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Em 1985, na 27a AGO, as divergências com o Ministério de Madureira voltam a figurar no temário da Convenção Geral sob a pauta: “Unificação dos ministérios em ‘um só corpo’”. A convenção realizou-se na Igreja Assembléia de Deus em Anápolis, GO, vinculada ao Ministério de Madureira, que na ocasião contava com cinqüenta e um templos, cinco mil e quinhentos membros e um mil e trezentos congregados. Na pauta da Convenção Geral estava a eleição da Mesa Diretora para o Biênio 1985 - 87.

Na Convenção de 1985 há muita tensão. Anápolis é um campo de batalha, para se valer de uma expressão de Bourdieu26, onde há muita expectativa sobre a reeleição de Manoel

Ferreira. Para tentar derrotá-lo, uma chapa é engendrada um ano antes, no 3o EMAD — Encontro de Ministros das Assembléias de Deus, realizado em João Pessoa, PB em outubro de 1984. Há uma expectativa que a Mesa Diretora da CGADB não homologasse a Chapa Consenso, mesmo com 101 assinaturas de apoio. Sobre essa expectativa relata Daniel (2004, p. 503) com base no Mensageiro da Paz:

A maior expectativa dos pastores voltava-se para a chapa consenso, fruto do entendimento nacional que foi aprovado no 3o Emad27, realizado em João Pessoa. Porém, as palavras do pastor Manoel Ferreira, ao final do culto de abertura, foram bem claras a respeito. Ele disse que os convencionais “podiam dormir tranqüilos, pois a chapa de consenso representa a

26 Pierre Bourdieu em seu livro “A Economia das Trocas Simbólicas” apresenta a sociedade como um campo

de batalha operando com bases nas relações de força manifestadas dentro da área da significação.

27 3o Emad — Encontro de Ministros das Assembléias de Deus, realizado em outubro de 1984 em João

Pessoa, PB. A partir de 1985 muda-se a nomenclatura de EMAD para ELAD, inclusive dando nova contagem ordinária.

unanimidade da igreja, e ela será homologada na instalação dos trabalhos da Assembléia de Deus”.

No mesmo culto de abertura da Convenção o presidente da Ceader — Convenção Evangélica das Assembléias de Deus no Estado do Rio de Janeiro —, manifestou-se a favor da Chapa Consenso e conclamou os convencionais dizendo: “Cremos que Deus vai abençoar sobremodo esta Convenção. Já não temos dúvidas de que a nossa coesão para a Chapa Consenso represente a maior vitória que vamos ter nestes dias” (p. 504). Nas eleições, do dia seguinte, o representante do Ministério de Madureira, pastor Manoel Ferreira, então Presidente da CGADB, no biênio 1883 – 84, é derrotado pela Chapa Consenso que tem como presidente José Pimentel de Carvalho, Manoel Ferreira como primeiro vice-presidente e, entre outros, o pastor José Wellington Bezerra da Costa como primeiro secretário.

Em 1987 em Salvador, BA, realizou-se a 28a AGO. Duas chapas concorreram à presidência da Mesa Diretora da CGADB. Uma liderada pelo pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos e a outra pelo pastor Manoel Ferreira, de Madureira. Novamente o clima é tenso e o Mensageiro da Paz traz um comentário sobre as eleições de 1987:

O ambiente era de expectativa, principalmente pela rigidez das normas na hora do recebimento das cédulas, que eram entregues ao convencional no momento em que ele entrava no plenário. A maior preocupação de todos, porém, era com a unidade da igreja, que deveria ser preservada qualquer que fosse o resultado da eleição (Daniel, 2004, p. 516).

O pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos (2003, p. 103) lembra que o Ministério de Madureira incluiu na chapa dois nomes de expressão nacional que não faziam parte de Madureira. Tratava-se de uma estratégia para dividir votos. Realizou, ainda, uma campanha de propaganda “de modo nitidamente político partidário”:

...onde todos os pastores, evangelistas e missionários se defrontaram com a propaganda acintosa do pastor Manoel Ferreira, candidato à presidência pelo Ministério de Madureira, até na antecâmara do plenário da eleição. De nossa parte, a única coisa feita foi a distribuição, para quem quis, de um pequeno impresso com os nomes dos candidatos integrantes da chapa.

Nas urnas venceu a chapa do pastor Alcebíades Ferreira Vasconcelos que tinha o pastor José Wellington Bezerra da Costa como primeiro vice-presidente. Pela análise do pastor Alcebíades (2003, p. 103), “a assembléia geral poderia ter sido melhor e ter produzido melhores frutos para nossa igreja como um todo, se houvesse sido realizada no espírito cristão, e não no espírito político, como o foi”.

Contrapondo-se à versão da história apresentada por Daniel e Vasconcelos, o pastor Davi Cabral28 (2002, p. 143) afirma que o estatuto da CGADB não permitia a reeleição em

1985, logo houve um acordo para que a passagem da presidência da Mesa Diretora para o Ministério da Missão fosse tranqüila. Manoel Ferreira não lançaria um nome de Madureira, em vez disso o cargo de 1o vice-presidente ficaria para o Ministério de Madureira, na pessoa do próprio Manoel Ferreira. Em 1987 seria formada uma chapa e a presidência voltaria para o Ministério de Madureira e o cargo de 1o vice-presidente para o Ministério da Missão.

Entretanto, em janeiro de 1987, quando novamente o acordo fora previamente combinado com as lideranças de ambos os segmentos, na assembléia de abertura da convenção em Salvador, BA, os ministros de Madureira foram surpreendidos com a mudança abrupta, de posição do ministério co-irmão que resolveu formar chapa exclusiva. Levando-se em conta a não mobilização do ministério de Madureira para uma votação, a vitória foi difícil para os concorrentes (Cabral, 2002, p. 147).

Cabral (2002, p. 147) afirma que a nova Mesa Diretora, logo ao assumir, resolveu retomar a questão da Jurisdição Eclesiástica que estabelece: onde há uma Assembléia de Deus, de um determinado Ministério, outra não pode se estabelecer. Este dispositivo, segundo o autor, tinha por objetivo limitar a expansão do Ministério de Madureira que desde 1958 possuía o Estatuto Padrão e a CNMEADMIF — Convenção Nacional de Ministros Evangélicos das Assembléias de Deus de Madureira e Igrejas Filiadas —, que permitiam uma expansão em todo território nacional.

O gigantismo do Ministério de Madureira, simbolizado pela exuberante Catedral de Madureira, passava agora a ser cerceado pela CGADB. Segundo Cabral (op. cit.), Madureira, por sempre ter respeitado o dispositivo da Jurisdição Eclesiástica, estava restrita a poucos Estados, enquanto a Missão não respeitava o dispositivo e abria trabalhos em locais onde existiam igrejas do Ministério de Madureira com o objetivo de enfraquecimento do Ministério de Madureira (p. 143 – 144). Logo, para Cabral, a CGADB agia com o objetivo de limitar e enfraquecer o Ministério de Madureira.

28 David Cabral é Pastor-presidente da Assembléia de Deus em Volta Redonda, RJ, e presidente da Junta

1.6.6 29a AGO de 1989 – Ministério de Madureira é Desligado da CGADB

A 29a AGO de 1989, sob a presidência do pastor José Wellington Bezerra da Costa, foi convocada pela mesa Diretora da CGADB sob a designação de 1a Assembléia Geral Extraordinária. O pastor José Wellington que na 28a AGO era o 1o Vice-Presidente, passou para a presidência da CGADB com o falecimento do então Presidente pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos em 12 de maio de 1988.

Na pauta da Convenção apenas três temas, sendo o primeiro: o relacionamento da CNMEADMIF e a CGADB. A decisão aprovada pelo plenário foi o desligamento do Ministério de Madureira da CGADB em uma votação de 1.648 a favor em um total de 1656 votos. Como conseqüência da resolução, ficaram suspensos os direitos de ministro de pastores e evangelistas de Madureira em todo o país. A resolução aprovada na ocasião encontra-se atualmente no artigo 9o do Estatuto da CGADB, no capítulo III: Dos Membros, Direitos, Deveres e Penalidades:

Art. 9º É vedado aos membros da Convenção Geral:

I. – abrir trabalhos em outra região eclesiástica e receber ministros ou membros de uma Assembléia de Deus no Brasil atingidos por medida disciplinar;

II. – apoiar, em qualquer hipótese, trabalhos dissidentes por acaso existentes ou que venham a existir em qualquer região eclesiástica da mesma fé e ordem;

III. – vincular-se a qualquer tipo de sociedade secreta; IV. – vincular-se a movimento ecumênico;

V. – vincular-se a mais de uma Convenção Estadual ou Regional;

VI. – vincular-se a outra convenção nacional ou de caráter geral, com abrangência e prerrogativas da Convenção Geral;

VII. – exercer seu ministério isoladamente, sem vínculo a uma Convenção Estadual ou Regional;

VIII. – exercer funções ministeriais, isoladas ou não, onde a Igreja ou Convenção Estadual ou Regional da qual se transferiu, mantenha atividades;

Daniel (2004, p. 526), ao referir-se ao artigo 9o do Estatuto da CGADB, argumenta: “Este dispositivo estatutário torna evidente a superioridade da Convenção Geral sobre as demais convenções a ela filiadas e que, portanto, não podem ser considerados membros da Convenção Geral...”. Expõe, ainda, que a CNMEADMIF violou sistematicamente algumas resoluções da CGADB, em uma demonstração de força e de confronto. Entre as resoluções da Convenção de Madureira que ferem o Estatuto da CGADB, destacam-se:

a. 06 de outubro de 1987, resolveu:

Abrir oficialmente trabalhos do Ministério de Madureira em todo Território Nacional.

b. 05 de janeiro de 1988, resolveu:

Receber o pastor Benjamin Filipe Rodrigues, que havia sido desligado da CGADB.

Ignorar quaisquer decisões que foram ou venham a ser tomadas pela atual Mesa Diretora da CGADB sobre as pendências que envolverem ou que envolvam o Ministério de Madureira” (Daniel, 2004, p. 527).

Circulou durante a 1a Assembléia Geral Extraordinária um abaixo assinado de solidariedade à Mesa Diretora da CGADB, e cita os Estados onde há Convenções de Madureira e que devem ser desligadas: Mato Grosso do Sul; Espírito Santo; São Paulo; Minas Gerais; Paraná e Distrito Federal. O abaixo assinado e a votação expressiva de mais de noventa e nove por cento dos votos pelo desligamento de Madureira evidencia que o desligamento de Madureira não é uma atitude isolada da Mesa Diretora da CGADB.

Benzer Belgeler