativa ou teatral, também estão presentes nas canções.

Assim para produzir sentido, precisam das duas esferas. Segundo o autor, a linguagem oral é assinalada por uma estabilidade linguístico-gramatical e por uma instabilidade musical entoativa, que produz a sensação essencial para que ocorra uma conexão com o ouvinte: o que está sendo dito, está sendo dito de maneira envolvida aqui e agora. Já a linguagem musical regula a expressão sonora e torna a canção perene. O sentido se constrói, portanto, através dessas duas instâncias.

Costa (2001), tomando a produção literomusical brasileira enquanto prática discursiva, vai além desse caráter híbrido da canção – letra - melodia, uma vez que propõe analisar a interdiscursividade (que seria constitutiva) entre os diversos planos desse gênero, tais como: linguagem verbal, musical, cenográfica, pictórica e escrita.