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ARAŞTIRMA’NIN PROBLEMİ

O Direito, como todo e qualquer objeto cultural, não pode ser reduzido à análise semântica, nem mesmo à análise sintática das normas jurídicas. O contexto social em que as normas jurídicas estão inseridas influem decisivamente na sua aplicação e na sua interpretação, pois é nele que o Direito capta os valores firmados pela Sociedade, de modo que a investigação dos significados e das estruturas das normas jurídicas deve ser também associada à sua análise pragmática.

É por esse motivo que o trabalho enciclopédico do cultor da Ciência do Direito de nada serve sem que seu conhecimento observe o ambiente social. Também por esse motivo é que, por mais convincentes que sejam os instrumentos de análise dados pela lógica jurídica, por meio dela não se apreende a dimensão social e os valores que preenchem as estruturas sintáticas das normas jurídicas (VILANOVA, 1977, p. 251-252). A integral compreensão do fenômeno jurídico passa pelas análises semânticas, sintática e pragmática da norma jurídica.

Ao se propor a definir o conceito fundamental de tributo, o presente trabalho esboçou sua análise pragmática, tratando de sua causa e função no âmbito da Ciência do Direito, além de já ter empreendido uma análise semântica do termo, o que se fez isolando um de seus significados, qual seja, o de norma jurídica tributária.

Para além dessas análises pragmáticas e semânticas, é de se verificar que as normas jurídicas, dentre elas, as tributárias, constituem-se, individualmente, cada uma delas, em uma estrutura atomicamente formada por uma hipótese associada a uma conseqüência. As investigações acerca desse fenômeno, portanto, colocam acento na análise sintática das normas jurídicas, demandando a utilização do ferramental disponibilizado pela lógica jurídica.

A minuciosa elaboração da estrutura lógica da norma jurídica tributária voltada para as condutas intersubjetivas é trabalho de destaque na obra de Paulo de Barros Carvalho (1999b, p. 79-81), que a ela se refere como “norma tributária em sentido estrito”, que “assinala o núcleo da percussão jurídica do tributo, isto é, a ‘norma-padrão’ ou ‘regra-matriz de incidência’”. Reportando-nos às lições desse autor (CARVALHO, 1999a, 1999b, 2002) para tratamos do tema da construção doutrinária da regra-matriz de incidência tributária, limitamo-nos, no presente estudo, a colacionar apenas breves considerações a respeito, na medida em que sejam adequadas ao nosso limitado propósito.

Sintaticamente, toda norma jurídica é composta por uma hipótese associada a uma conseqüência. Na hipótese, descrevem-se abstratamente as propriedades de um ato ou de um fato observados no mundo fenomênico, consubstanciados em comportamentos humanos que, situados no tempo e no espaço, expressam uma ação, um estado ou uma qualidade. A esses comportamentos são

imputadas as conseqüências normativamente previstas, onde teremos uma relação jurídica composta por sujeito ativo, sujeito passivo e objeto jurídico.

A regra-matriz de incidência, situada na seara do Direito Tributário, apresenta essa estrutura comum a todas as normas jurídicas, com a particularidade de ter em vista, por conta de seu objeto, uma relação jurídica de natureza patrimonial - pecuniária mais especificamente falando. Por esse motivo, a hipótese, imbricada à conseqüência, há de ser composta por um comportamento do contribuinte que denota alguma expressão econômica, de modo a permitir que desta seja retirada uma parcela de riqueza a ser entregue ao Estado. Referida expressão econômica do comportamento do contribuinte é denominada base de cálculo, sendo que sua associação a uma alíquota resultará na prestação pecuniária de que trata o artigo 3º do CTN.

Para isolamento desses elementos integrantes da regra-matriz de incidência, Paulo de Barros Carvalho (1999a) arrola “critérios de identificação” das propriedades de cada um deles definidas pelo legislador, tratando, assim, de (1) critério material, que descreve o comportamento das pessoas - a esse critério denominaremos, no curso do presente trabalho, por materialidade; de (2) critério espacial e de (3) critério temporal, que aludem, respectivamente, ao local e ao tempo em que mencionado comportamento se dá; de (4) critério pessoal, que faz menção aos sujeitos de direito envolvidos na relação jurídica tributária, quais sejam, o Estado e o contribuinte; e de (5) critério quantitativo, que dá as notas da expressão patrimonial que o contribuinte deverá entregar ao Estado por conta de sua atividade arrecadatória.

De antemão verifica-se que a destinação do produto da arrecadação do tributo não cabe na estrutura normativa ditada pela regra-matriz de incidência. Nesse modelo teórico, que adotamos, a destinação é objeto de outra norma jurídica, de Direito

Financeiro, na qual o arrecadador da citada quantia em dinheiro será visto como sujeito passivo, sendo que o sujeito ativo será o titular de um fundo legal ou constitucionalmente instituído para abrigar os recursos financeiros arrecadados. Voltaremos mais adiante a esse tema, ao tratarmos da pertinencialidade da finalidade e da destinação do produto da arrecadação de tributos ao tema da definição e do conceito de tributo.

No que tange, portanto, ao seu aspecto estrutural, o conceito fundamental de tributo reporta-se a uma norma jurídica composta por uma hipótese de incidência que descreve uma conduta denotadora de riqueza, associada a uma conseqüência de natureza patrimonial com a qual o Estado tem o direito subjetivo de exigir que a ele seja dada, pelo contribuinte, pecúnia.