2. GENEL BİLGİLER
3.4. Araştırmanın Yeri ve Zamanı
A conservação da biodiversidade é extremamente importante por razões éticas, científicas, ecológicas, económicas e estéticas (Roman et al., 2001).
As ilhas tendem a apresentar elevados níveis de endemismo e elevado número de espécies relíquias que entretanto se extinguiram nos continentes (Carlquist, 1974). Nalguns casos existe uma estabilidade insular que permite que algumas formas aí se mantenham (Nunn, 1994). Noutros casos e em pequenos ilhéus, devido às dificuldades de acesso o número de predadores é nulo ou reduzido, permitindo a nidificação de aves marinhas como acontece com a cagarra (Calonectris diomedea borealis) nas Ilhas Selvagens (Jouanin et al., 1995).
Já vimos antes que a viabilidade de populações fundadas por poucos indivíduos (efeito fundador), não pode ser calculada e é fortemente influenciada pelo acaso (Broders et
al., 1999). Quando as populações são pequenas, a probabilidade de desaparecer devido a uma
catástrofe natural (ex: vulcão, furacão) aumenta, ou simplesmente, a extinção por flutuações demográficas aleatórios é muito maior nestes pequenos grupos (Frankham et al., 2004; Hasegawa, 2003). Daí que as pequenas populações são as que recebem mais atenção dos conservacionistas tanto mais que na maior parte das vezes estão fortemente caracterizadas por uma baixa variabilidade genética e elevados níveis de endogamia. Diamond (1984) demonstrou que havia um aumento no risco de extinção com o decréscimo do tamanho da
população. Como referi, nas populações pequenas aumenta também os riscos de extinção devida a flutuações estocásticas das populações. No entanto, o tempo esperado para estas extinções é tanto maior quanto maior a capacidade de sustento do meio (Lande, 1993).
Apesar de constituírem nalguns casos refúgio de muitas espécies, as ilhas constituem sistemas muito vulneráveis estando as espécies mais sujeitas à extinção do que em relação ao continente (Frankham, 1997). De acordo com Frankham (1997, 1998), os factores genéticos não podem ser descartados como causas da maior taxa de extinção nas ilhas, apesar de poucas serem as evidências a prová-lo. Segundo o autor existem quatro factores genéticos que contribuem para a maior taxa de extinção nas ilhas: aquilo a que ele chamou de depressão endogâmica, perda de variabilidade genética, acumulação ou fixação de mutações deletérias e “adaptação genética” ao ambiente insular.
As ilhas funcionam muitas vezes como armadilhas evolutivas, em que as espécies muito adaptadas ou especializadas estão sujeitas a elevadas probabilidades de extinção (Báez, 1988). As formas endémicas terão então maior dificuldade em se manter nos casos em que ocorrerem mudanças ambientais, pois a sua variabilidade é geralmente muito reduzida, mais baixa do que nas formas não-endémicas (Frankham, 1997).
A extinção dos animais e plantas nas ilhas pode ter várias causas sendo a mais frequente a caça directa pelo homem (sobrexploração) e outras formas de exploração humana como a desflorestação, modificações do habitate como a sua fragmentação e destruição com a formação de isolados, poluição, predação, competição com as espécies introduzidas. As espécies também podem extinguir-se por causas naturais (ex. vulcanismo, chegada de outras espécies…) e efeitos secundários da extinção de outras espécies (Cushman, 1995; James, 1995; Frankham et al., 2004; Pimm & Gilpin, 1989; Rocha Pité & Avelar, 1996) bem como por taxas elevadas de endogamia e homozigotia. (Frankham et al., 2004).
A importância das invasões biológicas tem vindo a ser reconhecida como muito importante na degradação da diversidade biológica em termos mundiais e locais (Mack et al., 2000; Usher et al., 1988), principalmente nas ilhas oceânicas (Roemer et al., 2001) como as Galápagos (Itow, 2003). As introduções começaram já na pré-história, como foi o caso do rato-do-Pacífico (Rattus exulans) introduzido na Polinésia (Matisoo-Smith, et al, 1998).
A maior capacidade competitiva, as interacções mutualistas, a flexibilidade de comportamento podem ser factores importantes no sucesso dos invasores (Mooney & Cleland, 2001) e por isso o comportamento assume um papel importante na biologia da conservação (Holway & Suarez, 1999).
Os efeitos das invasões podem ter vários impactos sobre as populações locais. Parker et al. (1999) referem que apesar dos cientistas falarem nos impactos das espécies não indígenas, pouca atenção tem sido dada na definição de impacto, ou na ligação da teoria ecológica às medidas de impacto. A falta de generalizações respeitantes às invasões biológicas, reflectida na incapacidade em fazer previsões é negativo e impede uma estratégia eficaz de combate às invasões (Parker et al., 1999).
Das espécies que chegam às ilhas, algumas podem morrer e outros tornar-se-ão naturalizadas. Só algumas das espécies naturalizadas se podem tornar invasoras. Os invasores biológicos são espécies que estabelecem nova distribuição onde proliferam, expandem e persistem em detrimento do ambiente (Mack et al., 2000).
As invasões causam geralmente danos graves nos ecossistemas atingidos. Os animais podem eliminar formas nativas através da predação, herbivoria, competição e alteração de habitate. Nalguns casos a introdução duma presa pode levar a profundas alterações na rede trófica das ilhas, como aconteceu com a introdução de porcos em certas ilhas do Golfo da Califórnia. Estes permitiram a fixação de águias predadoras que começaram a predar sobre espécies nativas nomeadamente carnívoros. Nestas ilhas a predação substituiu a competição como principal força a dar forma aos biota (Roemer et al., 2001).
Podemos dizer que a maioria das extinções ocorridas a partir de 1600, quer em aves quer em mamíferos ou répteis ocorreram em formas insulares, mesmo pensando que o total das espécies insulares é apenas uma pequena fracção do total de espécies. Assim, por exemplo 20% das espécies de aves ocorrem em ilhas, sendo que 90 % das extinções de aves ocorreram em ilhas (Frankham, 1997; Frankham et al., 2004).
A introdução de cães, gatos e ratos, bem como a acção predatória do homem tem sido invocada para explicar o declínio de certas formas reptilianas insulares, principalmente gigantes, como em Gallotia (Machado, 1985). A extrema vulnerabilidade das ilhas às invasões por espécies (Cushman, 1995; Roemer et al., 2001) é provavelmente bem demonstrada pela colonização das ilhas pelas espécies introduzidas pelo homem nos últimos 200 anos.
Segundo Keitt & Marquet (1996), poderá não haver um equilíbrio entre a introdução duma espécie e a extinção de uma nativa, mas a introdução duma espécie poderá despoletar uma “cascata” de extinções. Neste último caso, a relação entre o tempo da introdução e a extinção de diferentes espécies é regida por uma relação exponencial. Inicialmente, o invasor pode ter uma acção subtil ou mesmo insignificante.
A introdução de espécies pode contribuir para o aumento do número de espécies se nenhuma for extinta, por outro lado geralmente leva à redução do número de espécies devido à competição e predação por parte das invasoras (D’Antonio & Dudley, 1995).
Em termos de lagartos, Anolis carolinensis foi introduzido, não se sabe como, em La Romana na Costa da República Dominicana e rapidamente atingiu grandes densidades, onde parece estar a influenciar algumas espécies nomeadamente A. cybotes através da predação (Fitch, et al, 1989).
O desaparecimento de Macroscincus coctei em Cabo Verde deverá ter sido consequência da introdução de animais relacionados com o homem ou à predação antropogénica (Andreone, 2000; Andreone & Guarino, 2003). Outro exemplo foi a chegada do homem às Galápagos junto com as espécies parasitas ou comensais (ex: ratos) que devastaram várias espécies entre as quais as tartarugas gigantes, quer pela predação directa sobre adultos quer sobre os recém eclodidos e ovos (Beheregaray et al 2003).
Espécies com distribuições restritas estão mais em risco de extinção do que espécies com distribuições geográficas amplas porque qualquer variação ambiental desvantajosa para a espécie pode levá-la à extinção. Este risco será tanto maior quanto mais homogénea e panmítica for a população (Lande 1988; Shaffer et al., 2000). Outro risco tem a ver com a hibridização entre espécies nativas e as introduzidas e invasivas, provocando um tipo de extinção ou de poluição genética (Simberloff, 2001).
É fundamental em conservação de espécies conhecer-se a estrutura populacional vigente (Shaffer et al., 2000), e neste aspecto a utilização de marcadores moleculares tem sido extremamente importante nos últimos anos. As relações filogeográficas baseadas no DNA mitocondrial têm-se revelado duma importância extrema, nomeadamente na detecção de fenómenos de endocruzamento, de fragmentação e isolamento, de efeito de gargalo, de fluxo genético, ou na quantificação da variabilidade genética em espécies em risco (ver por exemplo o trabalho de Randi et al., 1994, em ursos europeus; ver também Avise et al., 1987).
Prevenir e identificar futuros invasores constitui uma das maiores e árduas tarefas da biologia da conservação porque a identificação de características de possíveis invasores tem sido muitas vezes inconclusiva (Simberloff, 2001).
Contudo, o efeito das espécies invasoras pode não ser negativo para todas as espécies. Assim, por exemplo, 5 a 10 % da herpetofauna das Índias Ocidentais parecem ter beneficiado com a introdução de espécies mediadas pelo homem, como as palmeiras, bananeiras, cacaueiros e plantas de café, ou pela actividade do homem em si. Os lagartos,
principalmente Ameiva e Anolis, utilizam os recursos introduzidos como abrigo, locais de termorregulação e alimentação assim como locais para interacções sociais (Henderson & Powell, 2001).
A combinação da ecologia com a genética é essencial para o desenvolvimento de soluções práticas para o problema das espécies invasoras. Esta aproximação holística inclui por exemplo técnicas moleculares, experiências controladas e modelos matemáticos (Sakai et
al., 2001). Muito trabalho é necessário realizar ainda para podermos prever os efeitos dos
invasores nas espécies nativas, quer em termos ecológicos ( a posição ou espaço ecológico que irá ocupar), quer genéticos (Sakai et al., 2001). Em termos naturais a fragmentação de habitate tem sido responsável pela diferenciação de vertebrados, tanto a nível continental como insular (Avise, 1992; Brown et al., 2000). As mudanças climáticas constituem uma das causas, assim como o vulcanismo (Brown et al., 2000). A perda de habitate e a sua fragmentação, provocada pelo homem, são as maiores ameaças à biodiversidade do planeta (Colinge, 1998; Roman et al., 2001; Templeton et al., 2001).
Poucos são os trabalhos que tratam do impacto da fragmentação nos répteis. O estudo de Nally & Brown (2001) constitui uma excepção à regra, no qual a fragmentação parece não influenciar o número total de espécies, mas sim interferir na existência de certas espécies.