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4. TARTIŞMA

4.3. Araştırmaya katılan anne babaların yaşam kalitesi değerlendirilmesi

A denominação dirigida ao docente de que um professor/educador necessita ser também investigador advém da década de 60, associada a Stenhouse. Este autor foi professor de uma universidade no Reino Unido e dirigiu um Centro de Investigação Aplicada em Educação (Applied Research in Education) cujo objetivo era melhorar o

ensino das escolas, envolvendo os seus professores numa busca pelo conhecimento através da investigação/pesquisa. O centro em questão foi criado com o intuito de dar a conhecer o conceito de investigação, os seus fundamentos e contributos para a prática docente. Este conceito, na altura, era encarado como sendo pouco útil no desempenho docente e na compreensão desta profissão. Dewey (2002) também partilha da opinião de Stenhouse no sentido em que afirma que os docentes são como estudantes do ensino.

Stenhouse (1996, citado por Alarcão, 2000) acreditava que os professores/educadores eram beneficiados profissionalmente quando se envolviam em projetos juntos, partilhando ideias num trabalho conjunto. Uma prova desta teoria é que atualmente é habitual observar uma união entre docentes com troca de impressões sobre o trabalho diário com a sua turma com o objetivo de encontrar as melhores soluções e estratégias para lidar com os problemas do quotidiano, visando obter o melhor rendimento possível (quer individual, quer coletivo).

Esta perspetiva de ensino permanece válida, na medida em que os currículos estão muito exigentes e aos professores são exigidas novas competências e tarefas. Este terá que assumir, não uma tarefa de executar os currículos tal como estão definidos, mas sim de decidir/gerir e questionar as orientações que lhes são dadas. Por outras palavras, é exigido que o docente seja (re) construtor do currículo em parceria com as entidades educativas com as quais exerce a sua função educativa, ajustando-o às necessidades de cada estudante. Alarcão (2000) confia que o este tem competência profissional para cumprir esta árdua tarefa com êxito.

O cargo rigoroso de reconstrutor dos currículos, atribuído aos docentes, é-lhe entregue devido à grande preocupação atual com a qualidade do ensino-aprendizagem e ao reconhecimento de que a mudança educacional não é prescrita por lei, mas instaurada (ou não) pelo docente. Para tal, é necessário haver pesquisa/investigação por parte dos docentes para que sejam críticos e reflexivos, melhorando o seu desempenho profissional. Estes precisam ir em busca de novos conhecimentos e atualizar constantemente os que já possuem.

Alarcão (2000) defende que os docentes deverão questionar constantemente as suas decisões educativas, as suas metodologias e a razão pela qual atua/age de uma determinada maneira e não outra. Necessita de ter atitudes pró-ativas na busca de estratégias e de conhecimentos que o possam ajudar a desempenhar a sua função com

mais qualidade e eficiência. Assim, o docente acaba por estar em constante evolução e aprendizagem, encontrando estratégias diferenciadas e complementares, que decorrem daquilo que observa in loco, diariamente.

De acordo com a Lei de Bases do Sistema Educativo todos as crianças têm direito à educação e à cultura, sendo estas gratuitas e acessíveis a todos. Sendo assim, é necessário que a Educação seja de qualidade de maneira a formarmos indivíduos ativos na sociedade. Uma educação de qualidade depende dos diversos agentes educativos, designadamente do sistema educativo, da evolução da sociedade onde a criança está inserida, dos recursos da escola e, sobretudo, da competência e do desempenho dos professores. O trabalho conjunto destes agentes e o aperfeiçoamento do desempenho docente contribuíram para uma melhor formação holística das nossas crianças. Para que haja mais qualidade na educação é necessário que cada educador (família, docentes, políticos e outros agentes educativos) desempenhe a sua função da melhor forma possível, sem culpar terceiros pelos seus erros. O docente tem um papel determinante na educação e, como tal, precisar utilizar estratégias diversificadas e motivadoras que promovam aprendizagens significativas (Estanqueiro, 2010).

Albert Einstein (sd, citado por Estanqueiro, 2010) afirma que o maior talento de um docente está na capacidade de estimular, no seu aluno/grupo de crianças, a motivação/interesse para o conhecimento e para a criatividade. O desafio de um docente está no combate à desmotivação dos seus educandos que, segundo Estanqueiro (2010) é “fonte de indisciplina e insucesso” (p. 11). Para tal, um bom docente precisa encontrar estratégias de ensino que promovam o interesse e o desejo de aprender em cada criança. Cada uma tem a sua forma de aprender, os seus gostos, sonhos, limitações, capacidades, sendo fundamental ir ao encontro das individualidades de cada um e atuar de forma a chegar a todos, respeitando a diferença e valorizando as suas aptidões. A educação tem como função primordial a de auxiliar a criança a encontrar e expandir as suas capacidades/ potencialidades (Estanqueiro, 2010).

Para além da necessidade que há em respeitar e atender à individualidade de cada criança, é preciso conhecê-la bem para que não haja monotonia no processo ensino-aprendizagem e sejam valorizadas e ampliadas as suas experiências quotidianas, obtidas pelo contacto com o meio (Ministério da Educação, 2004). Esta precisa de desafios para crescer e ultrapassar as suas dificuldades, tendo o docente um papel

fundamental na criação de tarefas desafiadoras às mesmas. O docente não se pode cingir àquilo que elas já sabem, é preciso ir mais além com atividades que lhes possibilitem aperfeiçoar o raciocínio. A monotonia na aprendizagem (aprender aquilo que já sabem e sempre da mesma forma) promove o desinteresse e indisciplina na sala. Por outro lado, se um docente é demasiado exigente numa tarefa com uma criança que não entende, tem um papel desencadeador de baixa autoestima, insegurança e insucesso escolar. Um bom docente deve estabelecer um equilíbrio nas tarefas que propõe, no que concerne ao grau de dificuldade, consoante as limitações e ritmos de aprendizagem de cada criança, esclarecendo o propósito e suscitando interesse nas mesmas. O autor afirma que todo o estudante deve ser incentivando a desenvolver, de forma gradual, o seu potencial, a dar tudo o que tem e a competir entre si para conseguir êxito (Estanqueiro, 2010).

Outro fator que o docente deve ter em conta é a promoção da autonomia nas crianças. Estas precisam ser autónomas e ir à procura do seu conhecimento, com a mediação do docente. Este não pode apenas transmitir conteúdos para as crianças ouvirem e reterem informação. É crucial que a criança busque o seu próprio saber e tenha um papel ativo durante sua formação. Uma forma produtiva da autonomia da criança na busca pelo seu conhecimento e promotora de qualidade de educação é o trabalho cooperativo (Estanqueiro, 2010). Este deve ser feito com grupos com pouco elementos e, sobretudo, com diferentes formas e níveis de aprendizagens para que cooperem entre si, promovendo o espírito de interajuda, a partilha de conhecimentos, vivências e opiniões, assim como, a socialização. Autores como Bessa e Fontaine (2002) e ainda Freitas e Freitas (2002) referem que esta estratégia serve como instrumento fundamental na luta contra a indisciplina escolar, desinteresse, exclusão social e discriminação.

O desempenho de um docente melhora e motiva as suas crianças quando este demonstra sentimentos de confiança e credibilidade nestes. Este deve elogiar e incentivá-las a fazer mais e melhor, deve acreditar nas capacidades destas e valorizar os seus êxitos. Um elogio sincero ao trabalho da criança dá-lhe confiança para executar outros trabalhos sem auxílio (promoção da autonomia) e aumenta a sua autoestima, valorizando o seu empenho (Estanqueiro, 2010).

Freire (1996) aborda a importância das questões na sala, uma vez que auxiliam na promoção da interação com e entre as crianças e na resolução de problemas. Um

docente que estabelece um diálogo constante e uma relação afetiva com as mesmas entusiasma-os surgindo motivação para novas aprendizagens. Estanqueiro (2010) refere que a exposição oral também é relevante no processo de ensino-aprendizagem, sobretudo na aquisição de novos conteúdos. Todavia, esta deverá ser muito breve e bem estruturada/organizada (nos conteúdos – quais e como ensiná-los, na clareza da linguagem e nos recursos a utilizar que devem ser diversificados e estimulantes), dando mais espaço ao diálogo com e entre as mesmas (debates). É ainda relevante mencionar que a aquisição de novos conteúdos deve, sempre, partir dos conhecimentos prévios de cada criança, tendo em conta o seu contexto cultural, interesses e limitações (Estanqueiro, 2010).

A Pedagogia da participação defende que a criança aprende melhor quando participa e constrói o seu próprio saber, assim como, quando interage com o meio exterior (outras crianças, educadores/professores e meio envolvente). O autor partilha desta assunção e refere que

O aluno aprende conteúdos e desenvolve competências na interacção com o professor e com os colegas. Através da partilha de saberes e experiências, o aluno alarga as suas perspectivas e constrói activamente o seu conhecimento. Nesta interacção, o professor também aprende (Estanqueiro, 2010, p.40).

Freire (1996) defende que a criança não pode ser vista como um “banco” que adquire e guarda, sem contestar, os “depósitos” cedidos pelo docente. Esta adquire mais conhecimento e competências quando investiga/pesquisa, procura o seu saber e discute- o com outras crianças. A procura pelo seu saber motiva-as, fazendo com que a aprendizagem de novos conteúdos seja estimulante e prazerosa.

Além destes fatores, para que haja uma educação de qualidade, a carreira docente deve estar em constante evolução e atualização (Perrenoud, 2000). Para tal, é crucial que os docentes apostem na sua formação e na procura do aperfeiçoamento das suas competências, através da partilha de experiências com outros colegas, da presença em colóquios e conferências, entre outros, desde que possibilitem a sua evolução profissional e pessoalmente.

O Sistema Educativo e a sociedade atual apresentam novos desafios cada vez mais complexos e variados que os docentes precisam dar resposta e aos quais devem adaptar-se. A formação contínua pela busca de novos e mais atuais conhecimentos que

os possam auxiliar no desempenho da sua profissão são parâmetros fundamentais na carreira docente. O docente pode criar o seu próprio programa de formação contínua e de competências a aperfeiçoar e a adquirir, na medida que o mesmo conhece melhor as suas áreas dominantes e as que necessita de aprimorar. Depois de uma autoavaliação, este tem a possibilidade de procurar informação específica que o auxilie a tornar-se num profissional de educação mais completo (Perrenoud, 2000).

Em síntese, além da componente pessoal, os docentes podem procurar sozinhos ou em conjunto com outros docentes da instituição programas específicos de formação contínua. Estes poderão reunir-se e debater acerca das áreas que pretendem obter maior formação e acurar o seu conhecimento da temática. Não lhes é exigido uma seleção entre os variados tipos de formação, podendo os mesmos complementar o seu saber com outro diferente ou mais profundo, tornando-se docentes mais completos e com maior diversidade de conhecimento.