4. ARAŞTIRMA BULGULARI
4.2. Araştırmaya Katılan Öğrencilerin Mezuniyet Sonrası Çalışmak
Humanitas - FFLCH/USP, 2001, p. 162-163; o site www.desaparecidospoliticos.org.br; ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. Projeto “Brasil: nunca mais” Tomo V, v.4 Os mortos, 1985; e TIBÚRCIO, Carlos e MIRANDA , Nilmário.
Dos filhos deste solo. São Paulo: Boitempo, 1999, p. 643-650. E ainda: Folha de São,Paulo, 24 de setembro de
2002, p.A5, “Desaparecidos: Comissão Especial diz que governo poderia ter dado acesso há 15 anos Polícia Federal vai liberar arquivos do regime militar”. Em nenhuma das listas estão incluídos aqueles que morreram em conflito pela posse da terra.
3 3 1 Folha de São Paulo, 13-1-79, “Culto pelos desaparecidos reuniu 500”. 3 3 2 V. anexos.
os debates.334 Estes acontecem nas principais universidades do país e conseguem articular amplos setores da oposição. Em São Paulo é também homenageado de maneira especial o estudante da USP Alexandre Vanucchi Leme, morto sob tortura a 17 de março de 1973; seus pais e outros familiares de mortos e desaparecidos têm presença de destaque nas manifestações.335 A primeira “relação parcial” de mortos e desaparecidos políticos, totalizando 106 mortos e 39 desaparecidos, divulgada pelo CBA-RJ nesta ocasião, é publicada na íntegra pelos jornais O Estado de São Paulo,
Folha de São Paulo e Jornal do Brasil.336
Com a campanha nacional deslanchada em janeiro de 1979, aceleram-se iniciativas de abertura de processos contra a União para responsabilização jurídica pelas mortes e
desaparecimentos e interpelação às autoridades sobre a identificação e o destino dos corpos.337 Com toda certeza esta medida é tributária do precedente aberto pela histórica sentença de 27 de outubro de 1978 que deu ganho de causa – apesar da canhestra versão oficial de suicídio por enforcamento que determinou o arquivamento sumário do inquérito policial, ainda em 1975 - à ação declaratória movida por Clarice Herzog, viúva de Wladimir Herzog, e os f ilhos menores do casal, Ivo e André, responsabilizando a União pela prisão arbitrária, torturas e morte do jornalista .338
Depois do I Congresso Nacional pela Anistia, a principal iniciativa nesta linha, pelo seu ineditismo e por enfrentar matéria considerada tabu pelas Forças Armadas, é a interpelação judicial do general João Batista Figueiredo impetrada em junho de 1979 por doze familiares de guerrilheiros do Araguaia, sob a responsabilidade dos advogados Luís Eduardo Greenhalgh e Francisca Abgail Barretos Paranhos, ambos membros da CEN e da Comissão Nacional de Levantamentos de Mortos e Desaparecidos339.Também em junho, sob coordenação do CBA-MG, familiares mineiros entram com
3 3 4 O Estado de São Paulo , 29 de março de 1979, “Anistia, tema de todos os debates”, p.20. 3 3 5 O Estado de São Paulo, 29 de março de 1979, ”A denúncia da mãe de Vanucchi”, p. 20.
3 3 6 O Estado de São Paulo, 29 de março de 1978, “Comitê da Anistia divulga sua lista de desaparecidos”, p.19. Este número do Estadão faz ampla cobertura do Dia Nacional de Protesto, dedicando a ele o espaço de três páginas (p. 19-21);Folha de São Paulo, 10de janeiro de 1979, “CBA lança campanha por mortos e desaparecidos”; Jornal do Brasil, 29/3/78,p.16, “Estudantes reverenciam colega com apelos pela anistia”, “Relação dos mortos na repressão”, “Belo Horizonte tem passeatas”, “Protesto em São Paulo reúne cinco mil na USP”.
3 3 7 Em Tempo, número 46, de 11 a 17 de janeiro de 1979, “Famílias de perseguidos políticos e comitê de anistia acusam: REGIME MILITAR MATOU E ‘SUMIU’ 151 PRESOS”; Jornal do Brasil, “Mãe de jornalista”[Luiz Eduardo Merlino] culpa Oban por torturas e morte do filho”.
3 3 8 A sentença é de Márcio José de Moraes, juiz paulista de 32 anos. Na ação oficiaram os advogados Heleno Fragoso – combatente histórico pelos direitos humanos, grande aliado do movimento pela anistia – Marco Antônio Rodrigues Barbosa, Carlos Eduardo Cardoso, Samuel Mac Dowel de Figueiredo e Sérgio Bermudes. Cabe a este último a concepção da ação declaratória – medida cível, não criminal – única maneira de romper o cerco interposto ao poder judiciário pela ditadura militar. Ver a íntegra do processo movido por Clarice, Ivo e André Herzog contra a União em: Caso Herzog, a sentença. Rio de Janeiro: Salamandra, 1978. V. tb.: Em
Tempo, n. 36, 6 a 12/ dezembro/1978, p.3, “Toda força na luta pela anistia – Exemplo Herzog”.
3 3 9 Relatório da 2a Reunião da Comissão Nacional de Levantamentos de Mortos e Desaparecidos, p. 2-3; Relatório da 5a Reunião da Comissão Executiva Nacional dos Movimentos de Anistia do Brasil, p.3; Anistia,
representação judicial contra o ministro do Exército, general Walter Pires, cobrando as mesmas informações.340 Em outubro de 1980, os CBAs organizam a primeira expedição de familiares à região da guerrilha do Araguaia, para a coleta de depoimentos e busca de indícios dos locais onde os corpos dos guerrilheiros foram enterrados. A ação judicial contra a União também de iniciativa dos familiares dos guerrilheiros do Araguaia e dos CBAs, iniciada em 1982, não teve ainda o mérito julgado. Em junho de 1995, uma vez esgotados todos os recursos e constatada a inviabilidade de tratamento da questão no Brasil, a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos e o Grupo Tortura Nunca Mais-RJ, através do Human Rights Watch Americas e do Centro pela Justiça e o Direito Internacional / Cejil enviaram petição à Corte Interamericana de Direitos Humanos / CIDH da OEA, onde o processo dos guerrilheiros desaparecidos no Araguaia continua tramitando. 341
Esta preocupação dos CBAs – encaminhada depois pelos seus herdeiros políticos, os Grupos
Tortura Nunca Mais e a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos - em relação à guerrilha
do Araguaia demonstra o objetivo de reverter o exemplo mais gritante de construção do
inexistencialismo 342 praticado pela ditadura militar. A guerrilha do Araguaia, organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), é o único caso de guerrilha rural levado a cabo em toda a história da luta armada do período. Os guerrilheiros se instalam no Pará, na região do Bico do Papagaio, a partir de 1966. A guerrilha permanece ativa por dois anos, de 1972 a 1974, até ser definitivamente massacrada pelo desproporcional dispositivo militar montado para tal fim: três campanhas envolvendo cerca de vinte mil militares das três forças, profissionais especializados, agentes infiltrados e o que havia de mais moderno em termos de armamento e logística contra três destacamentos constituídos de pouco mais de 70 combatentes mal equipados e mal armados – que se mostram, no entanto, muito bem preparados - dos quais apenas três sobreviveram.
O governo Médici decide, então, extirpar da história não apenas a memória, mas o próprio acontecimento, transformando-o em desacontecimento. Como diz Jacob Gorender “o governo Médici decidiu ocultá -lo na treva cósmica”.343 A imprensa, amordaçada pela censura, nada
órgão oficial Do CBA-RJ, número 6, julho/79, p.5; peça de Interpelação Judicial assinada pelos advogados Luís Eduardo Greenhagh e Francisca Abgail Barretos Paranhos Brasília, 25 de junho de 1979, xerografada. 3 4 0 Jornal do Brasil, 27 de maio de 1979, “Gen. Walter Pires será interpelado sobre guerrilheiros”.
3 4 1 COMISSÃO DE CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RIO GRANDE DO SUL. Relatório azul 2000/2001, p.388; TELES, Janaína, op. cit., p. 174.
3 4 2 O termo é Marcel Gauchet, recuperado por Vidal -Naquet. V.: VIDAL-NAQUET, Pierre. Os assassinos da
memória. Campinas-SP: Papirus, 1987, p.16.
3 4 3 GORENDER, Jacob. Combate nas trevas, p. 210. V. todo o capítulo 29 “A guerrilha abafada”, p. 207-213. O próprio Médici, no entanto, inadvertidamente, faz alusão à guerrilha em mensagem enviada ao Congresso nacional de março de 1975 no capítulo dedicado ao combate à subversão. Coojornal, julho de 1978, p.22, “ Operação Araguaia”.
registra344; o Congresso se cala; as Forças Armadas até hoje oficialmente mantêm silêncio sobre sua participação no episódio e empregam todos os meios para ocultá-lo.A guerrilha não devia produzir nem mesmo efeitos judiciais, o processo dos sobreviventes não faz qualquer alusão ao fato - não houve guerrilha, tampouco guerrilheiros, portanto não pode haver réus. Todos os guerrilheiros mortos , embora tenham sido reconhecidos pela União em 1995, 345 continuam ainda hoje na condição de desaparecidos políticos, uma vez que seus corpos permanecem em locais ignorados. Até o final de 1976, inexplicavelmente o próprio PCdo B escondia dos militantes o fim da guerrilha e, ao revelá-lo em setembro daquele ano, não denuncia o massacre, preferindo falar de uma espécie de recuo tático “sob a forma de dispersão temporária dos combatentes”.346Somente a partir de 1978 são retomados os esforços no sentido de resgatar a guerrilha do Araguaia para a história, empreendidos pela imprensa alternativa, seguida pela grande imprensa347. Assim, sobretudo a partir de 1979, os CBAs a colocam como prioridade na luta pelos mortos e desaparecidos políticos.
Em março de 1992, o Jornal do Brasil publica série de reportagens divulgando relatórios confidenciais sobre a guerrilha do Araguaia produzidos pelo Exército, de 1972 a 1976. O principal deles, de 34 páginas, foi elaborado pelo Centro de Informações do Exército (CIE) em 9 de novembro de 1972, assinado pelo então tenente- coronel Arnaldo Bastos de Carvalho Braga, chefe da agência do DF do Cie (Centro de Inteligência do Exército), e enviado a Orlando Geisel, ministro do Exército no governo Médici. O relatório descreve a segunda campanha militar contra a guerrilha, chamada Operação Axixá; dele constam nomes, descrição física e locais onde foram mortos alguns guerrilheiros. Neste conjunto de documentos, o Exército fala em 92 mortos, quando o PCdo B reivindicava 65. Apesar da repercussão destas notícias e do grande número de evidências que este material contém, não se avança quase nada no que diz respeito ao parade iro dos desaparecidos do Araguaia, mesmo com os esforços sobre-humanos realizados há quase três décadas pelos CBAs primeiro, e depois pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, pelos Grupos
3 4 4 Exceto os únicos furos de O Estado de São Paulo (24/setembro/1972) e do Jornal da Tarde (25 de setembro de 1972) com amplas notícias sobre a segunda campanha do Exército. GORENDER, Jacob. op. cit., p. 211;
Coojornal, julho de 1978, p.22.
3 4 5Em 1995, o Estado assume a responsabilidade em relação aos guerrilheiros ao incluí-los, em número de 58, entre os 136 casos de desaparecidos políticos reconhecidos pelo anexo da Lei 9 140/95, que determina o pagamento de indenizações aos familiares.
3 4 6 GORENDER, Jacob, op.cit., p. 212.
3 4 7 V. DORIA, Palmério et allii . A guerrilha do Araguaia História imediata 1.São Paulo: Alfa-Omega, 1978. Trata-se de reportagem de jornalismo investigativo,a primeira publicação com relato abrangente documentado sobre o acontecimento. E ainda: Coojornal, julho de 1978. “Operação Araguaia”; Em Tempo, 60, 25/4 a 1/maio/1979; Movimento, 5 a 11/3/1979; Jornal da Tarde, 13/1/1979 (Caderno Especial).
Tortura Nunca Mais e, a partir de 1996, pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos criada em função da lei 9140/95.
Até agora, apenas duas ossadas foram exumadas do Cemitério de Xambioá, em 1991, por familiares do guerrilheiro médico João Carlos Haas Sobrinho: apenas uma delas foi identificada, em 1996, a da guerrilheira Maria Lucia Petit da Silva. 348 O mais grave é que, conforme denúncia , de julho de 2001, de equipe integrada por quatro procuradores da República, funcionários da Procuradoria da República de Marabá, Santarém e Belém e representantes da Comissão de Familares, , ainda hoje o Exército monitora a região através do seu Serviço de Inteligência, mantendo escritório em Marabá para vigiar a população, proibindo-a de fornecer qualquer tipo de informação sobre a guerrilha. Esta denúncia deu origem a três inquéritos civis públicos, abertos pelo Ministério Público Federal de São Paulo, Pará e Distrito Federal e a uma série de reportagens intitulada
Inteligência Militar, assinadas por Josias de Souza, publicadas pela Folha de São Paulo de 2 de
agosto a 6 de setembro de 2001. 349
Além da ofensiva na questão da guerrilha do Araguaia, o movimento pela anistia investe igualmente na localização de cemitérios clandestinos nos grandes centros, onde poderiam estar depositados restos mortais dos desaparecidos políticos . Em junho de 1979, são descobertas no Cemitério D. .Bosco, em Perus-São Paulo, as ossadas de Luiz Eurico Tejera Lisboa, da Ação Libertadora Nacional / ALN , preso em São Paulo em setembro de 1972 e desaparecido desde então, e de Dênis Antônio Casemiro, da Vanguarda Popular Revolucionária / VPR, preso e morto pela equipe do delegado Fleury, também em São Paulo, em abril de 1971. São os primeiros casos de elucidação de desaparecimentos políticos , resultado de investigações da Comissão de Familiares do CBA-RS, juntamente com o CBA-SP, sobretudo a partir da notável atuação de Suzana Kenniger Lisboa, viúva de Luiz Eurico. O episódio é particularmente significativo pelo fato de ter sido
3 4 8. Jornal do Brasil, 22/3/ 1992, “Um mistério chega ao fim”; Jornal do Brasil, 23 de março de 1992, “Exército atacou Igreja após vencer luta no Araguaia”; Jornal do Brasil, 24/4/92, “Família de Grabois quer que Exército devolva corpo”; Jornal do Brasil, 5/4/1992, “Exército tinha agente dentro do PcdoB”
3 4 9 Folha de São Paulo, “Exército admite ‘arranhar direitos’civis’, 2 de agosto de 2001, p. A 6; Folha de São
Paulo, “MST Vai pedir reabertura do caso Carajás”,4 de agosto de 2001, p. A 10; Folha de São Paulo, 5 de
agosto de 2001, “”Espiões do Exército vigiam até o governo”; , p. A 10; Folha de São Paulo, 5 de agosto de 2001, “Exército monta rede de informantes” (manchete); Folha de São Paulo, 6 de agosto de 2001, “Ministro do STM condena arquivo secreto do Exército”, p. A 4; Folha de São Paulo, 8 de agosto de 2001, “Eventuais abusos serão apurados, diz Exército”(1a página), “Exército diz que vai apurar transgressões”, p. A 6; Folha de São Paulo, 12 de agosto de 2001, “Em fita, soldado conta como foi torturado por seus comandantes”, p. A 13; Folha de São
Paulo, 17 de agosto de 2001, “Arapongas omitem origem de seus gastos”; Folha de São Paulo, 18 de agosto de
2001, “”Apreensão gera crise entre Exército e PF”, p. A 10; Folha de São Paulo, 19 de agosto de 2001, “”Exército planejou ‘cemitério”na selva”, p. A 14-A 15; Folha de São Paulo, 20 de agosto de 2001, “Constituição favorece excessos de militares”, p. A 4, “Exército fere lei ao manter papéis secretos”, p. A 10; Folha de São Paulo, 28 de agosto de 2001, “Exército espiona como no regime militar, p. A 6, “”TRF manda devolver papís do Exército”, p. A
confirmado e revelado em 21 de agosto e denunciado no Congresso Nacional no dia seguinte, no momento mesmo da votação do projeto de anistia parcial. O movimento consegue ainda desmascarar as versões oficiais para as mortes – a farsa habitual de suicídio no caso de Luís Eurico e de tentativa de fuga, no de Dênis Casemiro. 350
Em 1980, os CBAs encontram indícios dos restos mortais dos presos políticos, militantes do Movimento de Libertação Polular / MOLIPO, Maria Augusta Thomaz e Márcio Beck Machado na Fazenda Rio Doce, em Goiás, on de foram mortos e enterrados em abril de 1973. As ossadas, no entanto, não foram resgatadas, pois o túmulo havia sido violado dias antes por agentes da Polícia Federal, que deixaram nas covas abertas apenas pequenos ossos e alguns dentes. 351
Assim, é revelada a existência de valas clandestinas, o que tem desdobramentos até hoje, com a abertura da perspectiva de novas pistas para a elucidação dos desaparecimentos políticos. A edição de n. 140 da revista Isto é, de 29 de agosto de 1979 , tem estampada na capa a foto da cova do Cemitério de Perus onde foi enterrado Luís Eurico Tejera Lisboa com a seguinte chamada:
“ANISTIA A derrota do governo. Aqui está enterrado um desaparecido.”352
O Cemitério D. Bosco foi construído pela Prefeitura de São Paulo, em 1971, na administração Paulo Salim Maluf, passando logo a receber cadáveres não identificados de indigentes e vítimas da repressão política e dos esquadrões da morte. No tardio dia 4 de setembro de 1990, lá foi aberta vala clandestina com 1 049 ossadas, apontada pelo repórter Caco Barcellos. Pela primeira vez constitui-se comissão oficial pata tratar do assunto: por iniciativa da então prefeita petista Luiza Erundina é criada a Comissão Especial de Investigação das Ossadas de Perus, integrada por representantes da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Até agora, entre as 1 049 ossadas, foram identificados cinco presos políticos: Dênis Casemiro, Frederico Eduardo Mayr,
7; Folha de São Paulo, 6 de setembro de 2001, “”Militares vão auxiliar buscas no Araguaia”, p. A 10; Folha de
São Paulo, 2 de setembro de 2001, “”Exército de embrulha nos seus próprios papéis secretos”, p. A 14.
3 5 0 Jornal do Brasil, 22/8/79, “Desaparecidos aparecem mortos”, p. 4; Folha de São Paulo, 23/8/79, “Localizados corpos de 2 desaparecidos”; Isto é, n. 140, 29 de agosto de 1979, “ANISTIA A derrota do governo Aqui está enterrado um desaparecido” (matéria de capa). E ainda: Dossiê dos mortos e desaparecidos, documento do Comitê brasileiro pela Anistia - secção do Rio Grande do Sul, 1984, p. 96 e 109; COMISSÃO DE FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS, INSTITUTO DE ESTUDO DA VIOLÊNCIA DO ESTADI-IEVE, GRUPO TORTURA NUNCA MAIS-RJ E PE . Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964. Recife-Pe: CEPR e Governo do Estado de Pernambuco, 1995, p. 335-341; MIRANDA, Nilmário e Tibúrcio, Carlos. Dos filhos deste solo, p. 85-88; e TELES, Janaína. Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou
impunidade? , p. 161-162.
3 5 1 COMISSÃO DE FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS, INSTITUTO DE ESTUDO DA VIOLÊNCIA DO ESTADI -IEVE, GRUPO TORTURA NUNCA MAIS-RJ E PE. Dossiê dos mortos e desaparecidos
políticos a partir de 1964, p. 344 e 346; MIRANDA, Nilmário e TIBÚRCIO, Carlos. Dos filhos deste solo, p. 158.
Helber José Gomes Goulart, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones. No momento, estão sendo trabalhadas duas ossadas, que podem pertencer a Flávio de Carvalho Molina e Luis José da Cunha. A Comissão de Perus estendeu os trabalhos a todos os cemitérios da capital e cidades vizinhas: no Cemitério de Campo Grande (São Paulo) foi identificada a ossada de Emanuel Bezerra dos Santos e no Cemitério de Vila Formosa comprovou- se terem sido enterrados os
desaparecidos José Maria Ferreira Araújo, Antônio dos Três Reis Oliveira e Alceri Maria Gomes da
Silva, mas seus restos mortais não foram localizados. No local em que se encontrava a vala comum de Perus foi erguido memorial de autoria de Ricardo Othake, inaugurado em 26 de agosto de 1993. Outras valas clandestinas foram localizadas e abertas, sem a possibilidade de identificação das ossadas: em setembro de 1991, o Grupo Tortura Nunca Mais-RJ encontrou 2 100 ossadas – 14 de presos políticos - no Cemitério Ricardo de Albuquerque. No Cemitério de Santo Amaro de Recife estão os despojos dos 6 mortos na Chacina da Chácara São Bento, perpetrada em 1973 pelo delegado Fleury , guiado pelo agente policial infiltrado Cabo Anselmo. Em agosto de 2001, a partir de dados da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, foi descoberta outra vala clandestina na cidade de Nova Aurora, no oeste do Paraná, onde devem estar enterrados mais seis
desaparecidos políticos. 353
É exatamente a questão dos mortos e desaparecidos que representa o impasse crucial intrínseco à luta pela anistia: na concepção do movimento, a condição fundamental para a efetivação dos epítetos ampla, geral e irrestrita passaria necessariamente pela sua solução definitiva – o que, ainda hoje, se coloca como possibilidade para lá de remota - , ou seja, o esclarecimento circunstanciado das mortes e desaparecimentos, a devolução dos corpos às famílias, a atribuição das responsabilidades, a devida punição dos torturadores e assassinos de presos políticos e o desmantelamento do aparelho repressivo que os executou. Somente desta forma os mortos e
desaparecidos seriam contemplados, ressarcidos e resgatados para a história - é este, segundo os
CBAs, o combate a ser travado.
3 5 3 Relatório da Comissão Especial 261/90, a Comissão de Acompanhamento da Investigações sobre o Saso das Ossdas Humanas Encontradas em Cemitérios da Capital. Assinado por Ivan Akselrud de Seixas, São Paulo, dezembro de 1992. E tb.: COMISSÃO DE CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS DA ASSMBLÉIA LEGISLATIVA DO RIO GRANDE DO SUL. Relatório Azul 2000/2001. “Anos de chumbo”, p.369-380; TELES, Janaína, op. cit., p. 163 -170.
Para lograr o resgate da memória e o ressarcimento histórico seria necessário ,como afirma Bernardo Kucinsky, vasculhar o “submundo da repressão”354, o que dá a dimensão das dificuldades e dos obstáculos a serem enfrentados pelo movimento. Este expressa assim o sentido da luta:
“A questão dos assassinatos e dos desaparecimentos tem de ser examinada no quadro desse terrorismo de Estado. Como aspecto essencial da ação coercitiva do Estado deve-se registrar o fato de que aquilo que aqui chamamos de terror de Estado caracterizou- se pela institucionalização do correspondente aparato repressivo. As torturas, as mortes e os desaparecimentos não são produto de excessos incontroláveis de agentes isolados da repressão. O regime organizou-se para tal. Recrutou e adestrou agentes, criou repartições, destinou verbas, imaginou aparelhos e instrumentos, fiscalizou a perfeita execução dos serviços, premiou seus mais eficientes executores, obstruiu a limitada ação da precária justiça que tentou por vezes opor- se ao arbítrio. (...) Esta é a luta dos movimento de anistia, que prosseguirá até a realização de seus objetivos sem que se possa esquecer que ‘pessoalmente, os mortos e desaparecidos já não podem ser beneficiados pela Anistia. Apenas sua honra e sua memória podem ser recuperadas pela medida, com o reconhecimento de que esses companheiros foram assassinados por fazerem oposição ao regime de arbítrio. Além disso, suas famílias ainda precisam de anistia para suas angústias, sofrimentos e incertezas. Precisam de anistia para que outros não passem pelo que