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Criada em 2005, a plataforma OTT (Over The Top) YouTube se desenvolveu ao longo dos anos como uma plataforma aberta que cedia ao usuário a possibilidade irrestrita de assistir e pesquisar a quantidade de vídeos que ele desejasse, assim como realizasse postagens de vídeos da maneira que ele desejasse. Com o tempo, o tamanho dessas postagens se expandiu e o monitoramento desse conteúdo postado aumentou, principalmente para proteger vídeos com materiais sonoros ou audiovisuais com direitos autorais, mas uma de suas características foi mantida: a facilidade de compartilhamento e incorporação de seu material em outras plataformas, algo que se revelou um “diferencial que se aproveitava da recente introdução de tecnologias de blogging acessíveis ao grande público” (GREEN; BURGESS, 2009, p.18). De acordo com os dados elencados pela maior plataforma de compartilhamento e visualizações de vídeos na Internet, o YouTube, cerca de 300 horas de vídeos são postadas por minuto, metade de suas visualizações são por dispositivos móveis e ela possui mais de um bilhão de usuários39.

76 Embora possa ser associada como um negócio advindo da cultura colaborativa para atender diversos mercados extremamente segmentados (ANDERSON, 2006), autores como José Patrício Pérez Rufi argumentam que a noção de “cultura colaborativa” foi perdida, pois hoje a plataforma vive “a impossibilidade econômica para os para os administradores do YouTube (ou seja, o Google) de manter a utopia de um meio de comunicação livre e aberto a todos usuários, criado por e para eles com um objetivo educativo e filantrópico” (PÉREZ, 2011, p.148). Em outra perspectiva, Amanda Lotz (2007) também observa como a plataforma ocupou também com seus conteúdos um lugar que antes era denominado para a televisão de nicho (narrowcasting), propiciando uma série de mudanças na forma de consumo que colocou a televisão em uma era de transição e de adaptações. Como observa Massarolo (2015), plataformas como o You Tube ou como o Netflix, propiciam “uma nova forma de criação, produção e veiculação de conteúdos (texto, imagem e som) tende a suplantar o antigo sistema do broadcasting, no qual poucos conglomerados de mídia produziam para muitos. ” (MASSAROLO, 2015, p.137)

A abertura para diversos segmentos propiciou o aparecimento de canais com aspectos mais profissionais (como canais de Youtubbers) ou a criação de canais das próprias emissoras de tv para a circulação de conteúdos exibidos na televisão ou de novos, um processo que Kim (2012) chama de mudança de CGU (Content Generated

User) para CGP (Content Generated Professional), a plataforma ainda oferece um grande e irrestrito espaço para todos tipos de usuários. Carlón (2013), em uma perspectiva antropológica, observa que a plataforma e as práticas de seus usuários se configuram como uma espécie de “invasão bárbara” no sentido que os costumes da sociedade acabam aparecendo como forma de conteúdo (tutoriais de comida e de inúmeras outras práticas), assim como a “disputa do poder que deu aos usuários comuns a possibilidade de fazer circular discursos em espaços públicos de forma semelhante como foi feito historicamente (e hoje ainda fazem) as figuras públicas e os grandes emissores institucionais” (CARLÒN, 2013, p.122).

77 Devido ao seu acervo gigantesco dos conteúdos e cerca de um bilhão de usuários40, perante qualquer acontecimento que chegue ao conhecimento do usuário, é uma prática comum efetivar busca de vídeos que possam ter registrado esse acontecimento, tornando a plataforma um grande arquivo de acontecimentos em rede. Eventos como as manifestações de 2013 rapidamente geraram uma massa de vídeos na plataforma com vídeos feitos por usuários, canais da grande mídia ou coletivos de mídia e, por esse motivo, será analisado como esses vídeos constroem discursos sobre as manifestações.

Para a seleção da pesquisa dos vídeos vinculados às manifestações de 2013, foi selecionada a maior plataforma de vídeos OTT (Over The Top) existente, o YouTube. Como critério de termos para as buscas, foram pesquisados os 3 termos mais utilizados como hashtags e, também, em alguns casos, como cartazes e mantras durante as manifestações de junho de 2013.

Hashtag Número de Tuítes

#VERÁSQUEUMFILHOTEUNÃOFOGEALUTA 603 mil

#VEMPRARUA 290 mil

#OGIGANTEACORDOU 259 mil

#MUDABRASIL 230 mil

#CHANGEBRAZIL 202 mil

Como critérios para poder refinar a busca e suas consequente análise, também foram acrescidas as seguintes orientações metodológicas:

• Os dados foram coletados entre o período de 2014 e 2015, logo a inserção do ano em conjunto com o termo buscado (por exemplo, “Vem Pra Rua + 2013”) é uma prática que ajuda a buscar vídeos do período, levando em consideração as conceitos da análise do discurso a respeito da enunciação (FOUCAULT, 2004). O

78 termo “Vem Pra Rua” é um enunciado que pode ser repetido em diferentes momentos, por diferentes sujeitos e adquirir um novo sentido discursivo, mas como o recorte da pesquisa busca a enunciação dentro do contexto das manifestações de 2013, o acréscimo da data se faz necessário para os fins para a coleta de dados.

• Como critério de seleção para a análises desses vídeos no YouTube, foram buscados também somente os vídeos publicados durante o período de junho e julho de 2013 buscando, assim, uma análise dos conteúdos criados em conjunto com o momento dos acontecimentos, descartando vídeos que pudessem trazer consigo análises distantes das manifestações, podendo se valer dados, novos acontecimentos e outros fatores que tornariam distante dos acontecimentos discursivos.

Ao utilizar os critérios descritos e efetivar a busca, os resultados encontrados demonstram uma disparidade entre os três termos utilizados, algo que não é condizente com as incidências das hashtags utilizadas no Twitter durante as manifestações de junho.

TERMO DE BUSCA Números de vídeos VERÁS QUE UM FILHO TEU

Benzer Belgeler