• Sonuç bulunamadı

Arabuluculukta Anlaşma Sağlanan Hususlarda Dava Açma Yasağının Değerlendirilmesi

A. ARABULUCULUK ANLAŞMA TUTANAĞININ HUKUKİ NİTELİĞİ

3. Arabuluculukta Anlaşma Sağlanan Hususlarda Dava Açma Yasağının Değerlendirilmesi

3.2.1 Conceito

O Estado, como ente encarregado da jurisdição e, portanto, da realização do direito reconhecido judicialmente ou formalizado em título executivo extrajudicial, se vê compelido a reunir meios propícios de assegurar a execução forçada, com vistas a satisfazer o objeto do litígio submetido à apreciação. Visa, por conseguinte, a garantir a satisfação do direito

44

fundamental do credor à tutela executiva, diante da inércia do devedor no que tange ao cumprimento da obrigação.

A penhora configura o primeiro ato de coação da execução por quantia certa e constitui o instrumento que possibilita o alcance do resultado almejado nessa espécie de execução, qual seja, a expropriação dos bens pertencentes ao patrimônio do executado para posterior satisfação do direito do exequente.

Logo, pode ser conceituada como o ato executivo por meio do qual o Estado se apossa dos bens do devedor, com o objetivo de garantir, mediante ulterior adjudicação ou alienação, a realização do direito de crédito.18 Trata-se de apreensão judicial de bens do executado em

quantidade suficiente a garantir o pagamento do principal atualizado, juros, custas e honorários advocatícios.19

Lembre-se de que o ato processual da penhora não deve ser confundido com o penhor, pois, não obstante possuírem nomenclaturas semelhantes, compreendem institutos completamente distintos.

O penhor constitui garantia oferecida pelo devedor, a qual incide sobre coisa móvel pertencente ao seu patrimônio ou de terceiro (nesse caso, exige-se anuência do terceiro), com o objetivo de assegurar o futuro cumprimento de obrigação. Na escorreita lição de Elpídio Donizetti, “distingue-se penhora de penhor. Penhora é o ato executivo que cria direito de preferência. Penhor é direito real de garantia, regulado no direito material. O bem constrito na execução denomina-se bem penhorado; já o objeto do penhor denomina-se bem apenhado”. 20

Da mesma forma, a penhora não pode ser confundida com o arresto, visto que, a despeito de possuírem a semelhante finalidade de conservação de bens, a primeira configura ato

18 De acordo com ensinamento de Dinamarco, “Penhora é o ato pelo qual se especifica o bem que irá responder pela execução. De todos os bens que respondem pelas obrigações do executado, um é escolhido e separado dos demais, ficando a partir de então afetado à execução forçada, ou seja, comprometido com uma futura expropriação a ser feita com o objetivo de satisfazer o direito do exequente; penhorar é, portanto, predispor determinado bem à futura expropriação no processo executivo”. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições

de direito processual civil. Vol.IV. São Paulo: Malheiros, 2004, p.520. Por sua vez, Araken de Assis entende

ser a penhora “o ato executivo que afeta determinado bem à execução, permitindo sua ulterior expropriação, e torna os atos de disposição do seu proprietário ineficazes em face do processo”. ASSIS, Araken. Manual do

processo de execução. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, p.604.

19 Art.659 do CPC: A penhora deverá incidir em tantos bens quantos bastem para o pagamento do principal atualizado, juros, custas e honorários advocatícios.

propriamente executivo21 enquanto esse se caracteriza por ser medida cautelar. 22 O arresto constitui ato de apreensão judicial de bens com vistas a resguardar a eficiência de um processo de execução por quantia certa. É um ato preparatório da penhora.

Como instrumento de apreensão judicial de bens, a penhora possui fundamental relevância para a concretização do direito à tutela executiva; a importância do instituto decorre de sua própria finalidade ou efeito dele decorrente, qual seja, a individualização e apreensão de bens pertencentes ao patrimônio do devedor que se destinam a satisfazer o direito de crédito, por meio da expropriação.

A penhora se manifesta, igualmente, na conservação dos bens apreendidos na exata situação em que se encontram, evitando que sejam danificados ou transferidos a terceiros, em total prejuízo para a execução.

3.2.2 Efeitos materiais e processuais da penhora

Não obstante já se tenha reportado anteriormente a alguns efeitos da penhora, o que se fez necessário para sua conceituação e para a compreensão de sua natureza jurídica, impõe-se relacioná-los de maneira a melhor assimilar a importância desse instrumento processual para a efetivação do direito à tutela executiva.

O primeiro efeito material da penhora consiste em destituir o executado da condição de possuidor dos bens, permanecendo ele apenas com a posse indireta. No caso, a posse direta é transferida para o Estado-Juiz, o qual, mediante um depositário judicial, tem o dever de conservar o bem e evitar o seu perecimento, sob pena de prejudicar a execução.

O efeito material seguinte se caracteriza por tornar sem eficácia em relação ao exequente qualquer ato de disposição sobre o bem penhorado, ou seja, a alienação ou a instituição de ônus que eventualmente venham a incidir sobre o bem apreendido judicialmente será considerada totalmente ineficaz em relação ao exequente.

21Acerca da natureza jurídica da penhora, Humberto Theodor Júnior assevera que “o entendimento dominante na melhor e mais atualizada doutrina é o de que a penhora é simplesmente um ato executivo (ato do processo de execução), cuja finalidade é a individualização e preservação dos bens a serem submetidos ao processo de execução”. THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil – Processo de execução e cumprimento de sentença, processo cautelar e tutela de urgência. Vol.II. Rio de Janeiro: Forense, 2007, p. 293.

22 Colhe-se da doutrina de Liebman que a penhora possui “em parte função conservativa. Sua afinidade com o

arresto é evidente. Diferencia-se, todavia, dele por ser ato do processo de execução, o que não acontece com o arresto”. LIEBMAN, Enrico Tullio. Processo de execução. São Paulo: Saraiva, 1966, p.191.

46

É válido enfatizar que a constrição relaciona-se apenas ao exequente, não devendo ser confundida com privação judicial que impeça o executado de exercer o poder de disposição sobre o bem. Desse modo, “a proibição de alienar os bens apreendidos é consequência que excede a finalidade desejada, porque o que interessa é que o bem não seja subtraído à execução, não sendo para isso indispensável que permaneça no patrimônio do devedor”. 23

No que se refere aos efeitos processuais da penhora, o primeiro deles se reporta à individualização dos bens do executado que serão objeto de expropriação por parte do Estado, com vistas a satisfazer a tutela executiva. Somente os bens discriminados pela penhora poderão ser submetidos à expropriação.

Ainda como efeito de ordem processual do ato de constrição de bens, cita-se a garantia do juízo da execução. Com a individualização dos bens, torna-se possível conferir maior segurança no que concerne ao resultado positivo da entrega da tutela executiva.24

A última, porém não menos importante, consequência processual da penhora se reflete no direito de preferência, por meio do qual se atribui ao credor a prioridade sobre o bem penhorado, em detrimento de outros credores que eventualmente venham a exercer, por meio executivo, os respectivos direitos de crédito sobre o bem objeto de penhora anteriormente efetivada.

Destarte, recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, o credor que houver precedido aos demais no ato de realização da constrição judicial obterá o direito de preferência sobre o recebimento do objeto da prestação. Em seguida, caso ainda reste algum saldo disponível, proveniente do procedimento de expropriação do bem penhorado, o próximo credor receberá o que lhe corresponder e, assim, sucessivamente.

A preferência decorrente da penhora não subsiste, no entanto, quando se tratar de insolvência civil do executado, na qual os credores quirografários participarão do concurso de credores em igualdade de condições, independentemente de haver penhora em favor deles. 25

23 LIEBMAN, Enrico Tullio. Processo de execução. São Paulo: Saraiva, 1966, p.195-196.

24 Para José Frederico Marques, “a penhora é elemento de segurança da execução, uma vez que, com a apreensão de bens do devedor, a tutela executiva encontra garantias para atingir seus objetivos”. MARQUES, José Frederico. Manual de direito processual civil. vol IV, Campinas: Bookseller, 1997, p.187. Segundo Barbosa Moreira, a garantia do juízo se refere à “função cautelar da penhora, que nem por isso a reduz à condição de providência essencialmente cautelar”. MOREIRA, José Carlos Barbosa. O novo processo civil

Ora, inexistindo saldo suficiente para satisfazer todos os direitos de crédito, não é certo que o pagamento se realize de acordo com a ordem de preferência previamente estabelecida, visto que pelo menos o último credor restará prejudicado. 26

Com a elucidação dos efeitos da penhora e da compreensão do propósito do instituto, pode-se afirmar que esse ato de constrição é indispensável para a realização do direito fundamental à tutela executiva.

Foi justamente com o objetivo de aperfeiçoar a constrição judicial de bens e atribuir celeridade à fase executiva e ao processo de execução, que as últimas reformas processuais do Código de Processo Civil se manifestaram, de maneira acertada, sobre os novos mecanismos relacionados à penhora.

3.3 Leis nos. 11.232/2005 e 11.382/2006: alterações e inovações no que tange à penhora de