Serão analisados agora os investimentos e o fomento à pesquisa científica e tecnológica, e a inovação na Região. Uma das principais fontes de financiamento se dá via o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Outra fonte de financiamento importante para a Região, criado recentemente, é o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNDECI), destinando recursos para as diversas empresas da Região via o Banco do Nordeste do Brasil.
A tabela 6.2 (abaixo) faz um comparativo entre o Nordeste e o Sudeste do Brasil, mostrando os grupos de pesquisa e o fomento à pesquisa nas regiões. As variáveis analisadas
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A competitividade espúria é aquela decorrente: dos baixos salários; manipulação da taxa de câmbio; subsídios às exportações; entre outras (HAGUENAUER, 1989; KUPFER, 1991).
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Segundo Coutinho et al (1994), as dimensões sistêmicas da competitividade estão ligadas: aos fundamentos sociais, como: educação básica; qualificação e treinamento do trabalhador; novas organizações produtivas; mercado de trabalho cooperativo; qualidade do mercado de trabalho. Soma-se a isso o desenvolvimento das capacidades tecnológicas e a promoção da cooperação, o incentivo à ciência, à tecnologia, ao conhecimento e ao aprendizado. São necessários, também, investimentos em infra-estrutura física: energia; transporte; telecomunicações; rodovias; entre outras. Além de incentivos ao crédito, ao financiamento e a promoção das exportações. Ver também: Lastres e Cassiolato (2003).
são: quantidade de instituições, as linhas de pesquisa, grupos de pesquisa, pesquisadores, estudantes e técnicos.
Tabela 6.2 – Regiões Geográficas - Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil e Fomento do CNPq, 2000 a 2008. SUDESTE DO BRASIL PRINCIPAIS DIMENSÕES 2000 2002 2004 2006 2008 ∆ % (2000- 2008) Instituições 125 140 173 210 216 172,80 Linhas de pesquisa 21485 26163 35078 38292 41.702 194,10 Grupos 6733 7855 10221 10592 11.120 165,16 Pesquisadores 26875 28935 40094 45928 52.117 193,92 Pesquisadores Doutores 17354 20540 28838 33900 38.558 222,19 Estudantes 34218 31539 53688 64608 77.092 225,30 Técnicos 10628 11305 13736 13400 13.549 127,48 NORDESTE DO BRASIL PRINCIPAIS DIMENSÕES 2000 2002 2004 2006 2008 ∆ % (2000- 2008) Instituições 39 48 58 63 67 171,79 Linhas de pesquisa 5718 7962 10387 12763 15.673 274,10 Grupos 1720 2274 2760 3269 3.863 224,59 Pesquisadores 7760 9547 12480 15601 19.710 253,99 Pesquisadores Doutores 3705 5168 7294 9380 11.625 313,77 Estudantes 8602 10475 16287 22499 31.234 363,10 Técnicos 1836 2142 2650 2830 3.350 182,46 Fonte: MTE/CNPQ, 2010.
Assim, a análise dos dados mostra a evolução da Região Nordeste, quando comparada com a Sudeste, sendo visíveis as disparidades entre os dois sistemas, embora o Nordeste tenha praticamente dobrado todos os indicadores. Utilizando-se os dados populacionais do IBGE de 2000 e 2007 para o Nordeste e o Sudeste, observa-se a população do Nordeste em relação ao Sudeste, em 2000, 48.075.599 contra 73.038.040 e, em 2007, 51.534.571 contra 77.873.342; praticamente não se alterando a participação relativa, ficando em aproximadamente 66%. Assim, analisando as proporções, levando em consideração os dados populacionais de 2007 e os dados do CNPQ de 2008, o Nordeste deveria apresentar, proporcionalmente, os seguintes dados: 143 instituições; 27.597 linhas de pesquisas; 7.359 grupos; 34.490 pesquisadores; 25.517 pesquisadores doutores; 51.017 estudantes; e, 8.966 técnicos. Precisa-se, então, avançar na análise dos dados, tentando investigar as lacunas no fomento à pesquisa na Região.
O gráfico 6.7 (abaixo) mostra o total de investimento despendido nas regiões brasileiras nos anos de 1996 e 2008. O primeiro fator a ser observado é o aumento significativo dos recursos destinados à pesquisa, à ciência e à tecnologia nas regiões, prevalecendo os recursos destinados à Região Sudeste do País.
Gráfico 6.7 – Nordeste - Total dos investimentos realizados em bolsas e no fomento à
pesquisa, 1996-2008. Fonte: MCT/CNPQ, 2009.
Embora tenha havido um aumento nos recursos destinados às demais regiões, a soma dos recursos destinados é inferior ao total de recursos direcionados à Região Sudeste. Essa disparidade pode ser percebida pelo gráfico que segue.
Gráfico 6.8 – Regiões do Brasil – Participação no Total dos Investimentos Realizados e
Bolsas e Fomento à Pesquisa, 1996 e 2008. Fonte: MCT/CNPQ, 2010.
Em suma, observa-se que houve um aumento significativo dos investimentos no fomento à pesquisa e em bolsas de estudos no País, muito embora esses investimentos estejam concentrados em mais da metade (segundo o ano de 2008) em uma única Região, a Sudeste. O que mostra que, dado o desenvolvimento dos centros de pesquisas nesse Região, além da quantidade de pesquisadores, é reflexo desse montante investido. Precisa-se direcionar maiores investimentos para outros subsistemas regionais de inovação que se apresentam menos dinâmicos, criando uma infra-estrutura científica e tecnológica na tentativa de consolidá-los enquanto centro de excelência em pesquisa e desenvolvimento, além de uma política de fixação da mão-de-obra especializada nessas regiões.
Gráfico 6.9 – Investimentos em Bolsas e Fomento à Pesquisa (localização das dez
instituições que mais recebem recursos), 2008. Fonte: MCT/CNPQ, 2010.
O gráfico 6.9 mostra as disparidades em temos de investimentos. Nesse sentido, do
ranking das dez instituições que mais recebem recursos do governo federal para bolsas e
fomento à pesquisa, 5 (cinco) encontram-se no Sudeste do País, e as demais distribuídas nas outras regiões, sendo: 2 (duas) no Nodeste; 2 (duas) no Sul; e, 1 (uma) no Centro-Oeste. O gráfico 6.10 seguinte mostra os investimentos per capita em termos de bolsa e fomento à pesquisa.
Gráfico 6.10 – Regiões do Brasil – Investimento per capita Realizados em Bolsas de Estudos
e em Fomento à Pesquisa (R$ 1,00), 1996 e 2008. Fonte: MCT/CNPQ, 2010.
Para os dois anos analisados o Sudeste apresentou-se como a Região com o maior investimento per capita, chegando a quase R$ 8,00 por pessoa (2008). Seguida do Sul com R$ 7,00 (2008) e Centro-Oeste com aproximadamente R$ 6,00 (2008). Os piores indicadores em investimento per capita ficaram por conta do Norte e o Nortdeste, sendo aproximandamente R$ 4,00 e R$ 3,60, respectivamente.
Analisando-se especificamente o Nordeste, percebe-se que os recursos destinados elevaram-se nos últimos anos. De acordo com o gráfico 6.11 (abaixo), esses investimentos estão concentrados principalmente nos estados da Pernambuco, Ceará e Bahia. Seguidos de Paraíba e Rio Grande do Norte. Além da concetração dos investimentos e projetos, conforme visto no capítulo 5, nesses estados também há uma concentração de investimentos em bolsas e fomento à pesquisa.
Gráfico 6.11 – Nordeste - Total dos investimentos realizados em bolsas e no fomento à
pesquisa por Unidade de Federação (Mil correntes), 1996 e 2008. Fonte: MCT/CNPQ, 2009.
Quanto aos investimentos per capita dos estados do Nordeste, embora Bahia, Ceará e Pernambuco apresentem os maiores investimentos em bolsas e fomento à pesquisa; Pernambuco e Paraíba apresentam os maiores investimentos per capita.
Gráfico 6.12 – Regiões do Brasil – Investimento per capita por Estado do Nordeste (R$
1,00), 1996 e 2008. Fonte: MCT/CNPQ, 2010.
Analisando-se agora a quantidade de doutores para cada 100 mil habitantes das regiões brasileiras, tem-se que o Sul apresenta o melhor índice para os anos analisados, com exceção do ano 2000. No mais, os estados do Sudeste e do Centro Oeste apresentam os melhores resultados.
Gráfico 6.13 – Regiões do Brasil – Número de Doutores por 100 mil habitantes, 2000 a
2008.
Fonte: MCT/CNPQ, 2010.
Conforme se percebe no gráfico acima, os estados do Norte e Nordeste apresentam o menor número de doutores para cada 100 mil habitantes entre as regiões do País. Em 2008, especificamente, tinha-se o seguinte resultado: Sul com 55 doutores para cada 100 mil habitantes; Sudeste, 49 doutores; Centro-Oeste, 41 doutores; Nordeste, 22 doutores; e Norte, com 20 doutores.
Desagregando a análise será percebido no gráfico 6.14 (abaixo) o número de doutores para cada 100 mil habitantes para os estados do Nordeste.
Gráfico 6.14 – Regiões do Brasil – Número de Doutores por 100 mil habitantes, 2000 a
2008.
Assim, a análise dos dados revela resultados que merecem uma maior investigação. O estado da Paraíba apresenta o melhor indicador por 100 mil habitantes (2008). Entre os anos de 2000/2008, a Paraíba triplicou esse indicador, passando de 15 para 45 doutores por 100 mil habitantes. Os outros estados tiveram o seguinte indicador, em ordem decrescente para o ano de 2008: Rio Grande do Norte, com 36 doutores/100 mil habitantes; Pernambuco, com 32 doutores; Sergipe, com 28 doutores. Os estados da Bahia, Ceará e Alagoas apresentaram 22, 19 e 19 doutores para cada 100 mil habitantes, respectivamente. A importância desses dados é revelada quando se observa a inovação enquanto um fenômeno localmente contextualizado, apresentando-se como uma das possibilidades para o estado da Paraíba, bem com para a dinamização dos sistemas regionais de inovação.
Esses dados podem ser justificados quando se analisa a quantidade absoluta de doutores, o que mostra que a Paraíba tem uma quantidade expressiva, sendo o terceiro maior estado com 1.675 doutores e o quinto em termos populacionais, aproximadamente 3 milhões de habitantes.
A análise dos dados de investimentos em bolsas e fomento à pesquisa merece considerações. Em primeiro lugar, existe na Região uma disparidade em termos de instituições, grupos de pesquisa, linhas de pesquisa, quantidade de doutores, o que se tentou mostrar a partir de uma relação entre a população do Nordeste e a do Sudeste para o ano de 2007. Isso é corroborado quando se analisam os recursos destinados para as regiões, em termos de bolsas e fomento à pesquisa, sendo que a Região Sudeste abarca mais de 50% dos investimentos, além de metade das dez primeiras instituições que mais recebem recursos do governo federal. O Nordeste recebe 16,60% dos investimentos a bolsas e ao fomento à pesquisa entre as regiões.
Quando se analisa especificamente o Nordeste, a concentração dos investimentos se dá em basicamente três estados: Pernambuco (5,2%), Ceará (3,1%) e Bahia (2,9%), perfazendo 11,2% do total dos investimentos recebidos.
Ainda, o Nordeste configura-se entre as regiões que apresentam menor investimento
per capita.
Esses dados revelam a ausência de uma estratégia de política que passe pela redução das desigualdades regionais inter-regional e intra-regional em termos de C,T&I. Assim, esses dados e os que seguem (abaixo) apontam um horizonte de possibilidades para se estabelecer um conjunto de políticas deliberadas para o Nordeste, procurando fortalecer na Região os centros de pesquisa e os subsistemas regionais de inovação.