Na busca por matérias, artigos ou livros sobre os temas relacionados a este estudo, como competências e a pós-graduação stricto sensu, foram encontradas pesquisas interessantes e que revelam dados importantes sobre os assuntos. Entretanto, não foi encontrado nenhum estudo que relacionasse esses dois temas de forma semelhante ao que este se propõe. Estes são dois campos de estudo relevantes, porém ainda pouco explorados, principalmente no que se refere à busca pela análise de aspectos relacionados à intersecção entre eles.
Segundo Cooper,
“A exploração é particularmente útil quando os pesquisadores não têm uma idéia clara dos problemas que vão enfrentar durante o estudo. Através da exploração, os pesquisadores desenvolvem conceitos de forma mais clara, estabelecem prioridades, desenvolvem definições operacionais e melhoram o planejamento final da pesquisa (...) A exploração também serve a outros objetivos. A área de investigação pode ser tão nova ou tão vaga que o pesquisador precisa fazer uma
exploração a fim de saber algo sobre o problema enfrentado pelo administrador. Variáveis importantes podem não ser conhecidas ou não estar totalmente definidas”. (COOPER, 2003, p.131).
Colaborando com a visão de Cooper, segundo a taxonomia proposta por Vergara (2000), os tipos de pesquisa podem ser diferenciados quanto aos fins e quanto aos meios. No que se refere aos fins, uma das opções expostas pela autora é a investigação exploratória a qual ”é realizada em área na qual há pouco
conhecimento acumulado e sistematizado. Por sua natureza de sondagem, não comporta hipóteses que, todavia, poderão surgir durante ou ao final da pesquisa”.
(VERGARA, 2000, p.47).
Pelas afirmações acima, pode-se perceber que a utilização do estudo exploratório certamente encaixa-se no contexto desta pesquisa, pois realmente não são claramente conhecidos os problemas que serão encontrados ao longo da pesquisa, assim como é preciso definir algumas variáveis relevantes para o estudo. Acredita-se que o estudo exploratório poderá ajudar a responder questões como: “Existe alguma relação entre o mestrado stricto sensu e o processo de desenvolvimento de competências?”; “Caso haja, qual seria o papel do mestrado neste processo?”. Acredita-se que a análise do Programa permitirá também buscar responder outras indagações, as quais estão diretamente relacionadas a estas, tais como: “Por que profissionais buscam a formação como mestres em Administração?”, “Quais seriam as atividades do mestrado que mais influenciam no processo de desenvolvimento de competências?”.
Ainda de acordo com a taxonomia de Vergara (2000), outro tipo de pesquisa, no que se refere aos fins, é a pesquisa descritiva, a qual “expõe características de
determinada população ou de determinado fenômeno. Pode também estabelecer correlações entre variáveis e definir sua natureza. Não tem compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação”. (VERGARA,
2000, p.47).
O trecho acima permite dizer que esta pesquisa, no que diz respeito aos fins, caracteriza-se como um estudo exploratório / descritivo. Isso ocorre em função do levantamento do perfil dos egressos, que será apresentado no início do próximo subitem deste capítulo.
Para viabilizar o estudo, foram utilizadas algumas técnicas de pesquisa e coleta de material. Entre essas técnicas, estão a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental, com o objetivo de analisar os conceitos teóricos, comparando com as informações coletadas no estudo de campo. A seguir será feita uma breve justificativa da escolha das técnicas que foram utilizadas na pesquisa.
De acordo com Lakatos e Marconi (1991), a característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está restrita aos documentos, escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias. Estas podem ser feitas no momento em que o fato ou fenômeno ocorre, ou depois. Para os autores, a pesquisa documental é feita exclusivamente através de fontes primárias.
No estudo sobre a Pós-graduação em Administração a pesquisa documental foi de vital importância, pois foi através do levantamento de documentos do Programa, como registros de matrículas, comprovantes de defesas, entre outros, que se pode obter informações. Tais informações foram ponto de partida para o conhecimento do perfil dos egressos do Programa, e viabilizaram também a preparação das estratégias para aplicação dos questionários. É válido comentar que foi através desta pesquisa que foram obtidos os dados de contato, meio pelo qual se pôde aplicar os questionários.
Para se realizar o estudo e buscar respostas mais completas para as indagações, foram utilizadas técnicas de observação direta extensiva, por meio da aplicação de um questionário padrão enviado para os mestres formados pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Administração, de um período determinado.
Voltando à taxonomia de Vergara (2000), o que foi chamado aqui de técnicas de pesquisa e coleta de material é o que a autora denomina de meios de investigação. Os questionários acima citados fazem parte da pesquisa de campo, a qual para Vergara é “investigação empírica realizada no local onde ocorreu ou
ocorre o fenômeno ou que dispõe de elementos para explicá-lo. Pode incluir entrevistas, aplicação de questionários, testes e observação participante ou não”.
(VERGARA, 2000, p.47). A autora também inclui a pesquisa documental, já mencionada, e a pesquisa bibliográfica, que será conceituada a seguir, nos meios de investigação por ela propostos.
Já em relação à pesquisa bibliográfica, Lakatos e Marconi afirmam que esta compreende oito fases distintas, que são: escolha do tema, elaboração do plano de trabalho, identificação, localização, compilação, fichamento, análise e interpretação e redação. De acordo com Santos,
“O conjunto de materiais escritos/gravados, mecânica ou eletronicamente, que contém informações já elaboradas e publicadas por outros autores é uma bibliografia. São fontes bibliográficas os livros (de leitura corrente ou de referencia, tais como dicionários, enciclopédias, anuários, etc.), as publicações periódicas (jornais, revistas, panfletos, etc.), fitas gravadas de áudio e vídeo, páginas de web sites, relatórios de simpósios/seminários, anais de congressos e etc. A atualização total ou parcial de quaisquer dessas fontes é o que caracteriza uma pesquisa bibliográfica” (SANTOS, 1999 p. 29).
No caso da pesquisa bibliográfica, esta certamente foi indispensável para o desenvolvimento da dissertação, pois foi ela que proporcionou o embasamento teórico para o estudo. Através da pesquisa bibliográfica foram encontrados, por exemplo, a conceituação de competências, e o histórico e objetivos dos cursos de pós-graduação stricto sensu. Pela visão de Santos, a pesquisa bibliográfica inclui também páginas de web sites e outros recursos, é válido então comentar que foi no
site da instituição que foram encontradas as principais informações sobre o
Programa de Estudos Pós-Graduados em Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, por exemplo.
Têm-se como público-alvo desta pesquisa todos egressos que obtiveram o título de mestre em Administração pela PUC-SP, entre os anos de 2000 e 2006, o que representa um universo de 327 pessoas. Certamente, a escolha do período está relacionada à facilidade, ou viabilidade, de acesso ao público que foi pesquisado, porém, vale ressaltar que houve outro motivo para esta escolha, trata-se da época que o conceito de competências passou a ser abordado no contexto brasileiro, o que só ocorreu de forma mais significativa a partir de 2000.
Antes de realizar a pesquisa oficial, buscou-se validar o questionário proposto através da aplicação de um pré-teste, com alguns alunos que estavam matriculados no mestrado na ocasião. O processo há pouco descrito foi iniciado em agosto de 2006, e teve como público mestrandos, isso ocorreu pelo fato de que, até então, a pesquisa seria com os alunos que ingressaram no mestrado no período proposto
(entre 2000 e 2006). A mudança de público-alvo da pesquisa foi uma sugestão dada pelos professores que compuseram a banca do Exame de Qualificação e prontamente acatada pela pesquisadora.
O processo de preparação e aplicação da pesquisa de campo levou aproximadamente seis meses, sendo que este foi iniciado com a preparação do questionário e aplicação do pré-teste já comentado. O próximo passo foi a realização de alterações percebidas como necessárias através da identificação de lacunas, encontradas com as respostas do pré-teste. Após estas alterações apresentou-se um novo questionário no Exame de Qualificação. Nesta oportunidade algumas questões que compunham o instrumento foram discutidas, o que gerou mais algumas alterações no material.
Embora a amostra utilizada na realização do pré-teste tenha sido pequena (foram entregues seis questionários e obtidos três respondidos, o que representa aproximadamente 1% da população geral da pesquisa), este exercício foi de extrema importância, pois permitiu analisar melhor a ferramenta e realizar as adequações há pouco mencionadas.
O primeiro questionário proposto, através do qual foi realizado o pré-teste, era composto basicamente por três partes: a primeira, o perfil pessoal do pesquisado, que ajudaria a mapear o perfil de gênero, idade e estado civil; a segunda parte se tratava do perfil profissional, onde se identificaria a formação acadêmica e algumas informações sobre as atividades profissionais; e, por último, havia uma parte composta pelas perguntas sobre as competências e o mestrado stricto sensu, tendo como base os autores já mostrados neste trabalho.
Como já foi comentado, após a aplicação do piloto foram realizadas algumas alterações no questionário, as principais foram: o “perfil profissional’ foi dividido em ”perfil acadêmico” e “perfil profissional”, incluindo algumas questões relevantes, como a renda, por exemplo. A outra modificação significativa foi a revisão das questões sobre competências.
O questionário proposto após as alterações ficou assim dividido:
1ª. Parte - perfil pessoal: pelo qual foram identificadas características como sexo, faixa etária e estado civil.
2ª. Parte - perfil acadêmico: onde se pôde mapear a formação acadêmica (graduação), se eles chegaram a fazer outra pós-graduação antes do mestrado e, se sim, que tipo de pós; e em que ano obtiveram o título de mestre.
3ª. Parte - perfil profissional: através desta parte obteve-se a ocupação atual, ou melhor, as ocupações atuais, e, dependendo destas, o cargo que eles ocupam; e a faixa de renda mensal.
4ª. Parte - questões: teve como objetivo detectar a percepção dos pesquisados sobre algumas questões relacionadas ao mestrado e às competências. Esta parte está detalhada abaixo, a fim de explicar o objetivo de cada uma das perguntas.
• Questão 4.1 – identificar o quanto cada uma das razões propostas influenciou o pesquisado a buscar a formação como mestre em Administração;
• Questão 4.2 – verificar se os egressos percebem a questão do desenvolvimento das competências como papel da empresa ou dos indivíduos;
• Questão 4.3 – levantar a relevância, para os pesquisados, de cada um dos saberes apresentados por Le Boterf;
• Questão 4.4 – verificar o quanto, na percepção dos egressos, o mestrado influenciou no desenvolvimento dos saberes propostos por Le Boterf; • Questão 4.5 – levantar a relevância de cada uma das competências
gerenciais apresentadas por Robert Quinn;
• Questão 4.6 – verificar o quanto o mestrado influenciou no desenvolvimento de cada uma das competências gerenciais apresentadas por Robert Quinn;
• Questão 4.7 – identificar quais as atividades do mestrado que mais contribuíram para o desenvolvimento das competências, na visão dos mestres.
Vale relembrar que a versão do questionário acima descrita, a qual foi utilizada na pesquisa com os mestres e encontra-se nos apêndices deste trabalho, foi validada após as três revisões já comentadas.
Em paralelo ao processo de validação do instrumento de pesquisa, foi feito um levantamento junto à secretaria do Programa, a fim de, primeiramente, mapear o público a ser pesquisado, tendo assim dimensionar o universo que seria trabalhado. Após a identificação dos mestres que obtiveram o título no período analisado, o trabalho junto à secretaria do Programa teve o objetivo de buscar dados de contato dos pesquisados (telefones e endereços eletrônicos - e-mails).
Com base nas duas listas, foi feito um cruzamento dos dados, onde se pode verificar que do total de mestres (327), aproximadamente 35% (115) não tinham os dados de contato disponíveis, o que reduziu a quantidade de pesquisados que poderia ser contatado para 212. Por diversas questões, algumas de cunho restritivo e outras, razões metodológicas, optou-se pelo endereço eletrônico (e-mail) como principal forma de contato. Porém, dos 212 nomes que estavam disponíveis, 41 não tinham endereço eletrônico na lista de contatos. Sendo assim, foram enviados 171 e-
mails, contendo um texto de apresentação justificando a solicitação do
preenchimento do questionário e o próprio instrumento em anexo. É válido ressaltar que 171 representa aproximadamente 52% do universo da pesquisa (327). Dos 171 e-mails enviados, 42 apresentaram erro no envio, o que pode ter acontecido pelo endereço estar errado, ter mudado ou por outros motivos desconhecidos. Desta forma, pode-se considerar que apenas aproximadamente 40% do universo (129 mestres) efetivamente receberam o questionário.
Uma semana após o envio, os questionários até então recebidos foram contabilizados se reenviou o e-mail para aqueles que ainda não tinham respondido, com o intuito de lembrá-los, solicitando a colaboração no preenchimento e retorno do material. Após duas semanas obteve-se o retorno de 61 questionários, o que representa aproximadamente 19% do universo da pesquisa e quase 50% daqueles que tinham efetivamente recebido o e-mail (129). Pela questão do tempo restrito e do percentual de retorno aceitável, o trabalho foi fechado com os 61 questionários respondidos.
Após o recebimento dos questionários, foi iniciada a fase de tabulação dos dados. Esta fase gerou as tabelas e gráficos que serão mostrados a seguir, e
servirão como instrumentos para apresentar os resultados da pesquisa. As tabelas são compostas pelas categorias de cada uma das perguntas, seguidas pela freqüência das respostas, divididas entre freqüência absoluta (nas tabelas mais longas representada pela sigla F.A.), e freqüência relativa (tendo como representante, quando necessário, a sigla F.R.). Esta formatação da tabela tem o principal objetivo de apresentar todos os dados levantados de forma clara. Para facilitar a visualização e a análise dos dados, foram inseridos gráficos para cada uma das questões, sendo que, dependendo do tipo de questão se utilizou o formato de gráfico mais adequado (pizza ou colunas).