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3.3. Araştırmanın Yöntemi
Comumente, tem-se a utilização dos termos Renúncia Fiscal, Benefícios Fiscais e Incentivos Fiscais como sinônimos. Todavia, apresentam algumas diferenciações em termos jurídicos, ainda que não resultem em consenso.
No plano econômico, os conceitos de benefícios fiscais, incentivos e isenção são amplos, abrangendo qualquer mecanismo de exoneração ou de diminuição da carga tributária, que produza, nesse plano, o mesmo efeito das isenções (TORRES, 2007, p. 335). Conquanto os incentivos fiscais façam parte da Constituição Federal desde 1934, até hoje, porém, não se encontra no ordenamento brasileiro uma classificação ou sequer uma designação, das hipóteses de incentivos. (PIRES, 2007, p. 24-25), ou seja, não existe um consenso conceitual sobre o entendimento desses termos.
Contribuindo com esse desentendimento conceitual, Diniz e Fortes (2007, p. 271-272) observam que nem mesmo o Superior Tribunal de Justiça - STJ dispensa o tratamento esperado à conceituação da expressão incentivo fiscal, empregando, com freqüência, nos mais variados acórdãos, os termos: incentivo, incentivo fiscal, benefício fiscal e isenção como sinônimos. Nesse sentido, Diniz e Ribeiro (2004) afirmam que são utilizados indistintamente
alguns signos, como subsídio, isenção, crédito presumido, manutenção de crédito, ressarcimento, redução de alíquota ou base de cálculo, alíquota zero, dilação de prazo, parcelamento, anistia, remissão etc., para se reportar aos gêneros benefício fiscal e incentivo fiscal.
Tendo em vista a imprecisão de conceitos acerca das espécies e das formas dos incentivos, a sua regulamentação oferece enorme dificuldade, o que, no entanto, tratando-se de tópico de intensa importância para a saúde econômica e disciplina política, não deveria estar regulado de forma tão esparsa e pouco objetiva. (PIRES, 2007, p. 34).
A falta de uniformidade nas denominações aos diferentes institutos de estímulos tributários pode ser observada, por exemplo, quando Rodrigues (2007, p. 321) explica que os incentivos fiscais oferecidos pelos Estados são semelhantes e, assim, o benefício perde o poder de estimular a localização da produção em determinado Estado da Federação. Esclarece o autor, que o benefício fiscal deixa de ser um incentivo, tornando-se mera redução de imposto. De outra forma, Diniz e Fortes (2007, p. 274-291) orientam que os incentivos fiscais buscam obter resultados de natureza extrafiscal ao longo do tempo, em direção ao bem comum, exigindo uma contrapartida por parte do contribuinte, enquanto os benefícios fiscais são privilégios outorgados pelo Estado a determinados contribuintes, que abrangem fatos geradores e obrigações tributárias já ocorridas e consolidadas no tempo e não exigem vinculação a qualquer contraprestação. Assim, os benefícios fiscais, objetivam, unicamente, o benefício dos próprios contribuintes.
Nesse sentido, o Poder Público estabelece situações desonerativas de tributos, mediante a concessão de benefícios fiscais com o objetivo de estimular o contribuinte à adoção de determinados comportamentos, tendo como subjacente o propósito governamental à realização de diversificados interesses públicos. (MELO, 2007, p. 229).
Nos parágrafos anteriores, percebe-se que, para Rodrigues (2007), incentivos fiscais e benefícios fiscais representam situações desonerativas de imposto e estão no mesmo plano, ou seja, têm o mesmo significado, representam o mesmo instituto jurídico, tanto é que, na sua exposição, o termo incentivos fiscais é substituído por benefícios fiscais. Já para Diniz e Fortes (2007) incentivo fiscal é um instituto que vincula o contribuinte a determinadas
obrigações, objetiva o bem comum e seus resultados serão gerados no futuro, enquanto benefícios fiscais não vinculam o contribuinte a nenhuma obrigação, beneficia somente o próprio contribuinte e têm como objetivo resolver uma situação atual decorrente de fatos geradores ocorridos no passado. E, por fim, para Melo (2007), os benefícios fiscais são um instituto de indução de comportamento com geração de resultados futuros, ou seja, o que é incentivo fiscal para Diniz e Fortes, é benefício fiscal para Melo.
Outro exemplo de não uniformidade na denominação dos diferentes estímulos tributários pode ser observado na exposição de Rodrigues (2007, p. 301), na qual explica que os incentivos fiscais são concedidos mediante isenção total ou parcial do tributo, para atingir determinados objetivos, definidos em lei, que estabelecerá as diretrizes a serem cumpridas para que os incentivos fiscais possam ser usufruídos. Por outro lado, Diniz e Fortes (2007, p. 275) afirmam que existe um diferencial entre incentivo fiscal e isenção: enquanto no incentivo fiscal o contribuinte se obriga perante o Estado, como condição formal para a sua fruição, na isenção inexiste diretamente o dever de retorno, bastando a subsunção do contribuinte à norma isentiva.
Observa-se, pelo exposto, que Rodrigues entende a isenção como uma espécie, do gênero incentivo fiscal, diferentemente de Diniz e Fortes, que trata os dois institutos como gêneros distintos.
Em suma, de acordo com Diniz e Fortes (2007, p. 297) as discussões jurídicas, envolvendo incentivos fiscais, encontram-se longe de estar pacificadas, em decorrência até mesmo da crescente complexidade das relações intersubjetivas, demandando, cada vez mais, a observância do rigorismo conceitual e da primazia do alcance dos fins sociais.
De forma geral, o que há de comum entre benefício fiscal e incentivo fiscal é que ambos pertencem à matéria tributária e atuam no sentido de atenuar ou eliminar os efeitos da tributação. A diferença é que o benefício é concedido para resolver resultados danosos passados enquanto o incentivo objetiva criar resultados positivos futuros. Como exemplo de benefícios, têm-se a anistia e o parcelamento e como exemplo de incentivos, têm-se a isenção e a redução da base de cálculo.
A Figura 8 resume e explicita as relações conceituais entre Incentivo Fiscal, Benefício Fiscal e Renúncia Fiscal baseado, nos conceitos anteriormente expostos.
Figura 8 - Incentivos fiscais e benefícios fiscais
Em vista do exposto verifica-se que, quanto à forma jurídica, existem diferentes institutos legais, diferentes abordagens (jurídica, econômica, contábil) e conceitos, diferentes pontos de vista e diferentes instrumentos para os incentivos fiscais, não havendo, assim, um consenso a respeito do assunto. Considerando a essência econômica, os incentivos fiscais visam a promover um efeito positivo sobre o patrimônio ou a renda de um ou de um grupo de contribuintes. Isso permite adotar uma denominação única e construir as hipóteses deste trabalho.