A. ARABULUCULUK ANLAŞMA TUTANAĞININ HUKUKİ NİTELİĞİ
4. Anlaşma Tutanağının Hükümsüz Bırakılması a. Genel Olarak
O Poder Judiciário, o Banco Central do Brasil e as instituições financeiras do País comunicavam-se, habitualmente, por meio de ofícios em papel, os quais eram encaminhados por via postal ou por intermédio de oficial de justiça do juízo.
Tratava-se do meio de comunicação mais utilizado pelos magistrados, quando estivessem diante da necessidade de obtenção de informações referentes a saldos de valores em dinheiro eventualmente existentes em depósitos ou em aplicações financeiras, de titularidade de pessoas sujeitas a processo judicial.
O mesmo procedimento era observado por ocasião do encaminhamento das respostas às respectivas requisições de informação; as instituições financeiras deveriam fazê-lo por meio de ofícios em papel, os quais eram remetidos diretamente ao juiz expedidor da ordem.
17 GRASSELLI, Odete. Penhora trabalhista on-line. 2. ed. São Paulo: LTr, 2007, p.55.
18 PIETOSO, Indira Chelini e Silva. Penhora on line: o uso da ferramenta e sua repercussão no mundo jurídico. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2009, p.53.
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Ressalta-se que o grande número de respostas negativas acarretava o aumento da atividade do juízo, movimentando a máquina judiciária de forma morosa e dispendiosa, fato que corria na contramão da celeridade e economia processuais.19
Consoante aos ofícios de resposta provenientes dos bancos, acerca da existência ou não de dinheiro em depósito ou em aplicação financeira, o magistrado deveria emitir ordem judicial de bloqueio de valores, caso o saldo existente na instituição bancária fosse positivo, com vistas a preservar o montante encontrado e fazer incidir sobre ele a característica da indisponibilidade.
A ordem de bloqueio, da mesma forma que ocorria com a requisição de informações, era encaminhada via postal ou por meio de oficial de justiça vinculado ao juízo. Destarte, ao se verificar a presença de numerário, em depósito ou aplicação financeira, nas agências bancárias para as quais foram encaminhadas as requisições, o juiz expedia ordem de bloqueio a ser efetuada, pessoalmente, por meio de oficial de justiça, caso restasse frustrada a tentativa pelos correios.
Sucede que o bloqueio demandava muito tempo para ser efetivado, porquanto dependia de instrumentos morosos para sua execução. A ordem de constrição de valores se deparava com maior obstáculo quando o montante encontrado pertencia à instituição financeira não submetida à mesma competência territorial do juiz emissor da ordem. Nesse caso, tornava-se necessária a expedição de carta precatória com o objetivo de realizar, na comarca deprecada, a penhora dos valores lá existentes, por meio de oficial de justiça submetido ao respectivo juízo.20
Não há dificuldade em se constatar que esse meio de comunicação, baseado no envio de ofícios em papel, ofendia de maneira irrefutável o princípio da celeridade processual. A forma pela qual se dava o encaminhamento dos ofícios era medida que atentava contra a razoável duração do processo constitucionalmente prevista, na medida em que ocasionava um enorme desperdício de tempo entre o momento da emissão da ordem e seu efetivo cumprimento.
19 PIETOSO, op. cit., p.53.
20 Perfilhando o mesmo entendimento, Anita Caruso Puchta acentua que “a situação se agrava quando o executado só possui bens em comarca diversa do juízo da execução, fato que potencializa o ganho de tempo do devedor, pois as cartas precatórias são manifestamente morosas, anti-econômicas, ineficazes, repletas de entraves procedimentais, sendo que a penhora on-line evita expedição dessas cartas, pois a ordem de bloqueio pode ser efetivada em qualquer agência bancária do sistema financeiro, ou seja, em comarca ou seção judiciária, e qualquer município do País, independentemente da localização; portanto, possui âmbito nacional”. Finaliza a autora, alegando que, em resumo “para penhorar dinheiro em agências bancárias fora da comarca ou seção judiciária, não é necessário expedição de carta precatória, pois o bloqueio efetuado pelo Banco Central atinge qualquer instituição financeira do País, independentemente da localização; portanto, possui âmbito nacional.” PUCHTA, Anita Caruso. Penhora de dinheiro on-line. Curitiba: Juruá, 2009, p.50.
A utilização da via postal constituía empecilho à célere efetivação das requisições judiciais de informações, bem como das ordens judiciais de bloqueio de valores, por parte das instituições financeiras.
A prática consistente na não utilização de meios eletrônicos vertiginosos e eficientes para a comunicação entre o Poder Judiciário, o Banco Central e as instituições financeiras atentava contra o direito à efetividade da tutela jurisdicional executiva, haja vista que a satisfação do direito do credor dependia diretamente da existência de bens passíveis de penhora.
Para Ivanoy Couto, “a celeridade processual e a efetividade das execuções constituem os dois pilares mais importantes buscados por toda a sociedade na satisfação do direito constante do título exeqüendo”. 21
O antigo procedimento empregado para o envio das ordens judiciais de requisição de informações e suas respectivas respostas, assim como a forma de encaminhamento das ordens judiciais de bloqueio de valores, contribuía para a não concretização do acesso à justiça, entendida essa garantia tanto em seu sentido tradicional como na perspectiva de acesso a uma ordem jurídica justa.22
A morosidade intrínseca ao trâmite processual e o elevado grau de recursos financeiros empregados no desenvolvimento do processo constituíam sérios entraves à real efetivação do acesso à justiça.
Destaque-se que a conduta anterior, consistente no envio de ofícios em papel entre o Poder Judiciário e as instituições pertencentes ao Sistema Financeiro Nacional, elevava consideravelmente os custos operacionais empregados na realização dos atos processuais necessários à efetuação do bloqueio de dinheiro.
Essa medida ia de encontro ao princípio da economia processual, o qual “enseja a adoção, no decorrer do processo, de meios menos onerosos e mais simples, a fim de que com o menor esforço se obtenha o resultado mais proveitoso”.23
21 COUTO, Ivanoy Moreno Freitas. Penhora On Line: Princípios limitadores à sua aplicação. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p.30.
22 Ordem jurídica justa é expressão da lavra de Kazuo Watanabe, o qual estuda a assistência judiciária e os juizados especiais cíveis e criminais (então, juizados de pequenas causas) como forma de concretizar o acesso à justiça. WATANABE, Kazuo. Assistência judiciária e o juizado de pequenas causas. In: WATANABE, Kazuo. (Org.). Juizado especial de pequenas causas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1985, p. 161-167. 23 MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo tributário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p.40.
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Foi nesse conceito de completo descrédito na efetivação da tutela jurisdicional executiva, decorrente do excessivo tempo utilizado para alcançar a satisfação das ordens judiciais de bloqueio de valores, que teve origem o BACEN JUD. Com o surgimento desse sistema, tornou-se possível constatar maior agilidade no encaminhamento das ordens de bloqueio, fato que contribuiu para a efetiva satisfação da tutela executiva, ou seja, para a entrega do objeto da prestação jurisdicional a quem de direito.24