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Araştırma Modelinin Hipotezleri

BÖLÜM 3: ÖNERİLEN ARAŞTIRMA MODELİ

3.2. Araştırma Modelinin Hipotezleri

Do universo passível de ser considerado consumidor livre, poucos têm adotado a estratégia de migração da condição de cativo para a de livre. Entre os fatores para essa estratégia, pode citar que, de acordo com ANDRADE (2000), a participação da energia elétrica no custo final do produto tem ficado em torno de 2% a 4%. Outro fator é que o fornecimento para o consumidor cativo é garantido contratualmente pelo órgão regulador e, para os consumidores livres, a garantia é dada apenas pelo fornecedor.

Para que geradores sucroalcooleiros possam competir com as distribuidoras locais por consumidores livres, há necessidade de que, no mínimo, o preço de oferta ao consumidor livre seja inferior à tarifa praticada para os consumidores cativos pelas distribuidoras locais. Apesar de a tarifa média pratica na Região Sudeste ao setor industrial estar na ordem de R$ 122,27 em janeiro/2003, para uma análise detalhada deve-se verificar a tarifa praticada aos consumidores cativos que sejam potenciais consumidores livres (aqueles com demanda contratada superior a três MW e atendidos em tensão superior a 69 kV). A Tabela 3.13 apresenta a tarifa praticada para esse tipo de consumidor, considerando aqueles atendidos na área de concessão da CPFL.

Tabela 3.13 – Tarifas de energia elétrica praticadas pela CPFL, válidas até 07 de abril de 2004 (em R$/MWh). TUSD + TUST (R$/MWh)2 TE (R$/MWh)3 Tarifa horo- sazonal Azul1

Ponta Fora de ponta Ponta Fora de ponta

Subgrupos Seca4 Úmida Seca Úmida Seca Úmida Seca Úmida

A2 (88 a 138 kV) 22,00 19,66 12,77 11,41 79,09 73,85 56,92 52,25

A3 (69 kV) 22,00 19,66 12,77 11,41 89,89 79,70 62,10 53,61

Fonte: ANEEL (2003).

1

Consumidor que apresenta uma tarifa diferenciada conforme o horário de uso. A tarifa é mais elevada quando há utilização de energia no horário de ponta (18h às 21 h). O horário fora de ponta é o período do dia excluindo o das 18 h às 21 h.

2

Tarifa de uso do sistema de distribuição (TUSD) e tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST).

3

Tarifa de energia (TE).

4

O período compreendido entre dezembro e abril é considerado o período seco (quando a precipitação pluviométrica é reduzida). Nesse período as tarifas são mais elevadas do que as cobradas durante o período úmido (de maio a novembro).

Note que a tarifa de energia cobrada dos consumidores potencialmente livres tem inviabilizado a opção do co-gerador sucroalcooleiro comercializar excedentes para consumidores livres. Apesar de a tarifa média do setor industrial (Região SE, jan/03) ser de R$ 122 por MWh, a tarifa específica da CPFL para os potenciais

consumidores livres não atinge R$ 75/MWh.39 Essa baixa tarifa reflete os subsídios

cruzados que existem na estrutura tarifária do setor elétrico. No caso, setores - como o residencial - subsidiam a tarifa do segmento de grandes consumidores, normalmente caracterizados por serem eletro-intensivo. A tarifa residencial para os consumidores cativos da CPFL (excluindo os classificados como baixa renda), até abril de 2004, era da ordem de R$ 146,42/MWh (cerca de 95% superior à tarifa do exemplo citado acima). Assim, considerando que o preço médio do MWh vigente nos contratos entre o setor sucroalcooleiro e a CPFL é da ordem de R$ 67,00 (ÚNICA, 2002), a margem de lucro para o gerador sucroalcooleiro seria extremamente pequena (ou negativa) no caso da venda direta ao consumidor livre. Ademais, provavelmente seria

39 Tarifa horo-sazonal azul, consumo fora de ponta, período seco, subgrupo A3 (69 kV). Inclui a TUSD,

necessária a venda de uma energia firme, ou seja, durante o ano todo e, nesse caso, deveriam ser analisados os custos de armazenamento do bagaço e/ou de obtenção da palha, dificultando ainda mais o exercício dessa forma de comercialização.

Além disso, analisando essa opção de comercialização sob o referencial teórico da Economia dos Custos de Transação, considerando-se a assimetria de informações entre os agentes envolvidos na transação, espera-se que as transações realizadas junto aos consumidores livres apresentem elevados níveis de incerteza, basicamente, devido à falta de tradição nesse tipo de comercialização e, por conseguinte, de conhecimento mútuo. Considerando que a comercialização de energia elétrica não é o core business do consumidor livre nem do gerador sucroalcooleiro, o pressuposto do oportunismo e o pouco valor que esses agentes possam dar à reputação deverão agravar, ao menos inicialmente, o risco nas transações advindo do atributo de incerteza. Dessa forma, para mitigar esse problema, o co-gerador poderia estabelecer contratos de longo prazo, com salvaguardas e incentivos que sinalizem a pequena possibilidade de quebra contratual e de oportunismo. Nesse caso, o fornecimento de energia firme (durante todo o ano) é considerado fator essencial para a celebração de contratos de longo prazo.

Todavia, para a concretização da venda ao consumidor livre, ou a qualquer outro agente do setor elétrico, depende, sobretudo, do acesso às redes de transmissão e de distribuição. Esse aspecto é tratado a seguir.

3.2.2.1.1 As condições de livre acesso às redes de transporte de energia elétrica

Em 01 de outubro de 1999, a Aneel promulgou a Resolução 281, estabelecendo as condições gerais de contratação do acesso, compreendendo o uso e a conexão, aos sistemas de transmissão e distribuição de eletricidade, permitindo, desse modo, a efetivação do disposto no Decreto 2.003. Conforme mencionado, com a edição dessa resolução foram estabelecidas as condições gerais de contratação do acesso, uso e conexão aos sistemas de transmissão e distribuição de eletricidade, possibilitando a comercialização direta entre produtores e consumidores livres, independente de suas localizações no sistema elétrico. A Figura 3.11 apresenta as formas contratuais necessárias para a conexão e uso das redes de transmissão e distribuição.

Fonte: Resultados de pesquisa, a partir de ONS (2003).

Figura 3.11 – Estruturas contratuais na prestação dos serviços de uso e de conexão às redes de distribuição e de transmissão no setor elétrico.

Se os geradores (G), ou PIEs, usarem a rede de transmissão básica (igual ou acima de 230 kV), devem firmar o contrato de uso dos sistemas de transmissão com o Operador Nacional do Sistema (ONS), além do contrato de conexão com a empresa de transmissão no ponto de acesso. Os custos derivados da implantação (reforço), operação e manutenção das instalações de conexão e os respectivos encargos são de responsabilidade dos geradores (G). Quanto ao acesso aos sistemas de distribuição (< 230 kV), tanto os geradores (G) quanto os consumidores livres (C) devem firmar os contratos de uso dos sistemas de distribuição e de conexão com a distribuidora local, detentora da rede. Além disso, ficam responsáveis também por efetuar os estudos, projetos e a execução das instalações de uso exclusivo e a conexão com o sistema elétrico da distribuidora onde será feito o acesso.

Esses custos de transporte podem inviabilizar a venda para agentes que não a distribuidora local. Ademais, podem inviabilizar a própria venda à distribuidora local. Por exemplo, pode-se citar o caso de uma usina na região da Bacia do rio Mogi Guaçu que apresentava um pequeno excedente que não vinha sendo comercializado devido aos investimentos necessários ao reforço das linhas de transmissão, da ordem de R$ 600 mil (BACCARIN & CASTILHO, 2002).

G

C

Transmissão

pagamento pelo

uso da transmissão

Distribuição

conexão

custos de

conexão

conexão

custos de

conexão

Distribuição

pagamento pelo

uso da distribuição