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ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ VE UYGULAMASI

Apesar da possibilidade de se firmar contratos com o preço livremente acordado entre as distribuidoras e os produtores de independentes de energia elétrica, existem critérios que limitam o repasse, por parte da distribuidora, do preço de aquisição da energia elétrica às tarifas de fornecimento praticadas aos seus consumidores cativos.43 Na fórmula de repasse o custo de compra da energia elétrica é a base de cálculo. Tal fórmula identifica o preço de repasse (PCE) anual a ser aplicado pelas distribuidoras aos seus consumidores cativos. O Valor Normativo influencia diretamente a formação desse preço de repasse da energia, conforme se pode observar por meio da Tabela 3.17.

Tabela 3.17 – Critérios para preços de repasse das distribuidoras referentes à compra de eletricidade por contratos bilaterais.

Situação Valor de PCE

I PBi >= (1,15 x VNi) (1,115 x VNi) II (1,10 x VNi) <= PBi < (1,15 x VNi) (0,50 x PBi) + (0,54 x VNi) III (1,05 x VNi) <= PBi < (1,10 x VNi) (0,80 x PBi) + (0,21 x VNi) IV (0,95 x VNi) <= PBi < (1,05 x VNi) (PCEi = PBi) V (0,90 x VNi) <= PBi < (0,95 x VNi) (0,80 x PBi) + (0,19 x VNi) VI (0,85 x VNi) <= PBi < (0,90 x VNi) (0,50 x PBi) + (0,46 x VNi) VII PBi < (0,85 x VNi) (0,885 x VNi)

Fonte: Resultados de pesquisa, a partir da Resolução Aneel 22, de 01/02/01.

“- PBi o preço da compra de energia elétrica realizada, no período de referência [entre a data do reajuste atual e a do reajuste anterior], por meio do contrato bilateral “i” livremente negociado [p.ex., entre o co-gerador sucroalcooleiro e a CPFL], o qual será expresso em R$/ MWh;

- VNi o Valor Normativo, vigente na época da contratação do

contrato bilateral “i”, definido pela ANEEL, expresso em R$/MWh” (Resolução Aneel 22, de 01/02/01).

Objetivando incentivar o desenvolvimento de fontes energéticas renováveis, a Aneel fixou um Valor Normativo (VN) que pôde ser considerado elevado quando comparado às possíveis fontes de energia que formam o portfolio de compra das distribuidoras para atendimento aos consumidores cativos. A Tabela 3.18 apresenta os Valores Normativos para os contratos bilaterais de compra e venda de energia elétrica de prazo igual ou superior a 24 meses, referentes aos empreendimentos em fase de implantação comprovada, segundo as fontes de geração.

Tabela 3.18 – Valor Normativo por tipo de fonte de geração, 2002 (em R$/MWh).

Tipo de fonte de geração Valor Normativo (R$/MWh)

Competitiva1 72,35

Termelétrica Carvão Nacional 74,86

Pequena Central Hidrelétrica 79,29

Termelétrica Biomassa 89,86

Central Termelétrica a Gás Natural > 350 MW2 91,06

Central Termelétrica a Gás Natural < = 350 MW3 106,40

Usina Eólica 112,21

Usina Solar Fotovoltaica 264,12

Fonte: RESOLUÇÃO ANEEL 488, DE 29/08/2002.

1

O Valor Normativo da linha competitiva inclui a geração das grandes hidrelétricas.

2 e 3

Apenas para os contratos de compras de energia elétrica oriunda de centrais termelétricas integrantes do Programa Prioritário de Termeletricidade – PPT, instituído pelo Decreto 3.371, de 24/2/2000, em fase de implantação comprovada.

43 Conforme mencionado, consumidor que adquire, compulsoriamente, energia da concessionária a cuja

Desse modo, suponha uma distribuidora que tinha duas opções de compra de energia elétrica para o atendimento a seus consumidores cativos: comprar de um grande gerador hidrelétrico ou de um PIE sucroalcooleiro. Suponha, ainda, que o

preço do MWh exigido pelos dois produtores, ou seja, de PBi, fosse da ordem de R$

65,00. Comprando do gerador hidrelétrico, a distribuidora inseriria no cálculo do custo das compras de energia elétrica, o valor referente ao montante adquirido (em MWh) vezes o preço de repasse (PCE). No caso, o valor do PCE seria dado pela situação (V), ou seja, [(0,80 x PBi) + (0,19 x VNi)]44 e, nesse exemplo, seria de exatamente R$ 65,75.

Caso a distribuidora optasse por comprar de um PIE sucroalcooleiro, considerando que o preço de venda da energia co-gerada (PB) fosse da ordem de R$ 65,00/MWh, o preço de repasse permitido aos consumidores cativos (PCE) seria de R$ 79,53, ou seja, (0,885 x VNi).45 Nesse exemplo hipotético, ao adquirir energia elétrica do PIE sucroalcooleiro, a distribuidora inseriria no reajuste anual para seus consumidores cativos, um valor de PCE 21% superior caso comprasse a energia elétrica de um gerador hidrelétrico.46 Assim, observa-se a importância da fixação dos Valores Normativos para o fornecedor de energia elétrica a consumidores cativos, pois, influenciando diretamente a formação do PCE, o Valor Normativo influencia indiretamente o reajuste anual a ser repassado pelas distribuidoras à tarifa de fornecimento de energia elétrica para o consumidor cativo.

Conforme mostra a Tabela 3.18, o Valor Normativo acordado para fonte de geração biomassa era 24,2% superior à fonte de geração competitiva. Desse modo, havia incentivos consideráveis para as distribuidoras, cujo mercado cativo é o mais representativo, em contratar o fornecimento de energia elétrica com fonte de geração especificada como sendo de biomassa, uma vez que as derivadas de usina eólica e solar fotovoltaica não apresentam relevância dentro da matriz energética brasileira.

Nesse aspecto, para determinação da estratégia dominante da concessionária à época, em referência ao preço máximo de reserva da distribuidora, pode-se elaborar um exemplo considerando o preço de compra (PBi) como sendo os

44

“quando o valor de PBi for menor que 0,95 x VNi e maior ou igual a 0,90 x VNi, o valor de PCEi será

igual a 0,8 x PBi + 0,19 x VNi” (Resolução Aneel 22, de 01/02/01). 45

“quando o valor de PBi for menor que 0,85 x VNi, o valor de PCEi será igual a 0,885 x VNi”

(Resolução Aneel 22, de 01/02/01).

46 Fato que considerando a inelasticidade da demanda para os consumidores cativos, representaria um

pontos limites das situações I a VII da Tabela 3.17, adotando como Valor Normativo o preço destinado à biomassa, da ordem de R$ 89,86.

Tabela 3.19 – Preços de compra e de repasse em determinadas situações (em R$/MWh). Preço de Compra

(a)

Situação Preço de Repasse (b) Diferença (a – b)

103,339 I) PBi = (1,15 x VNi) 100,194 -3,145 98,846 II) PBi = (1,10 x VNi) 97,947 -0,899 94,353 III) PBi = (1,05 x VNi) 94,353 0,000 85,367 IV) PBi = (0,95 x VNi) 85,367 0,000 80,874 V) PBi = (0,90 x VNi) 81,773 0,899 76,381 VI) PBi = (0,85 x VNi) 79,526 3,145 76,291 VII) PBi = (0,849 x VNi) 79,526 3,235

Fonte: Resultados de pesquisa (2003).

Note que ocorriam incentivos para a distribuidora apresentar ofertas de compra de energia ao co-gerador sucroalcooleiro, para valores inferiores a R$ 85,37,

pois além do repasse integral, ainda haveria um repasse extrapositivo.47 Valores

superiores a esse, significariam o repasse integral do custo de compra ao co-gerador, mas nenhum repasse extra para o mercado cativo, sendo que compras superiores a R$ 94,35 por MWh significariam uma contribuição negativa para o repasse integral do custo de compra à tarifa do consumidor cativo.

No entanto, com a justificativa de que a sistemática do Valor Normativo estaria onerando o preço final ao consumidor final, por meio da Resolução 248, de 06/05/2002, a Aneel promoveu a unificação do Valor Normativo para novos contratos, optando por adotar apenas o Valor Normativo para fonte competitiva (Hidroelétrica) como padrão. Dessa forma, independentemente da fonte de geração, o Valor Normativo atualmente é de R$ 72,35 por MWh.

Desde então, a energia gerada por biomassa perdeu um forte fator de competitividade, que, em última instância, buscava representar um subsídio ao setor

47

Logicamente, deve-se considerar os custos de transação na análise (negociação, elaboração e monitoramento do contrato, entre outros), que conduziam a distribuidora a ofertar um preço bem inferior ao mencionado no texto.

sucroalcooleiro (pago pelos consumidores cativos). Ademais, de acordo com a ELETROBRÁS/UFRJ (2003), a CPFL está solicitando a revisão do contrato com os principais co-geradores sucroalcooleiros, com a arbitragem da Aneel. De acordo com a distribuidora, os contratos assinados com o setor sucroalcooleiro devem sofre um deságio de cerca de 20% no preço do MWh em virtude da unificação do valor normativo. A empresa citou como exemplo o contrato assinado com a Companhia Energética Santa Elisa. Com o valor normativo unificado a R$ 72,35 por MWh, a Aneel considerou, para cálculo do reajuste tarifário, que a CPFL adquire energia da Santa Elisa a um preço pouco superior a R$ 80/MWh (vide Tabela 3.17), quando, na prática a CPFL está remunerando a empresa a aproximadamente R$ 100/MWh.

A unificação do valor normativo veio acompanhada da promessa de aprovação de um programa específico para incentivo a fontes alternativas, que substituiria o incentivo fornecido via preço pelo valor normativo – o Programa de Incentivo a Fontes Alternativas (Proinfa). Todavia, a demora na regulamentação do Proinfa, tem gerado um “vácuo” regulatório na questão de incentivos a fontes alternativas de geração. O Proinfa será discutido no capítulo 5.